Boys N' Roses
4 Loiro, moreno, careca, cabeludo...
Notas iniciais
“Durante o jantar, Alec lançava olhares e sorrisos à Rose, o que não passou despercebido por ela. E nem pelo pai da garota.
O pai de Rose limpa a garganta.
– Alec, você poderia ir ao meu escritório assim que terminar o jantar? – a voz imponente do homem toma conta do lugar.
Rose engole em seco. Aquilo não parecia nada bom.
– Sim, senhor. – Alec responde.
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Após o jantar, o loiro seguiu para o escritório assim como o prometido. Os dois ficaram por lá por cerca de 20 minutos, e quando o garoto saiu, estava pálido, o que deixou Rose bastante intrigada. O que poderia ter deixado Alec naquele estado?
O loiro foi direto para o quarto em que estava hospedado e Rose foi atrás de esclarecimentos.
– Posso entrar? – a morena pergunta já entrando no quarto.
– Tenho escolha de resposta? – o loiro pergunta sarcástico.
– Não. – a moça responde secamente. – O que meu pai lhe disse?
– Nada demais. Coisas de homem, você sabe.
– Bem, se eu soubesse, não estaria aqui te perguntando, não é? – a morena já estava ficando brava com a situação. Ela suspira, fechando os olhos e logo os reabrindo. — Olha, eu não te conheço muito bem, mas sei que quando as pessoas ficam pálidas que nem um fantasma é porque algo aconteceu. E geralmente é ruim.
Um momento de silêncio.
– Já disse, não é nada. Agora sai daqui, garota. Se seu pai descobre que estamos juntos no mesmo cômodo, ele me esfola.
Rose olha para Alec e arqueia a sobrancelha, desafiando o menino. Ele, então, se levantou da cama no qual estava sentando, se aproximando de Rose.
– Ou você sai por bem, ou você sai por mal. – Alec diz, com os olhos faiscando de irritação.
Rose estreita os olhos.
– Não pense que eu desistir de arrancar-lhe esta informação.”
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Já haviam se passado duas semanas desde a chegada de Rose na escola. Neste meio tempo, o francês dela melhorou bastante, óbvio, com a ajuda de Dexter, como ele havia prometido. A morena só estava ficando mais confusa com relação a Alec e os sonhos frequentes que a menina tinha com ele só contribuía mais para isso.
Os sonhos era uma questão difícil para Rose. Quanto mais ela tentava se lembrar deles, menos detalhes apareciam.
– Rose? – Dexter fala, tirando a menina de seus devaneios.
– O que foi Dex?
Eles já estavam na biblioteca há horas tentando fazer um trabalho de artes.
– Dex? – o moreno experimenta a palavra. – J’adore! Mas estou entediado demais para ficar empolgado. – ele termina a frase fazendo biquinho.
– Eu sei! – Rose diz, fechando os olhos por alguns segundos. — Mas precisamos logo terminar isso.
– Terminar? – Dexter exclama, soltando uma risada seca. – Nem começamos baby.
– Você não contribui! Fica ai só de gracinha!
– Como se você não fizesse o mesmo.
Então a atenção da morena foi para o canto da biblioteca. E lá estava ele, o loiro, literalmente, de seus sonhos. Ele tinha uma expressão tão despreocupada que Rose sentiu inveja. Alec, percebendo que estava sendo observado, voltou seu olhar para ela, olhando-a com aquela intensidade que a mesma já conhecia, e odiava. O garoto arqueia uma sobrancelha, segurando um sorriso, fazendo Rose corar e virar o rosto.
– Você me parece um pouco preocupada. – comenta Dexter.
– Bem, eu estou. Não fazemos em TRÊS horas. – Rose responde, entediada.
– Sei do que você precisa. – Dexter fala, de repente, depois de um momento pensativo, deixando Rose intrigada.
– Eu preciso de nota!
– Não era disso que eu estava falando. Enfim, me encontre no jardim às 20:00hrs.
– Dex...
–Foi o que eu pensei. – o moreno diz, com um sorriso vitorioso no rosto. – Então, até mais. Não me dê um bolo. – ele diz, levantando-se.
– Mas, e o trabalho? Temos que terminar essa porcaria ainda hoje...
– Até mais! – Dexter a corta, saindo da biblioteca e a deixando desconcertada.
Okay. Aquilo seria um encontro ou não? AI MEU DEUS!
– Parece que viu um fantasma. – Alec diz, se sentando de frente para Rose, onde Dexter estava há segundos.
– De certe forma, parece que vi... – a garota diz se lembrando do sonho.
O garoto sorri de lado.
– Eu te entendo perfeitamente. – ele diz.
Os dois ficam se olhando por um tempo, o que pareceu uma eternidade para Rose. O cinza e o azul se encarando. A mistura de cores deixava tudo mais intenso.
O loiro se levanta e contorna a mesa para se sentar ao lado da morena, sendo acompanhado o tempo todo pelo o olhar da mesma. Quando o garoto estava bem próximo de Rose, ela prende a respiração e engole em seco. Alec coloca uma mecha do cabelo de Rose atrás da orelha dela, se aproximando mais ainda. A morena só precisava se inclinar um pouco para frente e seus lábios tocarem nos dele.
– Eu... – Rose gagueja. Parecia que seu cérebro havia congelado. Ela não conseguia pensar em mais nada além do espaço entre eles.
A expressão de Alec muda de repente, como se a ficha tivesse caído. O que ele estava prestes a fazer? Não poderia se arriscar desta forma. Então ele se levanta rapidamente, e logo só o seu perfume ficara no ambiente, lembrando a Rose que aquilo tudo realmente havia acontecido.
Havia uma névoa no cérebro de Rose. E então os pensamentos voltaram com força total. “Que merda havia acontecido ali?”, pensara. Ela mal falara com o garoto em todos esses dias que ela esteve no internato e já estavam quase se beijando?
Ela inspirou um pouco de ar, na intenção de tentar esclarecer mais as coisas, mas só piorou toda a situação. A fragrância amadeirada permanecia no ar, inebriando os sentidos de Rose por um bom tempo...
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POV Rose
Oito e meia da noite, eu caminhava em direção ao jardim lentamente. Eu iria dizer a Dexter que não me sentia muito bem para o que quer que seja que ele tenha planejado o que era um pouco verdade. O acontecimento que ocorreu mais cedo ainda me abalava. Ser rejeitada no último segundo dói.
– Sabia que não viria vestida adequadamente. Vista esta jaqueta. – Dexter mandou, assim que me aproximei dele.
Eu usava calça jeans, coturno e uma blusinha de alça, apesar de estar um pouco frio. Dexter jogou a jaqueta de couro para mim.
– Mas nem está frio... – eu falei receosa.
– Mas ficará, baby.
Quando tentei argumentar mais, ele simplesmente me puxou e fomos quase correndo (já que um passo dele é igual a dois meu) para uma pequena floresta que tinha por perto.
– Eu, sinceramente, espero que não tenha medo disso. – o moreno a minha frente diz.
– Você está me deixando curiosa. Vamos, desembucha. – Se a curiosidade estava quase me matando? Claro que sim!
Sim, eu poderia simplesmente me virar e voltar ao meu dormitório. Podem me chamar de louca por adentrar numa floresta, à noite, com um menino que só conhecia a duas semanas. Ele poderia ser um maníaco! E sim, tenho a mania de pensar o pior que poderia acontecer...
Eu estava entrando em estado de pânico. Depois de um dez minutos “andando”, nós paramos.
– Digamos apenas que essa não é a melhor escola no quesito de conseguir deixar seus estudantes dentro dela. – Dexter disse, com um sorriso orgulhoso, com uma pitada de malícia. Havia um buraco na grade. – Vem! – disse, assim que estava do outro lado.
Respirei fundo e passei pela grade. Andamos mais um pouco e paramos perto de uma Harley-Davidson preto fosca. Meus olhos brilharam. Eu amava essa moto (graças ao meu pai).
– Não tem medo, né? – Dexter me pergunta, com uma pontada de esperança na voz.
– Claro que não! Eu amo andar de moto. – eu disse, com um sorriso tão grande no rosto que parecia que ia rasgá-lo.
– Ok, então vamos. Coloque o capacete. – ele diz me mostrando o capacete, e eu recusei. – Como não?
– Gosto dos cabelos ao vento. Tem mais emoção.
Ele deu de ombros, colocando o capacete e outra jaqueta que trouxera, e eu fiz o mesmo. Subimos na garupa e envolvi sua cintura com minhas mãos. Ele ligou a moto e começamos a andar. Então, de repente, o cretino acelera de uma vez, me fazendo tomar um susto e envolve-lo totalmente com meus braços, apertando seu abdome com força e juntando mais nossos corpos. Pude ouvir, de leve, o riso de diversão que ele soltara, já que o barulho do vento estava muito alto. Depois de um tempo, quando me acostumei, me afastei um pouco e me preocupei em sentir o vento, o cheiro do ar. Com os olhos fechados, inspirei fundo sentindo o cheiro das plantas. Eu amava aquele aroma.
Eu amava andar de moto porque é como se eu tivesse uma liberdade que eu não tinha em nenhum outro lugar, que eu não sentia em mais nada. Me trás uma sensação de tranquilidade só o barulho do vento, das folhas das árvores balançando quando passávamos numa velocidade incrível por elas, o barulho da moto... Eu não me importava de como meu cabelo ficaria depois que parássemos. Não neste momento.
Depois de um tempinho numa estrada, chegamos ao centro de Paris. A escola ficava nos arredores de Paris, pra falar verdade. De longe, pude ver a Torre Eiffel. Apesar de tê-la visto tantas vezes, eu ainda ficava impressionada ao vê-la. Passamos pelo arco do triunfo e entramos em uma daquelas ruas estreitas. Cerca de sete minutos, estacionamos em frente a uma pizzaria. O cheiro que vinha lá de dentro era ótimo. Descemos da moto e Dexter tirou o capacete, arrumando os cabelos (bagunçando-os, mais ainda). E eu resolvi prender os meus num coque mal feito, já que ele ficou num estado catastrófico.
– Você gosta de pizza, né? – Dex me pergunta, enquanto andávamos até a entrada do estabelecimento.
– Qual é o doido que não gosta? – eu disse, arregalando os olhos, fazendo-o rir.
Entramos na pizzaria. Era um lugar muito agradável. Sentamos numa mesa que ficava no canto.
– Hm, quer pizza de que sabor? – o moreno me pergunta.
– Sei lá. Escolhe você. Não sou boa pra isso. Digamos que eu sou uma pessoa bastante indecisa.
Assim que o garçom se aproxima Dexter faz o pedido. Aproveito e peço suco de laranja.
– Ainda está com tédio? – Dex me pergunta.
– Não mais. – Na verdade, desde que ele saíra da biblioteca, eu não estou com tédio. Graças a um certo loiro. – Então, não tem medo de ser pego pela polícia não? – ele fez uma cara confusa. – A moto.
– Ah, bem. Não. Eu já tenho 18 anos. Mas eu bem que poderia ser por causa da sua falta de responsabilidade!
– Andar sem capacete não é tão grave assim. – eu disse, fazendo um bico. Ele arqueia uma sobrancelha. — Ok. Talvez seja... – Admito.
E nos calamos. Depois de um tempo, esse silêncio ficou desagradável. Então eu quebrei o silêncio.
– Qual o motivo de você ter ido parar num internato?
– Bem. Digamos que eu não sou o melhor filho do mundo e minha mãe não é a melhor mãe do mundo. – Dex diz não muito confortável com o assunto.
– O que você quer dizer com isso? – eu pergunto, sendo um pouco importuna.
– Quero dizer que eu fui uma gravidez que acabou com uma parte da vida da minha mãe que ela gostava muito. Meu pai nos abandonou quando eu ainda era um feto. Apesar da minha mãe nunca ter me amado, ela não teve coragem para me abandonar, achou que isso não seria bem visto futuramente. Eu a respondi com rebeldia. Ela me mandou pra cá a algum tempo. Claro que não aceitei logo de cara, mas ela mencionou um presente que receberia se eu aguentasse até agora. E agora estou feliz com minha Harley-Davidson.
Uau. Quando eu perguntei, não esperava essa chuva de informações.
– Sinto muito. – foi a única coisa que conseguir dizer antes da comida chegar.
Comemos num silêncio mortal. De vez em quando, nossos olhares se encontravam. Uns sorrisos bobos apareciam.
– Ei, lá em baixo tem um fliperama. Quer ir lá? – Dexter disse empolgado.
Não teve como recusar. Fazia meses que eu não me divertira do jeito que me divertir. Jogamos, pac man, super mario, alguns jogos de tiro, e até jogamos just dance. Não preciso nem dizer que sou um desastre. Rimos muito. No dia seguinte, eu acordei super bem, apesar de eu ter ido dormir tarde.
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– Preciso conversar com você. – eu cochichei no ouvido de Claire, assim que me sentei à mesa, no refeitório.
Durante a refeição, eu e a meninas conversávamos sobre coisas banais. Assim que eu terminei de comer, Claire praticamente me arrastou do refeitório até seu quarto.
– Você me deixou MUITO curiosa! Allez, allez! – Claire disse, extasiada.
Contei-lhe sobre o episódio de ontem com Alec. Desde os olhares até o quase beijo.
– Mon Dieu! – ela exclama não acreditando no que eu lhe acabara de lhe contar. – Como assim o garoto fugiu de você? Ele é muito idiota, com todo respeito. – ela fala brava. – Mas ele esta tão na sua! Ele quer seu corpo nu, ma cherie! – Claire e seus comentários maliciosos...
– Bem, não vou me esquecer de algo que Pietra me falou sobre ele. "Quando ele percebe que alguma guria está apaixonadinha por ele, faz questão de iludi-la e depois pisa no pobre coração dela." – eu disse, repetindo as palavras de Pietra.
Claire riu tão gostosamente que eu me assustei. Depois que ela conseguiu parar, ficou séria.
– Acho que já está na hora de você saber de algumas coisas. – ela disse, me deixando confusa. Sentei-me ao seu lado na cama. – Vou resumir. Pietra não era bem o que ela é hoje. Ela fazia parte do grupinho da Marie.
– E o que aconteceu?
– Ei, não me interrompa, eu mal comecei a contar a história. – Claire disse, fingindo estar zangada. – Como eu dizia, ela fazia parte do grupinho da Marie. Até que Alec chegou e acabou com a amizade das duas. A Pietra é um pouco ciumenta. Deve ter inventado essa história que você ficar longe do Alec. Na verdade, foi o que ele fez apenas com ela... E com Marie... – ela disse, dando de ombros.
Eu não sei como eu me sentia. Não estava irritada, mas inventar uma mentira (não tão mentira) daquelas só pra eu ficar longe do menino? Não era mais simples chegar e falar “Olha, sou afim daquele menino. Não chegue perto dele.”.
– Mas enfim. – disse Claire, parecendo sair de um devaneio. – Você nem deve ter dormido pensando em como seria o beijo dele, não é?
– Na verdade, mais tarde eu saí com o Dex. O que me fez muito bem. Nossa, como nos divertimos!
– Você se divertiu (no sentido malicioso) ou se divertiu (no sentido normal)? – Ela perguntou, com cara de safada.
– Me divertir, no sentido normal, oras. – eu disse, sem graça.
– Esses meninos tarados! Todos querem seu corpo nu, Rose. – Claire disse, me fazendo gargalhar e ela me acompanhou.
Rimos e nos divertimos a tarde toda.
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