Brave Sand World
3 Memories
Notas iniciais

Tony voava em uma velocidade supersônica pela cidade de NY, não queria ir pra casa e ter que explicar a Pepper, não queria explicar a ninguém. Já fazia mais de duas horas que ele sobrevoava a cidade completamente sem rumo, e exatas duas horas que chorava de modo descontrolado. Sem ao menos perceber sua armadura mais uma vez estava sob o Central Park, o local favorito de sua tia em toda NY. Não conseguia contar quantas vezes ela o trouxera ali. De modo rápido ele pousou em cima de uma pequena ponte na forma de meio círculo. A cerca de 200 metros, uma árvore de tronco curvada, com belas folhas em um tom de verde vivo estavam sob os olhos atentos do Bilionário, palco de tantos momentos, tantas risadas, se lembra de correr por debaixo da pequena ponte para se esconder dos olhos cor de chocolate da tia e se divertia quando a mesma o achava e o enchia de beijos. Abigail Stark era, não ela é, a mulher mais linda que Tony já havia visto em toda sua vida, doce, carismática e muitas vezes enigmática, via o quanto os homens se exibiam em sua direção, tentando de todos os modos possíveis ter um pouco de sua atenção, porém ela sempre os ignorava. Nas grandiosas festas da alta-sociedade de NY, Abigail sempre ia com o mesmo acompanhante, seu sobrinho Antony Edward Stark, um nome que ela mesma escolheu, mesmo que ele apenas tivesse quinze anos era arrastado a todas elas, e Tony se atrevia a dizer que sua tia tinha o poder de tornar tudo encantador e divertido, até mesmo as mais chatas e longas cerimonias de casamento, que ela sempre chorava. Lembrava-se com clareza do modo como ela segurava seu colar de água marinha entre os dedos quando via um casal apaixonado, ou quando via algum filme de época.
Tony odiava ver sua tão amada tia chorar.
Caminhou a passos curtos e lentos até a árvore, fechando os olhos lembranças lhe invadiam com tanta facilidade, se sentia tão vulnerável.
[...]
“4 de Fevereiro de 1976.
– Tonizinho, vem cá com a titia. – A doce voz de Abigail chamou pelo sobrinho que corria atrás de um esquilo.
O pobre animal corria desesperado e foi quando Tony tropicou em uma raiz fazendo seu corpo se chocar com o chão. Abigail se levantou alarmada e correu em direção ao sobrinho, assim que pegou Antony em seus braços o menino de apenas 5 anos se aninhou em seu colo escondendo o rosto no pescoço cheiroso da tia.
– Titia. – A voz infantil do menino era chorosa.
– Oh meu amor não chore. – Passou as mãos delicadas pelos cabelos castanhos do sobrinho.
– Dodói titia. – Tony estendeu a mão esquerda para a tia.
A pequena palma da mão da criança estava aranhada e sangrava um pouco. Ainda com Tony no colo Abigail checou todo o corpo do menino a procura de algum outro ferimento, constatou que era apenas aquele, a linda morena caminhou com o sobrinho nos braços, se sentou na grama fofa pegando uma pequena garrafa d’agua.
– Da à mãozinha pra titia amor. – Pediu de forma doce.
E sem pensar o pequeno Stark o fez, confiava na tia e sabia que ela nunca o faria algo que o machucasse.
– Amorzinho, a titia vai jogar água para limpar sua mão, pode arder um pouquinho está bem?! – Disse encarando as esferas castanhas do sobrinho, que maneou a cabeça afirmando enquanto fungava.
Com delicadeza ela tomou a mão do menino na sua e despejou um pouco da água no local ferido, o que gerou uma careta engraçada vinda do sobrinho, se virou pegando um guardanapo limpo e de modo calmo secou o local. Tony acompanhava todos os movimentos da tia, ele a amava incondicionalmente, sentiu a tia lhe dar um suave beijo na bochecha e sorrir.
– Pronto titia, Tony não choro, pulque já é menino grande. – Disse com a língua um pouco enrolada.
– Isso mesmo já é menino grande. – Repetiu a fala do sobrinho lhe beijando a cabeça e o abraçando forte.”
[...]
Tony amava e odiava quando elas vinham em sua mente, Abbie fazia tanta falta que seu peito ardia em saudade, ver aquele colar que sua tia fazia questão de usá-lo sempre, não teve um momento em que ele não a visse com delicada peça junto ao peito.
Havia escutado milhares de histórias sobre, Steve Rogers o homem que roubou o coração de sua tia e nunca mais devolveu, o mesmo homem que lhe deu tanta felicidade. Admitia que sempre que Abigail abria a boca para contar com os olhos brilhantes o quão maravilhoso ele era, sentia o bicho do ciúme lhe morder, e quando finalmente o conheceu sentiu como se sua tia tivesse mentindo sobre o como ele era maravilhoso, Tony só via um homem tolo que seguia regras sem questionar, e também sabia que era apenas seu ciúme falando.
Encarou céu azul sob sua cabeça e sorrio. O mesmo céu que um dia sua tia encarava com tanto significado e amor.
– Sabia que te acharia aqui. – A voz de Rhodes o despertou.
Tony se manteve calado.
– Fury ligou pra min. – Rhodes simplificou. – Também sinto falta dela Tony.
– Eu também Rhodes, eu também. – A voz de Tony era baixa.
Ambos ficaram ali por alguns minutos sem dizer uma única palavra, Rhodes teve o prazer de conhecer Abigail, praticamente passou toda a sua adolescência perto da morena ela era divertida, engraçada e tinha um espirito jovem e livre, o que deixava a todos encantados, se lembrava de bem de quando tinha quinze anos e foi pela primeira vez a mansão Stark e conheceu a tia do melhor amigo, ela havia sido sua primeira paixão que com o tempo se transforou em admiração e fascínio, aprendeu a chamar a mulher de tia e ela passou a lhe tratar como um sobrinho. Mas uma coisa era certa, desde o acidente que a levou embora, Tony não pronunciava o nome dela, nunca mais falou na tia, Rhodes sabia bem o porquê, o melhor amigo era louco pela tia, a amava de um jeito incrível e lindo, a considerava sua mãe, como ele muitas vezes fez questão de dizer, ele precisava urgentemente desabafar por toda aquela dor pra fora.
– Fury disse que o Capitão Rogers ficou com o colar. – Rhodes voltou a falar. – Por que não o quis?
Viu o melhor amigo respirar fundo e fitar o nada com um olhar perdido.
– Eu tenho tanta coisa que me faz lembra-la, não achei justo ficar com o colar que ele havia dado a ela. – Explicou.
Rhodes sabia que aquela era uma meia verdade, mas resolveu deixar pra lá Tony ainda não estava pronto pra falar sobre aquilo, mesmo depois de mais de vinte anos.
– Vamos pra casa, Pepper está preocupada. – Disse se levantando e estendeu a mão ao bilionário.
Tony desviou seus olhos do ponto invisível que encarava e observou a mão estendida, ponderou a situação e resolveu pega-la, Rhodes o puxou com força o ajudando a ficar de pé e de modo lento caminharam pra fora do parque. O que Rhodes não sabia era que ele também fazia Tony lembrar sua tia, assim como a mansão em Malibu, a sala da presidência, tudo absolutamente tudo o fazia lembra-la.
[...]
Base da Hydra- Local desconhecido- 19:56 PM
O som de saltos batendo com força contra o piso ecoavam por todo o corredor da instalação, seu destino era certo. Por onde passava os Agentes abaixavam a cabeça e saiam apressados, não em sinal de respeito e sim de medo, por que era justamente isso que ela causava, pavor e sinceramente ela gostava desse efeito. Madame Aniquilação, era assim que todos a chamavam e também era o único nome do qual conhecia, fazia jus a sua fama, Aniquilação era isso o que fazia tinha o costume de dizer que “Missão dada, é missão comprida, não importava como ou os meios”. Assim que chegou a um determinado ponto do corredor parou, a porta de aço a sua frente era lisa e sem imperfeições ou identificação, checou se alguém estava no corredor pelo canto dos olhos, se virou de costas e bateu o salto contra o aço da porta e esperou.
Cerca de dois segundos depois ela foi aberta, ainda de costas teve o corpo puxado de modo violento para dentro do local, escutou a porta bater contra o batente e seu corpo mais uma vez ser jogado só que desta vez contra a parede, sentiu as pernas serem erguidas e as enlaçou na cintura do homem a sua frente.
–Зимний солдат! (Soldado invernal!) – Disse sem um pingo de surpresa.
– мадам уничтожение! (Madame aniquilação!) – O som forte e grave da voz do assassino ecoou.
Sem mais delongas colou seus lábios ao da mulher em um beijo voraz, selvagem e violento. Com a mesma violência que a jogou contra a parede ele a jogou no chão frio do deposito, queria possui-la ali mesmo e assim o fez.
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