Boys N' Roses

10 Recordações dolorosas Pt.1


Notas iniciais
Oi gente, gostaria de me desculpar pela demora, mas eu estava sem tempo para postar e também para escrever. Espero que gostem ^^

“– Sabe por que está aqui? – Dr. Brousse pergunta-me cautelosamente, como se eu fosse uma criança.

– Acho que se eu soubesse, provavelmente não estaríamos tendo essa conversa patética, não acha? – respondi-lhe rispidamente.

Desde que eu acordara naquela sala, não consigo me lembrar de nada além de sensações. Um dia desses, enquanto eu tomava banho, senti uma cicatriz na minha costela. Lembrei-me de uma sensação de queimação horrível, e então eu me perguntei como eu conseguira ganhá-la. Às vezes, antes de dormir, ouço uma voz masculina sussurrando palavras doces em minha mente. Uma voz que faz meu coração aquecer, que faz eu me esquecer daquele lugar horrível no qual me encontro. Uma voz que me dá esperanças de que, um dia, eu me lembre de tudo. Mas eu sinto, que a cada dia que se passa que eu não devo tentar me lembrar de nada. Que eu só conseguirei sofrimento com isso. Sinto que, essa dor mínima que está instalada no meu coração, aumentaria de tal forma, que eu me sufocaria.

– Sinto que você tem algo a me dizer. – o Dr. Volta a falar. – Os seus olhos me dizem isso, garota. Não tente omitir nada para mim.

Ah, como eu gostaria de esganá-lo.

– Até onde eu sei, Doutor, olhos não falam. – falo a palavra doutor com desdém, mantendo um sorriso de deboche no rosto. – Você deveria ter aprendido isso na faculdade, não?

– Ah, garota. Você é um desafio e tanto. – os olhos verdes esmeraldas brilhavam enquanto me analisavam. – Gosto de você.

– Obrigado, mas dispenso seus sentimentos.”

“ Nesses tempos, a escuridão era minha melhor amiga. Era com ela que eu podia me abrir e conversar. Onde eu podia me esconder feito uma criancinha quando se esconde debaixo dos cobertores. Antes, ela era meu maior pesadelo, detestava ficar sozinha com ela, pois ela me trazia a solidão, mas eu aprendi a conviver com as duas.
Sim, minha força estava na solidão. Não tinha mais medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu me fundira ao escuro da noite.

Injeções atrás da outra. Pergunta atrás de pergunta. Nada fazia sentido para mim.”

Por um determinado tempo, fiquei presa na escuridão, uma velha amiga, afinal. “Será que eu estava em coma?”, meu coração palpitou com aquela possibilidade. Mas até que não seria tão ruim estar em coma. Pelo menos eu ficaria um tempo fora do mundo real. A verdade, é que eu não queria voltar para aquela confusão toda. Aquela confusão que sempre esteve ao meu lado, sem ninguém para acabar com ela. Então, em certo momento, surgiu a luz que disseminou todos aqueles pensamentos obscuros, que disseminou toda aquela escuridão que habitava cada célula do meu corpo. Em um piscar de olhos me fez mudar de opinião. A minha vida era muito mais do que aquela confusão toda, além do mais, eu precisava de respostas.

– Ela está acordando. – uma voz doce falou perto de mim. Eu sentia algo acariciando meus cabelos. Abri meus olhos e Marie me encarava com preocupação. – Você está bem?

Balancei a cabeça, assentindo. Me sentei na cama e analisei o local. Eu estava em algum dormitório, que não era o meu. Em um canto, perto da cama, Alec estava encostado analisando atentamente cada movimento meu. Perto da porta, uma Pietra carrancuda encarava seriamente a parede.

– Preciso que vocês me digam logo o que está acontecendo, antes que eu enlouqueça. – falei com uma voz fraca.

– Oh, querida! — exclamou Marie, deixando uma lágrima escapar. – Não acho que...

– Vamos contar logo. – Alec a interrompeu, sem deixar de me encarar. El suspirou, fechando os olhos e logo os reabrindo. Aproximou-se mais da cama e sentou ao meu lado, perto de Marie. – Bem, você nasceu no dia 17 de maio de 1920 e...

– Espera, você está me dizendo que eu tenho 94 anos? Mas é...

– Impossível? – Pietra completou minha frase. – Digamos que nós somos um caso especial que muitos especialistas em genética iriam gostar de estudar. – ela falou com desdém.

Noventa e quatro anos são muita coisa! E eu não me lembro de quase nada do que eu vivi? Isso é deprimente.

– Continuando... – Alec interrompeu os pensamentos de Pietra. – Você nasceu na Inglaterra. Sua mãe morreu após te ter e seu pai, o Tenente Phillipe Moore, cuidou de você.

– E ele era um babaca! – Pietra resmungou.

– Pietra! – Alec e Marie a repreenderam. Então aquele livro dizia a verdade.

Phillipe Moore, meu pai. Algumas memórias foram surgindo de repente. Algumas de eu correndo por uma casa antiga. Outras de meu pai contando histórias para eu dormir. Algumas lágrimas ameaçaram escapulir, mas eu não deixei.

– Então... – eu sugerir que ele continuasse.

– Bem, nos conhecemos quanto tínhamos dez anos, Rose- dessa vez, quem continuou foi Marie. – No começo, nos odiávamos. Acho que isso me parece um pouco familiar. – ela contou, rindo.

Algumas lembranças de uma menininha loira jogando chá em mim e logo depois de eu puxando seus cabelos.

– Acho que eu me lembro. – falei sorrindo.

As coisas começavam a ficarem mais claras na minha cabeça.

– Me desculpem. – Eu falei cabisbaixa.

– Pelo o que?- Alec perguntara.

– Porque eu era a única que poderia ter evitado tudo o que aconteceu conosco e eu não fui capaz. – falei, me lembrando daquele dia.

“– Pai, por favor, não faça isso! – eu implorava a ele, enquanto algumas lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu tinha que impedir aquilo, não importava como. – Eu revisei todos esses cálculos e é suicídio mandá-lo para fazer isso!

– Cala a boca, menina! – meu pai gritara. – Você não sabe o que está dizendo. Só está falando tudo isso porque está gostando desse rapaz. Não se preocupe minha filha, as chances de isso dar errado são quase nulas!

– Menina estúpida! – o homem que parecia ser o responsável do projeto gritara comigo. – Eu sou um profissional e revisei todo o projeto e tudo está devidamente certo. Como uma menina como você poderia saber mais do que eu?

– Doutor. – meu pai advertiu-o.

– Só por que você é homem se acha mais inteligente do que eu, uma mulher? O estúpido aqui é você, Elliot Brousse! E só pra você ficar sabendo, eu nunca que vou deixar seus planos se realizarem, irei impedir essa loucura de uma forma ou de outra!”

“- O que faz aqui, Marie? – perguntei quando vi a loira em frente ao prédio do exército.

– Seu pai me avisou da loucura que pretende fazer. – ela me informou.

– É claro que contou. – sorri com desdém. – Sinto em lhe informar, mas nada irá me deter. Eu que não irei deixar o Tenente Phillipe fazer uma estupidez como essa! A vida de Alec está em jogo.

– Rose, esquece isso. Eles sabem o que estão fazendo! – Marie argumentou, me olhando com esperança.

– Não, eles não sabem. Eles estão cegos porque eles têm um mínimo de possibilidade de derrotar os nazistas com esse projeto. Eles não sabem que estão cometendo um grande erro. Então, por favor, Marie, não tente me impedir. – falei determinada.

Eu estava certa do que eu deveria fazer naquele momento. A vida de Alec era mais importante, mais importante ainda do que minha vida, e eu estava certa do que faria a seguir.

– Então faremos isso juntas. – Marie declarou, parecendo muito determinada.

– Marie, eu não posso... – tentei argumentar, mas ela me interrompeu.

– Rose, eu me importo com Alec tanto quanto você. Então faremos isso juntas.

Eu não tinha tempo de pensar no que aquela frase significava, pois tempo era algo que não tínhamos.

Pietra aparecera no meio do nosso caminho, e estava também procurando Alec. Marie resolveu abrir a boca e contar-lhe a situação, o que eu reprovara totalmente. Então, a menina fora conosco.
– Rose! O que faz aqui? – Alec exclamou surpreso. – E Marie e Pietra...

– Alec, você sabe que não pode fazer isso. Sabe que é suicídio! – eu tentara lhe convencer de todas as formas, mas nada adiantara. Até Pietra apelara para o drama.

Mas eu não desistira o segui até o laboratório, onde meu pai também se encontrava. Alguns guardas me seguraram e outros seguraram as meninas. Ele iria me fazer assistir a morte de Alec. De alguma forma, eu tirei forças de mim que até então não existiam e conseguir me libertar do guarda antes que a porta da cabine onde Alec se encontrava se fechasse completamente. Nessa confusão toda, os guardas de Marie e Pietra as soltaram e correram para tentar me impedir. E bem, elas vieram atrás. As portas eram automáticas, uma vez fechadas, não seriam mais abertas antes de o processo ser completado. E então, eu, Pietra, Marie e Alec nos encontrávamos naquela situação juntos.

Achei que não iria sobreviver àquela experiência. Cada célula do meu corpo parecia doer. Acho que nunca sentir tanta dor na minha vida. Como pude me esquecer dessa sensação? Eu estava convencida que morreria ali mesmo, Mas valia a pena morrer tentando salvar uma pessoa importante. O único problema é que eu arrastara mais duas pessoas no processo. Então um milagre aconteceu. Todos nós sobrevivemos. Mais tarde, naquele mesmo dia, eu descobrira o por que. A carga que Alec receberia sozinho iria mata-lo, era forte demais para uma pessoa, mas o suficiente para quatro.

Os dias seguintes após o incidente foram muito piores. Exames atrás de exames, agulhas, atrás de agulhas. E nem um dia sequer e consegui contato com Alec ou as meninas. Mas assim que eu o reencontrei, conseguimos escapar. Sabíamos que era errado abandonar as meninas, mas, no momento, a covardia estava presente mais do que nunca.”

– Me poupe de suas desculpas, garota. – Pietra respondeu ranzinza.

– Não podemos fazer nada para mudar o que aconteceu, Rose. São águas passadas. – Marie comentou, suspirando.

A culpa sempre esteve presente comigo eu sempre a carregava, mas, por muito tempo, eu não sabia o por que. E agora, eu descobrira. Por causa das minhas inconsequências, essas pessoas não teriam mais uma vida normal. Não poderiam envelhecer ao lado da pessoa amada. Essas pessoas viram todos os seus familiares morrerem.

Notas finais
Só pra explicar, Elliot Brousse era o avô do Dexter.