Brasil-Coreia
9 Genius Lab
Notas iniciais
Capitulo 9
— Bem que me disseram que as brasileiras são atiradas. – Parei de tentar formular alguma frase e encarei o homem a minha frente. Ele tentava ficar serio, mas eu podia enxergar muito bem um brilho em seus olhos e um sorrisinho presunçoso querendo aparecer no canto de seus lábios.
— Como é que é? – Perguntei um tom acima do normal. Um insulto duplo.
Ele não retrucou. Só fechou a cara a me puxou para uma ruela à direita. Tentei falar algo, mas o mesmo só colocou a mão na minha boca e me prensou contra a parede enquanto tentava inutilmente esconder ainda mais seus fios azuis com o boné.
Eu começava compreender a situação, provavelmente ele estava tentando evitar que alguém nos visse e espalhasse boatos, talvez tenha visto algum paparazzo? Mas ao mesmo tempo em que isso acontecia,estava tensa: eu sentia Min Yoongi em todas as partes do meu corpo... Arfei, isso não ia dar certo...
Yoongi relaxou e eu consegui ouvir passos se distanciando. Ele me soltou e se afastou minimamente virando seu rosto e fazendo seus pequenos olhos caírem sobre mim.
— Quem está sendo atirado agora? – Soltei numa só voz, antes que pudesse perceber. Ele riu balançando a cabeça e finalmente se afastou.
— Vamos logo, quanto antes chegarmos em casa, mais rápido posso lhe mostrar a musica. – Colocou os fones e deu alguns passos antes de me chamar com um gesto de mão sem olhar para trás.
Como eu posso me sentir tão afetada com umas atitudes simples como essas? Eu estou carente demais ou é esse homem que... Aigoo! Yoongi definitivamente é confuso. Ele vai de fofo a swag em segundos, além do fato desta última categoria ser subdividida em impertinente e indiferente.
...
— Mi? – Esbarramos em Jungkook na porta da casa deles.
— Oi Kook. – Sorri para ele. – Está saindo? – Perguntei.
— Unhumm. O manager pediu para eu rever algumas passagens de som. – Respondeu encarando o amigo. – Por que estão juntos?
— Somos amigos. – Deu de ombros. – Além do mais, seu hyung não lhe deve explicações. – Sorriu para Kook e entrou em casa, me deixando com um Jungkook que mantinha uma sobrancelha arqueada para mim.
— Nem venha. Você o conhece mais que eu.
— Justamente por isso. O hyung não costuma ser receptivo com novas amizades.
— Kook, está na sua hora, não deixe nosso manager zangado. – Yoongi reapareceu. – E sua noona também não lhe deve explicações. – Empurrou Jungkook que saiu rindo e gritando “Aigoo, vou me vingar, pode esperar!”.
Segui o Yoongi até o seu estúdio. Confesso que invejo o nome que ele deu: Genius Lab. Eu queria ter tido essa ideia antes dele... Sentei-me no sofá enquanto Yoongi puxava uns papeis para poder tocar a música em seu teclado. Ele se mantinha um pouco encurvado enquanto seus dedos saltavam sobre as teclas, era uma posição relaxada, combinava com ele.
A melodia era suave, passava uma mensagem de sentimentos, talvez amor ou amizade. Não tinha certeza, pois ele não cantava, mas a música passava por graves e agudos, uma montanha-russa de emoções.
Ele terminou e me estendeu uma folha.
— O que é isso?
— A letra. – Respondeu sem tirar os olhos do instrumento. – Não sou um cantor muito bom e estragaria a música se eu cantasse.
— Está pensando em quem para cantar então? – Perguntei desviando o olhar da letra para ele que virou o rosto de supetão para mim com uma expressão incrédula.
— Ninguém. Eu só preciso escrever, não necessariamente para o grupo ou alguém especifico. Eu só preciso compor. – Respondeu me encarando.
— É a sua fuga, não é?
— Se levar por esse lado... – Bocejou. – Mas então, o que achou? – Perguntou se acomodando na poltrona.
— Emocionante. – Suspirei. – Um pouco metafórico e dramático, talvez. Mas eu gostei. – Sorri. – Qual foi a inspiração?
— Sinceramente, isso não é da sua conta. – Me espantei com a súbita patada que levei. Ele estava sendo tão aberto e legal que não esperava isso.
— Certo. – Minha voz estava carregada de desprezo.
Levantei e sai daquela saleta. Retiro o que tinha concluído sobre a personalidade dele, não é fácil de conviver.
— Mi? – Escutei a voz de Jimin. – O que faz por aqui? – Ele se aproximou com um sorriso no rosto.
— O Yoongi me chamou para mostrar a nova música dele. – Falei apontando para o estúdio um pouco atrás de mim. – Queria saber se estava boa.
— Estranho. – Jimin fez uma cara engraçada enquanto olhava para o Genius Lab.
— Ele não costuma mostrar as músicas? – Perguntei.
— Não, não é isso. É que o hyung não costuma pedir opinião para quem não entende, ele geralmente mostra pro Nam e para os produtores quando está pronta... Mas para nós? Não. – Ele riu. – Sendo que a gente sempre vê, porque o hyung não se importa o suficiente para impedir quando xeretamos.
— Porque ele me chamou então? – Falei me direcionando para a sala.
— Não tentamos entender o hyung. – Jimin comentou como se isso encerasse o assunto e me puxou para o sofá.
— O que acha de sairmos hoje a noite? – Perguntou enquanto colocava minhas pernas em cima das suas.
O encarei com a sobrancelha arqueada.
— Que foi? – Se fez de desentendido. – Somos amigos, é normal amigos saírem juntos.
— Pensei que tínhamos chegado a um ponto em acordo nesse assunto. – Dei um puxão no seu dedão, o fazendo soltar um exclamação e beliscar meu pé em vingança.
— Quem está pensando em outras coisas é você, Mi. – Falou com um sorriso de canto. – Eu só estava planejando espairecer com minha melhor amiga. – Revirei os olhos.
— Tudo bem Jimin. – Cedi. – Só se certifique que não seja nada perigoso para a sua imagem.
Ele assentiu e logo depois colocou um filme qualquer, só para ter algo passando mesmo, pois o que menos fazíamos era prestar atenção no filme. Ficamos o tempo todo conversando e nas raras vezes um de nós dois olhávamos para a tela o outro implicava até ter a atenção de volta.
— Caraca! Seus dedos são muito pequenos! – Eu estava impressionada com a fofura que era a mão desse ser. Eu havia agarrado ela, após ele tentar puxar meu cabelo.
— Ah, não. Você também não! – Reclamou puxando a mão de volta.
Tentei a todo custo conseguir aquela mãozinha de novo. Mas ele não estava disposto a ceder.
— Acho que chegamos em péssima hora, Kook. – A voz rouca de Taehyung me fez desviar minha atenção para os dois seres parados na entrada da sala. Porque pareciam chocados? OH. Sai de cima do Jimin com as bochechas coradas.
— Quando eu sai de casa você estava acompanhando o Suga, e quando eu volto, o Jimin? – Jungkook perguntou com um sorriso malicioso no rosto enquanto mantinha os braços cruzados. Evil maknae.
— Já repararam como a mão do Jimin é fofa? – Perguntei torcendo pro Tae entrar na onda e o comentário do Jungkook ser esquecido.
— Sim! – Taehyung sorriu quadrado se aproximando. – As armys sempre comparam seus dedos com os dele nos fanmetings.
Ergui uma sobrancelha, dando meu melhor sorriso vitorioso para Jungkook. Ele bufou e se sentou no outro sofá, já que o Tae havia conseguido me afastar do Jimin, ocupando o espaço que sobrava.
— O que estavam fazendo antes de perceber que o Jimin tem dedos de criança? – Kook perguntou para mim.
— Vendo um filme ai. – Jimin apontou para a tela, que agora estava preta. O filme já tinha acabado, que horas devem ser? Conferi o celular, eram cinco da tarde.
— Estou com fome. – Taehyung falou quebrando o silencio que tinha se instalado. – Será que o Jin-hyung vai cozinhar hoje? Ele está em casa Jiminie?
— Acho que ele e o Nam estão assistindo algum filme no quarto do hyung. – Jimin começou a enmerar nos dedos. – O Hope ainda deve estar tentando vencer alguma partida online lá no quarto. E o Suga trancado naquele estúdio, como sempre.
— Podíamos pedir algo. – Jungkook se pronunciou nos encarando. – Não incomodaríamos os hyungs e teriamos algo da maknae-line para o Vlive.
Taehyung sacou seu celular do bolso e ficou pelo menos 10 minutos sugerindo pratos que eram prontamente aceitados por Jimin e recusados por mim e Jungkook. Acabamos decidindo comprar Kimbap de vários sabores na lojinha de conveniência que tinha dentro do condomínio. E então jogaram zero ou um para decidir quem iria comprar. Tae e Jimin acabaram perdendo e saíram resmungando.
— Pensei que você e o Jimin tivessem superado a atração inicial. – Jungkook comentou como quem não quer nada.
— E superamos. – Falei firme.
— Não foi o que pareceu. – Ergueu uma sobrancelha. – Por que vocês não ficam logo, aish? Não é como se não quisessem ou se não tivesse rolado nenhum clima.
— Quando foi que adquirimos intimidade para virarmos confidentes? – Perguntei ácida e logo em seguida arregalando os olhos. – Desculpa! Não era pra ter saído nesse tom. – Jungkook mantinha seus olhos arregalados.
— Não tem problema, estou acostumado com o Suga-hyung. – Falou rindo. – Se bem que ele não se desculpa depois de uma patada. Você podia dar essa dica pra ele, Mi.
— Pelo pouco que eu conheço o Yoongi, ele provavelmente me daria uma bela de uma resposta e depois voltaria ao que quer que estivesse fazendo.
— Ye, pode ser. – Jugkook comentou baixinho.
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