Notas iniciais
Boa leitura. ^^

New York, Outubro de 1943

–Nós temos que sair daqui. Pode ser pior se continuarmos nessa casa. — o loiro escolhia cada palavra com cuidado para não assustar a morena. Mais ainda.

Ela apenas balançou a cabeça, assentindo.

Ele viu no olhar dela que estava com medo. Naquele momento o menino desejou nunca ter viajado para a América e tê-la trazido consigo.

– Tenho quase certeza do que você deve estar pensando... — a morena murmurou, encarando a parede. – Você sabe que de qualquer forma eu teria vindo atrás de ti.

O loiro sorriu tristemente. Havia se esquecido do quanto ela o conhecia.

Os dois ouviram um estrondo forte vindo da entrada e, automaticamente, eles correram até a janela e a pularam. Os dois correram como se suas vidas dependessem daquilo. Realmente a vida deumdeles dependia daquilo. Mais especificamente a vidadela.

Eles ouviram vozes gritando, e mesmo que seus músculos estivessem queimando, o loiro e a morena não se atreviam a parar de correr. Eles ouviram um barulho de tiro e a garota dos olhos azuis que o loiro tanto amava foi parando. O garoto a olhou, procurando uma resposta e a viu com a mão nas costelas esquerda, atrás. Ela tirou a mão do local, que ela sentia queimando, toda ensanguentada. A dos olhos azuis olhou para os olhos acinzentados com ternura, como se nada tivesse acontecendo. A garota foi caindo em câmera lenta e logo o loiro a amparou, ficando de joelhos na rua. Ele ouviu os passos dos soldados ficarem mais altos, mas não se importou.

Ela acariciou o rosto do loiro com sua mão trêmula e ensanguentada.

– Eu te amo. — ela disse com a voz falha. Era a primeira vez que a garota pronunciava aquelas palavras em voz alta para o garoto. — Você tem que ir. Não vou morrer por nada.

– Se você... — o loiro fecha os olhos, respira e os abre. — Se você morrer, eu morro.

A morena começou a rir.

– Nós dois sabemos que isso é impossível. – a morena falou, se engasgando após.

Ela tinha toda a razão, como sempre. Ele a beijou, mas parou percebendo que ela tinha dificuldades de respirar.

– Vai logo, por mim. — ela disse o empurrando, mas o dos olhos cinza nem se moveu. — Vai logo, seu idiota. Sai daqui. — ela já chorava, e a morena nunca chorou na frente dele.

Naquele momento, ela não chorava por estar morrendo, ou pela dor que a morte lhe causava. Chorava porque, agora, ela não poderia mais estar ali presente para poder cuidar do seu amado. Chorava pelo futuro que nunca teriam. Chorava por seu pai não ter lhe dado alguma escolha... Mas ela aceitou tudo aquilo, afinal, o que mais ela poderia fazer?

Ela deu seu último suspiro, pensando em todas aquelas coisas e rezando para queeleficasse bem, e seus olhos perderam o foco. A chuva começou a cair. Nesse momento, o loiro soube que a morena tinha ido embora e, junto com ela, a alma dele. Ele conseguia ouvir as gotas caindo no chão e o barulho das botas dos soldados ficando cada vez mais alto. Ele sabia que aqueles soldados nunca iriam atrás dele pois a filha do chefe estava bem ali, deitada.Morta.

Dito e feito. Nenhum soldado sequer ousou verificar a área.

Ele abandonou o corpo dela, a mercê de todos, por... ela. Não fazia sentido. Ele NUNCA se perdoaria por aquilo. Ele sentiu lágrimas caindo, queimando seu rosto. A vida não fazia sentido sem ela.Nunca faria. Se ele pudesse voltar no tempo... E a escuridão o engoliu.