Notas iniciais
Não me odeiem (= Fanfic acabando no capítulo 24 ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Trafalgar Law P.O.V

E cá estou eu, atualmente cursando medicina em uma excelente faculdade aqui na Inglaterra, contando a minha história de vida a vocês. A história de como um garoto com uma família odiada, com um pai pobre e desprezível, acabou sendo herdeiro de uma fortuna imensurável e uma puta Mansão de luxo, sejamos sinceros. É claro, conseguir tudo isso não foi nada fácil, principalmente graças ao Doflamingo, mas isso vocês já sabem.

Cinco anos se passaram desde que o assassino da minha família fora preso. Nesse meio tempo, eu pude finalmente viver com meu amado, a quem devo minha vida e a quem sempre irei agradecer por tudo, e também é claro, ao Sengoku, quem cuidou de nós dois e fora essencial para que Cora-san não se afogasse em lágrimas quando fora expulso de casa pelo irmão.

Sengoku, assim que fomos morar na minha nova Mansão, tratou logo de correr pela casa, esbanjando felicidade por não ter de precisar mais ouvir os barulhos que eu e meu amado fazíamos. Provavelmente, ele foi o mais feliz com toda essa história. E tudo correu muito bem para esse médico de barba engraçada, já que ele acabou se apaixonando, pasmem, por uma enfermeira chamada Tsuru. Romântico, não?

Poderia vos escrever centenas de milhares de palavras que resumiram estes últimos cinco anos, porém não poderei fazê-lo. As lembranças são ótimas e memoráveis, mas gostaria de focar no presente. Para ser mais específico, no que eu estou fazendo agora mesmo.

Estou escrevendo este texto em meu celular, assim como escrevi o resto deste conto, com o único intuito de desabafar. Demorou, mas finalmente chegara a hora do último capítulo, também conhecido como o pior de todos. Pois, como vocês sabem, a vida não é uma caixinha mágica onde arco-íris saem quando giramos a manivela.

Perdoem-me se alguma palavra sair errado, prometo que revisarei o mais breve possível, contudo, no momento, minhas mãos tremem ao relembrar todos os excelentes momentos que vivi com meu amado. E até mesmo os momentos ruins! Momentos em que ele sorria para mim, não importando o quão depressivo estava, e fazia diversas palhaçadas com aquela maquiagem boba e inocente.

Cora-san deu seu último suspiro na ínfima madrugada de um Outono frio e irreversível. No hospital onde Sengoku trabalhara, reunimo-nos para saudar a figura loira estirada em uma cama qualquer, sempre com seu gentil sorriso, que não fugia de teu rosto nem mesmo na mais profunda agonia.

Suas mãos tocavam a minha e seus olhos azuis viraram-se até mim, dizendo com sua mente "Não chores meu pequeno, eu hei de ficar bem. Nós dois vamos sair daqui logo e nada disso terá passado de um pesadelo temível. Não se preocupe, Law, eu nunca irei abandoná-lo. Eu te prometi, não é mesmo?".

Prometeu-me que cuidaria de mim e foi isso que fez, apesar de ter feito em minúsculos pedaços, a promessa mais importante de todas. Vê-lo deitado em uma cama de hospital, sobrevivendo com fios e mais fios, ligados a diversos aparelhos que mostravam seus batimentos cardíacos. Nem mesmo seu sorriso me acalmava naquele momento. Estava em prantos de desespero, junto a Sengoku, que apenas apoiara sua mão no meu ombro e dizia-me palavras de conforto.

E como ele mesmo poderia dizer-las, não é? Conhecia meu amado desde a adolescência, quando eram apenas jovens inquietos e sem preocupação nenhuma com os problemas que a vida traria. Uma amizade de vinte e sete anos, para ser mais exato. Uma amizade longa de um amigo que o salvou diversas vezes de sua doença, mas que não poderia ajudá-lo no momento em que mais precisara.

Assim que fechou os olhos pela última vez, um ínfimo barulho surgiu na máquina que revelava seus batimentos cardíacos. O barulho que corria uma linha horizontal infinita, revelando a quem quer que seja, que aquela pessoa estirada em uma cama de hospital com um sorriso bobo, já não mais existia. O apelido perdeu-se no ar, assim que o amado coração parou de bater.

E é neste cenário ruim onde escrevo este capítulo horrendo. Cá estou, sentado em um banco, vestido de preto e com mãos trêmulas. A minha volta, vejo diversas pessoas portando o mesmo traje que o meu, chorando descontroladamente. Ouvia o som de narizes sendo assoados com uma facilidade assustadora, juntamente com olhares entristecidos, sendo voltados para o chão.

Eu não estou chorando, se és o que queres saber.

Não estou, não por não estar triste, mas sim por diversos fatores que levaram minha mente a uma solidão em tão demasia que simples gotículas de água não fariam sentido nenhum. Poderia dizer que não choro por não querer ver meu amado triste, mas não seria verdade. Não choro pois não existem lágrimas em meu corpo. Toda chuva havia secado como em um brando deserto depois de horas agonizando em um hospital, e mais horas agonizando em meu quarto vazio.

Sengoku não veio. Ficou em casa, comendo biscoitos e olhando fixamente para uma televisão desligada. De certo, ele é do tipo em que preferiria visitar o amigo no túmulo, sentar-se ao seu lado em uma gélida noite de chuva e rir. Rir enquanto bebia e conversava, trocando palavras e histórias de como uma amizade pode ser tão duradoura. Relembrar bons momentos, com um imensurável sorriso no rosto, tal como meu amado costumava portar-se.

Eu vim.

Vim porquê, ao contrário de Sengoku, eu não tenho forças para fazer o mesmo. Vim porquê, se eu recusasse a comparecer no enterro da pessoa mais maravilhosa que eu conhecera, não iria perdoar-me. Não iria perdoar-me se não pudesse estar junto a ele em qualquer lugar, qualquer cerimônia, o quão devastadora fosse.

A cerimônia, no entanto, já havia acontecido. Subi em uma espécie de palanque para proferir a todos os presentes, palavras que expressavam minha profunda gratidão por tantos anos junto ao homem que dedicou sua vida por mim. Peço perdão, não irei dizer-lhes exatamente as palavras usadas. Não tenho forças para falar-lhes novamente, espero que compreendam meu lado.

Com um céu avermelhado formando-se, as pessoas foram retirando-se com calma, retornando para seus devidos lares e afazeres, deixando apenas o homem descansar em uma enorme caixa. De lá, pude finalmente me tocar, depois de meus pensamentos voarem por aí.

Aquela foi a última vez em que pude deslumbrar seus olhos azuis.
Aquela foi a última vez em que pude sentir suas mãos bagunçando meus cabelos.
Aquela foi a última vez em que pude sentir o doce toque de seus lábios.
Aquela foi a última vez em que pude sentir seu abraço apertado.

E o mais importante...

… Foi a última vez em que pude ver seu sorriso.

O sorriso que me salvou, agora estava preso em uma caixa solitária, que seria levada para debaixo da terra e nunca mais seria vista.
Cruel, não?

Nem tudo é motivo para chorar, na verdade. Ao meu lado, além das pessoas restantes, meus amigos despediam-se de mim. Eustass, que voltei a conviver graças a meu amado, já que era eu quem iria buscar seus remédios, tocava meu ombro em sinal de respeito e empatia, retirando-se, pois eu havia lhe pedido para ficar um pouco sozinho.

E, além dele, também voltei a conviver com Luffy graças a seu avô. Ele, que assim como meu amado também sempre estava sorrindo gentilmente, agora não mais esboçava reação nenhuma senão lástima. Me abraçou, transferindo seu calor até meu coração fraco e vazio, retirando-se junto com o ruivo.

Haviam mais algumas pessoa a nossa volta, apesar de eu estar recluso em um canto, vos escrevendo este capítulo terrível. Eis que ouço um barulho de carro aproximando-se e fico atento, esperando outro aparecer. Meu coração parou por alguns segundos assim que pude perceber de quem era aquele carro. Era um carro de polícia.

De dentro dele, ainda algemado e sendo acompanhado por guardas muito bem vestido, estava o responsável por meus anos de tortura. Doflamingo saiu e eu observei sua face de longe. Estava calmo como de costume, mas não mais portava seu sorriso costumeiro. Não pude reconhecer de prontidão os sentimentos que sentia graças a seus óculos pesados, que tomavam o deslumbre de seu olhar.

Ele me viu e eu percebi isso. Nossas faces não mudaram apesar de não nos vermos há anos. Doflamingo apenas se virou e caminhou em passos lentos, calmos, sem pressa alguma, indo em direção aonde o caixão do irmão mais novo se encontrava.

Falar com ele ou esboçar qualquer reação de raiva não faria sentido algum, visto que o local não pedia por isto. Apenas fiquei observando por através de suas costas, ele olhando para o horizonte, pensando em algo. Ficou encarando o túmulo do irmão em silêncio profundo. Não me perguntem o que ele estava pensando na hora, pois não sei.

E ficou lá, parado, com um guarda à sua direita e outro à sua esquerda, apenas olhando para a caixa onde encontrava-se o corpo morto do caçula. Eis que avisto ao longe, outro carro de alto porte preto, chegando a uma velocidade considerável. De dentro dele, saíram três pessoas. Senti um arrepio no meu corpo assim que os vi e Doflamingo também olhou disfarçadamente.

Caso a curiosidade de vocês esteja apitando, eu e Dellinger nunca mais nos vimos. Porém, há três anos atrás eu recebi por correio um convite de casamento dele. Parece que, de fato, acabou casando-se com o irmão de sua ex-noiva e agora os dois vivem em Paris, na França. Eu não fui. Não saberia como ir e sequer sabia se o convite era real ou apenas gentileza.

Contudo, o mais surpreendente era que, além de Dellinger e seu esposo saírem do carro, outra pessoa estar junto a eles, no colo do loiro, para ser mais específico. Um pequeno bebê. Dellinger me olhou e eu retribui o olhar, mas logo sua visão fora redirecionada a seu pai.

Doflamingo agora não o estava olhando disfarçadamente. Seu corpo foi virado na direção do filho, mas ele não ousou dar sequer um passo. Ficou parado, com o mesmo rosto calmo, porém sua boca estava um pouco aberta. Ele provavelmente estava sem palavras ao ver o filho ao lado de um homem e com um bebê no colo.

E todos ficamos parados, por não saber exatamente o que fazer, não saber se deveríamos conversar uns com os outros. Nosso último encontro já não foi muito agradável, não é mesmo? Mesmo assim, o Dellinger cochichou algumas palavras com o marido e foi andando junto com ele em direção ao pai. Fiquei olhando sem disfarçar, querendo ouvir a conversa.

– Pai... – Ele chamou, em voz baixa, estando frente-a-frente com o loiro. Doflamingo apenas olhava para o bebê, possivelmente imaginando de onde aquela pequena criaturinha havia surgido. Ele não conseguiu dizer nada.

– Ér... boa tarde. – Disse o marido, um sujeito alto, elegante e moreno. Ele ficara um pouco tímido na presença do sogro, não sabendo muito bem a sua reação e conhecendo o lado conservador. Doflamingo direcionou sua visão até ele e finalmente conseguiu proferir palavras.

– Você é o irmão da noiva do meu filho?

– B-Bom, sobre isso...

– Pai. – Dellinger interviu, mostrando a aliança. – Nós nos casamos.

– Entendo... – Ele ainda não esboçava reação, mas voltou a olhar o bebê. – E esse..?

– É a nossa filha. – Afirma, com um pequeno sorriso no rosto.

– F-Filha... – Doflamingo falha a voz.

– Sim, ela é de sangue, se é isso que você quer saber. Barriga de aluguel.

E de onde eu estava, pude ter uma visão realmente inovadora. Palavras não definiam o que eu senti e, na verdade, eu não acreditava muito nos meus olhos, mas eu tinha certeza do que via. Por debaixo daqueles óculos assustadores, lágrimas começaram a cair com bastante intensidade. Foi a primeira vez que notei sentimentos naquele homem, que não fossem ligados a malícia, ódio e soberba.

Talvez pela junção do ambiente de enterro juntamente com a presença de um filho, que não via há anos, e agora estava casado e com uma filha. O importante é, com as algemas nas mãos, ele puxou Dellinger para um abraço incrivelmente apertado, derramando lágrimas em seu ombro.

– Eu estou tão... feliz...

– P-Pai...! – O loiro, que antes estava um pouco receoso de qual seria a reação do outro, agora finalmente o abraça bem forte. O noivo esboçou um pequeno sorriso também.

– Você se casou com filho de empreiteira e ainda me deu uma neta de sangue... eu estou tão orgulhoso!

– …

Depois da declaração dos verdadeiros motivos para Doflamingo ficar feliz, Dellinger ficou encarando o horizonte com uma face de "Eu sabia..." enquanto sentia as lágrimas de seu pai manchando suas roupas de luto. Confesso que até soltei uma pequena risada boba, lembrando dos momentos em que essa família maluca me proporcionava.

Ele ficou brincando com a nova neta, mostrando seu sorriso demoníaco para ela como se ela fosse gostar, mas como bebês são inocentes, ela sorriu de volta para ele. Doflamingo também ficou encarando o genro, mas era como um sogro superprotetor. "Faça meu filho derramar uma lágrima pra você ver. Já estamos em um enterro, não me dê ideias."

E enquanto a nova família tinha momentos de reunião, eu acabei direcionando meus ouvidos aos guardas da prisão, que pareciam sussurrar algo entre si.

– Hahaha, bancando o paizão. Nem parece aquele homem que vimos há três dias, não é?

– E não é mesmo! Quando ele soube da morte do irmão, começou a se revoltar e a sair brigando com todo mundo, gritando feito louco.

– Se não fosse pela perpétua, tenho certeza que pegaria mais uns quinze anos só de ter enchido de porrada o guarda que tirou sarro da situação, tanto é que quando voltar pra lá, vai ficar uns meses na solitária! Hahaha.

E eu era só um observador, já que não sabia muito bem o que fazer. Via somente os quatro reunidos, brincando com a pequena criança e o Doflamingo agindo como uma pessoa normal. Pude ver facilmente o espírito do Cora-san entre eles, tentando segurar a sobrinha-neta, mas ao mesmo tempo sendo impedido por poder tropeçar e causar um grande acidente.

Nem percebi que estava encarando tão diretamente, com meu queixo apoiado na mão e um leve sorriso no rosto, tendo pensamentos nostálgicos. Dellinger me olhou e logo voltei a mim, desviando o olhar, mas sem êxito. Ele deixou o pai com o noivo e a filha e veio até mim. Levantei meio sem saber o que fazer.

– Law.

– Dellinger, vejo que conseguiu engravidar. – Esbocei um pequeno sorriso. – Parabéns.

– E você não se tornou o gótico que eu pensei que seria. – Ele retribuiu o sorriso. – Parabéns também.

– Eu até agora não acredito como você conseguiu mesmo se casar e até ter uma filha. – Nós dois olhávamos para ela, ao longe. – É realmente inacreditável.

– Bom, antes de me casar eu briguei com o meu noivo, fui pra Las Vegas e tive um casamento relâmpago com um bêbado que durou três horas, parecido o da Britney.

– Isso já é mais a sua cara, princesinha do pop. Só me diz uma coisa, você colocou o nome dela baseado em alguma cantora? Diz que não...

– Mas é claro que não, quem você acha que eu sou? Eu adquiri muita responsabilidade ao longo desses anos.

– Ótimo, fico feliz por isso.

– O nome dela é Kardashian, ela vai ser uma socialite super rica e famosa quando crescer!

– … Tadinha da guria...

Não foi tão ruim rever o Dellinger afinal, parece que ele realmente tomou um rumo na vida. Ele me contou que faz faculdade de moda e estilismo, enquanto o marido é dono de uma empresa de eventos lá na França, então ficamos conversando por um tempo. Foi bom, assim distraio-me de pensamentos tristes que rodopiavam minha mente. O Cora-san iria gostar de me ver assim.

– Law, mudando de assunto, eu gostaria de lhe dizer uma coisa. – Ele fica sério e eu já penso, coisa ruim vem pela frente.

– O que foi?

– Eu andei pensando muito esse tempo todo e TALVEZ eu tenha errado com você em alguns aspectos.

– Não! Jura? Me conta mais sobre isso...

– É que tipo... – Ele dava algumas pausas e olhava para outros cantos aleatórios. – Quando você chegou lá em casa, eu pensei que você seria a Cinderela pobre e eu as madrastas super ricas e lindas que faziam tudo o que queriam com você.

– Ahn... – Odeio essas comparações. De onde surgiu isso agora?

– Mas aí eu me toquei que a Cinderela se dava bem no final e você até conseguiu o seu príncipe encantado, apesar dele parecer mais o bobo da corte...

– Dellinger, qual é o seu ponto?

Ele soltou um longo suspiro, fechou os olhos e apertou bem as mãos, como se estivesse prestes a dizer alguma coisa super difícil e complicada. Até me assustei um pouco.

– E-Eu... q-queria pedir desculpas por tudo o que eu te fiz e por todas as coisas que eu te disse durante esses anos!

– Han?

Fiquei um tanto paralisado com o que acabara de ouvir. É mesmo a pessoa mais mimada e egocêntrica que eu já conheci na minha vida, me pedindo desculpas com a maior sinceridade do mundo? Tudo bem que nós amadurecemos com o passar dos anos, mas algumas coisas realmente são imutáveis. A fome do Luffy, o orgulho do Doflamingo e o egoísmo do Dellinger estão nessa lista.

– E-Eu tô tentando ser sincero! Quando nós nos despedimos há cinco anos e eu percebi que você e o meu tio realmente se deram bem no final, eu parei pra pensar nas coisas que eu te disse. Eu sempre soube que o meu pai era uma pessoa ruim, mas eu te odiava então acabei ficando do lado dele.

– Dellinger, você está realmente arrependido? Eu não consigo acreditar...

– T-Tá, eu confesso que é difícil admitir, mas eu exagerei muito também. Eu disse coisas que eu me arrependo e fiz coisas que eu também me arrependo e, quando eu soube que ele havia falecido, eu só consegui pensar em como você estava se sentindo...

– S-Sério? V-Você pensou em como eu estava me sentindo?

– P-Para de duvidar de mim, que saco, seu gótico! Eu tô tentando abrir meu coração e te pedir desculpas, mas você também não ajuda! Não vê o esforço que eu tô fazendo?

– Ok... eu agradeço o seu pedido de desculpas. É bom saber que até você tem seu lado sensível.

– Ótimo, porque não vai se repetir. Eu só queria dizer que eu sinto muito pela sua perda, eu espero que você fique bem. Bom, também é impossível não ficar, você tá com o dinheiro da minha herança...

– Ei. – Puis minhas mãos no ombro dele e o olhei. – Obrigado por isso, de verdade. Eu sei o quanto você gostava do seu tio, então eu sinto muito por você também.

– É difícil não gostar, não é? Foi graças a ele que nós não nos matamos de verdade. Também tivemos alguns bons momentos juntos.

– Quando o Cora-san faleceu eu não sabia mais o que fazer. Minha vida inteira foi junto a ele, principalmente graças a você e ao seu pai. Ele foi o meu único amigo por vários anos e também a pessoa que eu mais amei na vida.

– Ah, disso eu sei muito bem, desde quando você passou a noite chorando lá em casa e só conseguia falar nele. Aí você me disse que ia assumir o seu amor ao meu tio eu fui contra e permaneci contra até te rever há cinco anos atrás.

– Finalmente conseguiu ver que eu estava falando sério e parou de me odiar por ter "Roubado o seu tio"?

– É, eu percebi que você não era só um emo pobre e infeliz tentando ser amado e que até você merecia ter alguém do seu lado, mesmo com toda diferença de idade.

– Dellinger, eu também preciso admitir uma coisa a você.

– O que é?

– Eu nunca fui emo.

– Ah não, eu aqui tentando fazer a linha sincera e você dando uma de falsiane? Assume a sua emice, Law, e vamos fazer as pazes de uma vez.

– Quer mesmo fazer as pazes comigo?

– Eu perdi o meu tio, você perdeu o amor da sua vida. Nós dois seguimos rumos diferentes, não acha que já tá na hora de acabarmos com isso? A não ser que você ainda me odeie, mas sejamos sinceros, eu sou lindo demais pra ser odiado.

– Olha só, quem diria. Você sendo sensato.

– Vai aceitar logo as desculpas ou eu vou ter que sujar meus joelhos e te implorar? Porque olha, essa calça é nova.

Acabei soltando mais um sorriso bobo depois de ver essa criança realmente falando sério, incrível como as pessoas mudam. Acabei puxando ele para um abraço, segurando seus fios loiros e ele retribuiu, com o rosto encostado no meu peito por ser mais baixo que eu. Ele apertava um pouco minha roupa, provavelmente pelo clima de enterro. E foi isso que nós aprendemos com o Cora-san, não é? Perdoar e não guardar rancor por coisas do passado.

Assim que nos separamos, viramos de lado e percebemos que Doflamingo nos encarava com um leve sorriso no rosto. Não me perguntem o motivo daquele sorriso, não consigo entender como funciona a mente de um maníaco como ele. Só sei que fiquei o olhando e decidi, de uma vez por todas, dar um fim a isso.

Andei em direção a ele, mas este se virou e andou para onde estava o caixão onde seu irmão estava, voltando a encarar o horizonte como anteriormente. Entendi que ele gostaria que eu fosse até ele e o fiz, ficando ao seu lado, olhando para o caixão do mesmo jeito que ele. Ficamos em um silêncio profundo, só sentindo os ventos do final de tarde, até que ele decide quebrar o silêncio.

– Quando nós perdemos a nossa mãe pra essa doença, nós também perdemos a única pessoa que confiávamos e gostávamos de verdade, já que nosso pai sempre foi mais severo. Quando nós soubemos que ele tinha essa mesma doença no sangue, nunca sentimos tanto desespero antes.

– Eu sinto muito pelo seu irmão e pela mãe de vocês.

– Naquela época, eu vi o meu irmão sorridente chorar todos os dias, fugir de casa e só voltar fedendo a cigarro e bebida. Todo dia ele vinha até mim e começava a gritar, dizendo que iria se matar e não iria tomar os remédios, que seria perda de tempo continuar com isso, sabendo que iria morrer de qualquer jeito.

Só pelo fato do Doflamingo estar me contando isso, eu senti um aperto enorme no meu peito. Imaginar a pessoa mais alegre e boba dizendo palavras tão frias, desejando a morte e fazendo de tudo para antecipá-la o mais breve possível, era algo que eu nunca havia feito antes. Jamais imaginaria que o Cora-san tinha esse lado. Fiquei ouvindo ele falar, sem reação.

– Eu lembro desse tal Sengoku que vocês mencionaram no passado. Quer dizer que vocês viviam juntos até os tempos atuais, hein? Ele fez uma coisa que eu não havia conseguido de jeito nenhum. Fazer o Rosinante voltar a sorrir e tomar os remédios no horário certo.

– O Sengoku nunca havia me contado isso...

– Talvez ele não tenha contado pra não lhe preocupar. Viver como uma bomba relógio por toda uma vida deve ser bastante difícil, eu não consigo imaginar a dor que ele sentia tendo que fazer tantos tratamentos diários. Foi uma época terrível.

– Foi quando você o expulsou de casa?

– Ele e o Vergo começaram a discutir dentro da fábrica, então o Vergo disse pra eu escolher ficar ao lado do meu irmão e encerrar os negócios ou ficar ao lado dele e expulsar o Rosinante de casa. Depois disso eu fiquei meses sem vê-lo, mas quando o nosso pai faleceu voltamos a nos encontrar.

– Abandonar o irmão doente pra ficar com uma fábrica... você é mesmo o pior.

– De qualquer maneira, eu não espero um perdão seu e nem faço questão de pedir desculpas. Eu me arrependo de algumas coisas, mas eu entendo que você era o único capaz de tornar o meu irmãozinho feliz. Eu te agradeço por isso, de verdade. É só isso que eu tinha pra falar.

Doflamingo apenas se virou, indo em direção aos guardas novamente para ser levado a prisão. Se despediu da família antes, mas nós dois não fazíamos questão de termos um 'adeus' definitivo. Não tínhamos, nunca tivemos e nunca teremos o tipo de relacionamento pacífico. Não há motivos para maiores despedidas.

E, tudo o que eu pude fazer naquele momento, foi ficar encarando o meu amado descansado finalmente depois de séculos de tortura, estando aguardando a morte durante toda uma vida, mais do que uma pessoa comum. Fiquei apenas tendo lembranças de como nos conhecemos, da maneira incrível que ele me salvara de sofrer um destino cruel que me perseguia graças a meu sangue.

É... eu ainda me lembro. Faz realmente muito tempo, não é, Cora-san? Quando nós nos conhecemos eu tinha só seis anos. Era jovem demais. Era jovem, sem família, totalmente perdido no mundo. Até encontrar você. Obrigado por me salvar. Obrigado por tudo.

Notas finais
Finish!! Do fundo do meu Cora-san, fico feliz e agradeço a todos que acompanharam esta fanfic até aqui. Também agradeço, é claro, os leitores do futuro e espero que aproveitem o máximo possível! Contudo, não se esqueçam! Ainda não é nosso 'adeus' definitivo! Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus... Essa fanfic já teve um bônus chamado "Entre Irmãos" que conta a história do passado do Doflamingo. Você pode visualizá-la aqui http://fanfiction.com.br/historia/611654/Entre_irmaos/ Além disso, teremos mais outros dois bônus nessa mesma fanfic! Por isso, não estarei marcando ainda essa história como finalizada. Primeiro Bônus: Fanfic da Cath, amiga do Dellin. (Estarei chapado ao escrevê-lo, já aviso aos navegantes) Segundo Bônus: Dias na Prisão parte 2 com sexo explícito. Só isso mesmo, galerinha da pesada! Fiquem com os respectivos deuses que vocês acreditam e, pros céticos como eu, fiquem com o todo poderoso BACON VOADOR DO FUTURO. Obrigado por tudo! ♥