Boys N' Roses
2 La nouvelle Vie
Notas iniciais
Paris, Setembro de 2014
Rose olhou seu reflexo no espelho pela milésima vez naquela manhã. Suas mãos suavam e ela não conseguia parar quieta. Não, ela não estava esperando um garoto para saírem. Era só um tique muito estranho que ela tinha quando ficava ansiosa e, a própria, o odiava.
Este seria seu primeiro dia no colégio interno. Era um nome alemão do qual não conseguia pronunciar. A morena não gostava nem um pouco da ideia de ir pra lá, mas ela não podia opinar na própria vida. Seus pais iriam fazer uma viagem pelo mundo durante um ano e os parentes mais próximos estavam na América. Seria a segunda lua de mel deles. Rose não se sentia mal por não viajar com eles, pois só queria vê-los felizes. Mesmo que ela tenha que ficar num internato. Por um ano inteirinho. Mal ela sabia o que estava por vir.
Ela usava uma calça jeans preta, uma regata branca, um cardigã azul e um All Star preto. A morena gostava dessas cores, principalmente do azul, pois realçava a cor dos seus olhos. Usava os cabelos negros soltos, formando uma cascata até o meio das costas. Depois do seu ataque de nervosismo, Rose resolveu sair. Nem sabia o porquê do nervoso.
Ela se forçou a comer uma pera antes de ir para o colégio. No caminho, ela colocou seus fones de ouvido e começou a ouvir Radiohead, uma de suas bandas favoritas. Cerca de 30 minutos depois, o carro de seu pai para em frente a um magnífico portão, que, ao fundo, apresentava um dos jardins mais belos que Rose já conhecera.
O automóvel parou no estacionamento, que ficava entre a área verde e o menor prédio do campus, onde era a diretoria. Rose desceu do carro devagar e, apesar de estar de tênis, ela quase virou o pé. Ser desajeitada era um de seus “charmes”.
– Ai minha queridinha! Tem certeza que vai ficar tudo bem? – Disse a mãe de Rose, tocando a filha parecendo estar verificando se estava tudo certo. Rose odiava quando a mãe fazia aquilo.
– Tenho mãe. Não sou mais criança, sei me cuidar muito bem. – Rose disse, fazendo uma careta.
O pai riu da situação toda.
– Sentiremos muita sua falta. – comentou o pai. “Duvido. Estarão ocupados demais para isso”, pensou Rose. – E me prometa que irá nos ligar todos os dias, mocinha.
– Ela não é nem doida de não ligar! – a mãe exclama. – Se não volto aqui só para te dar um puxão de orelha nessa menina!
– Ai mãe. Do jeito que a senhora é doida, bem capaz mesmo de fazer isso. – Rose comenta depois que conseguiu parar de rir. Ela sentiria falta disso.
Eles a acompanharam até a direção, levando as malas. Conversaram um pouco com a diretora e logo foram embora, deixando Rose para trás. “Foram embora rápido demais.”, pensou Rose.
Ela se dirigiu até a secretaria, com um nó na sua garganta. A garota foi até a secretária, uma moça rechonchuda e com um olhar cansado lhe entregou um mapa da escola e a chave de seu dormitório, onde, aparentemente, já se encontrava seu uniforme e foi informada que logo levariam suas malas também. A secretária lhe deu um calendário escolar, sorrindo simpaticamente.
Rose agradeceu e saiu. Passou pela área verde e foi para a ala dos dormitórios. O dormitório feminino era separado por um jardim do masculino. Enquanto Rose olhava o mapa, ela esbarrou em alguém. “Ótima maneira de começar na escola nova”, pensou consigo. Assim que ela olhou naqueles olhos acinzentados, soube que os conhecia de uma longa data. O loiro tinha um olhar muito assustado, como se... Como se tivesse visto um... Fantasma?
– Desculpe! Eu... É que... – Rose não conseguia formular uma frase completa. Balançou a cabeça, como se tentando encontrar as palavras perdidas. – Me desculpe. – disse por fim.
– Isso é impossível... – o loiro conseguiu dizer depois de um tempo encarando a morena. – Só posso estar enlouquecendo...
A voz do loiro fez com que tudo vibrasse dentro da garota e seus pelos eriçarem. Ela o conhecia de algum lugar...
– Você está bem? – ela conseguiu perguntar, depois de um tempo o encarando.
O loiro apenas se levantou e saiu dali, sem pronunciar mais nenhuma palavra. Rose sentiu uma enorme vontade de correr até o garoto. Uma vontade que ela não sabia de onde vinha, afinal, ela acabara de conhecê-lo! A morena balançou a cabeça e continuou a sua caminhada até seu dormitório.
–-----------//------------
Até que o dormitório era bem formidável. Não era pequeno, mas também não era grande. Havia uma cama de solteiro bem aconchegante, uma escrivaninha que ficava na frente da janela, que tinha vista para o jardim. A janela, por sua vez, ficava de frente para a porta. Do lado direito do quarto, havia um armário branco e uma porta que deveria ser o banheiro.
Rose suspirou. Estava no tédio total. Ela pulou na sua nova cama e começou a ouvir música. Estava tão intrigada com o encontro com o menino loiro que quase não percebeu que alguém batia na porta.
Ela atendeu. Era apenas um moço que estava trazendo suas malas. Então a morena não perdeu tempo e começou a arrumar suas coisas, deixando seus pensamentos pairarem por vários lugares.
Quando terminou o serviço, sua barriga roncou. Hora do almoço.
–-----------//------------
Quando ela chegou ao refeitório, percebeu que aquele internato não era nada do que ela pensava, como se lá fosse uma prisão com alunos disciplinados e tristes. Pelo contrário, era igual todas as escolas inglesas nas quais ela estudara. Resumindo, muitos alunos bagunceiros e havia certos grupinhos.
Depois de um tempo na fila, uma garota morena com os cabelos cacheados deixou sua bandeja com toda a comida cair no chão, bem ao lado de Rose. O barulho assustou a todos.
Assim que Rose a olhou, não teve uma sensação muito boa, mas ela logo deixou isso de lado, pois a garota a encarava da mesma forma que o menino a encarou mais cedo. Aquilo estava a assustando.
– Você está bem? – Rose perguntou um pouco assustada com tudo.
– Bom dia! Você deve ser nova! – a menina finalmente sai do transe, mostrando um sorriso totalmente falso.
– Sim, eu sou nova... – Rose respondeu um pouco receosa com toda a situação.
– Claro! Eu sou Pietra e, se você quiser, irei lhe ajudar a se adaptar aqui e a andar com as pessoas certas. – disse a garota mantendo o sorriso e com um forte sotaque francês.
Rose ficou parada ali, pensando sobre o assunto. Ela concluiu que não teria mal algum ter uma “guia”. Ela fez que sim com a cabeça.
– Maravilha!- Pietra exclamou e, em seguida, apontou para um grupinho de uma garota loira. – Na verdade, o único grupo aqui que não presta é o da Marie, la blonde.
– Por quê? – Rose perguntou. Ela achou que não havia nem um problema na loira.
– Porque ela é une hypocrite, só se importa com ela mesma e faz de tudo pra conseguir o que quer.
Rose pensou melhor e resolveu que ficaria longe da tal Marie. Então ela olhou em volta e parou seu olhar em um loiro. Não um loiro qualquer, o loiro que ela tinha esbarrado. Sem que Rose percebesse, as palavras saíram da boca dela.
– Quem é aquele garoto?
Percebendo a direção do olha da mais nova amiga, Pietra respondeu, não muito entusiasmada com a situação toda.
– Le blond? – ela pareceu pensar, antes de dar a resposta — Alec, o destruidor de corações.
Pietra suspira, Rose fica intrigada.
– Destruidor de corações? Por quê?
– Aconselho a ficar longe dele se quer manter seu emocional estável. – Pietra falava, gesticulando. – Quando ele percebe que alguma guria está apaixonadinha por ele, faz questão de iludi-la e depois pisa no pobre coração dela. Il est un idiot complet. (Ele é um completo idiota.) – a guria dos cabelos cacheados falava com emoção.
–Hm. Acho que entendi. – Rose falava pensativa e decepcionada. Bem, mas ela tinha quase certeza que Pietra deveria ter sido uma de suas vítimas. – O que é melhor ? – perguntou apontando pra comida.
Pietra ficou pensativa por um tempo antes de responder – Bom, se for doce, o petit gâteau é simplement merveilleux! Mas, se preferir salgado, le quiche lorraine é muito bom também.
Como Rose estava morta de fome, resolveu pegar um pouco dos dois.
Pietra a chamou para sentar-se à mesa com as amigas dela. Eram apenas três: Bella – loira, dos olhos verdes, muito simpática; Anne – negra dos olhos pretos, intelectual; Claire – ruiva dos olhos mel, um pouco tímida.
– Então você é inglesa. – comentou Anne. – Amo a literatura inglesa. Mas, o que faz aqui na França?
– Minha mãe é francesa. Viemos passar as férias aqui e meus pais resolveram que essa escola é muito boa para eu estudar. Eles me largaram aqui e foram viajar.
– Eles te deixaram na França, mesmo sabendo que você não fala francês? – perguntou Bella, intrigada.
– Eu falo francês, mas ele está meio enferrujado, sabe?
– Se eu fosse você, praticava mais o seu francês.
E, com este comentário, elas se calaram. Rose e as gurias foram para o jardim, assim que terminaram a refeição, conversar.
Algumas meninas foram para os respectivos dormitórios, para terminarem de arrumar as coisas, deixando Rose, Bella e Claire.
– Hm... Alec não para de encarar a Rose- observou Claire, com um sorriso malicioso. – Ele nunca fez isso com nenhuma outra. Prefere ignorá-las.
– Como assim? – a morena ficou intrigada com a divergência de informações que ela recebeu. – Fiquei sabendo que ele é o maior pegador...
– Bem, ele é...- Bella a respondeu.
Rose virou para direção em que a amiga olhava e se deparou com os olhos cinza a analisando com tanta intensidade que ela corou, arrancando risinhos das amigas. A morena desviou o olhar.
– Eu não sei o que ele tanto olha. – ela diz, arrancando a grama. – mais cedo nos esbarramos e ele ficou me encarando assustado. – Rose comenta rindo.
– Já chegou abalando os corações! – Bella exclama, fazendo-as rir.
–-----------//------------
Depois de um tempo se conhecendo, as meninas foram para seus dormitórios. Da janela do quarto de Rose ela pôde observar Alec com mais atenção, mesmo que de longe. O cabelo loiro levemente bagunçado, seu porte atlético... Ele parecia um anjo.
A morena balançou a cabeça, percebendo a direção de seus pensamentos. Ela não poderia cair nos encantos do loiro, mas, o que ela não sabia, era que ela já tinha caído. Há muito tempo...
Ela pegou um livro e começou a lê-lo. Parou assim que percebeu que já tinha escurecido. Já se passavam das oito horas da noite. Ela tomou um banho e percebeu o quanto estava cansada e resolveu se deitar. Pensou o quanto o dia foi agitado e adormeceu.
“Rose estava sentada com uma roupa estranha dos anos 40. Ela estava sentada numa poltrona vermelho-sangue lendo um livro qualquer.
– Senhorita. – uma mulher de meia idade aparece na porta. – Há um homem lá fora que deseja falar com seu pai. Eu já disse que o senhor não se encontra, mas ele se recusa a sair sem falar com alguém.
A morena franziu o cenho e se levantou. Seguiu a empregada até o escritório de seu pai, onde havia um homem parado.
– Então, o que o senhor deseja? – Rose pergunta com um pouco de arrogância.
Alec mostra um sorriso torto que abalou as estruturas de Rose.
–Olá, a senhorita deve ser Rose. Eu sou Alec, filho do Sargento Hudson. – murmurou o loiro.
–Olá Alec. – disse Rose com um leve sorriso. – meu pai deve ter se esquecido de mencioná-lo. Mas o que te trás aqui?
– Eu não sei se soube que nossa casa foi destruída por rebeldes e seu bondoso pai nos ofereceu a sua casa por alguns dias.
– Entendo. Vou lhe mostrar o quarto de hóspedes, me siga, por favor. – a morena diz.
– Com prazer. – o loiro responde, com uma pontada de malícia, que passa despercebida por Rose.”
Rose acorda com o barulho do despertador. “ Mas que merda de sonho foi esse?” Ela pensa.
Ela se levanta e faz sua higiene matinal. Coloca o uniforme, já que as aulas começavam naquela manhã. Arrumou o cabelo em um rabo de cavalo e saiu. Logo ela consegue encontrar suas novas amigas no refeitório. Logo o sinal toca, anunciando que odos deveriam ir para suas respectivas salas.
Rose pegou seu horário na mochila e deu uma olhada. O primeiro horário era de filosofia. Foi ao seu quarto e pegou todos os materiais que precisaria para aquele dia e, por isso, acabou se atrasando. Quando chegou à sala de aula, só tinha um lugar vazio: era a cadeira à frente de Alec. E lá ela se sentou.
– Guardei o lugar para você. – ele cochichou no ouvido de Rose, fazendo-a se arrepiar.
“Como ele sabe que eu sou da turma dele?” ela pensa.
Logo em seguida, o professor entrou na sala, silenciando a turma.
– Bonjour, eléves! (Bom dia, alunos!) – o professor disse. Ele era um homem baixo, rosto redondo e tinha uma barriga saliente. – Hoje começaremos com um exercício em dupla. Por favor, formem dupla com a pessoa atrás de você.
“Ai merda!” pensou Rose. Sua dupla seria Alec. Ela se virou e se deparou com um sorriso presunçoso no rosto do loiro.
Fale com o autor