Brave Heart
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Notas iniciais

“Feeeeliz aniversáriooooo, Laaaaw!!”
– Brigado! Eu chamei o Luffy e o Kid como eu tinha te falado, então você vem, né?
“Claro que sim, eu iria mesmo se você não quisesse me ver.”
– Por que eu não iria querer te ver? Eu sempre vou querer ver você, Cora-san.
“Eu sei, eu sei, foi jeito de falar. Eu iria querer te ver mesmo se você se cansasse de mim, aliás, eu tô saindo de casa agora.”
– P-Posso te pedir uma coisa...?
“Claro, é seu aniversário, você pode pedir tudo que quiser, Law.”
– V-Você promete que não vai recusar? Por favor...
“Bom, eu não posso prometer não recusar uma coisa que eu não sei o que é... mas eu vou fazer o meu melhor.”
– Eu queria saber... se eu posso morar com você. M-Mesmo se o Doflamingo não deixasse, a Baby Five disse que poderia me ajudar a fugir de casa, então eu só preciso da sua aprovação! Por favor, por favor, por favor.......
“Ér... ahn... a gente meio que já... falou sobre isso...”
– Pelo menos promete pra mim que vai pensar melhor! Seria o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar, não precisa me dar mais nada além disso!
“Que desespero é esse? Tudo bem que você me pedia isso frequentemente, mas você tinha parado. Pera, não me diga que o Doffy te fez alguma coisa...”
– Não! Ele não fez nada comigo! Não tem nada a ver com ele, eu só...
“Você só...?”
– Eu acho... mas sei lá...
“O que houve? Você parece meio triste, o que você ‘só acha’?”
– Eu acho que eu amo você muito mais do que eu pensava.
No dia seguinte, logo de manhã, era finalmente aniversário de treze anos de Law. Como sempre, Rosinante fez questão de ligar o mais cedo possível para dar-lhe os parabéns e, como sempre, foi atendido imediatamente.
No outro lado do quarto, sentado na cama, estava Dellinger, ouvindo atentamente à conversa do outro. É claro, mesmo não se dando bem, ele não podia ignorar Law depois de observar de perto o que seu pai havia feito.
“C-C-Como assim... ‘amo você mais do que eu pensava’? A-Acho que eu não entendi muito bem...”
– Eu acho, ou melhor, eu tenho certeza. Eu estou apaixonado por voc—
“E-Eu tenho que desligar, entrou um rato na minha casa! Depois a gente se fala, eu tô indo aí!”
– M-Mas Cora-san...
“O-O rato tá mordendo m-minha calça, eu preciso ir, desculpa, a gente se fala quando eu chegar aí, t-tá?”
– T-Tá...
Assim que Rosinante desligou o celular, Law estranhou o tom de voz que ele usara no final da conversa. Parecia que estava tentando fugir, dando desculpas falsas para mudar de assunto, meio assustado com o rumo da conversa. Vendo isso, Dellinger se posicionou para falar com o garoto.
– Eu absolutamente não acredito que você disse isso mesmo.
– Eu disse que ia falar...
– Eu achei que você estivesse brincando, isso foi loucura! Você ainda não se recuperou do lance com o meu pai, não deveria falar coisas assim.
– O Doflamingo não tem nada a ver com isso! Eu não tenho medo dele, então não vou deixar as coisas que ele fez comigo me perseguirem pro resto da vida.
– Mentiroso, você passou o dia e a noite chorando ontem! E adivinha quem precisou ficar acordado por causa do seu choro? EU!
– Em nenhum momento eu pedi pra você se preocupar comigo, Dellinger.
– Quem disse que eu me preocupo com você? Se nós dois ficamos “amigos” por meio segundo ontem, foi por pena, mas agora já passou.
Depois de ficar com seus pensamentos focados apenas em Doflamingo, Law tomou duas decisões sobre o assunto. A primeira foi de realmente ficar calado e não contar nada para Corazón, por medo. Ele planejava tentar deixar isso de lado e manter-se forte, apesar de estar fraquejando em suas palavras com facilidade, por continuar muito ansioso.
– Ei, Dellinger, deixando isso de lado... v-você acha que o Cora-san ficou chateado comigo?
– Chateado não, ele agiu como qualquer pessoa normal agiria se recebesse uma confissão de amor de uma criança. Você é que tá louco!
– Eu não estou louco, eu só fiz o que nós tínhamos combinado ontem. Não era você quem ficava falando pra eu arranjar alguém?
– Alguém da sua idade! E em momento nenhum eu falei pra você dar em cima do meu tio! Mas tá, eu conheço pessoas iguais a você.
– Iguais a mim?
– É, gente da sua idade que curte sair com caras mais velhos... só que geralmente eles são meio peludos e eu acho que o tio Rosinante se depila...
– EU NÃO SOU ESSE TIPO DE GENTE! Eu gosto do Cora-san porque eu me sinto seguro com ele, não tem nada a ver com a idade. É ele quem sempre me protegeu e sempre ficou do meu lado. Isso é tão ruim assim?
E depois de todos os terríveis acontecimentos envolvendo Doflamingo, depois de chorar a noite toda, a segunda decisão que ele tomou foi que tentaria explicar a Rosinante um sentimento que ele mesmo não entendia muito bem. Tudo o que ele sabia é que precisava dizer-lhe uma hora ou outra.
– Não é que seja ruim, só é estranho.
– Você acha que o Doflamingo me deixaria morar com o Cora-san?
– Como eu vou saber? Pergunta pra ele. Se bem que eu acho melhor você nem tocar nesse assunto perto do meu pai, vai que ele se enfurece de novo...
– Que seja então. Primeiro eu vou ver o que o Cora-san pensa de tudo isso, o resto eu resolvo depois. Agora me diz, os curativos e as marcas estão aparecendo?
– Não, tá tudo coberto pela roupa.
E que hora seria melhor para tentar contar, se não o presente? Não existem mais motivos para perder mais tempo com incertezas, bastava só não deixar Doflamingo sabendo de nada. E também, se ele conseguisse ir morar com Cora-san, como sempre desejava, poderia ter um descanso do loiro.
Depois de algumas horas, conforme haviam combinado, Luffy e Kid foram à casa de Law para seu aniversário.
Ambos adoravam visitar a Mansão de Doflamingo, justamente por ser uma casa enorme e com várias comidas e brinquedos. Eles gostavam da companhia de Baby Five e Dellinger também estava lá, apesar de estar mais ocupado com seu celular e preparativos para o show.
Os quatro estavam sentados à grande mesa no centro da sala, comendo algumas coisas e conversando. Doflamingo ficou afastado, trabalhando em seu quarto, por não querer atrapalhar as crianças e Law usava o moletom de Rosinante que havia ganho.
– Torao, eu quero mais! – Apontou Luffy para o prato de doces vazio.
– Não acredito que você já comeu tudo, foi só tirar o olho de você por um segundo!
– Deixa ele, Law, você sabe como o Luffy é. – Comenta Kid. – E também fica difícil resistir, os doces do seu pai são os melhores!
– Eu já disse que ele não é meu pai.
– Mesmo assim, os doces não deixam de ser os melhores! Por que você não come nenhum?
– Eu não sou muito fã de doces, Eustass.
– O Torao é muito sério, até mesmo no aniversário dele. – Resmungou baixinho para não notarem, mas logo aumentou o tom de voz. – Aliás, cadê o tio Corazón que sempre aparece?!
– O Cora-san disse que estava vindo... talvez ele tenha ficado preso no engarrafamento.
– Ou ele ficou com medo do Law e não vem mais... – Murmura Dellinger, enquanto brinca com seu celular, mas logo é respondido pelo outro.
– Cala boca, ele vem sim!
– O que houve? – Pergunta Kid. – Vocês brigaram?
– Não brigamos, não. Aliás... – Law começa a sussurrar para Kid. – Posso te perguntar uma coisa? É que o Luffy parece que não entende dessas coisas...
– Por que estamos sussurrando? – Responde o outro.
– Só me responde! É que eu conheço um amigo que tá gostando de uma pessoa mais velha, mas ele não sabe como dizer isso...
– Se ele não sabe como dizer, então ele precisa mostrar.
– Como eu faço pra mostrar? Q-Quer dizer... o meu amigo.
– Hum... diz pra ele tentar dar um beijo nela. Eu vi isso em um filme e parece que funciona.
– Um beijo? Mas eu... quer dizer, o meu amigo já deu vários beijos no rosto dessa pessoa.
– Não pode ser no rosto, idiota, tem que ser na boca!
– E a boca fica aonde, idiota?
– Não é a mesma coisa! A diferença é que...
O assunto é interrompido quando eles ouvem a campainha tocando. Law para de ouvir Kid imediatamente e fica ansioso para ver quem estava do outro lado da porta. Baby Five foi abri-la e, lá de fora, surge o homem que todos esperavam, carregando uma sacola de presentes com a maquiagem já conhecida.
– Chegueeeeei!
– Cora-saaaaan!!
E assim que confirmou que de fato aquele homem era Rosinante, Law não teve outra reação se não correr com os braços abertos em sua direção. O loiro largou os presentes e se agachou, abrindo os braços para recebe-lo com todo o carinho do mundo, como de costume.
– Law, feliz aniversário!
Depois de tanta espera, depois de tanto precisar ter Corazón ao seu lado em dias difíceis, finalmente, os dois rapazes se abraçaram. Para Rosinante aquele poderia ser um simples abraço, mas para Law significava muito mais. Significava proteção, carinho e afeto.
– Cora-san... eu senti tanto a sua falta... muito mais do que você imagina...
Corazón se afasta um pouco do abraço e olha bem nos fundos dos olhos do garoto, tentando procurar alguma coisa específica em seu olhar. Enquanto isso, os dedos dele passavam pelo rosto de Law, sentindo sua pele macia e delicada, se aproximando um pouco mais e falando com uma voz bem calma para não assustá-lo.
– Me responda com sinceridade. Aconteceu alguma coisa na minha ausência?
– Sim, aconteceu...
– Você pode me contar o que é?
– Posso te mostrar.
No mesmo instante em que diz isso, Law segura pelo chapéu de corações do outro e se aproxima, fechando seus olhos e encostando seus lábios contra o dele, em um simples selinho, porém, sem se afastar.
Rosinante não entendeu nada do que estava acontecendo ali, mas não se afastou. Ele apenas olhava atentamente para o que o garoto estaria fazendo e pensava no significado daquilo tudo. Enquanto isso, na mesa de convidados, um certo garoto loiro se manifestava.
– NÃO ACREDITO, ELE FEZ MESMO ISSO! – Dellinger abriu um sorriso, pegou seu celular e começou a tirar fotos do tal acontecimento. – Eu PRECISO contar pra Catharina AGORA!!
E os olhares direcionados para eles só acabaram quando Law afastou seus lábios do outro e percebeu que Corazón estava totalmente vermelho e seus olhos arregalados mostravam que ele não sabia como reagir àquilo. Não sabia se era inocência ou proposital.
– L-Law... o que você...
– Eu já disse, eu amo você, Cora—
– NOSSA, AGORA QUE EU REPAREI! – Ele tenta desviar o assunto. – Você tá usando o meu moletom!
– É... o Doflamingo me deu...
– Ficou muito bom em você, deveria usar mais vezes!
– M-Mas... – Law tenta voltar ao assunto que queria, mas tudo que Rosinante faz é sussurrar nos seus ouvidos antes de se levantar e começar a agir normalmente, para desviar a atenção.
– A gente conversa depois, tá? – Ele se levanta e fala para as pessoas. – Quem quer presenteeeee!?
Antes que Trafalgar percebesse, tudo tinha voltado ao normal. Kid nem olhou a cena, já que estava tentando salvar seus preciosos doces das mãos cruéis e gulosas de Luffy; Dellinger ficou falando no celular com a amiga e Baby Five resolveu fingir que não viu.
Rosinante sentou-se junto às crianças e foi brincando com os garotos, ignorando o tal acontecimento público. Law tentou se importar o menos possível por ter levado um possível fora, já que ele percebeu que Corazón só gostaria de conversar em particular.
Assim que Kid e Luffy foram embora, Dellinger foi levado para seu quarto, apesar de querer ficar espiando os dois. Corazón levou Law para uma parte da casa onde não tinha ninguém, para que eles pudessem conversar e sentou-se no chão junto com ele.
– Essa roupa eu ganhei no natal quando tinha a sua idade. Não sabia que o Doffy ainda guardava isso... ficou bem em você.
– Por que você fica mudando de assunto? Você não gosta de mim...?
– Não fala isso, é claro que eu gosto de você! É só que...
– É por causa da minha idade?
– É porque você tá falando isso do nada! Semana passada você tava agindo normalmente, mas aí ontem você começou a ficar mais estranho e agora você diz uma coisa dessas. O que houve afinal?
– Bom, uma hora ou outra eu ia ter que falar, né?
– V-Você já tá planejando isso há quanto tempo...?
– Desde que você foi parar no hospital, eu acho...
– Entendi. Olha, eu não vou falar que você é só uma criança que não sabe o que diz, porque eu sei muito bem que você é maduro pra sua idade.
– Então você não ficou chateado comigo?
– Claro que não, eu só não sei muito bem o que pensar disso. Quer dizer, o que você planejava fazer depois de falar que me ama?
– Não sei... depende da sua resposta, Cora-san. Você me ama?
– Amo, mas...
– Mas não é do mesmo jeito que eu te amo?
– E-Eu não disse isso...
– Então você me ama de verdade?
– Eu não sei, tá? Depois de tantos anos juntos é difícil não gostar de você. Eu admito que nesse tempo todo cada vez mais eu penso em você, e desde que você era criança eu tenho essa vontade louca de te proteger de tudo. M-Mas...
– Mas...?
– Olha, eu sei que você não quer ouvir isso, mas eu não posso simplesmente dizer que amo alguém da sua idade! Quem sabe um dia, quando você crescer... até lá eu vou pensar com mais calma sobre isso, tá?
– Mas que diferença isso vai fazer? Mesmo quando eu tiver vinte anos eu vou continuar amando você, a única diferença é que eu vou ter que esperar muito mais à toa!
– Tá, só me diz o que você exatamente quer. Você quer namorar comigo, Law?
– Quero! Então você aceitou mesmo?!
– Isso não foi um convite, eu só quero saber o que você quer de mim!
– Eu quero ir morar com você. Eu não aguento mais dividir a mesma casa com o Doflamingo e desse jeito eu posso ficar mais perto do Cora-san.
– Ei, o Doffy não fez nada com você nesses dias? Têm certeza mesmo?
– Desde quando ele precisa fazer alguma coisa? Eu nunca gostei dele, você sabe disso, eu gosto é de você. Eu quero morar com você.
– Não é tão simples assim, eu não sei nem cuidar de mim, quem dirá de outra pessoa... e eu acho que você tá escondendo alguma coisa de mim.
– Pelo menos promete pra mim que vai pensar?
– Prometo.
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