Brasil-Coreia
2 Varanda antissocial
Notas iniciais
CAPÍTULO 2
Esse evento servia como entrevista ou algo parecido, acho que estou cercada de idols e jornalistas, nem meu pai eu encontro. Eu já não aguentava mais, havia jantado e avistado o Jimin junto com os outros membros do bts de longe, estavam todos ocupados. Tinha aproveitado a tarde para duas músicas do grupo.
Decidi achar um lugar para descansar, não costumo usar saltos e meus pés estão doendo. Aumentei o volume da música que entrava em meus ouvidos pelos fones escondidos nos meus cabelos e caminhei a procura de um assento vazio, ou melhor ainda, um lugar isolado. Achei uma entrada para a varanda, estava somente fechada, acho que por isso não ouvia conversas atrás da porta, as pessoas devem ter presumido que estivesse trancada. Entrei e tomei um susto ao ver uma pessoa deitada, parecia estar dormindo, embora uma máscara e o gorro cobrisse a maior parte do rosto. Hesitei quanto a ficar ali, não me sentiria muito confortável junto a um estranho, mas definitivamente era melhor que o salão. Tirei meus saltos e sentei encostando minha cabeça na parede.
— Sim? – Perguntei ao sentir alguém me cutucar. O garoto arregalou os olhos e colocou a mão no ouvido direito como se tivesse acabado de... Ah, os fones, devo ter falado muito alto. Dei pausa na música. – Desculpe, falei muito alto?
— Quase mais alto que o som que vem de lá dentro. – Falou com uma voz cansada. – Estou tentado falar com você desde que sentou. Não poderia ir para outro lugar? Estou realmente cansado.
— Eu percebi, estava dormindo quando cheguei. Mas não se preocupe, não irei incomodar. – Disse ríspida, que mal eu estava fazendo me sentando ali?
— Incomodou quando entrou, pensei que fosse um dos hyungs atrapalhando. – Ele não tirava o semblante cansado do rosto, devia estar mesmo exausto.
— Desculpe por isso. – Sorri forçadamente. – Pode dormir que eu voltarei a ouvir minha música. – Vi seus olhos brilharem.
— Está com fones? – Perguntou me examinando atentamente, provavelmente procurando-os. – Meus empresários não me deixaram trazer os meus.
Não sei o que deu em mim, mas perguntei com um gesto se ele queria dividir os fones. Sentamos um ao lado do outro, escorados na parede. Dei play na música que estava ouvindo, não me importei se estava no meio ou não, a letra era pequena e vivia se repetindo ao longo dos dois minutos de duração.
— Que idioma é esse? – Perguntou de olhos fechados, eu encarava sua pouca pele exposta pela máscara.
— Português. – Respondi.
— Hmmm. Então a estrangeira é portuguesa. – Falou. Não gostei do que ele disse, mas deixei pra lá. Ele mesmo parecia não dar muita atenção ao fato.
— Sou Brasileira. – Falei explicando. Ele soltou um resmungo de entendimento.
— Nunca tinha ouvido músicas brasileiras nesse ritmo calmo, parece reggae, bob Marley... – Fez um movimento com a mão sacudindo-a. – Diferente dos funks que nos mostraram. – Eu ri minimamente com isso, vi uma mudança em seu rosto, parecia um sorriso, mas não podia ter certeza por causa da máscara e gorro. – Eu gostei. É diferente do ritmo que costumo ouvir, mas é bom, principalmente para momentos calmos como esse.
Assenti mesmo que ele não pudesse ver. Fechei os olhos e ficamos calados só escutando a música e descansando. O rapaz era uma boa companhia, parecia não precisar de muita coisa assim como eu.
Acordei com o toque do meu celular. Assustei-me ao perceber que minha cabeça estava apoiada na curvatura entre o ombro e a cabeça do coreano. Ajeitei-me e acabei acordando ele sem querer. Olhei para o céu, ao menos ainda é de noite.
— Alô?— Falei.
— Esta falando em português, filha. – Era meu pai. Arregalei os olhos e mirei o garoto que ainda estava meio sonolento. – Onde está? Estou indo para casa e não encontro você.
— Desculpa appa, acabei cochilando. Que horas são?- Perguntei e atrai a atenção do mascarado.
— São três e meia da madrugada. Estou esperando na entrada. – Desligou.
Coloquei meus saltos e ia sair. Mas decidi ser educada com meu companheiro de varanda.
— Estou indo embora. Já está tarde, são três e meia. – Falei e ele assentiu se levantando.
Caminhei até meu pai e percebi que o rapaz vinha atrás de mim, sem dizer nada. Encontrei appa junto com o BTS e mais algumas pessoas no local marcado. Os garotos conversavam animadamente entre si e não perceberam minha presença. Só meu pai que suspirou ao me ver.
— Desculpe appa, acabei dormindo na varanda. – Falei, chamando a atenção dos rapazes.
— Oh, esse não é o seu lugar de descanso Yoongi? – J-Hope perguntou olhando para atrás de mim. Encarei o grupo confusa, eles conheciam o mascarado? Jimin era o que parecia mais impressionado com a notícia, assim como eu.
— Não me surpreendo que os dois antissociais tenham escolhido o mesmo lugar. Vocês tem um faro para achar o lugar mais isolado. – Meu pai falou rindo. – Pelo menos não preciso me preocupar com o Yoongi, ele provavelmente dormiu até o telefone da Mi tocar.
Eu não estava entendendo nada. O rapaz, Yoongi, acho. Conhecia meu pai e o BTS? Olhei para ele e o mesmo continuava com... não sei direito pois só via seus olhos, mas ele não parecia se importar muito com aquilo.
Despedimo-nos rapidamente de todos e voltamos para casa.
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