Brasil-Coreia

1 Encontro no metrô


— E então o Jae apareceu no meio daquele coração de rosas segurando uma caixinha. Eu mal pude acreditar, ele se ajoelhou e... – Koong Mi-Sun contava o ocorrido na semana anterior com mais detalhes do que o necessário.

— Abriu a caixinha te pedindo em noivado. – A interrompi que me olhou espantada.

— Como sabe? – Falou suspirando.

— Clichê e romântico demais, a cara de vocês. – Falei rindo. – Se fosse comigo eu estaria rezando para acabar o mais rápido possível.

— Sua insensível. – Sun mostrou a língua para mim. – Vou rir muito quando for a sua vez Mi-unie.

— Não acho que irá chegar. E mesmo que aconteça, se o rapaz fizer isso eu digo não. – Desliguei a televisão, faltava menos de duas horas para eu ir encontrar com meu pai em seu trabalho, tinha que me apressar. Olhei no espelho, meus cachos estavam começando a aparecer, mas eu não tinha tempo de alisa-los agora, ficarão ondulados mesmo.

Sai do apartamento e encarei a casa ao lado da minha, meu pai havia dito que o BTS, o grupo de maior sucesso da empresa dele, morava ai. Desde então passei a olhar a casa toda vez que saia, parecia uma casa normal e não uma super mansão de k-idols adolescentes, se bem que eu não faço ideia de como k-idols se comportam. Meu conhecimento musical sobre a Coréia se limita ao Psy, pois passei a maior parte da minha vida morando com a minha mãe no Brasil, passo apenas algumas férias sorteadas aqui e por isso prefiro músicas brasileiras.

Coloquei meus fones de ouvido e os escondi com meu cabelo, um costume que nunca consegui perder nem quando venho pra Coréia, meu appa diz que é ridículo porque ninguém irá me assaltar como ocorre no Brasil, mas eu me sinto desprotegida com head-fones. Caminhei até o metrô para poder ir até a BigHit, sentei num banco vazio e tirei um livro da bolsa para poder ler.

-Isto não parece inglês... – Levei um susto quando o garoto ao meu lado comentou fazendo uma careta muito fofa, embora eu tenha certeza que essa não era a intenção.

— É português. – Falei baixinho intimidada com a beleza do garoto, seu rosto era familiar, mas possivelmente só por ter traços asiáticos.

— Oh, é a segunda pessoa que eu conheci na vida que entende português. – Sorriu timidamente. Seu sorriso era tão fofo, os olhos sorriam junto. – A outra é meu chefe. Prazer, sou Park Ji-Min. – Me cumprimentou.

— Sou Chang Mi-Lena. – Falei. Ele fez uma careta de confusão quando falei meu nome. – É que tenho dupla nacionalidade, minha mãe é brasileira e meu pai coreano então decidiram tornar meu nome internacional.

— Ohh. Já fui ao Brasil, gostei muito de lá embora ficasse ocupado com os shows. – Comentou e só ai me dei conta.

— Jimin? BTS? – Perguntei baixinho.

— Sim. Não sabia quem eu era? – Falou isso e começou a rir. – Você é mesmo muito fofa, Mi-ssi.

— Obrigada. – Respondi corando, não sei o que fazer quando desconhecidos me elogiam, quando conheço a pessoa posso só brincar sendo irônica... – Eu estou indo para a BigHit ver meu appa, está indo para lá também?

— Estou. Seu pai trabalha lá?

— Sim, Chang Chin-Ha. Tornou-se sócio há quase dois anos... – Parei de falar quando vi a expressão atordoada do rapaz. Lembrei, não se fala o nome dos pais aqui na coreia. – Não me recrimine, sou metade brasileira, alguns costumes são difíceis para mim.

— Tudo bem, é só que como você disse que seu pai era coreano pensei ... – Suspirou. – Vamos é a nossa estação.

Agradeci mentalmente por Jimin está me acompanhando, só havia ido uma única vez ao trabalho do meu pai e acompanhada pelo mesmo. Estava com medo de me perder. Fomos conversando o caminho inteiro, Jimin é a encarnação da fofura, nunca antes havia feito amizade tão rápido, sou meio antissocial. Quando venho para Coreia só tenho a Sun de amiga, mas confesso que a culpa é minha, me enterro em livros ou qualquer coisa que envolva ficar quietinha, menos se for dança... é meu fraco mesmo que não seja boa.

— Jiminn! – Um rapaz alto vem ao nosso encoontro. – Olá. – Ele me cumprimenta.

— Tae, está é Mi-ssi. – Virou seu corpo levemente para que o garoto soubesse de quem falava. – Ela é filha do Chang. – Ele abriu um sorriso tão peculiar que não tive como não sorri em resposta.

— Prazer em conhecer. – Fez uma saudação. – Sou Kim TaeHyung.

Já ia me despedir dos garotos quando vejo meu pai. Ele abre um sorriso ao me ver e caminha na minha direção.

— Mi! – Appa me abraçou fortemente e depois me soltou olhando para os garotos. – Não estava jogando charme para cima da minha filha, Jimin?

— Porque eu? Porque não o Tae? – Sorriu ofendido.

— Porque não é o V que se gaba por seus movimentos sexys. – Jimin ficou vermelho e puxou o outro para longe, indo embora e acenando. Sorri acenando de volta, gostei do Jimin, talvez possamos ser amigos.

— Ele me ajudou appa. – Falei. – Me trouxe até aqui.

— Que bom, é ótimo que esteja fazendo amizades. – Estávamos conversando enquanto íamos para seu escritório. – Como sua mãe não pode vim dessa vez e sua prima está noiva, fico com medo de que se sinta sozinha.

— Não se preocupe com isso appa, sabe que adoro ficar sozinha com uma boa música ou livro.

— Pode ser um pouco sociável hoje à noite e comparecer ao evento da empresa?

— Sou sua filha de ouro. – Concordei entrando em sua sala.

— Queria que o outro antissocial fosse obediente como você. – Não entendi bem o que ele quis dizer, mas ignorei.

Deite no sofá e assisti alguns vídeos no youtube, eu sou de épocas. Já tive a vibe de booktubers, comedias... atualmente são Scienc Vlogs, Primata Falante mais especificamente. Nunca consegui acompanhar youtubers que não fossem brasileiros, mesmo sabendo razoavelmente outras três línguas, youtube sempre me expressou intimidade e eu me sinto confortável no Brasil. Engraçado como isso não acontece em livros e filmes, somente youtube e musica.