13 de fevereiro de 1984

Londres.

18 horas.

A chuva caia do lado de fora, as gotas batiam violentamente na janela enorme. O menino dos Hellshire estava sentado no chão do seu quarto próximo a janela observando a chuva cair.

—__ Brahms oque esta fazendo?saia agora da janela! Disse senhora Hellshire á seu filho que não se mexeu -----você me escutou Brahms? Saia já de perto da...

—__ Olha mamãe! Exclamou ele apontando para um pequeno besouro azul que lutava para subir a janela do lado de fora, ele parecia bem entretido com a cena, observando cada movimento do bichinho.___ É um besouro?

—__É sim meu querido.

—__ Por que ele tá lá fora?

—__ Não sei amor, talvez veio do jardim e bateu contra a janela.

—__ Ele não é bonito mamãe?

—__ É.

—__ Eu quero! Pega pra mim?

—__ Não Brahms.

—__ Porque?

—__ Porque besouros não são bichos de estimação. O menino franziu as sobrancelhas e emburrou a cara.

—__ Mas eu quero! Disse ele sério

A mãe cruzou os braços

—__ Mamãe já disse que não. Agora saia da janela está chovendo muito.

O menino olhou para cima viu a trava da janela aberta

—__ Se você não quer me dá, eu mesmo vou pegar.

Ele olhou de volta para a mãe

—__ Brahms, não!

Brahms abriu a janela e se inclinou na sacada tentando pegar o besouro no meio daquela tempestade,só que a janela bateu tão forte contra a parede que o bichinho foi esmagado, senhora Hellshire correu e puxou menino para dentro fechou a janela e a travou.

Ela envolveu Brahms com os braços, gelada, o menino olhava a janela com o rosto serio, ele não abraçava a mãe de volta, estava com raiva por ser contrariado.

—__ Nunca mais faça isso Brahms... disse ela colocando-o na cama, ele não disse nada, estava serio calado olhando para o teto ___ você me ouviu? ele permaneceu em silencio. senhora Hellshire sacudiu o menino.

Ele balançou a cabeça em sinal de concordância.

—__ Agora me peça desculpas. Ele olhou para a mãe que ainda estava assustada, com as mãos tremendo, levantou e se aproximou de sua mãe, pegou a mão dela deu um beijo e falou com uma voz doce "desculpa mamãe" depois se deitou de novo. Senhora Hellshire tentou ficar brava com o menino mas achou aquele gesto tao meigo que não conseguiu.

—__ O que eu faço com você seu menino travesso? Disse ela abrindo um sorriso. Brahms também sorriu.

Senhora Hellshire se sentou na beira da cama do menino. Ela o observou, seu filho quieto na cama olhando para os desenhos do papel de parede. O menino era muito comportado, quando não contrariado, pensou ela. senhora Hellshire fazia cada vontade do garoto de bom grado,não o deixava sozinho, e se ele pedisse qualquer coisa que fosse ela virava o mundo para conseguir aquilo. Senhor Hellshire costumava chama o menino de raspa de panela, já que era o único filho do casal, ele sempre lhe dizia a ela para não mimalo demais que isso iria estragar o menino, mas como não mimar seu único filho? Ela dizia.

—__ Mamãe?

—__ Sim?

—__ O que aconteceu com o besouro?

Ela não queria dizer que o besouro morreu apesar de ser uma coisa banal ela não queria falar de assuntos tão mórbidos com uma criança de cinco anos de idade.

—__ Eu não sei amor... disse ela desviando o olhar. Levantando para cobrir o filho, ele apontou para seu pé que estava descoberto, antes de cobri-lo ela fez pequenas cócegas no pé de Brahms que retribuiu com uma gargalhada.

—__ Ele morreu. Não foi mamãe?

—__ Eu realmente não sei Brahms.

—__ Mamãe por que as pessoas morrem? Senhora Hellshire não sabia o que responder para o menino.

—__ Ora Brahms... você é muito novo pra entender. Ele a olhou piscou os olhos duas vezes

—__ mas papai disse que as pessoas morrem porque Deus quer elas. Isso é verdade?

Senhora Hellshire estava perplexa ela não sabia que seu marido já havia conversado com o seu filho sobre esse assunto, e lhe dado uma resposta tão incompleta

—__ Mamãe?

Vendo que não teria como escapar daquela conversa ela respondeu

—__ é verdade sim.

—__ Por que deus faz isso? Ele não nos ama?

Ela estava mais perplexa ainda qual era o interesse de uma criança nesse assunto?

—__ Ama. Ele ama tanto que sente saudade e pede para seus anjos trazerem agente de volta para ele. Vamos, é hora de dormir. Amanha você começa a escola e eu não quero que durma no meio da aula.

Iniciaram a oração

Terminada, senhora Hellshire se levantou, aproximou se do rosto de seu filho e lhe deu um beijo um pouco longo na sua testa.

Brahms virou para o lado e foi fechando os olhos lentamente.

—__ Boa noite mamãe. .. disse ele baixinho

—__ Boa noite meu anjinho.