Boys N' Roses
12 Le Debut du tout.
Notas iniciais
P.O.V Rose
— Autch!! – reclamei. Assim que olhei para frente, avistei um corpo malhado e bronzeado. Assim que o homem se virou, encarei aqueles olhos verdes esmeralda inesquecíveis.
Por um momento, eu esqueci como se respirava. Meu coração deu um salto, e provavelmente era possível ouvi-lo bater. Aqueles olhos também demonstrava a mesma surpresa. Não o via há dois anos, mas parecia que não era nada, agora que ele este ali, na minha frente.
— Rose? – ele exclamou, com um fio de voz. Se não estivéssemos tão próximos, provavelmente eu não teria o escutado.
— Dexter. – eu não conseguia dizer mais do que isso naquele momento. Simplesmente não tinha o que dizer, mas tinha muito que sentir. Aquele nome... Aquela pessoa.
— Faz algum tempo que não nos vemos. – disse. Ele parecia estar sem graça enquanto passava a mão pelos seus cabelos negros. Dexter só fazia aquilo quando ficava nervoso.
— Hnm, pois... – antes de eu completar a frase, fui interrompida por uma garotinha. Institivamente, dei um passo para trás.
Era uma garotinha pequena, de 1 ano e cinco meses talvez, morena com os olhos verdes... Iguais ao dele. Ela tentava correr, tentando falar “Papa”. A menina era uma gostosura de tão fofa. Eu não sabia o que sentia naquele momento. Se eu ficava feliz por ele ou triste por mim. Apesar de tudo, sempre criei uma expectativa de me reencontrar com Dexter. Talvez nos resolvermos e tentarmos ter uma vida a dois. Mas sei que aquilo nunca poderia ser possível pelo fato de eu sempre me lembrar de que eu provavelmente o veria envelhecer e morrer na minha frente e, assim, perder mais uma pessoa amada. E também por nunca saber se eu o perdoara completamente. Lembro-me que quando ele me perguntou se eu seria capaz de perdoá-lo, eu não soube responder.
— Ei, garotinha. Venha aqui. – então a garotinha pulou nos braços do pai, dando aquela gargalhada gostosa que só bebê sabe dar.
Eu via a felicidade ali. Na verdade, ela era tão intensa que chegava a ser quase palpável. E eu sentia inveja por isso, o que era terrível. A menininha dava gargalhadas tão gostosas que foi inevitável não rir junto e aquilo chamou a atenção da garota.
A pequena me olhava curiosa, enquanto abraçava o pescoço do pai.
Dexter sorriu. Aquele sorriso que sempre me tirara o fôlego.
— É uma amiga do papai. – Dexter respondeu a pergunta silenciosa da garota, enquanto me encarava meio sem graça.
“E namoramos.” Eu quis completar. Mas apenas sorri para a menina e me apresentei. E foi naquele momento, encarando os olhos esverdeados da menininha que a ficha caiu.
Ai. Meu. Deus. Dexter já era pai. Então, quem seria a mãe?
— Valentina? Dex? Onde vocês estão? – No timing perfeito eu a ouvi. Bem, e a vi também.
Pietra.
P.O.V Dexter
Fazia dois longos anos que eu não a via. Esporadicamente, eu sentia sua falta e meu coração se apertava ao me lembrar daquele dia. Daquele dia em que eu me arrependi amargamente de todo mal que eu causei a Rose. No dia em que ela me contou que sua memória tinha voltado, na hora, eu fiquei revoltado por não ter sido eu o responsável pelo acontecido, até porque isso fazia parte do meu trabalho. Mas depois a ficha caiu que aquilo faria com que perdesse Rose. Para sempre.
Fiz coisas horríveis a ela por causa da minha ganancia e eu sabia muito bem disso. Mas eu queria ser como o Glorioso Elliot Brousse. Então, quando a Rose disse tudo aquilo para mim, para eu não seguir os passos dele, foi como um soco no estômago. Um choque de realidade. A verdade era que eu precisava ouvir aquilo para tomar vergonha na cara e parar de tentar ser algo no qual eu realmente não presava. Não mais naquele momento. A única coisa que me importava era que Rose me perdoasse e voltasse para meus braços. Mas nem tudo são flores e eu entendo todas as razões dela ao ter se afastado de mim.
Mas eu não poderia parar minha vida por causa do acontecido. Assim que saí daquela escola, fiquei sozinho por um tempo, andando por Paris. Conheci lugares que nunca imaginei que poderiam existir na cidade do amor. Vivi a adolescência que perdi naquele tempo. Até que encontrei com o famoso trio (que na verdade era pra ser um quarteto) numa balada qualquer. Assim que eu os vi, Alec, Marie e Pietra, fiquei com a esperança de que, talvez, Rose estivesse com eles ou que pelo menos eles soubessem de seu paradeiro. Mas as coisas nunca acontecem como eu quero.
Assim que me aproximei do trio e perguntei sobre a morena, todos ficaram automaticamente deprimidos. Ninguém sabia do paradeiro da garota, a não ser Marie, que se recusou falar onde ela se encontrava. Bem, eu simplesmente fiquei muito bêbado naquela noite enquanto conversava com Pietra. Descobri que ela gostava de Rose (O que me deixou bastante surpreso. Tipo, eu achava que ela queria matar Rose. Todos achavam.) e que simplesmente não conseguia entender aqueles sentimentos, por isso tentava odiar ao máximo a garota enquanto tentava fazer seus sentimentos por Alec retornarem. Não preciso nem comentar que não deu certo.
Mas o que menos esperávamos aconteceu. Eu e Pietra estávamos muito bêbados, na verdade, não me lembro de como isso sucedeu. Simplesmente aconteceu. Nós dois acordamos numa espécie de quarto e bem... Nove meses depois tivemos uma linda menina. No inicio foi bem estranho. MUITO estranho. Se me dissessem algum dia que eu teria uma filha com essa louca, eu riria da pessoa e logo em seguida a internaria num manicômio. Mas não digo que fiquei mal com isso, pelo ao contrário, foi a melhor coisa que me aconteceu. Essa garotinha me trouxe uma esperança que eu já não tinha há algum tempo. E eu aprendi a amar a mulher que me deu a melhor coisa da minha vida.
Toda via, agora, encarando esses olhos azuis dos quais senti tanta falta, não sei se esse amor por Pietra é tão grande quanto eu pensava.
P.O.V Pietra
Em quase 95 anos de vida, muita coisa pode acontecer. Você pode conhecer muitas pessoas. Algumas supérfluas, outras mais interessantes do que aparentam ser. Você pode acabar fazendo coisas muito boas e/ou muito ruins. Você ama, sente raiva, fica triste, fica feliz. Aprende que as melhores coisas da vida podem estar debaixo de seu nariz, porém você só irá perceber isso quando as perde.
Você aprende que existem várias formas de amar. Aprende que os seus valores podem ser totalmente errados. Aprende que, mesmo que você esteja passando por momentos difíceis, não vale a pena acabar com essa aventura, afinal, um dia você supera esse problema e isso vai se tornar apenas uma lembrança ruim (ou um aprendizado) no meio de tantas coisas boas.
Em meus quase noventa cinco anos, senti muitas coisas. Ódio, inveja, amor, paixão, alegria, tristeza, raiva. É sempre bom sentir tudo isso, pelo menos um pouco. Mas o problema é que sempre fui muito intensa com tudo, e se tratando de sentimentos ruins, eu me tornava a pior pessoa do mundo.
Mas, sem duvida, o pior momento da minha vida foi quando eu vi minha família morrer aos poucos, sendo impotente a essa situação. A imortalidade tem seu preço, e é um preço muito alto.
Quando Rose saiu de sei lá onde, bem, a primeira vez que eu a vi senti coisas que, supostamente, eu não deveria sentir por alguém do mesmo sexo. Fiquei confusa. Achei que estava ficando completamente louca. Achava que, de algum modo, esse sentimento poderia ser esvaído se eu tentasse enganar a mim, dizendo-me que aquilo era apenas ódio por ela sempre ter as melhores coisas (inclusive Alec). Nunca admiti, nem para mim mesma, que eu gostava de uma garota. POR DEUS, o que meus pais diriam se me vissem naquela situação? Eu seria uma vergonha para família!
Mas bem, mesmo sendo velha, sempre cometemos erros. E mais uma vez a vida me ensinou coisas que eu nunca imaginara. Aprendi que não é errado gostar de alguém, independente do sexo dela. Apenas aceitei a minha realidade e tenho que admitir, foi muito estranho.
Mas é uma paixão impossível, nunca haveria reciprocidade. Então, apenas segui em frente. Tecnicamente eu fui obrigada a seguir em frente por um lindo motivo: Valentina. Foi um acaso que me trouxe a melhor coisa que aconteceu em toda a minha vida. Eu amo essa coisa pequena como eu jamais amei ninguém, é um amor tão puro e eu gostaria de ter vivido algo assim muito antes. Mas, meu maior medo é perdê-la cedo demais. Então simplesmente irei aproveitar o máximo que eu conseguir...
Bem, e por causa dessa linda eu meio que me afastei dos meus amigos (Alec e Marie). Até hoje os dois não deixaram de procurar Rose. Quero dizer, nunca deixamos porque, apesar de eu estar longe dos dois e cuidando da minha filha (e do Dexter), eu sempre a procuro por ai. Eu tenho uma missão a mais com ela, uma responsabilidade a mais, sem falar que eu sempre carrego comigo uma carta que Alec deixou a ela e que pode resolver muitas coisas. Apenas digamos que eu não deixei de ser egoísta e não quero que, se por acaso ela aparecer, ela tire o pai da minha filha de mim. Eu me apego às coisas rapidamente, sabe como é...
P.O.V Rose
Naquele momento eu não sabia o que pensar, o que sentir. E acho que todos ali estávamos na mesma situação. Até que esse momento foi desfeito quando Pietra veio correndo até mim e me abraçou. PELO AMOR DE DEUS, independente de quanto tempo passasse eu nunca imaginaria que aquilo poderia acontecer. Tipo, WHAT? Estamos falando da Pietra!
— Sua irresponsável! – ela gritou assim que desfez o abraço. Agora sim me parece a Pietra. – Você sabe o quanto todos nós ficamos preocupados com você? Nem pra mandar uma carta ou fazer uma ligação dizendo se estava bem. Arg, você é muito ingrata!
UAU! Quando você acha que já viu de tudo, a vida vai lá e PÁ! Te mostra o quanto você está enganado. Sim, eu bem que poderia dar noticias a eles, mas eu queria ficar longe de todos. Mas agora, agora que eu vi o quanto as coisas podem ter mudado, eu quero ver todos eles.
— Não vai falar nada? – Pietra me questionou. Ela realmente estava brava.
— Ahn... Oi? – eu realmente não sabia como reagir àquilo tudo.
Tudo na minha cabeça estava um completo “QUE?”.
— Pelo amor de Deus! Vamos embora AGORA daqui, Dexter. – ela se virou revoltada para ele. – e ai de você se não vir.
E ela já andava duro pra sei lá onde. Dexter pigarreou e parecia tão surpreso quanto eu, com a pequena Valentina em seus braços, que ria da situação.
— Hnm, é melhor eu ir, sabe. – o moreno se manifestou. – Relaxa, ela ainda vai atrás de você.
Eu duvidava muito que ela realmente fosse atrás de mim. Mas no momento, tudo era possível.
E assim eu o observei andar pra sei lá onde. Suspirei. MAS QUE MERDA ESTÁ ACONTECENDO? Sabe, eu odeio ficar sem saber o que está acontecendo, porque passei mais da metade da minha vida nessa situação. Porém eu não poderia fazer nada. Apenas me sentei na areia fofa e aproveitei o sol daquela manhã. Uma manhã completamente insana.
------------------------------------------------------------------------------------
Eu estava sentada em um quiosque na praia tomando um drink quando Pietra veio até mim. Ela segurava algo em suas mãos. E não era que o Dexter estava certo? Eu falei que tudo poderia acontecer.
– Olha, me desculpe pelo acontecido mais cedo. – ela bufou. — Mas ficar perto de você me irrita tanto. Como você consegue?
– Eu respiro. Acho que isso deve ser o suficiente para te irritar.
Então ela riu. A PIETRA RIU.
– Ok, mas deixando essas coisas de lado, — ela começou, quando finalmente parou de rir de algo tão sem graça. – Alec deixou algo para você.
Então ela me estendeu o que ela segurava e finalmente percebi que era uma carta. Alec sempre à moda antiga. Eu encarei aquela carta por um tempo antes de finalmente pegá-la.
— Sabe, apesar de todos os meus esforços, Alec nunca deixou de te amar. – Pietra se manifesta enquanto me olha. Ela me parecia um pouco melancólica. – Só não o machuque mais do que você já o machucou, ele não merece.
Com um suspiro, novamente ela me deixou sozinha. Eu encarava aquela carta como se algo totalmente estranho pudesse sair dali e me matar. Eu não a abriria agora. Não estava preparada. Então apenas terminei meu drink e voltei para meu quarto.
Eu não sabia o que esperar daquela carta. Na verdade eu estava com medo de lê-la. Com medo de todo aquele sentimento que eu consegui aprisionar voltasse. E eu não tinha certeza se aquilo seria bom ou não.
Depois que saí do banho, finalmente tomei coragem e a abri. Antes de começar a leitura eu respirei fundo, esperando que aquilo me fizesse ficar mais forte.
“Querida Rose, (Não tão querida no momento)
Todos nós estamos realmente preocupados com você, mas se está lendo essa carta neste momento, quer dizer que ainda está viva. Saiba que neste momento o que eu mais quero fazer com você é enforcá-la. Mas os sentimentos que sinto por você (No qual você demostrou não ser tão recíproco quanto eu achava que era. Qual é, sou irresistível! Como você conseguiu?) me impedem que eu faça isso com você.
Espero que, do fundo do meu coração, a onde quer que você esteja você estará se definhando pela minha falta. Não que eu esteja sentido a sua falta. Pelo contrario! Ok, talvez um pouco. Espero também que este não seja o fim da nossa história, Você sempre demonstrou que era superior a mim, em todos os aspectos. Sempre me senti muito grato por você ter deixado que eu ficasse ao seu lado. E mesmo quando eu fazia burrada você ia lá e me perdoava. Sempre cuidou de mim, sempre me entendeu e nunca me abandonou (até este momento). Você mais do que ninguém me completava.
Bem, o que eu realmente quero dizer é que: Eu também não sei o objetivo dessa carta. Mas... JÁ CHEGA! Pelo amor de Deus! Me perdoa e volta para mim!
Com todo amor (e ódio) do mundo,
Seu maravilhoso, lindo e perfeito Alec.”
Alec podia ser um idiota. Mas talvez ainda fosse meu idiota, independente de quanto tempo passasse. Acho que já está na hora de fazer as malas.
Fale com o autor