Boys N' Roses
11 Le fin...
Notas iniciais
Eu nunca parei pra pensar na minha vida antes. Nunca parei pra questioná-la. Nunca reparei no fato dos meus pais não parecerem realmente meus pais. Do fato de que eu nunca fui à escola. Mas, de alguma forma, tudo parecia normal.
Eu me encarava no pequeno espelho do banheiro feminino. Nenhum sinal de que eu tinha noventa e quatro anos. Muitos gostariam de ter essa beleza por tanto tempo quanto eu já tive, de terem vivido o tanto que eu já vivi. Mas isso tudo é apenas uma ilusão. Primeiramente, eu perdi dois terços da minha vida, um completo nada. Sem falar que eu nunca poderia envelhecer ao lado de quem eu escolhi. Ter filhos, ver meus netos crescerem enquanto eu envelheço. Eu nunca poderia viver normalmente. Ser eternamente jovem era minha maldição, por ter amado tanto alguém.
Eu amava tanto Alec naquela época que se, um dia, ele atirasse em mim, era bem capaz de eu pedir desculpas por manchar sua roupa de sangue e ainda dizer que o amava. Não que seja ruim amar tanto alguém, mas, as vezes, talvez aquela pessoa não seja a certa para receber todo esse amor. E no final, muitos podem sair prejudicados por um erro seu.
Se eu me arrependo de ter amado tanto Alec? Não, eu estaria me enganando e enganando a todos se eu dissesse que sim. Não me arrependo nem um pouco. Não me arrependo de tê-lo conhecido e ter sentido tudo aquilo por ele. Mas, um dia, tudo acaba.
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Eu caminhava às pressas pelos corredores olhando para todos os lados enquanto procurava por ele. Por Dexter. Ele me devia explicações, muitas explicações.
— Rose! – alguém me gritou. – Ei, soube que não passou bem. O que houve? – Dexter tinha uma expressão de preocupação. Eu quase acreditei. Quase.
— O que houve? – dei minha risada sarcástica. O moreno parecia confuso com minha reação. – O que houve é que minha memória voltou.
Vi suas bochechas coradas perderem a cor e seus olhos verdes arregalarem. Era exatamente essa reação que eu esperava.
— E-eu não sei do que você está falando. – respondeu-me engolindo em seco.
— Eu conheci seu avô. Elliot Brousse era o nome dele, né? – falei como se estivéssemos falando do tempo.
Dexter me puxou pelo braço para uma sala vazia. Assim que entramos, o moreno trancou a porta e me encarou.
— Como? – Dexter perguntou-me. Ele parecia furioso, a cor dos seus olhos, de alguma forma, parecia mais intensa. – Como você simplesmente se lembrou das coisas? Eu tentei de tudo, mas...
— Você fracassou. – acabei a frase por ele. A raiva dominava todas as minhas células. Lá no fundo, eu esperava que minhas lembranças sobre Dexter e aquele lugar horrível fossem apenas invenção da minha cabeça. – Digamos que uma imagem vale mais que mil palavras. – suspirei fundo fechando meus olhos, ao reabri-los, Dexter estava mais próximo. – Sabe, o pior disso é que realmente estava começando a gostar de você, mas então eu descubro que tudo era uma farsa. Minha vida é uma farsa. Graças a você. — limpei as lágrimas que ousaram cair, eu não conseguia mais encarar aquela pessoa que estava à minha frente. Respirei fundo e continuei meu discurso. – Sabe, sempre soube que Elliot colocava sua ganancia à frente de tudo, até das vidas das pessoas. Ele estava disposto a matar quantas pessoas fossem necessárias para seu experimento dar certo e, enfim, ele viraria o salvador da pátria, sendo reconhecido pelo mundo inteiro. E eu nunca gostei dele por este motivo. – dei um passo em direção a Dexter e coloquei minha mão na sua bochecha, acariciando-a. Ele parecia não respirar, enquanto me encarava com uma expressão indecifrável. – Por favor, não tente seguir os passos de Elliot, ele fez tudo errado. Você não precisa cometer os mesmos erros.
Me afastei, mas antes que eu saísse, Dex agarrou meu braço e me puxou, fazendo meu corpo bater no seu.
— Eu sei que eu fiz muitas coisas erradas. – Dexter finalmente falou enquanto me encarava. – Mas um dia você será capaz de me perdoar?
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Dois anos depois...
Eu estava na varanda, observando o quanto o mar pode parecer infinito. As ondas quebravam perto da areia, formando aquela espuma branquinha. Algumas poucas pessoas passeavam por ali, sejam com seus companheiros ou família inteira. E eu sentia certa inveja dessas pessoas. Por não estarem sozinhas. Por terem formado uma família.
Há dois anos reencontrei o que achava ser o amor da minha vida. Só de me lembrar daqueles olhos cinza, me analisando, ainda me fazia arrepiar e meu coração acelerava. Mas esse amor que eu sentia por ele se transformou num carinho imenso. Okay, ainda sinto atração por ele. QUEM NÃO SENTIRIA?
Descobri que os inimigos podem ser os verdadeiros amigos (não que os amigos sejam os inimigos. Até hoje falo com a Claire, Anne e Bella). Descobri também que o ódio da Pietra por mim, na verdade era amor reprimido. Sim, nem ela aceitou direito o fato de ela ser bissexual e gostar também de garotas. Vai entender.
E Dexter? Bom, é algo complicado de explicar. Depois que fui embora da França, nunca mais nos vimos.
Passei todos esses anos viajando, tentando recuperar o tempo perdido. Viajei para China, Japão, Coréia do Sul (onde conheci algo chamado K-Pop, confesso que adorei), Rússia (onde passei muito frio), Ucrânia, conheci os países da Oceania, viajei toda a Europa, conheci várias culturas africanas e me encantei, viajei para a América do Sul, do Norte e agora me encontro no Caribe. Minha jornada acaba aqui e eu não tenho ideia do que fazer daqui pra frente. Quem sabe conhecer alguém e... bem, vocês sabem, formar uma família. Mas isso era algo impossível para mim.
Enchi meus pulmões com o ar úmido do Caribe e me dirigi ao banheiro do quarto. A água quente relaxou todos os meus músculos instantaneamente. Logo terminei meu banho, me vesti, penteei meus cabelos e fui em direção ao restaurante do hotel. Pedi meu café da manhã e comi. Sozinha. Isso era deprimente.
Assim que terminei meu café, fui caminha na praia. Tirei meu calçado e senti a areia fofa tocar nos meus pés e fiquei os encarando enquanto caminhava. Até que bati nas costas de uma pessoa.
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