Brave Heart

3 His name is Corazón!


– Hã? O que deu em você, Rosinante? Você não é de falar assim comigo e nem com ninguém.

– Doffy, como seu irmão mais novo eu já aguentei muita coisa por você. Eu já fui seu laranja, já te ajudei nas ideias doidas que você tinha e sempre te dei apoio, mas isso já é demais! Eu não vou admitir você culpar o Law pelos seus problemas com o pai dele!

– Argh, então o problema é realmente esse pirralho nojento? – Doflamingo resmunga. – Ele falou alguma coisa de mim?

– Ele nem precisou falar! Aliás, é exatamente esse o problema: ele não fala. Caso você não saiba, crianças riem por tudo! Sorriem, gostam de brincar... o Law parece um robô que não é capaz de emitir uma emoção sequer. É óbvio pra mim que o culpado por isso é VOCÊ!

– Eu já te disse, Rosinante, ele já veio assim. Eu não precisei fazer absolutamente nada. Você sabia? Ele viu a mãe e a irmã mais velha morrerem em um acidente. Ele ficou traumatizado, só isso. Quer que eu bote ele num psicólogo ou alguma coisa do gênero?

– Acidente? Ele não tinha me dito isso... mas não é justificativa pro que você fez. Hoje eu vou dormir com ele e farei de tudo pra tirar as trevas do coração desse garoto! Entendeu?

– Tanto trabalho por causa de um moleque como esse? Tá bom, faça o que você quiser. Mas saiba que eu estou decepcionado contigo!

E assim, Rosinante finalmente se acalmou e retornou ao quarto de Dellinger para levar Law até o seu. Estava decidido. Mesmo que passasse a noite em claras ou tivesse que jogar todo seu orgulho fora, ele iria fazer aquela criança sorrir.

– Ei, Law! Espere por mim aqui, tudo bem?

– Tá...

O garoto estava sentado na cama do mais velho, aguardando ele retornar ao quarto e pensando no que aprontaria dessa vez. Law não entendia muito bem o que significava tudo aquilo, nem quem aquele homem era de verdade, mas estava curioso para ver o que viria.

Passou-se cerca de vinte minutos e o jovem Trafalgar já estava cansado de esperar tanto, quase dormindo naquela cama. Eis que a porta vai se abrindo lentamente e revela uma pessoa totalmente diferente da que conhecia.

Com um gorro vermelho na cabeça, um batom que ia da ponta de uma orelha a outra, alguns riscos verdes abaixo do olho direito e uma longa capa de penugem negra, que contrastava o manto rosa de Doflamingo, eis que surge...

– Tcharaaaaaam! – Ele grita, com uma enorme careta típica. – O que achou?

Law ficou completamente boquiaberto. Seus olhos olhavam para aquela imagem de um homem adulto de vinte e sete anos cheio de maquiagem, fazendo uma cara completamente boba e infantil. Tal como um palhaço.

Ele ficou encarando Rosinante por um bom tempo, totalmente paralisado. Sua boca estava aberta, porém não conseguia emitir nenhum tipo de som. Em contrapartida, o adulto ainda aguardava uma resposta, com a mesma careta.

– Q-Quem é você...? – Law decide finalmente quebrar o silêncio.

– Ué, não me reconhece? Eu te disse, eu vim aqui com o único objetivo de te fazer sorrir e de ser o seu melhor amigo!

– E-Eu não sei o que dizer...

– Não precisa dizer nada, Law.

Rosinante vai caminhando em passos lentos, porém bem largos, na direção do garoto que permanecia em choque. Ao chegar perto, ele novamente se agachou para ficar em sua altura e pois a mão em seus cabelos, fazendo um pequeno cafuné e sorrindo.

– A partir de hoje, me chame pelo nome de Corazón. Eu serei o responsável por tirar toda sua dor e todo o seu sofrimento. É uma promessa!

– Cora...san?

– N-Não, Corazón!

– Cora...san.

– Corazón.

– Cora-san.

– CoraZÓN!

– Cora-SAN!

– Hah... – Ele suspira, desanimado. – Você não consegue pronunciar?

– Cora-zan?

– Olha, repete comigo: Cora.

– Cora.

– ZÓN!

– Zón!

– Corazón!

– Cora-san!

Ao ver que o menor realmente não iria conseguir pronunciar seu nome corretamente tão cedo, ele desistiu e resolveu deixar mesmo como Cora-san. Mesmo ainda não sorrindo, dava para perceber claramente que Law já parecia mais à vontade com sua presença.

– Ei, Law, olha isso!

Ele tenta novamente fazer o garoto rir com truques bobos tais como: fingir que estava caindo, se machucar propositalmente e bater a cabeça na parede. Nada disso funciona, pelo contrário, tudo que ele conseguia era ficar mais machucado ainda.

Rosinante desistiu de tentar o impossível e sentou-se na cama, ao lado de Law, suspirando bem forte devido ao cansaço e olhando para o teto.

– Já vai desistir? – Law indaga.

– Não vou desistir nunca, só vai ser mais difícil do que eu imaginei que seria. Você não pode me mostrar nem um sorrisinho pequeno?

– Eu já te disse, não tenho motivos pra sorrir.

– E eu já te disse, você não precisa de um motivo pra sorrir, Law.

– Por que isso é tão importante pra você? Não é mais fácil me deixar sozinho que nem o Doflamingo e os outros fazem? Por que você se importa?

– Não me compare com o idiota do meu irmão, eu não sou daquele jeito. E bem, digamos que eu me sinto triste vendo você assim.

– Por quê?

– Vem cá, por que você tá me fazendo tantas perguntas de repente?

– Porque até hoje... a única pessoa que se importou comigo foi o Cora-san...

Law proferiu tais palavras com um ar de extrema tristeza e melancolia, fazendo os olhos de Corazón se virarem em sua direção, encarando a feição que o garoto fazia.

– Law...

Embora ainda se sentisse culpado por falhar em sua missão, no fundo ele ficou feliz de ver o garoto mais aberto consigo, mesmo com um rosto tão triste como aquele. O homem loiro deu o abraço mais apertado que conseguia em Trafalgar, deixando lágrimas caírem de seu rosto.

– E-Eei... o que você... – O garoto ficou confuso ao perceber que o outro estava chorando.

– Você pode não querer ouvir isso, mas... um garotinho da sua idade... que não consegue rir ou demonstrar qualquer tipo de sentimento...

– Cora-san?

– Só de pensar que alguém da sua idade viu coisas tão terríveis como a morte dos pais...

Cada vez mais Rosinante abraçava Law com mais força e as lágrimas não paravam de cair sob o ombro do garoto, que permanecia confuso, sem saber direito o que falar.

– E-Ei... não fala isso... Cora-san...

– Quando você me chamou de idiota àquela hora, eu nem me importei! Foi você quem mais se machucou... primeiro com a morte dos pais, e agora estando num lugar tão terrível como esse. É triste demais, Law!

– Cora-san...

O jovem Trafalgar retribuiu o abraço do mais velho e, de seus olhos, finalmente lágrimas de grande peso emocional caíram por volta de seu rosto. Essa tinha sido a primeira vez que ele deixava alguém vê-lo chorar, sem ser da família.

(...)

Os dois rapazes choravam em conjunto e Rosinante teve a oportunidade de enxugar as lágrimas de seu novo pequeno melhor amigo pela primeira vez. Tudo bem que não era um sorriso, mas agora ele tinha certeza: o coração de Law estava amolecendo.

– Ei, Law.

Corazón passava seus dedos entorno do rosto choroso e quente dele, tentando secar suas lágrimas enquanto olhava bem no fundo de seus olhos. Ele retribuiu o olhar, engolindo o choro.

– Hum?

– Eu não vou poder ficar com você todos os dias, mas se o meu irmão te fizer algum mal, liga pra mim. Eu prometo que venho correndo te tirar dele, ok?

– Cora-san...

– Sim?

– Eu não gosto do Doflamingo, mas de você eu gosto!

E assim, Law finalizou sua frase fechando seus olhos e dando um pequeno sorriso junto com uma leve risada abafada que fez com que Corazón ficasse completamente arrepiado e surpreso ao ver aquela face.

– NÃAAAAAAAAAAAO ACREDITOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!

Seus olhos ficaram super arregalados e sua boca abriu tanto que quase ultrapassou o limite imposto pelo seu queixo. Sem nem perceber, Rosinante deu o maior grito de felicidade que conseguia e pegou Law no colo, jogando ele para os ares e rindo junto.

– P-Para com isso, eu vou cair!

– Você sorriu!! Você finalmente conseguiu sorrir, Law!

A felicidade era tanta que Rosinante ignorou os gritos do mais novo, jogando-o cada vez mais alto e o segurando antes de se espatifar no chão. Mesmo aquela brincadeira sendo perigosa, o sorriso de Law continuava se abrindo sem ele mesmo notar.

– Para! Hahaha..!

– Você riu de novo! E o seu sorriso é o mais lindo do mundo, porque é realmente verdadeiro, Law!

Corazón corria com Law pelo quarto, levantando ele, pulando, gritando, rindo, fazendo tudo para que seu sorriso nunca saísse de seu rosto. E dava certo! Quanto mais eles brincavam, mais a amizade dos dois ia se aflorando. Até que...

– EI, ROSINANTE! Você tá fazendo muito barulho aí, o que voc---

Doflamingo entrou no quarto para reclamar do som, quando se depara com a incrível imagem de seu irmão caçula maquiado e Trafalgar Law rindo como uma criança normal. Ele fica, literalmente, chocado e não consegue se mexer.

– Doffy! – Rosinante quebra o silêncio. – Ei, Law, puxe seu lábio inferior e vamos sacanear o Doflamingo!

– BLÉEERGH! – Os dois fazem uma careta nojenta para o mais velho, simultaneamente.

– Agora o dedo! – Ambos mostram o dedo do meio para Doflamingo.

– R-R-Rosinante...

Eles conseguiram deixar Doflamingo realmente puto com tais gestos obscenos em plena madruga e, pior, em sua própria casa!

– Haha, calma, Doffy! Foi só uma brincadeira, relaxa.

– Uma brincadeira? São três da manhã e vocês estão gritando feito loucos! E que merda é essa na sua cara?

– É só maquiagem que eu peguei com a Baby Five, nada demais. Nós vamos dormir agora então não faremos mais barulho, certo, Law?

– Aaah, por quê? Eu não tô com sono, Cora-san!

– Cora-san? – Doflamingo indaga.

– Quanto mais cedo dormirmos, mais cedo iremos acordar e mais tempo teremos pra nos divertir amanhã, Law. Além disso o Doffy tá certo, já tá tarde pra gritarmos assim.

– Tá bom...

– Rosinante, eu não vou nem perguntar o motivo de você estar vestindo assim, mas por hora apenas vão dormir!

Doflamingo bateu a porta e retornou para seu quarto, deixando os outros dois sozinhos.

– Bem, então você vai botar seu pijama e eu vou tirar essa maquiagem da minha cara. Ok?

– Não! – Law grita. – Não, não tira, por favor!

– C-Como assim?

– Se você tirar a maquiagem você vai deixar de ser o Cora-san e virar aquele cara chato de antes!

– C-C-Cara chato...?

– É, fica com ela? Por favor.

– T-Tá, mas só porque você fica muito fofo falando assim.

Rosinante pôs o pijama em Law e os dois deitaram na cama, dormindo bem próximos um do outro. Antes de fecharem seus olhos de vez, continuaram conversando um pouco mais até o garoto pegar no sono.

– Cora-san...

– Hum? – Ele fazia carinho nos cabelos negros de Law.

– Por que o Doflamingo odeia o meu pai?

– B-Bem, essa é uma pergunta um pouco difícil de responder... mas o seu pai e o Doffy tiveram uma briga no passado.

– Que tipo de briga? E você também odeia o meu pai?

– E-Ei, são muitas perguntas, calma aí. E é como eu te disse, é complicado explicar. Mas eu não odeio o seu pai, pelo contrário, eu fiquei do lado dele. Mas o Doffy não pode saber, entendeu?

– Mas por quê?

– Chega de perguntas, vai dormir. Um dia você vai entender tudo.

– Tá...

(...)

– Ei, Cora-san. Cora-san!

– ... Que que é?

– Você tá dormindo?

– Eu estava.

– Tá, boa noite!

– Boa noite, Law.

(...)

– Cora-san!

– Hm...?

– Nada não, eu só queria saber se você tava acordado.

– Eu vou dormir quando você dormir.

– E eu vou dormir quando o Cora-san dormir!

– ... Argh, boa noite.

– Boa noite.

(...)

– Co-ra-san!

– Que que é agora?!

– Nada não! Boa noite.

– ...

(...)

– Ei, Cora-san...

– Argh... que que foi?

– Eu amo você.

Notas finais
Confesso que a última parte eu me inspirei em uma Doujinshi! (Não sei o nome, vi no Tumblr)