Brave Heart

11 Símbolo da Morte - Part. 02


Notas iniciais
Parte final!! Aliás, vocês viram o anime? A voz do Law criança é tão... *----------* Me senti um pouco pedófilo ♥

Logo de manhã o sol bateu nas cortinas do quarto e iluminou o rosto dos dois meninos que ali dormiam, com calma, abraçados uns aos outros para se aquecerem. Law foi o primeiro a acordar. Ele estava confuso, não sabia que parte tinha sido um sonho e que parte era real, tudo o que sentia era uma dor em seu corpo.

– Dellinger...? – Assim que abriu os olhos notou que seu irmão estava o abraçando. Ficou confuso, lógico, com a aproximação repentina de alguém que o odiava.

– Bom dia... – Ele despertou também e sentou-se na cama, mexendo nos olhos para despertar.

– O que houve, nós dormimos juntos?

– Pelo visto sim... – Dellinger ainda estava com sono demais e nem se deu conta do que havia feito, até uma súbita memória aparecer em seu cérebro. – AH, EU LEMBREI!

– L-Lembrou do quê? – O garoto leva um susto com o grito.

– Você, Law, o que houve? O que o meu pai te fez? Nem adianta falar que não aconteceu nada, porque está visível que é uma mentira!

– Por que você se importa...?

– Você já se olhou no espelho?!

Por mais que quisesse ficar na cama e descansar, Trafalgar foi obrigado a se levantar após ser puxado pelo irmão. Neste momento, Dellinger o arrastou até o espelho do quarto e o forçou a encarar seu reflexo, tirando a camisa rasgada que o menor tinha.

– O quê... – A reação de Law ao ver aquele garoto pálido cheio de marcas roxas pelo corpo foi de completa surpresa. Demorou um pouco até ele perceber que aquele garoto fraco era ele mesmo.

– Isso não é normal! – Exclama Dellinger, com raiva. – Isso não é nem um pouco normal, Law, você precisa ir ao médico agora!

E antes que Law pudesse ter qualquer tipo de reação ao lembrar de tudo o que havia acontecido na noite anterior, a pessoa que mais odiava e também culpada pelo tal acontecimento, entrou no quarto.

– Posso saber o que os dois estão fazendo?

(...)

Um pouco mais cedo naquele mesmo dia, Doflamingo recebeu a visita de seu melhor amigo e também parceiro, Vergo. Se tratava de um moreno alto e com um aspecto completamente sério, em contraste com o sarcasmo do anfitrião loiro.

– Vergo, trouxe o que eu lhe pedi?

– Claro, tudo pronto, mas você realmente tem certeza disso?

– Você está duvidando de mim? Se eu lhe pedi algo, então é porque eu tenho completa certeza do que eu quero.

– Doffy, não precisa ficar com a guarda alta comigo, relaxa. Alguma vez eu me voltei contra você?

– Tem razão. Ao contrário do Rosinante, você nunca hesitou em me obedecer.

– E então, onde está o pirralho?

Vergo carregava uma maleta bem pesada e seguiu Doflamingo, que foi ao quarto das crianças. Porém, ao chegar lá, notou que ambos garotos estavam de frente para o espelho e que Dellinger parecia preocupado com as marcas de violência.

– Posso saber o que os dois estão fazendo?

– Pai! – Dellinger gritou, mas não gostou muito de vê-lo. – E... Vergo? É bem raro você aparecer por aqui.

– Olá, quanto tempo. – Vergo lançou um pequeno sorriso falso para aparentar ser simpático. Ele viu Law, sem camisa, cheio de marcas roxas pelo corpo e uma aparência bem assustada.

– Q-Quem é você...? – Law não gostou de vê-lo.

– Pirralho insolente, isso lá é jeito de tratar uma visita tão importante? Você ainda não aprendeu o seu lugar dentro desta casa?!

Sem se importar se o filho via ou não, Doflamingo pegou o braço de Law com a maior força que podia, ocasionando em gritos do garoto que pedia para ser solto, mas em vão. Ele foi arrastado até o quarto do maior, onde foi trancado com Vergo dentro.

Naquele momento Law estava sentado na cama e Vergo abria sua pasta. Doflamingo olhava para o garoto com uma extrema raiva e impaciência, que era respondida por um olhar triste e preocupado com o que iria acontecer naquele momento.

– O que você contou pro Dellinger? – Ele perguntou, com sua voz grossa e afiada.

– N-Nada...

– RESPONDA!

– Eu disse que não aconteceu nada! Por que eu diria alguma coisa pra ele? Não faz o menor sentido.

– Ótimo, foi o que eu imaginei. Tire as roupas.

– P-Por quê...?

– Cala boca e tire logo, verme. Não tenho tempo pra ficar servindo de babá de pirralho!

Ele acabou obedecendo e retirou todas as peças de roupa, ficando sentado na cama e sem nada para se cobrir. Da maleta pesada, Vergo tirou alguns itens médicos para cuidar da aparência do outro e de seus ferimentos.

– Você fez um belo estrago aqui, Doffy...

– Acha mesmo? Na minha opinião eu até fui bem gentil, fufufu.

– Olha, se isso é gentileza, eu realmente espero que você nunca fique chateado comigo.

Conforme o líquido cicatrizante ia passando nas partes em que a carne estava exposta, Law sentiu muita dor e ardência, mas não chegou a gritar. Preferiu esconder a dor para si, já que estava sendo curado de uma forma ou de outra. Aquela dor era boa, comparada a anterior.

Os curativos foram feitos apenas em partes que as roupas cobriam, porém, em suas costas ou peito não haviam nenhum. Doflamingo fez questão de deixar a parte superior despida para continuar seu plano malévolo.

– A melhor parte começa agora, fufufu. – Ele dá sua risada e sorriso cínico de sempre.

– Eu nunca fiz isso antes, então não me culpe se ficar torto.

– Eu já te vi desenhando, você é bom nisso.

Trafalgar foi deitado na cama, virado para cima, com sua cabeça apoiada no colo de Doflamingo, que segurava suas mãos para ele não escapar. Vergo retirou de sua maleta uma pistola de tatuagem já carregada com a tinta negra.

– O-O que vocês...? – Law chegou a tentar perguntar, mas vendo que seria inútil, apenas fechou os olhos e esperou que o pior acontecesse.

– Não se preocupe. De agora em diante, o seu sonho se tornará realidade. De teu corpo você vai ter memórias permanentes do seu querido Corazón, e os pensamentos de nossa noite maravilhosa virão à tona em teus piores pesadelos. Pode começar, Vergo. Faça o símbolo do Rosinante.

– Entendido, Jovem Mestre.

Com a agulha afiada e a pistola já pronta para ser usada, Vergo começou a desenhar o pequeno símbolo da antiga fábrica Smile no centro do peito de Law. Não foi um desenho grande. Foi bem pequeno, porém, a dor que estava sendo cravada em seu peito era enorme.

– Aaahnn...! – Ele não resistiu e acabou gritando com a agulha da tatuagem em contato com sua pele. Seu corpo se contorceu naturalmente.

– Se você ficar se mexendo vai borrar. – Comentou Doflamingo.

E a primeira marca estava feita. O símbolo de Rosinante, responsável por Law ter ciência do assassino de sua família, estava ali, permanentemente desenhado em seu peito. Sempre que ele fosse se olhar no espelho ele teria as imagens da pior noite de sua vida. Seu pesadelo agora estava em sua pele. O verdadeiro símbolo da morte.

– Ficou bom! – Vergo dá um pequeno sorriso em comemoração ao seu trabalho.

– Ficou mesmo, você tem talento. Acha que pode fazer outro um pouco maior agora?

– Aonde você quer que eu faça?

– Hum... que tal nas costas?

– Ótimo.

O garoto foi virado de costas e Doflamingo seguiu segurando seus braços e fazendo peso em seu corpo para que não se mexesse durante o processo de tatuagem. Vergo se ajeitou para fazer o símbolo novamente, desta vez bem grande, cobrindo tudo.

Com a dor da agulha sendo incrivelmente pior do que antes, por conta das costas serem bem mais sensíveis do que o peito, Trafalgar se pôs a gritar novamente. Ele só não se mexeu graças ao peso de Doflamingo.

O desenho estava em processo e cobria suas costas completamente, sem deixar sequer um espaço em branco. É claro, ele fez questão de só marcar a parte em que era coberta pela camisa, para não levantar maiores suspeitas.

– Tá feita! – Afirma Vergo.

– Oh, ficou melhor do que eu imaginei que ficaria. Parabéns.

Dois símbolos foram cravados, um pequeno no peito e um cobrindo as costas por inteiro. Law finalmente pôde sair dos braços de Doflamingo e se olhou no espelho para observar aquilo. Seus olhos não emanavam qualquer tipo de sentimento, só estava cansado de tudo.

– Já posso ir embora?

– Calma, você acha que vai sair assim?

Primeiro Vergo cobriu a tatuagem com uma pomada específica e bandagens, para ela ficar bem firme em sua pele. Depois, Doflamingo tirou de seu armário um pequeno moletom com o mesmo símbolo no centro e deu para ele.

– Vai me obrigar a ficar usando esse símbolo idiota até nas roupas?

– Não quer? Esse moletom era o que o Rosinante usava na sua idade.

– S-Sério? O Cora-san usou isso...?

– Eu te disse, o símbolo é bem antigo. Nossos pais criaram quando ele nasceu e o presentearam com ele. O símbolo é inteiramente do Rosinan—

– EU QUERO! – Ele interrompe com um grito e seus olhos estavam brilhando ao imaginar que usaria a roupa que já fora usada por Corazón no passado.

– Eu sabia que ia querer.

Law vestiu o moletom e ficou tentando sentir o cheiro de Corazón, imaginando ele criança vestindo aquela mesma roupa. Apesar dos pesares e de ter o mesmo símbolo responsável pela catástrofe de sua família, ele ficou feliz de usar aquela roupa.

Doflamingo se ajoelhou e ficou de frente para ele, falando bem firme em seus olhos, para finalizar a conversa de antes.

– Escuta aqui, Law, a partir de hoje, sempre que você olhar no espelho, você vai sentir a dor de anos atrás. Você pode fingir que não, mas o seu cérebro não vai te obedecer. Eu estarei presente em todos os seus sonhos, em todos os seus pesadelos e vou te perseguir pro resto de sua vida. Você quer saber o motivo de eu ter feito isso com a sua família?

– ... – Ele não responde, só olha para Doflamingo com receio.

– Foi porque seria fácil demais matar só o seu pai. Ele gostava muito da esposa e da filha, sabia? A maior vingança que eu poderia ter contra ele era de arrancar aquilo que mais lhe é precioso. Você só não foi morto aquele dia porque eu não sabia da sua existência.

– Então por que você me adotou? Podia te simplesmente me matado...

– Pra te dar o mesmo gostinho. – Ele lança seu sorriso com muito mais vontade agora, fazendo o corpo do garoto se arrepiar por completo.

– Como assim...?

– Você acha que eu não sei que o meu irmão e o seu pai eram amigos? Deixa eu te contar um segredo, Law, eu não queria matar a sua família. Eu não gostava do seu pai, mas ele não tinha nenhum perigo pra mim.

– D-Do que você tá falando...? V-Você já sabia?

– Um dia seu pai me ligou dizendo que sabia dos meus planos. As únicas pessoas que sabiam disso eram o Vergo, o Caesar e é claro, o Rosinante. Quem você acha que contou a ele?

– Cora-san...

– E se o Rosinante não tivesse contado pra ele, eu não teria motivos nenhum para matá-lo. Entende o que eu digo? A culpa não foi só minha.

CALA BOCA!! Você não vai conseguir me fazer odiar o Cora-san! Ele não teve culpa nenhuma do assassinato da minha família, o único culpado foi você! Tudo o que ele queria fazer era impedir a sua loucura!

– Fufufu... eu não quero te fazer odiá-lo. Pelo contrário. Agora que você se apegou tanto ao meu irmão, assim como o seu pai era apegado à família, se o Rosinante morrer... como você vai se sentir?

A ameaça estava feita e ecoou nos ouvidos do garoto como uma agulha afiada e direta. Doflamingo, sabendo muito bem de todo o plano do irmão, havia planejado uma maneira de ter uma vingança pessoal pela traição e mostrou as caras.

E ao saber de todo o plano e que o mais velho realmente planejava matar Corazón apenas para fazer Law provar da mesma dor de seu pai, a única reação que o garoto poderia ter era a de raiva e mais ódio.

Além da vingança que ele queria ter pela morte de sua família, agora ele precisava se preocupar no rumo que essa história iria tomar. Corazón era fraco graças a doença e muito atrapalhado, o que dificultava as coisas. Vê-lo morto seria uma questão de tempo.

– O que eu preciso fazer para você não matar o Cora-san, Doflamingo?

– Ele é meu irmão. Você acha que eu quero matá-lo? Mesmo ele me traindo, eu ainda o amo. Eu não vou fazer nada com ele se você cooperar.

– Se eu não contar nada pra ele, você promete deixá-lo em paz?

– Prometo. Desde que você não fale nada sobre a nossa noite pra ele ou pra qualquer outra pessoa, eu não farei nada contra o Rosinante. Cabe a você decidir se confia na minha palavra ou não.

Notas finais
Agora que este arco da vingança do Law está completo, tá na hora do amorzinho! Yay ~