Brave Heart
22 Dias na Prisão
Notas iniciais

– I-ISSO É O CÚMULO!
– Dellinger, se acalma, por favor.
– N-Não dá, Law! Isso é uma tragédia horrível! Como eu posso lidar com isso? Eu vou morrer!
– Tô nem aí, só para de gritar...
– Buáá, eu quero a minha mamãe...
– Para...
– Isso é ridículo! Como assim eu vou precisar usar a mesma roupa TODO DIA? QUE ABSURDO!
A prisão. Um lugar onde você é jogado em qualquer canto, tratado como um animal em um zoológico e obrigado a conviver com gente do pior tipo, não importando a sua motivação para o crime. Um lugar que, certamente, pessoas da alta elite britânica não estavam acostumados a frequentar.
No primeiro dia deles, já era de noite quando Dellinger e Law, que dividiriam a cela à partir de agora, estavam brigando. O loiro estava horrorizado em precisar ter que ficar com a mesma roupa todo dia, já que na prisão só existia um uniforme. O moreno, por outro lado, ainda pensava em formas de cometer homicídio contra o irmão adotivo.
Do outro lado da prisão, dividindo também a cela, estavam os dois irmãos consanguíneos. Doflamingo e Rosinante estavam fadados a morarem novamente juntos, para o desespero do caçula e felicidade do maior, que adorava ver o irmãozinho em apuros.
– E-Então, Doffy, vamos ser amigos? – Diz o mais novo, acuado e não querendo que o irmão se vingue por tudo que fizera no passado. Doflamingo, entretanto, apenas sorria sadicamente.
– Fufufu, só amigos? – Neste momento, Rosinante estava encostado na parede sendo pressionado pelo irmão, que o prendia entre seus braços.
– V-Vamos combinar algumas coisas. Eu namoro o Law e você é o meu irmão valente que vai me proteger dos caras malvados na prisão, né?
– Mas é claro. – Ele diz, dando beijos misturados com chupões no pescoço do outro, que fechou os olhos e tentou desviar o assunto.
– E-Então vamos impor limites de espaço...
– Não se preocupa, eu vou te proteger dos caras malvados. – Ele fala, deslizando a mão pelo peito liso de Rosinante, por debaixo do uniforme laranja, enquanto dava mais beijos no pescoço.
– E quem vai me proteger de você?
– Já isso eu não sei. – As mãos finalmente chegam até os mamilos, apertando-os e deixando Rosinante arrepiado.
– D-Doffy, por favor, você nunca foi de me obrigar a fazer nada...
– Eu não preciso te obrigar a nada, basta você aceitar ficar comigo.
– Que lógica... eu devo te lembrar que você tentou me matar e que fez coisas terríveis com o Law?
– Eu devo te lembrar de que você me ama?
Antes que o outro pudesse responder, Doflamingo já tinha tomado seus lábios em um beijo que começou calmo, mas foi ficando feroz junto com as mãos grandes e pesadas, que percorriam todo o seu corpo e sentia a pele macia do mais novo.
– Doffy, por favor, eu não quero magoar o Law.
– Eu senti tanta saudades de você...
(...)
– VAMO ACORDAR, BANDO DE MERDA DESOCUPADO!
No dia seguinte, os dois garotos mais novos acordaram em suas novas camas na prisão. Law havia dormido na beliche de cima enquanto o outro ficara na beliche de baixo, por ter medo de altura. O moreno não conseguiu dormir graças aos pensamentos inconstantes sobre o bem estar de Rosinante.
– Bom dia... – Diz Dellinger, coçando os olhos para despertar.
– Já é de manhã? Eu nem dormi.
– Eu dormi um pouco, mas... – O loiro já estava chorando. – E-Eu tô com medo, Law.
– É? Bom, temos que nos acostumar. – Law se sentou na mesma cama de Dellinger, ao lado dele.
– P-Posso te pedir uma coisa?
– Claro, vai em frente.
– Law, eu vejo filmes. Eu sou lindo demais pra ficar rodeado de caras assediadores.
– Sinto muito por você.
– E-Eu quero te fazer uma proposta. – Dellinger começa a fazer carinha de choro. – Eu sei que a gente nunca se deu muito bem e eu entendo os seus motivos pra não gostar de mim, mas...
– Dellinger, vai direto ao ponto.
– Quer namorar comigo?
– C-Como é que é?! – Law fica terrivelmente chocado.
– Sejamos sinceros, o seu boy tá com o meu pai e agora nós dois temos que nos unir se quisermos sair vivos dessa prisão.
– E que papo estranho é esse de namoro?
– Você é um emo, emos são perigosos. Se eu namorar você eu vou conseguir proteção aqui na prisão e não vou correr riscos de ser assediado gravemente. Por favor, deixa eu ser a sua esposa de prisão!
– Hã? Não, nem pensar!
– Law, por favor, eu não quero morrer! – Dellinger se joga nos braços do moreno, o abraçando. – Por favor! Pensa nos nossos bons momentos juntos!
– Que momentos?!
– T-Tá, nós não temos nenhum, mas mesmo assim! Deixe eu ser a Britney Spears do seu Criminal!
– NÃO!
– EI, VOCÊS! – Um dos guardas da prisão exclama. – SAIAM DAI, HORA DO BANHO!
Depois do guarda proferir tais palavras, os dois garotos precisaram sair de suas celas para irem até o banheiro comunitário. Lá, eles se encontraram com Doflamingo, Rosinante, Caesar e Vergo que já estavam na fila para aproveitarem o primeiro banho na prisão.
– COMO ASSIM NÓS VAMOS TOMAR BANHO JUNTOS? – Exclama Rosinante após ouvir as instruções.
– Eba! Isso não é divertido? – Comemora Doflamingo. – Vamos ser uma família feliz e unida novamente!
– Cora-san, como você tá? – Law se aproxima do namorado, o abraçando. – Você tá bem? Conseguiu dormir? O Doflamingo fez alguma coisa contra você?
– Law... – Este retribui dando um beijo no cabelo dele. – Não vamos falar sobre isso, tá? Eu prometo que vou ficar com você o máximo de tempo possível.
– Eu vou tentar ignorar esse lance com o seu irmão, mas por favor toma cuidado. – Eles finalizam com um beijo.
– Ei, Rosinante! – Exclama Doflamingo. – Não vai escorregar no sabonete, hein, fufufufu.
– C-Como rola esse banho comunitário..? – Indaga Dellinger, imaginando sua situação com tantos presidiários nus.
– Eu acho melhor a gente só entrar no chuveiro, fechar os olhos e imaginar tudo sendo um pesadelo. – Afirma Vergo.
– E-Eu não quero que me vejam nu. – Diz Caesar, envergonhado. – Eu tenho meus pudores...
– CALEM A BOCA E ENTREM LOGO! – Exclama o guarda. – BANDO DE INÚTEIS
Acabaram finalmente tirando a roupa e entrando no chuveiro. Rosinante tentava esconder-se atrás da esponja, Law ficava de olho em Doflamingo para não aprontar nada, mas este admirava os dois com um sorriso malicioso no rosto. Vergo tentava ignorar aquela atitude e tomar seu banho silenciosamente, assim como Caesar. Dellinger estava na mesma situação de Rosinante, porém espionando os homens secretamente.
– Kya, eu sou lindo demais pra deixar que me vejam assim! – Afirma o jovem herdeiro loiro, escondendo-se atrás da esponja. – Quando eu pensei em sair nu por aí, sempre envolvia uma revista famosa.
– Ei, Rosinante! – Doflamingo joga seu sabonete no chão. – Deixei cair, pode me ajudar a pegar?
– V-V-Você derrubou, v-você pega.
– Tsc, Flamingo idiota. – Resmunga Law. – Vai se foder e deixa o Cora-san em paz.
– Oh, Law, agora que eu percebi. – Doflamingo analisa o corpo do garoto dos pés a cabeça, sem disfarçar. – Você cresceu tanto...
– VAI À MERDA!
– Doffy, tenha o mínimo de decência. – Afirma Vergo. – Quer piorar a nossa situação?
– Vergo, relaxa, não vai acontecer nada. – Ele se aproxima do moreno, passando os dedos em sua barba. – Ou você ficou com ciúmes?
– Por favor... discrição não mata ninguém. Não faz isso aqui. – Responde, sussurrando.
– Discrição pra quê? Estamos numa prisão, se solta! – Doflamingo dá um beijo no moreno, que segura sua cintura em resposta.
– Agora eu sei a quem o Dellinger puxou... – Murmura Law, com um certo nojo.
(...)
Depois do banho finalmente ter acabado, chegou a hora do café da manhã. Todos eles sentaram-se na mesma mesa, sendo que Doflamingo, Vergo e Caesar ficaram um do lado do outro e Rosinante, Law e Dellinger ficaram de frente para eles.
– Pai, eu preciso te perguntar uma coisa. – Diz Dellinger com um ar misterioso.
– O que houve?
– Você deixaria eu me casar com o Law na prisão?
– O QUÊ? – Exclamam Rosinante e Law ao mesmo tempo, com raiva e dúvida.
– SIM! – Doflamingo abre um sorriso enorme. – Você formam um casal maravilhoso, deveriam ser felizes para sempre! Seja feliz, a vida é curta, meu filho!
– Ebaaa! – O jovem se atira nos braços de Law, dando-lhe beijos na bochecha. – Vamos ser felizes pra sempre!
– Mas que merda é essa? – Law se afasta. – Sai daqui e não encosta em mim!
– Que mania desses irmãos se pegarem. – Murmura Caesar. – Ainda bem que o meu irmãozinho não é dessas coisas...
– Caesar, ninguém te quer. – Responde Vergo.
– Ahn... – Ele se deprime.
– POR QUE ISSO, DELLIN?! – Rosinante estava abraçando Law, separando o garoto do loiro. – Isso é traição, eu estou decepcionado!
– Porque eu tenho medo desses caras e o Law precisa me proteger, desculpa tio! Apesar de eu achar essa sua fala hipócrita. – Ele olha disfarçadamente para o pai.
– Fufufu, eu concordo com o Dellinger. Deixem os meninos se divertirem!
– Vão se foder! – Law se zanga, segurando o braço de Rosinante e o arrastando para uma mesa bem longe dos outros quatro, para comerem sozinhos.
(...)
Logo depois do café da manhã, era a pior hora do dia: a hora do trabalho. Todos os seis se reuniram contra suas vontades para ficar debaixo de um sol escaldante, no pátio da prisão, martelando pedras por ordens dos superiores. Foram obrigados a se separarem nas mesmas duplas que dividiam a cela.
– Aain, Law. – Dellinger segurava o martelo, mas se recusava a trabalhar. – Eu não quero fazer isso...
– Foda-se. – Law era forte, então conseguia quebrar várias pedras e sua raiva ajudava no processo.
– Por favor, me livra desse trabalho pesado? – O loiro se aproxima do moreno, alisando a mão em seu peito. – Machuca as minhas mãos delicadas...
– Dellinger, não vai rolar, sinto muito.
– Ah, que saco! – Ele bate os pés no chão. – Eu sou loiro, rico e fabuloso, por que eu preciso tentar ficar com um emo ridículo com um péssimo gosto como você? Eu não preciso da sua proteção!
Foi só o loiro acabar de falar que surge uma pessoa. Era um homem bem alto e velho, cheio de músculos que eram disfarçados em meio à tanta banha. Ele fedia e certamente tinha um bafo horrível, coçando as próprias calças e cuspindo no chão.
– Hum, carne nova no pedaço, heh. – Ele dá uma leve piscada pra Dellinger. – Quem é esse loirinho aí?
– L-L-Law, m-me ajuda... – Ele abraça o moreno, que parece não se importar muito, porém tenta defendê-lo mesmo assim.
– Sai daqui, agora. – Diz rispidamente.
– Ui, e quem vai me impedir? Você? – Ele não parava de coçar as calças e falava em um tom debochado.
– Eu acho que você não entendeu. – Law segura a cintura do loiro, que age como uma princesa em apuros. – Vaza daqui.
– Tsc, é um casal, eu tenho que respeitar. – O homem dá as cotas e vai embora.
– Kyaa, meu herói! – Dellinger abraça o outro mais forte.
– Não entenda mal, se eu deixasse você com ele o Cora-san ficaria bravo comigo.
Enquanto isso, Doflamingo e Rosinante trabalhavam juntos...
– Ah, minhas mãos estão doendo! – Exclama o caçula.
– Tsc, eu não nasci pra fazer trabalho de pobre. – Afirma o mais velho.
– Eu só espero que os garotos estejam bem, esse clima de prisão não é bom pra eles. Ano que vem o Law iria entrar pra faculdade e eu não sei o que vai ser das nossas vidas...
– Affê, desde que esse garoto nasceu você não para de falar um segundo nele, dá um tempo.
– O que eu posso fazer? Eu amo ele e me preocupo, tanto com o Law como o Dellinger. Prisão não é lugar pra eles.
– Deixa de ser fresco, aqui não é tão ruim assim. Tirando o trabalho, a comida de porco e o ambiente sujo, até que é bem divertido, fufufu.
– Pra você! Mas aqui tem muita coisa perigosa, tipo drogas e presidiários. E se o Law se envolver com essas coisas?!
– Idai? Você também fuma, deixa o garoto conhecer a vida.
(...)
Um pouco mais tarde, depois de finalmente terminarem o trabalho árduo, os presidiários tinham um tempo de folga no pátio. Aproveitando o intervalo, Law e Rosinante foram para bem longe dali, afastados do resto da família para finalmente ficarem juntos.
O loiro estava sentado no chão, com Law em seu colo, fumando um cigarro que havia conseguido por aí, já que precisava da nicotina para se acalmar. O moreno não se importava por já estar acostumado com o hábito, apesar de reclamar mesmo assim.
– Cora-san, eu ainda acho que você deveria parar com isso, faz mal pra sua saúde.
– Law, nós estamos na prisão, eu tenho que aturar o meu irmão e vários homens nojentos daqui. Eu preciso me acalmar. – Ele diz, abraçando o outro em seu colo e dando beijos em sua cabeça.
– Então deixa eu te ajudar. – Law se vira, se agachando, tirando o cigarro das mãos do outro e dando-lhe um beijo, que logo é correspondido quando Rosinante segura sua cintura.
– Obrigado, isso me deixou mais calmo. – Ele dá um sorriso e mais um beijo. Ambos ficam se olhando nos olhos, enquanto Law tinha uma excelente ideia.
– Eu aposto que se eu tivesse o mesmo hábito que você, você também não iria gostar, então pensa bem nisso. – Trafalgar põe o cigarro em sua boca, tragando bem forte antes de jogar a fumaça inteira em Rosinante e beijá-lo com o ácido gosto da nicotina.
– Oh, vai me provocar agora, é? – Ele volta a pegar o cigarro, tragando e beijando Law com a fumaça, do mesmo jeito que o outro havia feito anteriormente.
– Sim, vou te fazer parar de fumar de vez. – Law faz os mesmos movimentos, tragando e beijando.
– E vai fazer isso como, começando a fumar? – E Rosinante prossegue.
– Só pra te provocar.
Ambos deixam o cigarro de lado para continuarem a se beijar, sentindo toda a fumaça e o doce amargo gosto da nicotina em seus pulmões, que deixavam tudo mais excitante. Até um homem se aproximar e ele tinha dreads no cabelo.
– Olá!
– Hã, quem é você? – Indaga Law, com raiva de ter sido interrompido.
– Vocês são novatos aqui, então eu vim espalhar a palavra! Hahaha, não se preocupem, eu sou uma boa pessoa.
– Não parece... o que você quer?
– Não se preocupa, eu não sou que nem o resto dessas vítimas do sistema, que se tornam más pessoas graças ao capitalismo. Já que ficaremos na prisão por um bom tempo, ao invés de arrumarmos intrigas, deveríamos todos ser amigos, não é?
– Mas de que merda você tá falando? Vaza daqui.
– Oh, não fale isso, irmão! Eu vi vocês dois e acho o amor livre um ato de espontaneidade que falta no mundo. Eu quero fazer amizade com vocês para que possamos aplaudir o nascer do sol juntos!
– Foi mal, não estamos interessados.
– Então façam o seguinte, eu estou distribuindo algumas miçangas de graça, já que eu não apoio o mercado capitalista que nos oprime todo dia. Vocês querem? – Ele tira do bolso alguns colares e pulseiras.
– Ahn, claro... por que não, né? – Eles aceitaram, apesar de acharem o cara muito estranho.
– Que o Deus Sol ilumine vocês! Aqui, peguem um desses também. – Ele entrega um baseado de maconha já bolado. – É natural, melhor do que isso que vocês estão usando. – E assim, ele se retira para ir abraçar árvores, deixando os rapazes sozinhos.
– Quem diabos era aquele cara? – Indaga Law.
– Provavelmente um preso político. O que faremos com isso?
– Bom, não vamos nos desfazer da bondade do cara. Você já usou isso antes?
– J-Já, mas eu não tenho certeza se deveríamos... alguns vêm batizados.
– Ele nos garantiu que é natural.
Mesmo Rosinante ainda em dúvidas se aquela seria realmente a melhor decisão, Law pegou o isqueiro de seu bolso e acendeu o baseado, tragando um pouco e colocando na boca do loiro depois, deixando que o cérebro de ambos comece a ficar bem calmo e seus pensamentos interrompidos.
Ambos se beijavam com mais vontade ainda e já estavam até mesmo excitados, apesar de serem só beijos. As mãos do mais velho percorriam por debaixo das vestes de Law, que continuava ajoelhado em seu colo e fumando junto com o namorado.
Se não estivessem em local público, teriam continuado com muito mais, porém só o simples toque já era o suficiente para se aproximarem e se amarem cada vez mais. Ficaram trocando carícias até escurecer, onde foram mandados de volta para suas celas.
– Haha... – Law estava deitado na cama debaixo da beliche, com um sorriso no rosto. – Até que a prisão pode ser bem divertida...
– Ei, sai da minha cama! – Exclama o loiro. – E você invocou a sua Miley Cyrus interior?
– Dellin... a vida é linda... o amor é lindo...
– Hã? Um emo, gótico falando que a vida é linda? POSER!
– Ei... – Law segura as mãos do loiro. – Você não quer vir deitar aqui comigo?
– QUÊ? – Ele se afasta. – Sai fora, eu só disse aquelas coisas antes pra você me proteger dos homens nojentos! Eu não fico com góticos, eles têm germes depressivos!
– Haha, você é engraçado. – Law se levanta, indo em direção ao loiro que tenta andar para trás, mas não consegue por ser um lugar bem apertado. Logo ele tem as mãos do moreno envoltos a sua cintura.
– É-É sério, me solta! Eu vou contar pro meu tio!
– Awn, até que olhando de perto, dá pra ver a sua semelhança com o Cora-san. – Law estava abraçando a cintura do outro, indo com seu rosto em direção ao dele.
– S-Sai, n-nós não temos nenhuma semelhança...
– Hey, por que você não se acalma? Eu estou disposto a tentar levar a sua proposta de noiva de prisão à sério. – Ele começa a andar, arrastando Dellinger até jogá-lo na cama e subindo em cima dele.
– C-Cara, não, isso é errado em muitos sentidos! Lembra de tudo o que eu te fiz. Aquela vez que eu menti pro meu pai só pra ele te trancar no por–
A fala do loiro é interrompida pelos lábios do moreno, que finalmente o tocam. Law estava com o rosto de Dellinger entre os seus braços, deixando ele totalmente imobilizado na pequena beliche. Desistindo de tentar se afastar e, ao mesmo tempo, estando carente demais graças ao clima mórbido da prisão, eles passam a noite juntos.
(...)
Enquanto isso, no outro lado da prisão, Rosinante estava mais estranho do que nunca. Seu rosto estava completamente vermelho e corado, como se tivesse acabado de chorar, porém com um sorriso malicioso estampado em seus lábios.
– Ei, Doffy... – Ele estava abraçando o irmão pela cintura.
– Rosinante, você andou fumando coisas?
– Eu senti tanto a sua falta esses anos...
– Sério? E aquele papo de "Seu monstro cruel e insensível"?
– Relaxa, eu sei que você é só uma vítima do sistema que nos oprime todo dia. Eu estou disposto a te perdoar hoje...
– Oi? Beleza então, né.
(…)
No dia seguinte, no quarto dos garotos mais jovens...
– TIRA AS MÃOS DE MIM.
– Hã? Foi você que me obrigou!
– Eu tava fora de mim! Você deveria ter me afastado, mas que merda!
– Olha aqui, eu já tô sofrendo com a falta de manicure e você quer que eu machuque as minhas adoráveis mãos tentando te impedir de me assediar?
– Cara, mas que merda! Sério, vai se foder, isso foi completamente asqueroso!
– C-Como? Você deveria ajoelhar e agradecer a todos os deuses existentes por ter a oportunidade de tocar na minha pessoa! Eu sou mais intocável do que a Avril Lavigne!
– Puta que pariu! Argh, que seja, só não conta pra ninguém sobre isso, tá?
– Contar pra alguém que eu dormi com um ouvidor de Demi Lovato? Té parece!
(…)
No quarto dos irmãos loiros...
– T-T-T-T-T-TIRA SUAS MÃOS DE MIM!!
– Ah, voltou ao normal...
– P-Por quê? Por que você continua me tocando mesmo eu tendo dito várias vezes que não queria? Que coisa, você nunca foi de me obrigar a nada! A prisão muda tanto assim as pessoas? Ou você tá com raiva de mim ainda? Poxa, dói ser um irmão mais velho normal? Me proteger ao invés d–
– Rosinante, cala a porra da boca, puta que pariu. Dessa vez foi você quem pediu, literalmente.
– I-Impossível! E mesmo se eu pedir, você precisa ter bom senso e recusar!
– Esquece isso, tá? De qualquer maneira foi bom ter você desse jeito, me lembrou os nossos velhos tempos, fufufu.
Depois dos quatro passarem a noite estranhamente juntos, voltaram a rotina normal da prisão e foram tomar banho, graças aos gritos que os guardas davam. Chegando lá, os seis já estavam debaixo da água, pelados, do mesmo jeito da primeira vez.
– Hey, Cora-san, vamos passar o dia juntos, ok? – Law se afastou de todo mundo ali, ficando com o amado.
– T-Tá. E nada de cigarros.
– N-Nem pensar. – Eles se beijaram, trocando carícias sem se importar se tinha alguém olhando ou não.
– Hey, Vergo. – Do outro lado do banho, com um sorriso no rosto, estava Doflamingo, que adorou a noite.
– Sim? – Antes que pudessem trocar palavras, o loiro o beijou do mesmo jeito que Rosinante e Law, sem se importar com olhares.
– Hey, Caesar. – Dellinger chamou pelo cientista.
– S-Sim? – Ele ficou corado por não gostar de ser olhado nu e ficar tímido.
– Por que eu fiquei no time dos inúteis solitários, que nem você? Isso não é justo!
– Ahn... – Ele se deprime.
(…)
Muito mais tarde, na hora do almoço, todos estavam reunidos. Por algum motivo não especificado, Dellinger, Caesar e Vergo estavam comendo como pessoas normais enquanto Rosinante, Law e Doflamingo estavam brigando.
Estavam de pé e Rosinante estava sendo feito de cabo de guerra entre os dois rapazes. Law tentava puxar o namorado para si, enquanto Doflamingo puxava o irmão para o lado dele, sempre gritando e discutindo, deixando o pobre loiro um tanto enjoado com a brincadeira.
– Larga o Cora-san! – Law puxa o loiro para si.
– Hã? Ele é meu irmão, larga você! – Doflamingo puxa-o.
– Mas ele é meu namorado! – Puxa de novo.
– Foda-se, eu fico com ele desde antes de você existir. – Puxa de novo.
– E daí? Ele gosta mais de mim! – Puxa de novo.
– Gosta porra nenhuma, ele me venera há séculos. – Puxa de novo.
– Graças a você ele quase morreu e tá preso. Eu sou melhor pro Cora-san! – Puxa de novo.
– Se não fosse por mim, ele não teria procurado um médico e já estaria morto. – Puxa de novo.
– Foda-se, nós nos amamos, isso que importa. – Puxa de novo.
– Hã? Você é só um garotinho, o namoro de vocês nem deveria ser legalizado! – Puxa de novo.
– E o de vocês deveria? Vocês saíram da mesma barriga, doentes! – Puxa de novo.
– Tsc, que preconceito. Me respeita que eu sou mais velho que você! – Puxa de novo.
– Cala boca, vovô. – Puxa de novo.
– Vai à merda, pirralho insolente. – Puxa de novo.
– Já chega! – Law puxa Rosinante, mas dessa vez dá um beijo nele. – Viu? Nós estamos JUNTOS!
– Ah, é? Foda-se. – Doflamingo puxa o irmão, o beijando também.
– Para com isso! – Law puxa-o de novo e dá um beijo.
– Para você, eu cheguei muito antes! – Doflamingo puxa e dá outro beijo.
– Vai se foder, ele prefere a mim! – Puxa e dá mais um beijo.
– Quem iria preferir um garoto fedorento como você? – Puxa e dá beijo.
– Por favor, parem... – Rosinante tenta interferir, mas continua sendo puxado e beijado. – Eu estou tonto...
Enquanto isso, na mesa do almoço, um certo loiro se manifestava...
– Argh! – Dellinger bate os pés no chão. – Por que eu não sou disputado assim?!
– Eu não me lembro do Doffy ser assim... – Resmunga Vergo. – Isso é perturbador.
– Pelo menos vocês beijaram alguém... – Murmura Caesar, brincando com os talheres de uma maneira depressiva.
– Poxa, mas isso não é justo! Quando eu sair daqui eu vou ser obrigado a me casar com uma louca e ainda preciso ver que o meu TIO faz mais sucesso do que eu!
Mas a briga entre Doflamingo, Rosinane e Law foi interrompida por um grito de um guarda, também conhecido por ser o pior de todos. Ele não costuma aparecer muito por se julgar ocupado demais para cuidar de lixos pessoalmente, mas devido as condições atuais ele precisou aparecer.
Acontece que, por algum motivo obscuro, os três rapazes estavam perdidos em um beijo triplo. Smoker tem esse apelido por fumar dois charutos de uma vez só, é um sujeito alto e grisalho, que estava em frente a eles.
– EI, PAREM COM ESSA ATITUDE, LIXOS!!
– OBRIGADO. – Rosinante se afasta dos dois, agradecendo de joelhos.
– Fufufu, isso foi muito divertido.
– Vai à merda, Doflamingo! – Law estava limpando sua boca e cuspindo no chão graças ao beijo triplo que fora forçado pelo mais velho.
Contudo, enquanto brigavam, Dellinger continuou olhando o carcereiro Smoker. Acontece que os músculos e o peitoral super definido, além do caráter mais velho e dominante, chamaram bastante a atenção do jovem loiro. Ele estava hipnotizado e foi até o guarda.
– O-Oi... – Ele estava com um dedo na boca e rosto corado.
– Huh, quem diabos é você? – Smoker olhou pra ele, tragando seus dois charutos.
– E-Eu queria lhe agradecer por ter salvo o meu tio...
– Hm... e vai agradecer como?
– Não sei, será que aqui tem um local mais... reservado?
– Que seja, você vai servir por hora.
(…)
Depois de algum tempo, já era final de tarde. Vergo e Doflamingo haviam encontrado um canto mais reservado para ficarem juntos e finalmente deixaram Rosinante em paz, que estava em outro canto da prisão. Dessa vez, ele e Law não ficaram apenas nos beijos e carícias.
– Eu te amo muito. – Rosinante diz, beijando o pescoço do outro e tirando seu uniforme laranja.
– Eu te amo muito mais, Cora-san, e não vou deixar aquele merda nos atrapalhar. – Law corresponde, tirando as vestes do companheiro ao mesmo tempo que o beijava.
Do outro lado...
– Doffy, eu não sei se gosto do seu "eu" da prisão. – Vergo diz, com Doflamingo sentado em uma mesa e pernas abraçadas em sua cintura, enquanto se beijavam e davam mordidas um no lábio do outro.
– Fufufu, não precisa ficar com ciuminho. – Doflamingo tirava sua própria camisa bem rápido e Vergo fazia o mesmo. O moreno arranhava seu corpo e o segurava tão forte que chegava a deixar marcas vermelhas. Tudo isso o beijando.
– Não é ciúme, é bom senso. – Ele arranca as calças laranjas junto com a cueca rosa do companheiro, mordendo seu peito e mamilos, arrancando-lhe gemidos.
– Esquece isso, nós dois temos muito mais o que fazer do que conversar.
(…)
Finalmente anoiteceu de novo. Trafalgar fora arrastado para sua cela, mas ao chegar lá não tinha ninguém. O jovem loiro demorou bastante, mas só depois de muito tempo retornou ao quarto. Estava cheio de chupões e parecia tão feliz quanto uma gazela bêbada.
– Ain, Law! Nem te conto!
– Não quero saber.
– O bofe é maravilhoso, ele sabe como tratar alguém!
– Foda-se.
– Ele tem uma pegada ótima! E os braços tão musculosos e fortes... e o melhor de tudo, ELE NÃO É EMO!
– Ótimo, agora você arrumou o seu "marido de prisão" e pode me deixar em paz.
– Ain, isso é maravilhoso! Eu pensei que estava destinado a acabar com você, agora que a nossa família se tornou tão mais unida, mas a deusa CHER me ouviu!
– Dellinger, você está atrapalhando a minha tentativa de dormir.
– Me fez esquecer totalmente a coisa horrível que é viver nesse lugar sujo, sem música, sem salão de beleza, sem irmão da Diana, sem Ed Sheeran... – Ele acaba se deprimindo. – Ah, Ed....
– Foda-se Ed Sheeran, agora me deixa dormir.
– Foda-se uma vírgula, ele é RUIVO. Ruivos são superiores!
– Não gosto de ruivos, não confio neles.
– Eu sei, você gosta de loiro, tipo a minha família INTEIRA. Eu vi você beijando o meu pai hoje! Seu nojento, masoquista, gótico e emo!
– Hã? Ele me beijou!
– Tsc, sempre botando a culpa nele. Desde a infância...
– Hã?!
(...)
No outro quarto, por incrível que pareça, Rosinante e Doflamingo estavam rindo juntos. Sentados no chão frio da prisão, eles contavam histórias um para o outro e relembravam momentos da infância que tiveram antes de toda a confusão começar.
– Viu só? Você era malvado comigo desde a infância, Doffy!
– Rosinante, a culpa não é minha que você cismou em ser o meu cavalo. Eu sempre fui maior que você e você sempre foi desastrado, brincar de cowboy não daria em nada!
– E mesmo assim você sentou em cima de mim e ficou puxando meu cabelo pra eu andar...
– Hahaha, porque você era muito bonitinho com aquela franja que cobria seus olhos! Ei, isso me deu uma ideia.
– Que ideia?
– Vamos brincar! – Doflamingo levantou-se, segurando os braços do irmão e ambos começaram a girar juntos, rindo e se divertindo como duas crianças inocentes.
– D-Doffy, n-não faz isso! E-Eu vou morrer muito seriamente! – Disse, sendo girado em uma velocidade incrível.
– Hahaha, não se preocupa, eu não vou te deixar morrer!
Porém, o inevitável aconteceu. Em uma das giradas, Rosinante tropeça no próprio pé e obriga ambos a pararem, pois caíram no chão, completamente tontos, porém rindo mais do que nunca. Eles não se importaram com a queda, apesar de não estarem mais tão novos para fazer tal tipo de brincadeira.
– Eu disse que não ia funcionar... – Eles se sentam no chão de novo.
– Mas foi divertido enquanto durou.
– É... [tosse] talvez... [mais tosse]
– O que houve? – Ele fica preocupado ao ver Rosinante tossindo muito mais do que o normal.
– N-Nada, não se preocupa...
– É claro que eu me preocupo! Você tem tomado seus remédios aqui direito, não é?
– Claro que sim! [Mais tosse] T-Talvez... [tosse]
– Tsc, para de brincar com a sua saúde, que coisa! Eu vou pedir pra algum guarda vir te dar algum rem–
– Doffy, não precisa. – Rosinante o interrompe, abraçando o irmão no chão, segurando sua camisa com força e apoiando seu rosto no ombro dele.
– É claro que precisa. – Ele retribui o abraço do outro. – Eu já perdi a nossa mãe pra essa doença, não vou perder você.
– Eu preciso te falar uma coisa... – O caçula abraça o irmão um pouco mais forte, falando com uma voz baixa e cansada.
– É claro, o que é?
– Daqui há pouco é o nosso julgamento e eu não sei exatamente o que vai acontecer com nós dois, mas eu tenho certeza que o Law vai ser solto. Eu quero fazer um trato com você.
– Trato?
– É. Eu nunca vou te perdoar pelas merdas que você fez, e só de lembrar eu já fico com vontade de te bater, mas infelizmente o passado não pode ser alterado. O Law pode fingir que ele não liga pra isso, mas eu sinto toda a dor que ele sentiu e me sinto culpado, porque eu não consigo te odiar de jeito nenhum.
– Sério? Você não me odeia, mesmo eu quase tendo te matado?
– Eu não ligo de você ter tentado me matar, eu me importo com a vida do Law. Eu nunca vou te perdoar, Doffy, mas eu não quero passar a minha vida inteira brigando contigo por causa do passado. Se nós vamos ter que passar a nossa vida juntos na prisão, então eu quero que nós tentemos nos dar bem, como antigamente.
– Já sei, você vai pedir que eu pare de implicar com o garoto. É esse o seu trato, parar de brigar comigo se eu deixar o Law em paz?
– Isso deveria ser uma coisa óbvia, nem precisaria de trato pra isso. Eu não guardo rancor dos outros, então eu estou disposto a tentar esquecer tudo o que você fez, SE você me prometer mudar de vida e parar de fazer merda.
– E eu tenho outra opção? Daqui há pouco o garoto sai da prisão e vai sobrar só nós dois, eu também não pretendo ficar com raiva de você a minha vida inteira. A nossa vida presos vai ser diferente da nossa vida soltos, tá bom?
– Ótimo. E pra ser sincero, eu gostei de ter ficado com você como dupla de prisão.
– Sério mesmo? Nossa, isso sim foi surpreendente.
– Eu preferia o Law, mas daqui a pouco ele vai embora e eu não quero ter o risco de acabar dividindo a cela com o Caesar ou o Vergo. Eu odeio eles.
– Então me responde uma coisa. – Doflamingo vira o rosto vermelho do irmão, o olhando bem nos olhos azuis. – Se nós realmente ficarmos juntos na prisão pro resto das nossas vidas, e eu prometer parar de implicar contigo, você vai voltar a me amar como antigamente?
– Eu não sei. Eu não sei se isso vai ser possível e nem se eu vou conseguir continuar vivendo estando afastado do Law, mas...
– Mas?
– Independente do resultado do tribunal, eu realmente quero que nós dois voltemos a nos dar bem. Como irmãos e amigos.
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