Brave Heart
18 At long lest

– T-Tem certeza de que quer mesmo fazer isso?
– Cora-san, eu espero por isso desde que eu tinha treze anos, eu já tive muito tempo para decidir o que eu quero fazer da minha vida.
– Mesmo assim, faltam ainda seis dias pro seu aniversário de dezoito anos. Se você esperou por tanto tempo n-não é melhor esperar um pouco mais..?
– Por que você tá tão nervoso? Você sabe que eu sempre quis isso, não é?
– S-Sei, mas...
– Qual é o problema então?
– É que eu tenho medo de que isso vá doer...
– Eu não sou mais criança, eu não tenho esse medo de dor. Além disso a dor vai ser em mim, não em você, então por que você tá preocupado?!
– Porque eu não quero que você sinta dor, Law! E-Então eu fico nervoso...
– Pode doer no começo, mas depois que a dor passa fica tudo bem.
– Você fala como se tivesse tanta experiência...
– Eu já fiz isso com o Doflamingo, então eu sei como é. E pelo jeito que você tá agindo, percebe-se que eu tenho mais experiência do que você!
– N-Não cite o meu irmão numa hora dessas, mas que coisa! Você é masoquista?
– Não sou masoquista. Agora para de agir como uma criança e vai logo com isso, já tô perdendo a paciência!
– Ah, agora eu sou a criança, né?
– É sim, o Cora-san é uma criança presa no corpo de um adulto. O Sengoku concorda comigo.
– Ér... com licença... – Diz uma terceira pessoa.
– O quê?
– Podemos ir logo com isso? É que tá quase na hora do meu almoço...
Enfim, uma majestosa tarde de Outono. Trafalgar Law já era um adulto alto, forte e maduro, que faria dezoito anos em seis dias e, para comemorar de antemão, Cora-san o levou para fazer suas tão famosas tatuagens.
Naquele momento, Law estava sentado na cadeira do tatuador esperando a agulha ser direcionada em seu ombro. Rosinante era o único aflito ali. Mesmo não sendo ele quem irá sentir a dor de fazer uma tatuagem, sem dúvidas o seu estado de nervosismo afirmava sua preocupação eminente. Suas unhas eram as vítimas, já que ele as roía o tempo todo.
– Beleza, pode ir.
Law deu o comando ao tatuador, que iniciou seu trabalho. Rosinante não aguentava mais suas pernas tremendo graças a preocupação, então ele pensou em fechar os olhos. Porém, só pensou mesmo, pois não conseguiu fechá-los de fato. Assim que a agulha ia se aproximando da pele do mais novo, ele entrou em desespero profundo.
– N-NÃO, ISSO VAI DOERR!!
Ele correu em direção ao tatuador, porém acabou tropeçando em algum fio. Se desequilibrou, mas antes de cair, segurou-se em uma pequena mesa para se apoiar. Não funcionou, ele caiu no chão e os objetos que estavam em cima da mesa começaram a voar pela sala de tatuagem até fazer uma bagunça total.
– F-Filho, acho melhor você esperar lá fora... – Diz o tatuador ao ver o homem adulto quase morto com uma mesa em cima dele e objetos espalhados.
– Depois a criança sou eu...
– D-Desculpa...
Com o loiro desastrado fora da sala, Law prosseguiu com suas tatuagens. Um coração com chamas envolta de sua tatuagem no peito feita por Vergo, símbolos de engrenagens e outros relacionados com a fábrica em seus braços e mãos, para simbolizar tanto o trabalho de seu pai como dos outros dois que dedicaram sua vida para impedir Doflamingo.
Corações em seu ombro para simbolizar o apelido da pessoa quem mais amava neste mundo, e também responsável por ter salvo sua vida e cuidado dele, Rosinante. E, por fim, em seus dedos ele escreveu a palavra "DEATH" que significa morte em inglês.
– P-Por que você escreveu essa palavra tão cruel nos dedos? – Perguntou Rosinante, assim que as tatuagens ficaram prontas.
– Vai ver ele quis dizer que a morte é o começo de uma nova vida, já que daqui há pouco ele faz dezoito anos e tals. – Sugere Sengoku, comendo alguns biscoitos que tanto gostava.
– Na verdade eu fiz porque achei legal mesmo, não tem nenhum grande significado.
(…)
Dois dias depois as tatuagens já estavam bem fixas na pele. Law as fez com antecedência, justamente para se fixarem bem antes de ter seus dezoito anos, pois tinha em mente algo mais importante para fazer no dia.
Tanto ele como Rosinante ficavam o dia inteiro na sala, assistindo televisão e conversando. Sengoku não gostava disso, afinal era ele quem trabalhava para conseguir arcar com as despesas de cuidar de duas pessoas, além das contas de casa. Já era de tarde, Law estava deitado no colo do loiro vendo filme, enquanto Rosinante fazia cafune em seus cabelos.
– Será que vocês dois podem levantar a bunda daí e pelo menos me ajudarem a fazer o almoço?! – Grita Sengoku, da cozinha.
– [tosse falsa] F-Foi mal, eu tô doente... [mais tosse falsa]
– Eu também não posso, o tatuador disse pra eu não fazer esforço físico.
– MENTIROSOS! Argh, os dois são totalmente inúteis.
Sengoku acabou desistindo de fazê-los ajudar em alguma tarefa em casa e pôs-se a prepara o almoço sozinho, o que acabou fazendo os dois rirem na sala. Law sentou-se ao lado do loiro, segurando suas mãos e apoiando sua cabeça no ombro dele.
– É tão bom poder ficar com você, Cora-san...
– Dá vontade de passar o dia todo aqui, só vendo filme. Aliás, o seu aniversário tá chegando, né?
– Essa é com certeza a melhor parte.
– Precisamos planejar como vai ser! Você vai chamar os seus amigos pra cá ou vai ir pra algum lugar?
– Cora-san...
– Ou você vai querer viajar? Você vai fazer dezoito, então já vai poder fazer várias coisas tipo... SAIR DE UMA FESTA E DIRIGIR BÊBADO VENDO FILMES PROIBIDOS E SER PRESO!
– Eu tenho cara de quem faria isso..?
– Não, mas serão cinco coisas que você só pode fazer com dezoito de uma vez só! Se bem que você não precisa fazer isso, você tem mais cara de quem faria alguma faculdade no exterior.
– Cora-san, não é nada disso que eu quero fazer.
– Então o que é?
– Você já se esqueceu?
– Hm? Esqueci de quê? Você combinou alguma coisa com o Satchi e o Penguin?
– Não.
Vendo que o outro estava mais confuso do que normalmente e, com certeza não se lembraria de nada por ser uma pessoa distraída, Law decidiu tentar fazê-lo se lembrar. O moreno subiu no colo do loiro, que segurou sua cintura em um reflexo e ambos ficaram se encarando. Rosinante não entendeu nada, só ficou imediatamente corado graças a aproximação repentina.
– O-O quê..?
– Cora-san, eu quero você!
– E-Eu?
– É o que eu sempre quis, desde que eu era criança. Vai dizer que você não lembra?
– Eu lembro que você gostava de mim, mas isso já faz tanto tempo... v-você ainda leva isso a sério?
– Se eu levo isso a sério?
Law, para provar a seriedade do que falava, se ajeitou mais ainda no colo do loiro, que abaixou um pouco as mãos. Seus dois rostos foram se aproximando e Rosinante foi ficando mais vermelho ainda, até sentir que seus lábios quase se encostaram. Seus olhos foram se fechando lentamente, como se estivesse esperando por um beijo que não aconteceu. Law se afastou um pouco.
– Por que você se afastou...? – Perguntou, com o rosto completamente quente e a voz baixa.
– Você me faz esperar há cinco anos e depois ainda pergunta se eu levo a sério? – Disse Law, com um sorriso no rosto por perceber que sua aproximação havia dado certo.
– É que você nunca mais disse nada relacionado a isso, então eu achei que tinha sido só uma fase...
– Eu não fiz nada porque você me pediu pra esperar até os dezoito, mas... – Ele volta a aproximar o seu rosto do mesmo jeito de antes. – Você quer que eu te beije agora?
– É que agora você cresceu... – Rosinante começa a fechar os olhos de novo, percebendo que o menor se aproximava cada vez mais. Contudo, Law voltou a se afastar com o mesmo sorriso irônico.
– Você me fez esperar por cinco anos, não consegue esperar por quatro dias?
– Não era você quem não se importava com tempo..?
– Mas do mesmo jeito que você me fez esperar, eu também vou fazer você esperar.
– Você só quer me deixar louco...
– Do mesmo jeito que você me deixa há anos.
O garoto saiu do colo de Rosinante, voltando a assistir televisão como se nada tivesse acontecido, com um sorriso de vencedor. O loiro se ajeitou no sofá e deu um jeito de deixar seu rosto menos vermelho, dando pequenos tapas em si mesmo para acordar. Eis que Sengoku surge.
– Hey, Law.
– Oi.
– Eu esqueci de comprar os remédios do Rossy, você pode ir buscá-los pra mim enquanto eu preparo o almoço?
– Claro.
– Ah, mas a farmácia fica lá na cidade, porque as daqui são bem ruinzinhas. Pode ir no meu carro.
– Mas eu não tenho carteira...
– Melhor ainda! Qualquer coisa, se algum guarda te parar, quem vai preso é o Mingo já que ele ainda é seu pai nos papéis.
E assim, Law pegou o carro do outro e foi para cidade em busca dos remédios do loiro. Ele havia aprendido a dirigir recentemente e era bom nisso, então nenhum guarda o parou. Assim que chegou na farmácia, foi logo buscar pelos remédios e, assim que os pegou, foi até o caixa.
– São só esses?
– São... aliás, eu já te vi antes? – Pergunta Law ao caixa, um sujeito ruivo e alto.
– Ahn? AH, LAW! Você cresceu tanto que eu nem te reconheci!
– Eustass! É, realmente faz tempo que não nos vemos, eu só te reconheci pelo cabelo mesmo.
– Haha, entendi. Como vão as coisas? Depois que você saiu da escola ficou tudo chato.
– Vão bem, eu tô morando com o Cora-san em outra cidade. Lembra dele, né?
– Ah, então vocês dois começaram mesmo a namorar. Achei que tinha sido só boatos.
– C-Como assim? Como você sabe? Que boatos?!
– Quando você saiu da escola a amiga do seu irmão lançou uma fanfic chamada "Como roubar o tio do seu irmão adotivo".
– Sério isso? Que merda, e o Dellinger não é meu irmão. Bom, o resto é verdade.
– Falando nele, no começo desse ano ele herdou a fábrica do pai. Eu fico imaginando como aquela criatura consegue administrar uma fábrica, já que ele só ficava falando sobre pop na escola.
– Até eu tô com pena da fábrica... enfim, eu preciso ir. Se eu me atrasar muito aqueles dois comem o todo o almoço e eu vou ficar passando fome até o jantar.
– Então tá, mas nós dois temos que nos ver mais vezes, viu? A propósito, adorei as tatuagens!
(...)
Três dias se passaram e, no dia seguinte, finalmente seria aniversário do jovem. Era final de tarde e tanto Law como Rosinante estavam no quarto que dividiam, jogando videogame como duas pessoas normais e civilizadas.
– VOCÊ TÁ ROUBANDO, NÃO É POSSÍVEL!
– Eu não preciso roubar, o Cora-san é muito horrível nisso!
– Cala boca, eu não entendo a complexidade desses bonequinhos irritantes! COMO ESSE RATO ROSA PODE VENCER O MEU LAGARTO ASSASSINO?
– Primeiro que não é um rato, é um Mew. E segundo, COMO VOCÊ QUER GANHAR COM UM CATERPIE?
– N-Não grita comigo, eu não sei jogar essas coisas! Você só é melhor do que eu porque você é uma cri-an-ça. – Rosinante começa a fazer caretas para deixar o outro irritado, chamando-o de criança várias vezes.
– A única criança aqui é você...
– Tá, isso não importa. Eu perdi a vontade de jogar.
– Quer fazer o quê?
– Vamos ficar lá com o Sengoku, ele deve estar se sentindo sozinho vendo televisão.
Ambos levantaram-se, desligaram o videogame e foram até a sala de estar, sentar-se com Sengoku, que estava, como sempre, comendo biscoitos. Ficaram assistindo televisão até começar os jornais, onde mostrou uma pequena reportagem sobre a fábrica Smile.
– Detesto ver isso, muda de canal. – Ordena Rosinante.
– Calma, é importante nos sabermos como anda a fábrica. – Interrompe Sengoku. – Eu soube que hoje o Dellinger vai dizer alguma coisa importante.
– Vindo daquele idiota não deve ser nada demais. – Comenta Law.
Assim que a reportagem começou, a primeira pessoa a aparecer foi Doflamingo, que estava sentado em uma cadeira no palco em que Dellinger iria discursar. Entretanto, o mais velho estava com a mão no rosto e impaciente, como se o filho fosse dizer algo idiota.
"Então foi por esse motivo que eu decidi trazer pessoalmente a Taylor Swift para um show aqui na Inglaterra, visto que milhões de jovens se inspiram nela. Além disso ela é igual a mim, e..."
– Viu? Eu disse que era alguma besteira qualquer.
– Pelo menos com o Dellinger querendo transformar uma fábrica em uma empresa de eventos, eu fico menos preocupado com a situação dela. – Diz Sengoku.
– Eu tenho um pouco de pena do Doffy. – Comenta Rosinante. – Teve um dia em que ele me disse que teria posto o Law como herdeiro, se não fosse pelo pai.
– Sério? Isso seria ótimo, se o Law estivesse lá dentro ele poderia ser algum tipo de espião e ferrar com o Mingo pessoalmente!
– Eu fui contra, não quero colocar o Law dentro dessa história. Além disso o Doffy achava que ele seria um garotinho malvado perfeito pra fábrica, mas ele cresceu e se tornou essa criaturinha fofa, né?
– Oh, ele queria que eu fosse o herdeiro? Que interessante, eu poderia usar o meu poder pra dar ao Doflamingo uma morte lenta e dolorosa... – Law acaba pensando alto, ignorando os outros.
– N-Não fale coisas assustadoras!
O tempo foi passando, os três rapazes continuavam a ver televisão juntos e tanto Rosinante como Law ficavam de mãos dadas e apoiavam suas cabeças nos ombros um do outro. Ficaram assim até finalmente ser 23:50h.
Sengoku havia feito um bolo de aniversário para Law e posto no centro da sala de estar, em frente aos sofás. Entretanto, o bolo foi completamente ignorado visto que o aniversariante parecia estar com outras coisas na mente e ficava olhando para Corazón sempre com um sorriso e olhos semi-fechados.
– Daqui há pouco você faz dezoito, Law! Sabe o que tem nessa idade?
– O que tem nessa idade, Sengoku?
– Você arrumar um emprego e começar a cuidar da casa comigo já que o Rossy é um desleixado total!
– Bom, eu tenho outros planos pra esse aniversário... – Mesmo Law falando com Sengoku, seus olhares estavam direcionados apenas a uma certa pessoa, que respondia com um olhar tímido e rosto corado.
– Me sinto completamente ignorado estando no meio de vocês dois.
– N-Não precisa ficar assim, é que o Law está esperando esse aniversário há bastante tempo, né?
– Mais tempo do que você imagina...
– Bom, então eu vou sair daqui e deixar o novo casal à sós. Se precisarem de mim, estarei no quarto comendo o bolo sozinho.
– E-Espera, Sengoku! – Rosinante segura a calça do homem, assim que este foi levantar-se, para impedir que ele avance. – Não precisa ir, fica aqui com a gente...
– Rossy, você não precisa ficar nervoso, relaxa. O Law não foi o único que esteve esperando por este dia, certo?
– S-Sim, mas é que...
– Olha, ele é muito mais maduro que você, então esse relacionamento vai ser ótimo. Tenta aprender alguma coisa com o Law.
Assim que Sengoku foi para seu quarto com o bolo, os dois rapazes ficaram sozinhos na sala de estar. Law sentou-se mais perto de Rosinante, segurando suas mãos enquanto olhava para seus olhos azuis e suas bochechas vermelhas.
– Está tão nervoso assim?
– U-Um pouco... é que eu achei que esse dia nunca fosse chegar...
– Eu te disse, né? Não importa quanto tempo eu tenha que esperar, eu nunca vou desistir de você, Cora-san.
– Não precisa mais esperar. Faltam três minutos, aí sim eu já vou poder retribuir esse amor que você tem por mim há tanto tempo. – Rosinante olha no rosto do garoto, entrelaçando seus dedos nos cabelos negros de Law, que adorava sentir a maciez de suas mãos.
– Eu sempre soube que você era a pessoa que eu amo...
– E eu queria tanto que você tivesse já nascido com dezoito anos, quem sabe assim eu não precisaria esperar tanto por essa noite.
– Hey, não vamos pensar nesse tempo chato e nem nas idades. O que importa agora é que nós vamos poder ficar juntos de uma vez por todas, né?
– Quem diria que aquela criança depressiva iria se tornar alguém tão perfeito como o homem à minha frente...
– Se eu deixei de ser uma criança depressiva, foi justamente por você. Você salvou a minha vida, Cora-san.
23:59:55
– Se algum dia eu salvei você, Law, saiba que você me salva todos os dias...
Rosinante deixa a ansiedade de lado para se focar no presente momento em que ele e Law poderiam ficar juntos, sem ninguém para vos atrapalhares. O loiro agora já estava bem perto do garoto e começou a proferir palavras para ele.
23:59:56
– … Sem você eu já teria perdido todas as razões pra viver...
Com suas mãos envolta dos cabelos negros e seus lábios, Rosinante aproxima-se e dá um leve beijo na testa do garoto, que automaticamente fica corado. Seu corpo começa a ficar mais leve graças ao barulho dos ponteiros, significando que o tempo de espera chegava ao fim.
23:59:57
– … Teria me afogado em sentimentos de vingança contra o meu irmão...
Em seguida, seus lábios desceram até a bochecha esquerda de Law, que começa a reagir instantaneamente. Suas mãos se fecham inconscientemente, como se estivesse segurando algo inexistente, sentindo apenas o toque em sua bochecha.
23:59:58
– … Passaria meus dias contando o tempo para que essa doença chata finalmente me matasse...
Mais uma vez, Rosinante deu-lhe outro beijo, porém na bochecha direita. Os olhos do garoto já começam a se fechar e sua boca tremia junto com seu corpo, aguardando o tão esperado momento.
23:59:59
– … E nunca imaginaria que um cara tão inútil como eu poderia ter a chance de amar alguém tão especial como você. Feliz aniversário, Law.
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