Bourbon Street
15 Capítulo Quinze - Tipos de gays
Notas iniciais
Os raios solares que adentravam o quarto através da janela eram insuportáveis e pareciam queimar minha pele, estava calor e até um pouco difícil de abrir os olhos. Minha cabeça doía e latejava como nunca enquanto todo o meu corpo parecia estar em um estado de choque que o mantinha paralisado.
Com muita dificuldade abri os olhos, encontrando as cortinas fechadas e o quarto completamente arrumado de um jeito impossível. Como aquele lugar havia ficado assim? A última vez que o vi estava desorganizado e tinha cueca suja até em cima do abajur. E mesmo com as cortinas fechadas, raios de luz idiotas ultrapassavam.
Deixei que meus olhos passeassem pelo meu corpo seminu sobre os lençóis extremamente brancos. Como fui parar ali e ainda sem roupas? Olhei para o espelho na parede frontal e encarei minha imagem com os olhos cerrados. Meu cabelo ainda estava grande e minha barba, desalinhada.
Sentindo dores de cabeça constantes, coloquei os pés no chão frio e me movimentei até a porta, ouvindo barulhos vindos da cozinha.
Firmei meu corpo no chão e o apoiei na parede gelada, tentando pensar um pouco. Parecia que todo meu sangue havia subido para a minha cabeça, não deixando que eu raciocinasse. A última coisa que eu me lembrava era os braços de Nick me segurando com força. Estávamos no telhado do prédio onde eu trabalhava e eu estava tentando... me matar.
Como pude ter coragem de subir ali?
Minha nuca doeu só de ter aquelas lembranças de volta à tona.
Eu havia perdido a consciência de alguma forma enquanto estava lá em cima. Seria Nick novamente com aquele remédio? Não importava o que aconteceu, só de estar em casa estava bom.
Antes de voltar a caminhar, percebi que a casa estava completamente arrumada, o que também era estranho. Porém, parei de prestar atenção nisso quando adentrei a cozinha e encontrei Nicholas Phillips de frente para o fogão.
Ele usava uma calça escura e uma camisa de malha que eu podia jurar que era minha. Não só a blusa, mas também o jeans.
Nick olhou para trás e seus olhos passearam desde meu rosto até minha boxer. Parecia nervoso e até um pouco chateado. Antes que eu pudesse tentar falar qualquer coisa, ele voltou sua atenção para o fogão, de onde retirou uma panela. Colocou-a sobre a pia e procurou por um prato nos armários que ficavam abaixo do granito.
Assim que colocou o conteúdo dentro do prato, andou até a bancada e o colocou ali mesmo. Puxou a cadeira até que ela estivesse próxima a mim e apontou com o queixo para a comida.
— Come — ordenou com a voz rouca.
Um arrepio intenso percorreu minha coluna ao ouvir sua voz e eu precisei respirar fundo para me manter em pé.
Como ele havia pedido — ou ordenado, tanto faz — sentei-me e puxei o prato para perto. Eu estava mesmo com fome.
Quanto tempo fazia desde que eu havia comido pela última vez? Espera aí, que dia era hoje? E por quanto tempo eu dormi?
— Não vai comer também? — minha voz saiu completamente falha, mas ele conseguiu entender, pois balançou a cabeça em sinal negativo.
Enrolei um pouco do macarrão em meu garfo e o levei até a boca, fechando os olhos suavemente ao sentir o gosto incrivelmente bom.
Onde ele havia aprendido a cozinhar assim?
— Em qual restaurante pediu comida? — tentei brincar.
— Onde você estava com a cabeça? — ele se virou, seu rosto estava vermelho de raiva e suas mãos fechadas em punho.
Ajeitei as costas na cadeira e encarei o chão, não tinha uma resposta formada.
— Olhe para mim, Enzo — grunhiu e eu obedeci sem sequer perceber que estava sendo submisso novamente — Eu fiz uma pergunta e quando eu faço isso espero uma resposta, então se apresse.
— Não sei, Nick, eu simplesmente desisti.
— Você só queria chamar a minha atenção — apontou o dedo para mim.
— Não — balancei a cabeça — Eu queria acabar com isso aqui.
Soltei um sorriso melancólico e abri os braços, referindo-me ao momento atual. Ele bufou um pouco irritado, mas sua feição foi se suavizando com o passar silencioso dos segundos.
— Desculpe — pediu, voltando para a pia.
Enquanto eu comia tranquilamente, ele lavava as vasilhas com uma calma excepcional. Não parecia o mesmo Nicholas de um tempo atrás e eu tinha medo do que ele estava aprontando ou do que tinha para me dizer.
Assim que terminei minha refeição, andei até a pia e tentei pegar a esponja da sua mão, mas ele apenas arrancou o prato das minhas mãos e continuou a trabalhar.
Levantei o olhar até encontrar o seu rosto um pouco mais alto que o meu e tentei sorrir ao encontrar seus olhos verdes tão próximos. Ele suspirou tranquilamente e sorriu junto comigo.
— Está se sentindo bem? — perguntou ele.
Balancei a cabeça afirmativamente.
— O que aconteceu? E por quanto tempo eu dormi? — minha cabeça estava cheia de dúvidas e lembranças ruins.
— A gente ainda vai conversar — sussurrou — Porque não espera eu terminar aqui? — apontou para as vasilhas com o queixo e eu assenti.
Peguei o pano de prato mais próximo e comecei a enxugar as vasilhas ao som de um Nicholas rabugento dizendo várias vezes seguidas para que eu não fizesse isso. Ficamos em silencio durante muito tempo, eu não queria e não podia acabar com um dos únicos momentos da vida dele em que estava calmo e sem nenhum vestígio de álcool no sangue.
Quando terminamos, ele segurou minha mão com a sua, que estava completamente gelada e me guiou até a sala, puxando-me para um abraço carinhoso assim que nos sentamos no sofá. Seus braços fortes me envolveram e me mantiveram colado ao seu peito definido. Sua respiração próxima ao meu pescoço estava me causando arrepios extremos e sensações que eu já não sentia há muito tempo.
Ajeitei minha boxer, tentando disfarçar o volume que já havia se formado. Nick não precisava me chamar novamente de prostituta, eu já estava cansado daquilo.
Ouvi a risada baixa dele e me permiti a olhar para cima, tentando entender o porquê daquilo. Seus olhos brilhavam e seus lábios estavam contorcidos em um sorriso divertido.
— Você é um safado — cerrou os olhos como se estivesse me repreendendo — Fica com tesão até quando te abraço — sua mão escorregou pela minha barriga até estar firme na barra da minha boxer — Não consegue controlar? — puxou um pouco a peça de roupa, olhando dentro e sorrindo ainda mais.
— É involuntário — gaguejei desajeitado.
— O que há de errado com você? — segurou meu queixo e me avaliou de um jeito preocupado — Parece com medo.
— Não é n-na... nada, é só...
— Diga — ordenou com aquela voz máscula que exprimia poder.
— Não quero que me chame de prostituta — olhei para baixo.
Ele riu, o que me irritou bastante.
— Você não é uma prostituta, está bem? — novamente ergueu meu rosto e, assim que nossos olhares se cruzaram, ele suspirou — E nem minha amante.
— C-como?
Ele havia me tirado de cima daquele telhado e dito todas àquelas coisas apenas para me trazer para casa e me deixar sofrendo ainda mais?
— Não tem como você ser amante de um homem separado — sorriu — Ou quase separado — alargou o sorriso.
Confesso que aquilo me abalou um pouco. Então ele estava apenas comigo? Nicholas Phillips era finalmente meu?
— Está tudo bem, Carter — seus dedos acariciavam minha bochecha — Estou com você, não precisa me olhar desse jeito.
— Que jeito?
— Como se eu fosse fugir a qualquer momento e te abandonar aqui.
Engoli em seco e voltei a olhar para baixo. Nick me segurou com mais força e me puxou, ajeitando-me e quase me colocando sentado em seu colo.
— Eu sei que você está um pouco traumatizado pelo que aconteceu nessas últimas semanas, mas antes que a gente possa tirar suas dúvidas, eu queria saber uma coisa — respirou fundo — Só uma coisa, não preciso de mais nada.
Assenti afirmativamente.
— Com quantos você transou?
— Nicholas — o repreendi.
— Escuta. Está tudo bem, não vou te xingar ou coisa parecida, eu só preciso saber — sua voz tinha uma mistura de preocupação, medo e talvez um pouco de ciúmes.
Bufei, revirei os olhos e o encarei.
— Desde que você me abandonou? — cerrei os olhos, irônico.
Ele assentiu afirmativamente e sua expressão demonstrava um pouco de mágoa.
— Deixe-me ver — levantei a mão e fingi estar contando nos dedos. Nick engoliu em seco e pelo canto do olho, observei sua expressão nada divertida — Nenhum, seu babaca — rosnei, irritado com a pergunta.
Nicholas soltou um suspiro aliviado e sorriu para mim.
— Isso me deixa feliz — seus olhos desceram para minha boxer — Isso também me deixa feliz — soltou uma risadinha idiota e eu não consegui não rir junto.
— Idiota — dei um soco de leve em seu peito.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas sentindo a presença um do outro. Nick acariciava minha barriga e meu cabelo enquanto eu me mantinha quieto e colado ao seu peito quente.
— O que quer saber primeiro? — começou.
— Porque disse que me ama? — saiu de repente.
— Porque é verdade — foi tão simples o jeito falado que eu acabei olhando para cima, tentando descobrir se era verdade ou não. Ele pareceu perceber o que eu pensava e, por isso, revirou os olhos — É verdade, está bem? Só não me obrigue a dizer isso toda hora.
Assenti afirmativamente.
— E porque subiu naquele telhado? — eu precisava ouvir de novo.
Ele revirou os olhos, percebendo minha jogada.
— Porque eu te amo, Enzo, e não podia deixar você matar parte de mim.
— Quando virou gay? — instiguei.
— Quando conheci você, seu bosta — grunhiu, rindo no final da frase.
— Ninguém vira gay, Nick, já nasce gay — impus e ele me encarou como se quisesse me matar — Tudo bem, você me dopou de novo com aquela droga idiota, né? E eu confiei em você — acusei.
— E eu salvei sua vida — segurou a lateral da minha barriga com mais força — De nada.
— Obrigado — sussurrei realmente grato.
Ele me encarou por alguns segundos antes de tocar meus lábios com os seus tranquilamente. Minha vontade era de agarrá-lo e dominá-lo ali mesmo, mas eu deixaria que ele continuasse calmo e no controle por um tempo.
— Era só isso? — perguntou ao se afastar.
— Cadê sua esposa? Você disse que se separou e... c-como foi? — eu estava muito curioso.
Ele respirou fundo antes de se ajeitar novamente sobre o estofado.
— Quando você caiu em meus braços, eu precisei te segurar — olhou para mim rapidamente — Aliás, você é muito pesado — acusou e eu sorri — Os bombeiros terminaram de subir às escadas e me ajudaram a descer com você, mas quando os outros policiais se aproximaram e disseram que levariam você a um hospital, eu me desesperei, odeio aquele lugar e lá dentro eu não teria domínio nenhum sobre você, afinal, não éramos nada, não tínhamos parentesco nem qualquer relação — o olhei magoado pela sua frase, mas ele não deixou que eu o interrompesse, apenas continuou — Então eu disse o que você queria que eu dissesse — suspirou — Disse que era meu namorado e que você só tinha subido lá por minha causa.
— Namorado?
— Não me irrita, Carter, foi mais fácil assim — eu decidi que não o interromperia mais — Todos se assustaram e eu não quero nem ver a cara dos idiotas do meu trabalho quando eu finalmente chegar lá.
— Não precisa ficar com vergonha, Nick.
— Eu sei, Enzo, mas é difícil, não foi um jeito legal de sair do armário.
— Sinto muito por isso — abaixei a cabeça.
— Não sinta, foi bom assim, agora estamos juntos e é isso que me faz feliz — sorriu e suas mãos não desgrudavam dos meus cabelos, acariciando-os suavemente.
— Há quanto tempo fiquei dormindo? — eu precisava saber o final da história.
— Vou chegar nessa parte — respirou fundo — Quando tudo foi esclarecido, eu precisei te levar para casa, então te coloquei no carro e quando estava prestes a sair, ouvi gritos agudos e antes que eu pudesse me virar, já havia levado um tapa nada interessante no rosto. Era minha mulher, ela dizia algo sobre eu tê-la enganado por anos, disse que eu nunca mais veria o Vinicius e se afastou. Eu apenas observei a cena em silêncio, tentando me manter calmo, mas a verdade era que eu estava incrivelmente irritado.
— Por minha causa?
— Não — puxou meu lábio inferior com os dedos e olhou para o teto — Porque eu amo meu filho e eu preciso vê-lo.
Meu coração pareceu diminuir ao tamanho de uma bolinha de gude ao ver o desespero dele.
— Mas, enfim... — voltou à pose de macho alfa — Quando finalmente cheguei até aqui com você, meu celular tocou, então te deitei no sofá e o atendi.
— Quem era? Alguém importante?
— Meu superior — suspirou — Ele me disse que entendia o que eu estava passando e pediu que eu aceitasse ficar com você por um tempo até que você ficasse bem. Eu disse que não era preciso, que eu gostava do meu trabalho, mas ele insistiu, então eu perguntei o porquê daquilo tudo, e ele disse que eu era um homem legal apesar de ser homossexual — levou as mãos aos cabelos e os bagunçou — Confesso que fiquei um pouco alterado, mas quando olhei para o lado e te vi deitado, percebi que você precisava de mim.
— Deveria ter voltado para o seu trabalho, é importante.
— Você é mais — suspirou — Quando desliguei o celular, o joguei em cima da mesa e voltei a prestar atenção em você — seus olhos se encontraram com os meus e eu pude ver o carinho que ele sentia por mim — Eu tirei suas roupas e te levei até o banheiro, você precisava de um banho — riu — Quando terminei, te levei novamente para o quarto e fiz com que você deitasse.
— Eu fui um peso morto para você.
Ele revirou os olhos e fingiu que não havia me escutado.
— Você permaneceu dormindo daquele jeito por três dias.
— Três dias? — arregalei os olhos.
— Exagerei um pouco na hora de te dopar, desculpe-me — fez uma carinha fofa e eu não tive como xingá-lo, apenas assenti — Porque você não toma um banho e relaxa enquanto eu tento convencer a Denise a devolver pelo menos minhas roupas? — ele olhou para as peças que usava e sorriu sem graça.
— Claro — ri baixinho já me levantando.
Nick me segurou pela mão e me puxou novamente para o sofá.
— Não está esquecendo nada? — sussurrou com aquela voz que me causava arrepios insanos.
— Não que eu saiba — fechei os olhos ao sentir uma de suas mãos tocarem a minha boxer.
— Vou te lembrar — seus lábios procuraram os meus e, em um segundo, já estávamos nos beijando intensa e calorosamente. Ele nos mantinha colados enquanto eu apenas saboreava seu sabor por mais alguns segundos — Agora você pode ir — me empurrou de leve e eu o encarei com os olhos cerrados em pura ironia.
— Você faz isso comigo e me manda ir tomar um banho? — revoltei.
— Quente, por favor, e não se masturbe, tenho planos para você — disse ao se levantar.
Ele não olhou sequer uma vez para mim ao falar, o que acabou me fazendo rir do momento.
Andei até o banheiro e me preparei para alinhar minha barba, que com toda a certeza do mundo, estava horrível. Enfiei-me debaixo do chuveiro logo depois de retirar a cueca e jogá-la no cesto de roupas sujas. Contive a vontade de me tocar e pela primeira vez na vida consegui.
Eu podia ouvir barulho de portas sendo abertas vindo diretamente do quarto. Talvez Nick estivesse procurando alguma roupa para vestir, o que era um tanto estranho, já que ele era um pouco mais alto que eu.
Enxuguei meu cabelo como um cachorro e acabei percebendo que realmente ele estava um pouco grande. Mas nada muito exagerado.
Cantando os versos de alguma música do Maroon Five, caminhei até o quarto. Primeiramente eu não acreditei no que meus olhos viam, mas depois a única coisa que eu pensei foi:
— Mas que merda é essa? — acabei deixando que meus pensamentos se tornassem palavras enquanto observava Nick de sapatos de salto vermelhos e um vestido branco que nem fechava.
Ele riu alto e eu o acompanhei, mesmo sem entender o que estava acontecendo.
— Porra, Nick, o que tá rolando aqui? Eu entrei no chuveiro e saí num cabaré? — aquela visão era simplesmente hilária.
— Fala que eu estou linda, Carter — exclamou, fazendo uma dança nada sexy.
— Você está horrível — ri alto.
Eu ainda estava paralisado com os pés fixos no chão e os olhos colados no delegado. Não conseguia parar de rir, mesmo entendendo que Nick só estava agitado daquele jeito por estar reprimindo o medo que tem em se mostrar.
— O homem da relação precisa ser gentil, Carter, e você não foi gentil — ele pareceu magoado, o que me fez rir ainda mais.
— Só falta você começar a dançar, seu veado — balancei a cabeça, divertido, e finalmente me virei para o armário, procurando por alguma roupa confortável.
[Moves Like Jagger — Maroon 5 feat Christina Aguilera]
Já ia me virando quando percebi que uma música começava a tocar. Não contive uma risada alta ao perceber qual era. Nick dançava igual uma prostituta manca em cima da cama, balançando os braços no alto e rindo como um idiota. Nem ele conseguia se conter.
— Vem cá, delícia — ele me chamou aos berros e eu neguei com a cabeça — Qual é, Enzo, achei que você fosse gay.
— Nem todos os gays são barangos igual você — ri mais alto ainda.
— Que isso — ele pareceu chocado — Eu sou uma diva.
Ele dançava uma espécie de sapateado misturado com muita viadagem, o que me fazia rir horrores. Nunca vi alguém dançar tão mal.
— E quem você é? Lady Gaga?
Ele jogou a cabeça para trás, gargalhando como uma criancinha e voltou a me encarar. A música tocava e eu não conseguia me concentrar em mais nada que não fosse Nicholas Phillips vestido com um tomara-que-caia branco de rendas floridas dançando Moves Like Jagger em cima da minha cama.
— Eu sou a Beyoncé — ele gritou enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.
Gargalhei alto antes de morrer de rir com a cena de ele cantando em um microfone imaginário.
Para quê aquilo se ele tinha o meu?
— Nicholas, tira essa roupa — gritei, mas ele fingiu não me ouvir, por isso, repeti — Tira essa roupa, Nick.
— Vem cá tirar, Carter — retribuiu ainda dançando como um louco.
Pulei na cama e o agarrei pela cintura, prensando-o contra a parede. Seus olhos permaneceram fixos nos meus e seus dentes envolveram seu lábio inferior em uma mordida fraca. Extremamente sexy.
Segurei a barra do vestido e o rasguei até em baixo, jogando-o de lado na primeira chance que tive. Observei o corpo do homem à minha frente com os olhos ardendo de tesão. Ele não usava cueca nenhuma, o que deixava a visão apenas mais bela e interessante.
— Você tem que ser o tipo de gay que eu quiser, entendeu? — segurei seu pescoço e o forcei contra a parede.
— E qual tipo você quer que eu seja, senhor? — o jeito que ele se referiu a mim acabou me arrepiando mais do que o necessário.
— Esse tipo — puxei os cabelos da sua nuca e fiz com que ele se ajoelhasse na minha frente. Meu membro já duro apontava para cima e eu desejava mais do que nunca que Nick colocasse a boca ali.
Seus olhos me fitaram diretamente e eu prendi a respiração por alguns segundos. Ele não podia fazer isso, não podia me olhar daquela forma. Era o pecado em pessoa.
Sua mão esquerda escorregou desde meu braço até meu abdômen, acariciando-me com a maior calma do mundo, provocando-me, atiçando-me. Acho que nunca esperei tanto por aquilo, talvez fosse a abstinência, talvez fosse o tesão que eu sentia por ele. Nunca iria descobrir.
— Vamos lá, Nick — suspirei fechando os olhos.
As mãos dele começaram a explorar meu corpo ferozmente, sua boca tocou minha virilha com suavidade, dando leves beijos no meu comprimento. Todos os meus sentidos se aguçaram, provocando-me sensações já conhecidas e imensamente prazerosas.
Seus lábios envolveram a ponta do meu membro e eu suspirei pesadamente. Aquilo era incrível. Com muita calma ele foi se movimentando, mas não era o suficiente para mim, eu precisava de mais.
Segurei sua nuca com força e o mantive parado enquanto socava cada vez mais rápido em sua boca. Gemidos altos escapuliam da minha garganta e preenchiam as quatro paredes à medida que a língua de Nick deslizava pelo meu membro. Suas mãos estavam apoiadas em meu abdômen, tentando me conter.
— Quer parar? — tirei meu comprimento de sua boca e perguntei, afinal, eu sentia medo de machucá-lo.
Ele ignorou o que eu falei e empurrou minhas mãos, respirando pesadamente. Eu gostava do jeito dele, parecia querer mandar na transa. Isso era interessante.
Sua boca tocou meu membro e o lambeu da base até a ponta, fazendo-me gemer ainda mais alto. Ele sugava a ponta com vontade, o que me fazia perder o resto de sanidade que ainda me restava. Senti gosto de sangue na minha boca, mas não consegui parar de morder meu lábio. Era impossível com todo aquele prazer me fazendo sucumbir.
Tirou meu membro da boca e ao perceber que ele não se movimentava mais, olhei para baixo totalmente atordoado e o encarei. Ele sorriu por ter conseguido o que queria e levou suas mãos até o interior das minhas coxas, atiçando-me.
Eu estava prestes a implorar para que ele continuasse, quando finalmente ele tocou meu membro outra vez, fazendo movimentos de vai e vem vagarosos de início, mas mais rápidos depois.
— Como estou indo? — perguntou ao me soltar.
— Quer elogios, docinho? — ri baixo enquanto levava meu indicador até sua boca e o via chupá-lo com vontade.
Ele engoliu em seco e assentiu.
— Sei que não sou tão bom quanto você — sussurrou com os olhos colados nos meus.
Curvei-me para frente e segurei seu queixo com força.
— Talvez depois que terminarmos — sorria maliciosamente.
Não sei o que deu em mim, mas eu estava gostando de dominar a situação daquela forma.
Puxei Nick pelos ombros e o joguei na cama, posicionando-me entre suas pernas entreabertas. Peguei sem membro com força e ele soltou um gemido alto. Comecei a masturbá-lo lentamente, da mesma forma que havia feito comigo.
Nicholas jogou a cabeça para trás e agarrou as barras da cama com bastante força. Ele era lindo naquela posição e se eu não estivesse tão excitado, teria parado para contemplá-lo.
Enquanto eu o sugava com vontade, acariciava suas coxas e o via gemer. Ele era lindo de olhos fechados e desfrutando os prazeres que eu podia proporcioná-lo. Seu membro aos poucos ia crescendo dentro da minha boca e eu me deliciava com seus gemidos altos.
Tentando provocá-lo, rocei a boca na base do seu comprimento, deslizando com calma por toda a extensão e fazendo uma leve pressão na ponta. Ele gemia e suspirava, dando espasmo atrás de espasmo, o que me deixava ainda mais excitado e ansioso.
Ele me olhou um pouco desnorteado e eu sorri enquanto me inclinava na direção do criado mudo. Abri a gaveta e retirei um preservativo lá de dentro, impedindo que ele tomasse a decisão de quem seria o ativo. O rapaz me olhou com os olhos arregalados de medo e aquilo bastou para eu parar de agir como um sadomasoquista leve.
— Relaxa, eu não vou te machucar — sorri, tentando acalmá-lo.
Ele assentiu ainda um pouco desconfiado e jogou a cabeça novamente para trás. Abri ainda mais suas pernas e me aconcheguei entre elas. Ele estava tenso, eu conseguia reparar isso pela tensão dos seus músculos, muito mais evidenciada agora. Aproximei minha boca do seu corpo e comecei a lamber sua entrada, que parecia muito apertada. Ele gemia em alto e bom som, as mãos segurando as barras da cama como se fossem arrancá-las. Eu ficava cada vez mais excitado e chegava a tremer de tesão só de pensar que em poucos minutos ele seria meu. Tentei penetrá-lo com a pontinha da minha língua, mas não obtive sucesso e, a cada lambida em sua entrada, mais ela se contraia, convidando-me a penetrá-lo.
— Confia em mim? — mordi a embalagem do preservativo e a rasguei.
— Se eu disser que não, você desiste? — ele parecia estar a ponto de ter um ataque.
Por um momento fiquei sem expressão, mas logo percebi que ele ainda esperava por uma resposta, então me apressei a responder.
— É claro — suspirei meio sem palavras.
Ele respirou fundo, engolindo em seco e soltando todo o ar logo depois.
— Eu confio em você — jogou a cabeça para trás, esperando que eu o penetrasse.
Ele parecia estar prendendo a respiração, como se estivesse se preparando psicologicamente para isso.
— Se você não relaxar, vai doer mais.
Ele inspirou e expirou várias vezes, suavizando o aperto dos olhos e abrindo suas mãos.
— Não me machuque — pediu em meio a suspiros exasperados.
— Nunca — soprei enquanto deixava um beijo carinhoso na curva do seu pescoço.
Suas mãos apertaram meus ombros com força e eu tive a impressão de que, naquele momento, eu fosse seu ponto de apoio.
Subindo meu corpo, ajeitei o preservativo em meu membro e assim que estava tudo pronto, aproximei-me da sua entrada, abrindo suas pernas ainda mais.
Ainda com a respiração presa, Nick esperava que eu o penetrasse, e assim o fiz. Ele fechou os olhos com mais força ao sentir meu membro adentrá-lo calmamente. Suas mãos apertaram meus braços com mais força, seus dentes de cima forçavam os de baixo e seu lábio inferior se mantinha entre os mesmos. Eu sabia que ele acabaria se machucando daquele jeito, mas não tinha muito que fazer para fazê-lo se acostumar. Eu estava sendo gentil, indo devagar e até parando às vezes, para que ele pudesse se recompor.
Eu me movia lentamente apertando suas coxas com força enquanto gemia. Levei uma das minhas mãos ao seu membro e comecei a masturbá-lo, tentando fazer com que não se sentisse tão desconfortável.
Com o passar nada silencioso do tempo, a feição do rapaz foi se modificando. Ele já não sentia tanta dor, eu estava conseguindo proporcioná-lo algo a mais.
Fui me movendo cada vez mais rápido dentro dele, arrancando gemidos de prazer intensamente provocantes, que só me excitavam mais e mais. Sua voz roucamente pronunciada em espasmos de deleite me fazia tremer por dentro.
Naquele momento só existia Nick e eu, não precisávamos de mais nada. Ele puxava o lençol da cama com força, gemendo meu nome em alto e bom som. Sua respiração estava pesada e a cada movimento dos nossos corpos juntos me causava uma sensação extramente prazerosa.
Finalmente ele era meu do jeito que eu queria.
Deitei meu corpo sobre o dele e procurei seus lábios, enfiando a boca na sua e entrelaçando nossas línguas. Seu gosto era único e eu desejava senti-lo para o resto das nossas vidas.
Senti que já estava chegando ao meu limite e, julgando pelos gemidos altos e o jeito como Nick se contorcia, ele também não demoraria muito.
Praticamente gritando meu nome, Nick gozou, espalhando seu líquido quente por toda a barriga. Eu ri baixinho e continuei me movendo até que cheguei ao meu ápice e gozei dentro dele. Sua entrada não suportou tanto líquido, fazendo boa parte dele escorrer na cama.
Cansado e com a respiração pesada, desabei sobre ele, sentindo seus braços me envolverem com carinho. Deitei a cabeça sobre seu peito quente e permaneci quieto por alguns segundos, apenas saboreando sua presença e seu calor.
Nick suspirou alguma coisa ininteligível, mas eu não me preocupei em entender.
— Você foi... incrível — o elogiei, já que era aquilo que ele queria desde o começo.
Pude ouvi-lo rir um riso sem fôlego.
— Acho que quem merece os créditos aqui é você.
Ri baixinho.
— Eu quero apenas você, Enzo — ele suspirou depois de um tempo em silêncio.
— Eu também quero apenas você, Nick — acariciei as laterais da sua barriga.
Fechei os olhos suavemente e um sorriso divertido brincou em meus lábios.
— Só você — suspirei novamente — E um Cheeseburger.
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