Bourbon Street

8 Capítulo Oito - Saída de emergência


Notas iniciais
Oie :3 Eu sei que sumi, desculpem-me. Por isso tenho uma proposta pra vocês, então leiam as notas finais e me respondam nos comentários. O porquê de eu ter desaparecido do nada é porque, primeiramente, o meu teclado estragou, depois foi o meu mouse e logo depois, internet caía toda hora e, quando eu achei que conseguiria postar o capítulo, ele simplesmente desaparece do meu dropbox e eu preciso reescrevê-lo. Sinceramente peço desculpas. Enfim, aqui está o capítulo. Espero que gostem :D

Movimentei-me por sobre a cama, inquieto. Passei a mão na mesma e procurei entre os lençóis, fragmentos da noite passada. Não encontrei o mais importante.

Abri os olhos de repente e vi-me sozinho no vazio depressivo do meu quarto. Respirei fundo, suspirei e fechei os olhos suavemente.

Decidi que não deveria pensar muito naquilo, então, em um pulo, levantei-me e comecei a me vestir. Estava quase acabando quando ouvi o telefone tocar, aquilo me fez correr até a sala.

— Enzo Carter? — a voz do outro lado da linha dizia.

— Está falando com ele — respondi.

— Sou Lia Hench. O senhor tem um segundo?

Ela era secretária de uma empresa dona de diversos consultórios de psicologia da cidade, alegou ter recebido meu currículo e me achado muito interessante. Sorriu ao dizer que o chefe havia gostado de mim, uma atitude que não entendi muito bem, e que gostaria de marcar uma reunião entre nós dois. Obviamente aceitei a proposta, disse que poderia me fazer presente naquele mesmo dia, então ela marcou e me desejou boa sorte.

Suspirei ao colocar o telefone no gancho. Pelo menos desempregado eu não ficaria.

Voltei para o espelho, arrumei meu cabelo e saí apressado de casa. Nada se passava pela minha cabeça, mas parecia ter um buraco enorme no meu coração.

Por mais que eu soubesse o que aquilo significava, sabia que eu nunca havia sentido coisa igual. Doía muito. Até mesmo uma lágrima escorreu dos meus olhos, mas eu mantive a cabeça baixa para ninguém ver minha fraqueza.

Só de pensar na noite anterior e lembrar o quão feliz eu estava, sentia distância, como se tivesse sido há muito tempo. E naquele instante eu senti raiva de Nicholas, eu não sabia por que ele tinha ido embora, mas aquilo não deixava de me enraivecer.

Qual seria o motivo?

Medo?

Vergonha?

Idiotice?

Suspirei e tentei afastar aqueles pensamentos, mas a verdade é que estava sendo difícil.

De todos os namorados que eu tive, ele foi o único que me deixou na manhã seguinte da nossa primeira vez. O pior de tudo era que ele sequer havia deixado um bilhete ou coisa do tipo, apenas me deixara sozinho para lembrar-me que eu sou só sexo.

Eu fiquei maluco por ele no instante em que o conheci, mas acabei me esquecendo que, ás vezes, as pessoas disfarçam e fogem pelos fundos quando se sentem fora de sua área de conforto.

Andei por quase vinte minutos até estar parado em frente ao local da entrevista.

— Srta. Hench?

A mulher detrás da escrivaninha se ergueu com um sorriso no rosto.

— Sr. Carter?

Assenti.

— É um prazer conhecê-lo — ergueu a mão na minha direção e eu a apertei.

— Posso dizer o mesmo — sorri de lado.

Ela pediu que eu me sentasse e esperasse seu chefe, ele parecia estar numa espécie de vídeo conferência com outro dono de empresa e, segundo Lia, ele não iria demorar.

E não demorou.

Dentro de dez minutos eu estava andando pelos corredores de madeira na direção da sua sala. Bati na porta, recebendo um sorriso de incentivo da mulher, e entrando assim que o homem deu permissão.

— Certamente é uma ideia a ser pensada, Rafael — ao colocar a cabeça para dentro da sala vi o homem sorrir para a tela do notebook — Podemos reajustar em alguns pontos, mas em um todo, é magnífica.

Seu olhar desviou e me tocou por um instante, dando um belo sorriso de canto de boca.

— Agora se você me der licença, tenho uma reunião marcada para agora — seu sorriso era lindo.

— Você a tem, Chapman — a voz saiu do computador.

O homem loiro fechou o notebook e empurrou a cadeira para trás, ficando de pé e esticando a mão na minha direção.

— Enzo Carter? — sorria de orelha a orelha — Eu sou Humberto Douglas Chapman, é um prazer te conhecer.

Andei até ele, apertei sua mão e sorri da forma mais verdadeira que consegui.

Com um gesto, pediu que eu me sentasse.

— Eu estava olhando seu currículo e... — ele olhava para a pasta em suas mãos com os olhos cerrados e, por muito tempo, ficou concentrado.

Seus lábios se moviam silenciosamente ao mesmo tempo em que seus olhos deslizavam pelas linhas. Ele não era feio, tinha cabelos loiros suavemente arrepiados, uma barba rala, olhos verdes brilhantes e lábios rosados. Muito bonito e jovem para a idade que Lia havia me falado.

— ... e você é bastante experiente para sua idade — completou com um sorriso ao mesmo tempo em que fixava os olhos em mim.

Assenti.

O restante da reunião passei respondendo às suas perguntas e, com um sorriso no rosto, ele fazia cada uma dela. Em vários momentos específicos senti diversas indiretas, mas segui com a conversação sem mostrar entendimento. Eu estava ali para arrumar um emprego e não para sair com o homem.

— Você é bastante sério — andou até mim — Por quê?

Levantei-me da cadeira e olhei dentro dos seus olhos.

— É da minha personalidade — menti.

Ele balançou a cabeça levemente, não tirando os olhos de mim.

— Gostei de você — sorriu de orelha a orelha — Te vejo na próxima segunda.

Apertei sua mão e, com um sorriso, saí da sala dele, esgueirando-me pelos corredores.

— Como foi? — Lia se levantava.

Suspirei.

— Parece que vai me ver todos os dias daqui para frente — sorri abertamente.

Ela soltou um sorriso sincero.

— Parabéns — olhou para todos os lados, parecendo ver se estávamos sozinhos ou não — ... e obrigada — sorriu envergonhada — Não sei se aguentaria ficar muito mais tempo sozinha aqui.

Sorri para ela.

— Você não me alertou do pior.

— Nem vou — sentou-se — Se o fizer, você não ficaria nem o primeiro dia.

Rimos juntos.

— Bom, vou indo — dei de ombros — Até segunda.

— Até logo — piscou.

Antes de seguir meu caminho, sorri para ela, que retribuiu com carisma.

Ao sair daquele prédio, meu sorriso sumiu e eu me vi sozinho pelas ruas, andando sem direção. Era como se eu não tivesse lugar para ficar, estava deslocado e impaciente.

Após ser perturbado por pensamentos confusos e lógicas sem lógica, percebi que meus pés me levavam para um local em específico e, quando me dei conta de onde era, suspirei. Talvez eu realmente precisasse de um descanso.

Depois de tomar um banho gelado, deitei completamente nu por sobre os lençóis da cama de hóspedes e dormi lentamente.

Eu precisava relaxar, comer um hambúrguer e talvez me masturbar.

xXx

E lá estava eu, no começo da noite, sentado em um bar. Bebia o que podia e o que não podia, procurando esquecer um pouco dos meus sentimentos. Nada adiantava.

— Oi — uma voz divertida soou — Quer sair daqui?

Olhei para o lado e encontrei um par de olhos negros a me observar. Eles eram lindos, mas ao mesmo tempo, obscuros. Eu queria me aprofundar nele, mas de repente não queria sofrer e, no fundo eu sabia que, era aquilo que aconteceria se eu continuasse a desafiar o destino.

Revirei os olhos e voltei a olhar para frente, tomando mais um gole de vodka pura.

— Eu estava pensando, porque não vamos à praia? — sua voz era divertida — Seria bacana.

Deixei um dinheiro em cima da mesa e comecei a fazer o caminho até a porta, mas antes que eu pudesse escapar, Nicholas segurou meu braço e me puxou.

— O que está acontecendo com você?

— O que está acontecendo comigo? — debochei com um sorriso — Espera aí, você está aqui mesmo ou é só um fantasma?

— O quê? — ele apertava os dedos no meu braço.

— Não seja ridículo, Nicholas — rosnei entre dentes — Você sabe muito bem do que estou falando.

— Ei, espera, fica calmo.

— Não me peça para ficar calmo, idiota. O que você está pensando? Me deixa sozinho e depois vem cheio de graça achando que vai conseguir o que quer? Cresça, Nicholas.

— Sabe de uma coisa, Carter? — cerrou os olhos e me largou de forma nada delicada — Se está se referindo à hoje de manhã, saiba que a culpa não foi minha.

Sorri debochado.

— E mesmo se fosse, não haveria motivo nenhum para você fazer todo esse escândalo, não somos namorados. Então cresça você, rapaz — colocou o dedo no meu peito e se aproximou — Não desconte em mim suas frustrações, não sirvo pra isso.

Então saiu pela porta da frente do bar, deixando-me completamente sozinho. Mas eu não deixaria aquilo acabar assim.

— Para onde você vai? — gritei, esgueirando-me para fora do bar.

Ele já entrava na Ferrari.

— Trabalhar — bateu a porta.

Em menos de meio minuto eu corria em sua direção, entrando no carro e olhando para ele.

Eu não o deixaria sozinho naquele lugar horrendo.

Suspirei, contemplando seus olhos, e percebendo que novamente eu estava sendo submisso a ele.

Notas finais
Capítulo pequeno, não é? Sim, eu sei. Mas se querem mais emoção, terão. Em breve. Se houver algum erro, podem listar aqui embaixo e eu consertarei todos ;) A minha proposta é o seguinte: Para compensar o tempo que ficaram sem capítulos, postarei um capítulo por dia durante uma semana. Mas para isso, preciso que comentem se querem isso. Caso contrário, eu não terei incentivo para cumprir. Bom, é isso. Se aceitarem a proposta, começo a semana premiada na segunda-feira. Beijos :*