Notas iniciais
Demorei? Sim, eu sei. Mas me perdoem... Estou com mil coisas pra fazer e mil dividas para pagar.

CAPÍTULO 8

Fazem quase três semanas que estou na Coreia e essa com certeza é a melhor temporada que estou passando aqui. Quase todos os dias me encontro com algum dos rapazes, seja na empresa, na casa deles ou na minha. Geralmente pego carona com o Namjoon até a bighit, não que eu vá todo dia ou mesmo ainda tenha algo pra fazer lá, mas ainda tenho minha salinha e o Jimin quando pode dá uma passada por lá, geralmente com o Taehyung a tira colo. E superamos a tensão sexual que existia entre a gente, ainda me sinto atraída por aquele corpo, principalmente se estiver dançando, mas fora isso estamos nos tornando ótimos amigos.

Hoje foi um dia atípico. Como era sábado, os rapazes saíram bem cedo de casa pois queriam acabar logo e ter o resto do fim de semana de folga. Por isso tive que pegar o metrô, já que além de perder minha carona, meu pai havia viajado para não sei onde fazer não sei o que.

— Mas o que? – Arregalei os olhos ao entrar na minha sala. Meu sofazinho estava ocupado por um ser de pele branca, MUITO BRANCA.

Revirei os olhos e tentei acorda-lo, mas aquele homem somente resmungava e afastava minha mão do seu rosto. Deixei pra lá e me sentei na cadeira colocando minha bolsa sobre a mesa. Havia um bloquinho de papel em cima dela, era o bloquinho inseparável do Yoongi. Tentei ler o que estava escrito, mas não fazia muito sentido, eram palavras jogadas, algumas rimavam outras estavam riscadas...

Coloquei o bloco onde estava e peguei meus livros e cadernos. Voltando para o Cálculo.

Escutei o telefone do Yoongi tocar e olhei pro mesmo. Ele havia acordado com o som do telefone e não parecia nada feliz com isso.

— O que quer Jin? – Perguntou seco. – Não, eu ainda estou aqui. – Coçou a nuca. – Achei um novo esconderijo. – Riu. – Sim, sim. Foi isso. Não precisa, eu almoço fora e depois vou pra casa. – Desligou o telefone.

— Então minha sala virou seu novo esconderijo? – Perguntei e ele se assustou ao me ver. Ri com aquilo, ele ficava realmente fofo desse jeito.

— Desculpe Mi. – Falou se levantando desajeitado. – Pensei que não viria hoje. Me perdoe. – Disse se espreguiçando.

— Relaxe Suga, tua cara não nega que tas morto. – Sorri vendo a careta que se formou em seu rosto. – Madrugou ontem foi?

— Passei a noite toda terminando uma música, acabei hoje de manhã. – Disse.

— Posso escutar? – Perguntei tímida. Eu não tinha tanta amizade com ele como tinha com Jimin, Kookie e Namjoon. E o Yoongi era muito parecido comigo para querer mostrar algo dele.

— Claro. Estava indo almoçar, mas depois vou estar livre o resto do dia. – Por essa eu não esperava. Balbuciei algo em resposta enquanto o via sair da sala. – Não vai vir? – Perguntou na porta me encarando com um sorriso irônico.

— Ham?

— Almoçar. – Explicou cansado, rolando os olhos.

— Eu e você? – Perguntei ainda atrapalhada.

— Sim. – Falou baixo indo embora. Ele estava tão constrangido quanto eu?

Caminhamos em silêncio até o refeitório, porém ele passou direto pelo recinto e seguiu para o estacionamento. Okay, não vamos comer na BigHit. Será que o Yoongi ficou com algum dos carros? Não vi nenhum dos rapazes hoje, então não sei se os dois carros estavam com seus motoristas usuais. Mas eu buguei legal quando ele colocou a máscara e um boné e saiu andando pela entrada de carros.

— Vai ficar ai parada? – Eu juro que ele riu ao dizer isso.

— Aonde vamos? – Perguntei. Já chega dele me deixar no escuro.

— Num restaurante aqui próximo.

— Isso não é muita exposição?

— Você se encontrou com o Jimin num metrô. – Retrucou. Claro, isso faz total sentido também.

— Ele me disse que essa linha geralmente era vazia. Mas eu ainda considero os dois casos como exposição. – Falei. – Hey, acho que nunca vi algum fã de vocês por aqui... Se não fosse pela quantidade de visualizações no youtube eu nem pensaria que são tão famosos. É realmente estranho, pensei que fãs faziam filas nas casas dos ídolos ou na empresa. Elas não deviam procurar a agenda de vocês e tentar encontra-los?

— Realmente. – Suspirou. – Toda pessoa tímida é um tagalera escondido.

— Sinto que está falando do Kookie. – Disse tentando desviar esse defeito para outro.

— Porque o chama assim? – Perguntou.

— O kookie? – Ele assentiu. – Ah, não sei. É fofo, lembra biscoito... E bem não fui eu que inventei, minha amiga, que a proposito é ARMY, o chama assim.

— Mas eu não me referi só ao Jungkook ou a você. Também sou assim se retirar a metade do tempo que passo dormindo e mal humorado. – Demorei um pouco para compreender o que ele estava falando. – Chegamos.

Entendi o porquê de ele poder ficar nesse “restaurante”. Estava cheio de idosos e tinha um karaokê. Sério! Era um bar para a terceira idade e provavelmente nenhum deles conhecia o rapper a minha frente. Pedimos nossa comida e sentamos.

— Não gosta do que pediu? – Perguntou me olhando com o canto do olho. Provavelmente devo ter expressado meu descontentamento.

— Não é exatamente isso. – Ele soltou os palitinhos e me encarou, um gesto que queria dizer que estava prestando atenção. – Estou com saudades da comida brasileira. – Falei abaixando a cabeça. Isso era tão ridículo.

— Oh, eu entendo. Quando estamos em turnê no ocidente é horrível. No começo até é legal, mas depois de um tempo realmente dá saudades. – Falou. – As ARMYs desde o primeiro Bom Voyage sempre perguntam se estamos comendo bem quando viajamos. – Ergui uma sobrancelha e ele riu.

— Que foi?

— Às vezes esqueço que você não sabe de nossas vidas Mi – Sorriu. O sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida. Ele parecia tão fofo. – Fizemos uma mochilão reality show pelos países nórdicos e depois de três dias já não aguentávamos mais hamburguês e preparamos uma típica refeição coreana.

— Acho que vou fazer isso algum dia. – Falei. – Se eu vencer a preguiça. – Ambos rimos, era algo que tínhamos em comum.

— Podia procurar um restaurante brasileiro por aqui. – Sugeriu.

— É uma boa ideia. – Sorri. – Obrigada Suga.

Ele rapidamente desviou o olhar para sua comida e continuamos a refeição em silencio. Era relativamente agradável estar com o Yoongi, ele não exigia esforço para conviver. Parei para analisar meu relacionamento com eles, eu só me sentia inteiramente à vontade com o Jimin e o Kook, talvez com o Yoongi... Namjoon era realmente muito legal e ambos concordávamos que tínhamos cérebros sexys, mas sempre que o silencio se prolongava eu não fazia ideia do que fazer e me sentia desconfortável. Os outros... bem... nunca conversei muito com eles, sempre rimos juntos e falamos coisas aleatórias, mas são tipo os amigos dos seus amigos e não temos intimidade fora do grupinho.

Quando acabamos Yoongi se levantou rápido e seguiu para o caixa. Não. Não vou deixar ele fazer isso de novo, não mesmo. Se ele pensa que eu não tenho como pagar as coisas, ele está redondamente enganado.

— Não! – Arranquei a carteira de sua mão.

— Porra! – Xingou. – O que você tem na cabeça? – Tentou pegar sua carteira, mas eu fui mais rápida e coloquei no bolso traseiro da calça. Sinceramente, se ele fosse brasileiro provavelmente só pegaria na minha bunda e retiraria a carteira. Mas como o ser na minha frente é coreano, só corou e cruzou os braços, desistindo.

— Você não me deixou pagar da outra vez Yoongi, estou nos deixando quites agora. – Sorri cínica e entreguei meu cartão para a senhorinha do balcão que me recriminava com o olhar. Tentei não me envergonhar com isso e me virei para Yoongi.

— Você me chamou de Yoongi... – O rapaz me encarava surpreso, oh não.

— É o seu nome não é? – Digo tentando disfarçar meu embaraço. Yoongi nunca havia dito que eu podia chama-lo pelo nome e por isso só o chamava de Suga.

Ele chacoalhou a cabeça e estendeu a mão. Ham? Oh sim, sua carteira. Devolvi para ele que a guardou e saiu rápido do estabelecimento. Olhei ao redor, havíamos atraído uma atenção desnecessária. Corri atrás dele.

— Me desculpa. – Falei. – Eu tenho esses surtos de irritação e geralmente só percebo que exagerei depois.

— Terei que passar um bom tempo sem frequentar este lugar. – Resmungou.

— Me desculpa mesmo. É que você já tinha pago o taxi por mim e eu não vou aceitar que me trate como inferior só porque ainda sou uma estudante e mulher. – Ele parou e riu me encarando.

— Aigo! Você tira conclusões precipitadas demais Mi. – Do que raios ele está falando? – Eu nunca supus que fosse inferior. Eu nem pensei muito, na realidade, foi automático. Você é minha dongsaeng e eu tenho dinheiro o suficiente para fazer isso.

— Você tenta se explicar, mas seus argumentos continuam prepotentes.

— Caralho, eu não deixo nem o Jimin pagar quando saímos juntos. – Passou as mãos no cabelo. – Não vou mais tentar me explicar, você é metade coreana e devia entender que isso é sinal de respeito e cuidado. – Continuou irritado. Olhei ao redor envergonhada, por sorte não havia ninguém ali.

— Olha, eu entendo por que fez isso, mas por favor compreenda que eu não aceito isso. Se eu não pudesse pagar, aigo, ai tudo bem... mas nós somos iguais e esse lance de idade é realmente difícil para eu engolir. – Falei calma. – Eu fico incomodada até quando me chamam de Noona. – Falei me lembrando de Jae, Sun e Jungkook.

— Eu já percebi que é difícil para você se acostumar com honoríficos... – Acrescentou baixo. Ri minimamente. Os outros achavam difícil lidar com a personalidade do Yoongi, mas eu não estava achando tão difícil assim...

— Que tal um acordo? – Perguntei erguendo as sobrancelhas e o vi me olhar curioso. – Revezamos quem irá pagar nas próximas vezes. – Só me dei conta do que havia dito quando o rapaz arregalou os olhos e recuou, olhando para o chão. – Oh, não. Merda. Eu não... – Eu estva tão envergonhada que não conseguia organizar uma frase direito.