“Daqui há seis dias é seu aniversário de treze anos, Law. Você tem certeza que não vai fazer nada?”

– Eu só faria se você fosse, Cora-san.

“Eu gostaria muito de ir mas o médico me proibiu de sair do hospital. Eu não sei quando recebo alta.”

– Você tá mesmo tão mal assim? Eu queria tanto ir aí mas o Doflamingo não deixa...

“Ele está certo, eu também não quero que você me veja assim. [tosse] Não se preocupe, às vezes eu tenho umas recaídas, mas eu sempre fico bem! [tosse]”

– Mentiroso, você só ficaria bem mesmo se parasse de fumar.

“Vamos parar de falar da minha saúde? Isso não é motivo nenhum pra você não comemorar o seu aniversário junto com os seus amigos, Law.”

– Se eu chamá-los pra cá você promete que vem?

“Prometo. Se o médico não deixar eu dou um jeito de fugir, tá bom?”

– Isso!!

“Agora é a sua vez de prometer. Você vai chamar o Luffy?”

– Ah, não. Você sabe muito bem que ele me irrita e come tudo primeiro!

“Mas ele gosta de você! E qual é o problema de ser um pouco guloso, não é?”

– Um pouco? Argh tá! Se é isso que você quer, por você eu convido ele e o Kid. Mas é só por você, Cora-san.

“Isso! Agora eu preciso desligar, tudo bem? O médico tá me chamando.”

– Mas já? Fica mais um pouco...

“Law, nós estamos conversando no telefone há três horas! Eu prometo que te ligo hoje à noite, tá?”

– Tá bom. Eu amo você, Cora-san!

“Eu amo você também. E não se esquece de convidar o seu irmão!”

– Ele não é o meu irmão...

Todo dia depois da escola, Law e Rosinante conversavam no celular por horas, sempre com um assunto novo. O grande problema era a doença que o mais velho tinha, que o impedia de fazer muitas coisas e, por isso, ele estava internado há três semanas.

Tirando isso até que os dias com a família Donquixote não eram tão insuportáveis, uma vez que Doflamingo havia parado de perturbar o jovem garoto para cuidar de seu filho, que estava cada vez mais agitado.

– Laaaaaaaaw!

Dellinger, que antes estava conversando com suas amigas pelo computador, agora se joga da cama e dá um abraço em Law no chão. Este, responde sem paciência e com raiva.

– Que que é?

– Você não vai acreditar, a Britney está vindo pra Inglaterra!

– Ai meu Deus, sério?

– Sim!!

– Foda-se.

– Ai credo, você é muito sem graça! Eu vou pedir ingressos pro meu pai e definitivamente não vou te levar!

– Mesmo se você me levasse eu não iria querer ir.

“Me desculpe...”

Mesmo depois de muito tempo, Law ainda usava os presentes que haviam ganho de Corazón há sete anos atrás, incluindo Bepo e seu gorrinho branco, que irritavam o outro.

– Você ainda fica com esses brinquedos chatos, parece uma criancinha. Vê se cresce!

– Cala boca.

O quarto dos garotos tinham vários posters de algumas cantoras de Pop Americano que Dellinger passava o dia inteiro ouvindo e conversando sobre. Enquanto isso, na empresa Smile, Doflamingo conversava com seu irmão no telefone.

– Rosinante, achei que você não ia me ligar nunca.

“Foi mal! Eu tava conversando com o Law sobre o aniversário dele. Mas porque você queria tanto assim falar comigo?”

Ah, eu preciso de um motivo pra querer ligar pro meu irmão? Eu senti saudades, só isso.

“Own..! Tá, agora fala a verdade.”

– Não dá pra te enganar mesmo, não é? Tudo bem então. Eu decidi que vou parar de vender os doces com NHC10.

“Aleluia, uma notícia boa vinda de você! Que coisa rara, Doffy, você seguindo meus conselhos assim.”

– Você é exagerado demais, esses doces estão circulando há anos e nunca tivemos problemas nenhum. Ninguém soube de nada e as vendas aumentaram bastante.

“E você decidiu parar enquanto tudo estava dando certo pra não haver problemas futuros?”

– Não é bem assim, com a vida dessas novas tecnologias as vendas vão cair de novo.Tá na hora de inovarmos as coisas.

“Vai fazer o quê?”

– Uma dessas cantoras aí vai se apresentar em um local que é patrocinado por mim. Eu fiz um contrato com a empresária dela, isso vai cuidar da publicidade. O resto é um monte de blá blá blá judicial.

“Toma cuidado com essas coisas, hein. Bom, eu fico feliz de você estar começando a tomar o caminho certo pelo menos uma vez na vida.”

– Viu? Eu não sou um monstro tão ruim assim. Aliás, eu preciso ir te visitar um dia desses, você tá mesmo bem?

“Nunca estive melhor! Pode deixar que eu sei me cuidar, Doffy. Agora eu preciso ir, tá?”

– Tá bom, mas se cuida mesmo, eu vou ficar de olho em você.

“Eu também vou ficar de olho em ti. Eu amo você, fui!”

– Eu amo você também.

Depois de conversar com seu irmão sobre os negócios de sua empresa, Doflamingo telefonou para Vergo, seu braço direito e também sócio de maior confiança. Ambos se conheciam desde a infância e sempre trabalharam em parceria.

“Doffy! Como vai, novidades?”

– Vergo! Eu só liguei pra saber como vai o treco com a tal cantora. O meu filho gosta dela, acho bom você me conseguir bons ingressos também.

“Relaxa, essa parte eu já cuidei. Mas sobre o CNH10, você tem mesmo certeza disso?”

– Claro que sim, por que não teria? Eu acabei de contar tudo pro meu irmão e ele também achou uma boa ideia.

“O Rosinante aceitou a sua ideia maluca de dobrar a quantidade de CHN10 em cada doce?”

– Tá, talvez eu tenha modificado algumas informações, mas eu fiz isso pra ele não se preocupar muito. A saúde dele anda bem frágil, sabia?

“Você me contou. Tem mesmo certeza que quer dobrar a quantidade?”

– Ah, não me diga que até você ficou preocupado com os pirralhos?

“Não é com os pirralhos que eu me preocupo. O problema é que se eles morrerem a culpa vai cair sobre NÓS.”

– Em sete anos de CHN10 algum deles morreu? Relaxa, é totalmente seguro pelo que o Caesar me contou.

“Você que sabe. Eu mandei um carinha ir aí te entregar os ingressos, precisa de mais alguma informação?”

– Só isso mesmo. Obrigado, Vergo.

~ X ~

A noite foi caindo, Law já tinha conversado com Corazón novamente como faziam sempre antes de dormir. A saúde do adulto parecia cada vez mais frágil, porém mesmo assim ele prometeu que iria no aniversário do garoto.

Ele e Dellinger estavam no quarto como sempre, discutindo e brigando sobre coisas triviais da vida. Doflamingo tinha acabado de chegar em casa depois de um árduo trabalho e logo subiu no quarto, deparando-se com as duas crianças aos socos e tapas.

– Mas que que diabos vocês estão fazendo agora? Separem-se, já!

– Paaaaaaai! – Dellinger foi correndo até o mais velho. – Você não vai acreditar no que o Law fez agora!

– O que ele fez, filho?

– Ele xingou a rainha desta nação!

– Huh? O Law xingou a Rainha Elizabeth?

– Affê, é ÓBVIO que eu estou falando da Madonna! Vocês dois não entendem nada!

– Eu só disse que ela é horrível, nada demais. – Diz Law.

– Paaaai, ele tá fazendo de novo só pra me irritar!

– Arh... – Doflamingo se desanima. – Law, para de falar mal da Madonna.

– Mas eu só disse a verdade, ela é horrível mesmo. – Argumenta Law.

– Que seja, de qualquer maneira eu tenho um presente pra você, filho.

– Pra mim? – Pergunta Dellinger.

– É, são cinco ingressos VIP com direito aos bastidores pra essa cantora aí que você gosta que eu esqueci o nome!

– INGRESSO VIP PRO SHOW DA BRITNEY? Kyaaaaaaa, eu amo vocêêêêêêê!!

Dellinger abraçou o pai, dando seus gritinhos histéricos e exagerados que irritavam tanto Law como o próprio Doflamingo, a diferença é que o pai tentava ignorar pela felicidade do filho, diferente do outro.

Doflamingo disse para Dellinger deixar Law ir junto com ele, para alegrar Rosinante, mas o próprio garoto moreno recusou dizendo que ambos não tinham o mesmo gosto musical. Resolvido isso, o mais velho foi para seu quarto e deixou os garotos sozinhos.

No dia seguinte, depois de irem para a escola e de terem sua rotina matinal, Law voltou a ligar para Corazón e saber de seu estado de saúde. A resposta que obteve foi a mesma de sempre: “eu vou ficar bem, não se preocupe”, mas ele nunca saía do hospital de fato.

Depois de finalizar a conversa por celular, Trafalgar foi até a biblioteca da cidade junto com Baby Five para ler alguns livros. O jovem se interessava por livros de medicina pois queria saber mais sobre a doença de Rosinante.

– Eu acho muito bonito você querer ser médico pra curar o Rosinante, sabia? – Baby Five comenta, sentando-se com o garoto na mesa e lendo um livro qualquer junto a ele.

– Eu preferia que ele não tivesse doença nenhuma, mas o Cora-san não sabe se cuidar sozinho. Ele precisa de mim.

– Haha, é verdade, ele sempre foi bem desajeitado. Você gosta muito dele, não é?

– Eu não gosto dele, eu o amo. É diferente. – Ele dizia, concentrado nos livros.

– É mesmo? Tão novo desse jeito e já falando de amor, é bom ver jovens assim.

– Posso te perguntar uma coisa, Baby Five? – Ele deixou o livro de lado por um segundo e ficou brincando com os dedos.

– O que é?

– C-Como é namorar alguém?

– B-Bom... – Ela ficou um pouco corada. – Como eu posso explicar? Namorar alguém significa que você queira passar o resto da sua vida com a pessoa, algo do tipo.

– Verdade?

– Mais ou menos isso. Mas por quê? Tem alguém que você queira namorar, Law?

– É que lá na escola ficam falando dessa coisa... então você namora alguém que você ame?

– Sim! Quando você começar a amar alguém, você só vai conseguir pensar nessa pessoa e vai querer fazer qualquer tipo de coisa. – Baby Five parecia ficar muito empolgada ao comentar sobre namoro.

– Sério? – Law fica feliz também. – E como eu peço alguém em namoro?

– Você é muito novo pra essas coisas, Law, quando você ficar mais velho você vai descobrir sozinho.

– Mas eu quero fazer isso agora, principalmente porque ele tá doente!

– C-C-Como assim? – Ela já começa a perceber de quem o garoto estaria falando.

– Eu li em um livro que o amor é capaz de curar qualquer doença e já que namoro está relacionado a amor, então eu vou pedir o Cora-san em namoro pra ele se curar logo!

A primeira reação de Baby Five foi ficar assustada com tais palavras, mas logo depois ela se lembrou que a mente de uma criança não tem malícia e começou a rir no meio da biblioteca como se a sua vida dependesse disso.

– Pfffff! Hahahaha, não acredito nisso!

– Q-Qual é a graça?

– Hahahaha, Law, você tá confundindo tudo! São tipos diferentes de amor!

– Como assim?

– Olha, existem dois tipos de amor: o romântico e o de família. O romântico é com quem você sente vontade de namorar e o de família, como o nome já diz, é quando você ama alguém da sua família.

– Então o meu amor por ele é o romântico. – Afirma Law, não entendendo muita coisa.

– Não, o seu amor é familiar! Você só está preocupado com o seu tio, isso é normal.

– Mas o Cora-san não é da minha família. O Cora-san é o Cora-san.

– Mesmo não sendo de sangue, é da família sim! Olha, você vai aprender com o tempo, mas por enquanto vamos deixar esse assunto de lado, tudo bem?

– Tá...

Ele acabou ficando desanimado com o rumo que a conversa tomou. Tudo o que ele queria era livrar Rosinante dessa doença chata, mas ele não entendia o motivo de ninguém entender isso e nem a parte dos tipos diferentes de amor.

Baby Five pegou um livro que conta a biografia da família Donquixote, junto com um pouco da fábrica Smile e mostrou para Law.

– Quer ver? Tem fotos do Rosinante criança aqui.

– Sério? Quero!

Ela foi folheando as páginas, mostrando as figuras de quando Rosinante ainda trabalhava na fábrica junto com o irmão mais velho. Law não gostava muito de vê-lo sem maquiagem nas fotos, mas deixava isso de lado.

As folhas iam sendo viradas e cada vez mais fotos surgiam. Apareceu até algumas dos pais de Doflamingo e a família reunida junto com as milhares de crianças e Law parecia adorar quando Rosinante aparecia em uma.

– Ei, Baby Five, volta uma página...

Porém, assim que uma folha foi passada rapidamente, Law notou uma figura já conhecida por ele, apesar de fazer tempo que não a via. E tudo o que ele mais queria, era realmente não voltar a vê-la.

– O que houve, Law?

– Só volta a página, acho que eu vi uma coisa.

Baby Five notou que o garoto parecia bem pálido e assustado com alguma coisa não identificada. Assim que ela voltou a página, ele finalmente percebeu que a tal figura era realmente aquela que ele pensou que seria.

– Law? Você está pálido, o que aconteceu?

– Esse símbolo... eu já vi ele em algum lugar...

– Esse? É o antigo símbolo da fábrica Smile, da época em que o Rosinante ainda trabalhava com o Doflamingo. Provavelmente você deve ter visto em algum comercial antigo.

– Não, não é isso...

O símbolo mostrava uma esfera com dois olhos e um grande sorriso no centro. Em volta dela, haviam alguns riscos como se fosse uma engrenagem ou algo do gênero. Da última vez que ele viu aquele símbolo as coisas não ficaram bem para o seu lado, que fez com que Law se lembrasse do seu passado rapidamente.

– O que houve?! – Baby Five se espantou com a feição do garoto.

– Esse símbolo... os caras que mataram a minha família usavam ele...

Law acabou se lembrando da cena de dez anos atrás, de sua família sendo morta em sua frente e ele não podendo fazer nada para ajudá-los. Tudo o que ele se lembrava era do maldito símbolo que, por algum motivo, nunca saiu de sua cabeça.

Porém, antes que Baby Five pudesse responder alguma coisa ou fazer qualquer pergunta, eles percebem uma terceira pessoa entrando na biblioteca e indo em direção a eles.

Era o velho homem loiro, sempre com seu sorriso maquiavélico e sarcástico, que fez com que o corpo de Law ardesse em arrepios e seus olhos ficassem bem arregalados. Aquela era a última pessoa que ele gostaria de ver naquele momento. E o pior, ele parecia não saber de nada.

– Law, Baby Five! Eu saí mais cedo do trabalho assim que recebi uma notícia do Rosinante, então decidi vir avisá-los pessoalmente.

Notas finais
Que as tretas comecem!!