Break Even
6 Abra meus olhos ansiosos
Notas iniciais
Desculpem pela demora, mas teve muita coisa pra eu fazer durante esse tempo que passou, inclusive projetar e continuar outras fanfics minhas além dessa. Esse capítulo ficou grande, então espero que me perdoem (só um pouquinho, hein?).
Ah, fiquei um pouco triste com os poucos reviews que eu recebi. Por favor, mandem qualquer coisa, até um "gostei" ou "bão gostei" serve, desde que eu saiba que tem alguém lendo já conta, ok?
Um super hiper mega obrigado pra linda da DihPaschoal pela recomendação. Esse capítulo é pra você!
Boa leitura!
─ CAPÍTULO 6 ─
ABRA MEUS OLHOS ANSIOSOS
As ordens de Freddie foram que eu fosse dormir logo, porque no dia seguinte iriamos acordar cedo para buscarmos Carly e Gibby no aeroporto. E ele realmente estava falando sério pois acordei no dia seguinte, sete horas da manhã, com as batidas dele na minha porta.
Mas, dessa vez, não fui dormir desprevenida. Saí desfilando pelo apartamento com meu shorts preto curto e minha camiseta vermelha gigante do “Golfe com almondegas”.
─ Mamma está com fome! ─ anunciei, dando tapinhas sobre a minha barriga e adentrando a sala/cozinha.
A enorme mesa de vidro, que ficava perto da varanda, estava repleta de variedades de comida, o que me deixou mais animada. Freddie estava sentado a mesa e Emily ao seu lado, ambos de pijama.
─ Bom dia, Sam ─ cumprimentou Emily, com um sorriso simpático no rosto. Ela era tão falsa...
─ Bom dia ─ disse Freddie, dando um de seus sorrisos tortos pra mim.
Comecei a me servir de tudo que tinha na mesa. Panquecas, torradas, bacon e presunto, pão francês, chocolate quente... Eu nem sabia quem tinha preparado aquilo tudo, mas parecia estar uma delícia.
─ Carly ligou ─ anunciou Emily ─ Ela e Gibby pegaram vôos diferentes por causa de um contratempo, por isso vão desembarcar em aeroportos diferentes. Então, para economizar tempo, eu vou buscar Carly e você o Gibby.
─ Mas eu nem sei onde fica os lugares aqui ─ murmurei, confusa ─ Minha mãe teve um namorado italiano, não eu.
─ É só você pegar um táxi e dizer o nome do aeroporto ─ explicou ela ─ Não tem erro.
Assenti para ela e depois disso ninguém falou mais nada. Aproveitei aquele tempo para comer tudo o que tinha no meu prato e pensar um pouco. Prefiria mil vezes ir buscar Carly, afinal, ela fora minha melhor amiga, mas só de pensar em vê-la depois desse tempo todo, eu prefiria mil vezes ir buscar Gibby e sair dançando com ele pelo aeroporto.
─ Freddie, pode ir comigo? ─ perguntei, sem pensar ─ Quero dizer, só pra ter certeza de que não vou me perder.
E essa é uma das coisas que eu costumava não falar, ficava apenas imaginando como seria e guardava pra mim, mas agora não, agora eu estava fazendo o tipo falar o que vem na cabeça, doa a quem doer, etc e etc.
Emily deixou seus talheres caírem no prato de um jeito barulhento enquanto Freddie cuspia todo o seu leite em cima da mesa.
─ Você quer que eu vá com você? ─ indagou ele, parecendo não acreditar ─ Eu?
─ Hm, acho que você é o único Freddie aqui, Nerd ─ respondi, dando de ombros.
Observei discretamente Emily colocar sua mão sob o braço de Freddie e fazer um leve carinho, como se estivesse reconfortando-o.
─ Não acho que Freddie vá querer ir com você ─ disse ela em um tom meigo ─ Então ele vai comigo... Se não se importar, Sam.
Sua cínica, pensei enquanto afastava o prato para o meio da mesa, cínica maldita, você sabe que eu me importo. Fiquei extremamente irritada. Porque foi naquele exato momento que eu percebi que Emily sabia sobre o que eu sentia e ela sentia o mesmo por Freddie. Ela iria estar nesse páreo, era o recado bem explicado ali.
Olhei para Freddie, esperando alguma reação sua, mas tudo o que ele fez foi olhar fixamente para mesa, claramente concordando com o que Emily tinha falado.
─ Quer saber? Tanto faz ─ murmurei, me levantando ─ Vou ir me arrumar para buscar o Gibby.
Nem Freddie ou Emily falaram alguma coisa enquanto eu saía e ia para o meu quarto. E eu realmente tinha começado a acreditar que Freddie poderia ser meu amigo depois da noite passada. Lá estava eu, novamente, enganada.
Como eu iria buscar o Gibby, não achei que precisasse me arrumar muito, afinal, era o Gibby. Coloquei uma regata preta, jeans, meu casaco, meu par de botas e algumas pulseiras. Enquanto procurava meu perfume, ouvi batidas na porta.
─ Não posso atender porque não quero ─ gritei, enquanto vasculhava minhas gavetas.
─ Sam, eu não queria recusar o convite. Precisamos conversar agora ─ disse ele e percebi em sua voz aquele tom sério que ele usa quando a coisa é realmente séria e não envolve brincadeiras.
Larguei meu perfume em cima da cômoda e fui até a porta, abrindo-a lentamente. Freddie estava lá, do outro lado, com uma expressão duvidosa, parecia estar péssimo.
─ O que houve? ─ perguntei, cruzando os braços e olhando pra ele com a minha melhor cara de “a culpa é toda sua e qualquer palavra que diga não vai mudar isso”.
─ Sinto muito, mesmo, pelo o que houve lá na cozinha ─ desculpou-se, com um olhar alarmante ─ É só que eu não podia dizer que queria ir, não na frente da Emily.
─ O que tem de mais em preferir ir comigo? ─ indaguei, bem mais irritada do que antes ─ Qual o seu problema com a Emily? Vocês estão juntos, é isso? Estão escondendo de mim que estão juntos para que eu não conte pra Carly?
Oh não... era tudo tão óbvio! É claro que era isso, Freddie e Emily dividindo o quarto, sempre juntos em todos os lugares, ele nunca conversando direito comigo quando estava com ela... Ele estava traindo Carly com a Emily!
─ Não! Não estou traindo ninguém! ─ exclamou, indignado ─ Eu vou explicar pra você, mas antes eu tenho que dizer que Carly acabou de ligar, ela sabe que você está aqui e quer que você busca-la. Na verdade... ela exigiu. O endereço é esse. ─ ele estendeu pra mim um papelsinho.
Ali estava o nome da rua, o número, tudo certinho. Pensei em perguntar alguma coisa, mas continuei em silêncio quando vi que ele estava prestes a falar algo.
─ Eu e Carly terminamos ─ admitiu ele, juntando todas as palavras de uma vez só ─ Há um ano atrás. Por sua causa.
Ele parou de falar e só segundos mais tarde eu percebi isso. Eu não perguntei nada... estava em choque e confusa, afinal, por que Freddie e Carly se separam, ainda mais com eu como motivo?
Freddie deu um mínimo sorriso de desculpas que não alcançava seus olhos e saiu.
.
Enquanto eu olhava através da janela do táxi, tentava encaixar uma das minhas muitas suposições para aquela situação, mas nada fazia sentido. Talvez a suposição que mais fizesse sentido era que Freddie ainda gostava de mim e por isso não ficou com Carly, mas se ele sentisse alguma coisa por mim com certeza me falaria.
Bem, de qualquer forma, eu iria perguntar à Carly, afinal, ela nunca seria capaz de mentir pra mim. Esse era o jeito dela.
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Desembarquei em frente ao aeroporto do endereço que Freddie me deu, que no no final das contas era o mesmo aeroporto que eu tinha chegado na Itália. Esperei em frente ao portão A9, porque era onde Carly havia pedido para eu esperar.
Era tudo tão angustiante, eu não sabia ao certo como me comportar. Carly iria me achar culpada? Quero dizer, fui embora e nunca mais voltei, nem ao menos falei com ela durante esses dois anos e ela costumava ser a minha melhor amiga.
Se bem que se Freddie ─ que ao que parecia me odiava como antigamente ─ não tinha falado nada talvez ela também não fosse dizer nada. Eu esperava por aquilo, pelo menos.
Olhei novamente para o portão A9 e lá estava uma nova leva de pessoas, e no meio delas vinha uma garota de cabelos castanhos, olhos da mesma cor, usando um vestido azul, casaco, botas e carregando muitas malas atrás de si. Era Carly.
Andei a passos lentos em sua direção, e ela só me viu quando fiquei bem próxima a ela. Carly abriu um enorme sorriso, largou as malas e veio em minha direção.
─ Sabia que você vinha! ─ exclamou, me abraçando apertado ─ Sabia! Ah, Sam...
Abraceia-a de volta, do meu jeito todo desajeitado, e senti todos os sentimentos que tinha tentado expor nos últimos anos me afogarem. Talvez fosse por isso que eu gostava tanto de Carly, com ela eu não conseguia ser fechada, com ela eu era simplesmente eu mesma, sem medo das restrições e ela era a única capaz de fazer eu me sentir assim. Sem medo de mim mesma.
─ Senti tanto a sua falta ─ murmurei, chorando feito uma bebezinha. Eu simplesmente não conseguia conter as lágrimas ─ Eu me senti tão sozinha sem você.
─ E eu sem você! ─ soluçou ela, ainda me abraçando e chorando mais alto que eu ─ Você é minha melhor amiga, sempre vai ser.
Não sei o quanto ficamos ali abraçadas e chorando, mas sei que foi bastante tempo. Só paramos porque um menino, vindo sabe-se lá de onde, jogou sua mala em minha direção e eu gritei com ele, fazendo-o chorar e correr como se não houvesse amanhã. Afinal, a Sam aqui ainda não estava morta.
─ Me sinto tão péssima ─ confidenciou Carly, me soltando ─ Fiquei esses dois anos tão preocupada com as novidades da Itália, meu pai, a faculdade de Administração e nem pensei em visitar você na Califórnia. Você deve estar muito brava comigo e eu te dou toda a razão.
Franzi o cenho, não entendendo absolutamente nada. Eu devia estar dizendo aquilo, não ela, ela devia estar brava com a nossa atual situação de não comunicação, não eu.
─ Não ─ respondi, enxugando as lágrimas ─ Quero dizer, não devia ser dessa forma. Eu devia te perguntar isso e pedir desculpas. Fui eu que dei as costas pra vocês, fui eu quem foi embora sem avisar.
─ Eu fui embora primeiro ─ ela murmurou, dando de ombros e sorrindo ─ Acho muito mais justo eu estar errada.
─ É, mas você foi embora pelo seu pai, e eu não te culpo por querer ficar perto dele depois do enorme tempo que vocês passaram separados ─ falei, tentando convence-la ─ Eu fui pra Califórnia porque estava com medo de ficar sozinha. E além disso, eu nunca te culpei por ir embora.
─ E muito menos eu à você.
“Você está se sentindo culpada por alguma coisa que eu não sei bem o que, mas quero que você saiba que você não deve se sentir assim” Freddie tinha dito e a princípio eu não acreditara, mas depois do que Carly tinha dito, eu estava um pouco mais convencida. Não completamente, é claro, mas o bastante.
Aquele pensamento me levou a Freddie, e como uma placa de neon o nome dele ficou piscando sem parar na minha mente.
─ Será... será que antes de irmos para o hotel podemos passar em um café? ─ perguntei, me lembrando do assunto pendente.
─ Claro. Está com fome?
─ Sempre estou com fome. Mas tem outra coisa também...
.
Eu realmente não conhecia nada da Itália, por isso quando entramos no táxi, Carly deu um endereço para o motorista e em quinze minutos estávamos em frente a um café bem chique.
─ Não se preocupe ─ assegurou Carly, enquanto entrávamos no Hunter’s Moon ─ É um lugar bom apesar do jeitão refinado.
Era um daqueles lugares finos com lustres, mesas de vidro, poltronas e som ambiente. Eu e Carly nos sentamos em uma mesa ao lado da porta e fizemos nossos pedidos: dois cafés gelados e pãozinhos de minuto.
─ Então... sobre o que você quer conversar? ─ ela perguntou, enquanto aguardávamos nosso pedido.
Tardiamente percebi que aquele era o momento da decisão, onde Freddie seria colocado entre nós duas e precisaríamos convence-lo a escolher um lado, igual a um cachorro quando seus donos se separam.
─ Freddie contou pra mim que vocês terminaram ─ falei, respirando fundo ─ E que foi por minha causa.
Carly não ficou chocada ou deu algum tipo de ataque. Pelo contrário, ela continuou normal, sem nenhuma alteração aparente.
─ Achei que ele iria contar pra você ─ comentou ela, toda pensativa ─ Foi um término tranquilo, na verdade. Foi há um ano atrás, quando Freddie disse que...
Mas Carly foi interrompida peça garçonete que graciosamente colocou nossos cafés e pães sobre a mesa e saiu.
─ Disse que...? ─ incentivei, enquanto pegava meu café.
Carly hesitou e aquilo não devia ser um bom sinal. Dei um tempo à ela e a observei pegar o copo de café e coloca-lo na mesa trezentas vezes seguidas. Por fim ela comeu um dos paezinhos e soltou um lamentou.
─ É que... não sei de qual forma te conto isso ─ ela admitiu ─ Ok... Nos últimos tempos o Freddie andava meio estranho, no comportamento de casal, quero dizer. Então quando eu perguntei pra ele, ele me disse que não gostava mais de mim e que o nosso relacionamento era um erro pra ele.
Enquanto eu ouvia aquilo, tomava um pouco do meu café, mas ao ouvir o fim da frase minha garganta travou e eu cuspi todo o café na mesa. Carly soltou um muxoxo, começou a pega guardanapos e a tentar limpar a mesa.
─ E...? ─ tentei ajudar.
Carly arrumou o cabelo, respirou fundo e olhou diretamente pra mim. Isso significava que ela não estava muito segura com aquilo.
─ Freddie disse que se sentia culpado por estar namorando comigo depois de ter namorado com você, que parecia errado. E eu aceitei, porque no fundo acho que nunca gostei dele dessa forma, a verdade é que... eu achei que se vocês dois tiveram algo legal talvez eu ele também pudéssemos. Acho que estava com inveja.
─ Você quer dizer que vocês...?
─ Nunca gostamos um do outro de verdade ─ ela concluiu ─ Talvez nos primeiros meses tenha funcionado mas depois a gente percebeu o quanto era errado tentarmos forçar nossa relação de amizade para algo de namorado e namorada.
Fiquei em silêncio, porque não sabia o que dizer sobre aquilo. Todos esses anos fiquei aflita pensando o quanto Carly e Freddie devia em estar em um relacionamento firme, indo às mil maravilhas, comparando o meu relacionamento com ele ao dele com Carly, o tempo todo me sentindo culpada por algo que nem eu mesma sabia. E agora a verdade estava ali, totalmente diferente do que eu havia pensado.
Oito goles de café e cinco paesinhos depois, decidi quebrar o silencio.
─ Eu achei que isso descrevia bem o meu namoro com Freddie ─ admito, meio incerta ─ Digo, o negócio de forçar a relação.
─ Eu também achava isso de vocês ─ confidenciou Carly ─ Mas eu também estava errada. Na verdade, acho que esse é problema que eu tive com Freddie, ele sempre esteve tão certo de mim e eu estava errada sobre ele.
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Depois que terminamos nosso cafés, fomos para o hotel.
Emily soltou um gritinho quando passamos pela porta e abraçou Carly. Deixei as duas e Freddie ali e fui até a varanda, fechando a porta de vidro atrás de mim. Quem sabe eu não estava evitando mais uma rodada de indiretas de Emily para mim? Era bem possível que sim.
Da varanda eu tinha uma bela imagem de uma catedral antiga. Já era fim de tarde e as luzes começavam a se acender, o céu a escurecer, era uma linda visão.
─ Iô iô ─ falou Freddie, se aproximando de mim e ficando do meu lado. Carly fechou a porta da varanda atrás de si e veio até nós.
Estávamos só nos três ali. E ao mesmo tempo sorrimos, porque tantas lembranças vieram naquele momento, tantos momentos bons que passamos em Seattle, e agora estávamos juntos novamente. O trio iCarly.
─ Ah, venham dar um braço na Mamma aqui! ─ exclamei, puxando os dois.
Carly passou um braço em torno de Freddie, outro em torno de mim e nos uniu em um abraço tripo. Senti um braço diferente em torno de mim e sorri ao perceber que era Freddie, completando o abraço.
Passei meu braço em torno dele e o puxei para mim, encostando meu rosto em seus ombros, aspirando seu perfume. Carly deu uma risada e empurrou Freddie em minha direção e ele encostou seus lábios em meu cabelo, dando um leve beijo ali.
Um olhar de relance através do vidro deixou claro que Emily não gostou nada daquilo.
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