Brave Sand World
4 Ultima tarde de sol
Notas iniciais

Verão de 1991
Mansão Stark|Malibu- Califórnia- 13:43 PM
O dia estava razoavelmente quente, o sol alto, pouco vento. As ondas perfeitas se quebravam com elegância, o cheiro de sal inebriava os sentidos da bela moça, que observava o mar por trás dos óculos escuros de grife. O azul do céu fazia um contrate perfeito com o esverdeado do mar, dando a jovem uma visão magnifica do local. Era impossível encarar aquele azul e não se lembrar dele, do seu sorriso gentil, seu tom de voz calmo, do cheiro suave de loção pôs barba e perfume amadeirado e o inconfundível perfume de limão que sua pele tinha. Instintivamente levou os longos dedos a joia que carregava junto ao peito, aquela pequena gota de mar, a apertou com força sentindo a textura rígida da peça. Steve fazia tanta falta tanta que ela sentia seu mundo criar uma nova rachadura a cada segundo sem ele. Foi despertada de seus pensamentos quando um corpo gelado e molhado se jogou ao seu lado sem cerimônia.
– Tudo bem tia? – A voz grave do sobrinho se fez presente.
Antony Edward Stark, seu bem mais precioso, sua razão de vida. A morena retirou os óculos de sol e virou as orbes castanhas em direção ao menino ao seu lado, menino não Tony nem de longe era o mesmo garoto de cinco anos que se agarrava a suas pernas ele já era um homem.
– Tudo bem. – Afirmou.
Viu o moreno erguer uma sobrancelha e lhe lançar um olhar descrente.
– Está segurando o colar de novo tia. – Retrucou levanto a ponta dos dedos gelados tocando a pele da mão da mesma.
Automaticamente ela retirou as mãos do local e sorriu em sua direção.
– Certo senhor obvio, são apenas lembranças. – Disse de modo evasivo passando a mão pelo cabelo comprido. – Onde está Rhodes?
Tony sabia que a tia não estava nada bem, segurava com mais frequência o colar entre os dedos e parecia incrivelmente aérea, muitas vezes a pegou encarando o nada.
Suspirou.
Se tiver uma coisa que odiava era ver Abbie daquela maneira, ele a amava como se ela fosse sua mãe e queria que ela fosse feliz, plenamente feliz, odiava ainda mais a capacidade que tinha de se prender ao passado, conhecia de cor a linda história de amor que ela viveu em meio à segunda guerra e seu triste desfecho, Tony admirava a força que ela tinha em se manter de pé mesmo depois de perder tanto, assim como ele, o acidente de carro de seus pais ainda era um assunto delicado entre os dois. Viu o quanto a tia sofreu, e ainda sofre, com a perda do irmão mais velho, mesmo com sua pouca idade na época se lembrava com clareza dos gritos da tia naquele dia e do modo descontrolado que ela chorou quando chegaram ao cemitério, ainda sentia o peito pesar com as lembranças daquele dia negro. Não tinha ideia do que aconteceria com ele se um dia a perdesse, não gostava nem de pensar nessa possibilidade, não se imaginava sem Abigail nem por um segundo.
– Ei lindinho, o almoço está pronto. – Rhodes disse com uma voz exageradamente fina.
– Se continuar fazendo essa voz vou achar que mudou de time. – Retrucou debochado.
Abbie gargalhou, levando as mãos ao rosto. James e Antony eram incorrigíveis.
– Certo bonitinhos. Vamos logo. – Disse enquanto pegava os dois pelo braço e os levando em direção à mansão.
[...]
Os risos da mulher podiam ser escutados por toda a casa. Depois do almoço os três se deitaram no chão da sala para assistir um filme, porém as palhaçadas de Rhodes e os comentários sarcásticos de Tony a faziam rolar de tanto rir, tirando totalmente sua atenção da tela.
– Srtª Stark! – A voz da empregada a fez se virar enquanto secava as lágrimas.
– Oi Lucy, o que foi? – Disse ainda rindo.
– Telefone pra Srtª, disse que era importante.
Abigail então se levantou e pegou o objeto das mãos da mulher, fez um gesto com a mão aos dois garotos que ainda a olhavam e caminhou até próximo à parede.
– Stark! – Disse de modo sério.
– Abigail sou eu Peggy. – A voz forte e decidida da melhor amiga ecoou pelo aparelho.
– Ah oi Maggie, pode falar.
– Preciso de você aqui em NY o mais rápido que poder. – O tom preocupado a fez entrar em alerta.
– Aconteceu algo?
– Dois de nossos informantes foram assassinados essa noite.
– Droga... Já estou indo. – Logo em seguida o telefone foi desligado. – Mal educada, nem me deu tchau.
A morena respirou pesadamente e olhou para o sobrinho que tinha um olhar magoado, e não era pra menos ela havia prometido que aquele fim de semana era deles, sem trabalho, sem projetos, só diversão.
–Tenho que ir a NY. Desculpe. – Se desculpou.
– Tudo bem tia, não se preocupe eu e Rhodes ficaremos aqui até você voltar. – O jovem rapaz disse sorrindo.
– É tia Abbie vai tranquila, cuidamos de tudo. – Rhodes sorriu igual ao melhor amigo.
– Ok, vou me trocar e arrumar uma mala pequena nos vemos em três dias. E se comportem em – Falava enquanto subia as escadas em passos apressados.
[...]
O sol já tinha se escondido á algum tempo e o Mustang vermelho corria pela estrada normalmente deserta em direção ao aeroporto mais próximo, onde pegaria o primeiro voo para NY, levou à ponta dos dedos na direção do rádio o ligando, logo as primeiras estrofes de Every breath you take do The Police preencheram os ouvidos da jovem que sorrio, com toda certeza era uma das suas músicas preferidas.
Oh, can't you see?
You belong to me
How my poor heart aches
With every step you take
Foi quando a visão de um homem parado em meio a pistas a fez virar o volante com brutalidade e rapidez, porém assim que terminou o movimento um farol alto se fez presente assim como o som inconfundível de uma buzina, não teve tempo de pensar agiu rápido voltando a jogar o volante para a esquerda batendo no pequeno guarde reio, com a força da batida seu corpo foi violentamente jogado contra o vidro que se rompeu instantaneamente, arremessando o corpo de Abigail longe, ao lado da estrada se situava um declive, quase um morro, que se estendia até um rio que era cercado de pôr árvores e vegetação rasteira. Abigail rolava agressivamente em direção ao rio, sentia sua pele ser cortada, arranhada e esfolada à medida que seu corpo se chocava com o chão de grama, pedras e um punhado de areia. Parou bruscamente quando se chocou com uma árvore, perdendo o ar, ainda respirando com dificuldade tentou erguer o corpo, sem sucesso, tinha que arrumar um jeito de pedir ajuda e rápido, sentiu algo quente escorrer pela testa, sua cabeça latejava e seus sentidos estavam bagunçados, desnorteada levou ambas as mãos à cabeça, voltou a apoia-las no chão, agarrou com força a grama abaixo de si impulsionando seu corpo para frente na tentativa de se arrastar, sentiu quando a peça de prata se rompeu desesperada por perder a joia de valor sentimental, levou uma das mãos machucadas aonde à peça deveria ter caído assim que a recuperou a apertou forte entre os dedos, porém escutou passos pesados sabia o que vinha a seguir, naquele instante o desespero lhe tomou não tinha como fugir ou escapar inutilmente tentou gritar, mas um pancada forte na cabeça a fez perder a consciência. Após se certificar que seu alvo estava inconsciente o pegou no colo, não deixou de repara o quanto a moça era bela, a ajeitou melhor em seus braços percebeu que uma coisa brilhava sob seus dedos, olhando melhor percebeu se tratar de uma joia, com o braço livre pegou a peça entre os dedos, era azul, brilhante e em forma de gota, sem significado algum, e de modo automático jogou a peça contra o chão próximo ao rio, logo caminhando floresta adentro com a moça em seus braços.
Since you've gone, I've been lost without a trace... ♫
Fale com o autor