Bourbon Street
5 Capítulo Cinco - Um jeito nada legal de acordar
Notas iniciais
Bocejei ainda de olhos fechados sentindo todo o meu corpo tremer de dor. Há muito tempo eu não forçava meus músculos assim e, com certeza, eles haviam sentido a diferença.
Os raios de luz provenientes do sol queimavam minha pele, mas não incomodava tanto. Senti o vento passar por mim e me refrescar completamente, então percebi que havia alguma coisa errada.
Abri os olhos rapidamente e novamente os fechei, esperando que aquilo fosse um sonho.
“Merda” “Merda” “Merda” “Merda” “Merda” “Merda” “Merda” “Merda”
Eu repetia no meu próprio pensamento sem parar, como se aquilo fosse ajudar em alguma coisa. Minhas mãos tremiam, assim como todo o meu corpo, mas eu nada podia fazer. Respirei fundo e tentei acreditar que estava vivenciando a realidade.
Outra vez me pus a abrir os olhos e deparei-me com meu corpo nu sobre uma cama de casal. Minhas mãos estavam presas no alto da cabeceira e meus pés aos lados do móvel. Eu não conseguia tocar minha pele, mas sabia que estava pegajosa e nojenta.
Observei todo o local atentamente, ou procurando por alguma coisa que me mostrasse onde eu estava ou o que havia acontecido comigo, mas nada disso encontrei. Puxei minhas mãos com força, mas só fiz com que as algemas me machucassem.
— Droga — gritei nervoso puxando com mais força as algemas. Outra vez senti dor.
Bufei irritado sentindo uma lágrima quente escorrer pela minha bochecha. Agora eu estava ferrado, sozinho e nu. Fechei meus olhos lentamente, abrindo-os novamente ao ouvir um barulho esquisito. Meu olhar correu até a porta entreaberta e encontrou com o de uma mulher que usava roupas brancas e tinha uma vassoura na mão. Ela estava boquiaberta e parecia assustada, mas o pior era que não tirava os olhos do meu membro. Senti meu rosto queimar de vergonha e sem nem pensar, gritei:
— Pare de olhar e me tire daqui.
Nisso ela deu um pulo e saiu correndo. Urgi irritado puxando as algemas, mas nada adiantou, como antes. Eu forçava minha mente tentando achar no meio dos meus pensamentos embolados como eu havia ido parar naquela enrascada, mas a última coisa que me lembrava era de ter bebido álcool como um camelo bebe água. Também tinha um homem e lembrar-me das risadas dele só fazia minha dor de cabeça piorar.
“— O que está fazendo? — minha voz saiu falha.
— O que qualquer gay em santa consciência faria com você — sussurrou engatinhando em cima de mim. Seus lábios tocaram a pele quente do meu pescoço e todo o meu corpo estremeceu.
— Não estou bem — murmurei aos sussurros, pois eu realmente não me sentia bem.
Estava tonto e toda vez que abria os olhos, podia ver o teto girar. Minha cabeça doía e eu não sabia se o que estava sentindo era sono ou cansaço, talvez os dois.
— Eu sei, por isso você torna uma companhia boa — sua respiração quente no meu ouvido me fazia falhar em todas as minhas tentativas de relaxar enquanto suas mãos massageando minha barriga só dificultavam a situação — Eu posso falar qualquer coisa e você não se lembrará de nada – sua boca colou nos meus lábios e seus dedos escorregaram suavemente até meu jeans, massageando meu volume por cima da calça. Soltei um gemido baixo como retribuição, e ele sorriu de lado.
— Porque não me lembrarei?
— Eu te dei uma droga, então, daqui a pouco você irá apagar, por isso precisamos ser rápidos — descia os beijos por todo o meu tronco, parando estrategicamente em meus mamilos, sugando-os e mordendo delicadamente.
— Porque fez isso? — todo o meu corpo estava entorpecido.
— Preciso arrancar informações sobre um tal de Nicholas Phillips e, parece que você e ele são amiguinhos ou seja lá o que for — suas mãos arrancaram meu jeans e, em poucos segundos, eu pude sentir o calor da sua boca adentrando minha boxer.
— E porque não sequestrou a ele e, sim a mim? — tentava normalizar minha respiração, mas estava sendo difícil com o rapaz engolindo meu membro daquela forma.
— Você é mais fácil de controlar do que ele — Respondeu à medida que acariciava minha barriga com seus dedos gelados.
— Não sei quase nada dele — falei de repente.
— Percebi.
Ele parecia ficar cada vez mais nervoso comigo, já que eu não parava de interrompê-lo.
— Então porque continua aqui?
Ele me chupava com vontade ao mesmo tempo em que suas mãos me masturbavam rapidamente. Eu tinha espasmos de prazer, mas não conseguia me mover como deveria.
— Você não é de se jogar fora — murmurou e eu, com medo de abrir os olhos, os mantive fechados. — Mas se me interromper de novo, juro que te mordo bem aqui — passou a língua delicadamente no topo do meu membro. Soltei um gemido rouco e concordei com a cabeça, mesmo sem saber se ele via ou não.
Eu podia sentir sua língua deslizar por todo o meu comprimento, subindo e descendo de acordo com o que convinha. Suas mãos me acariciavam suavemente e seus lábios envolviam meu membro como se estivessem famintos por ele. Seus movimentos eram contínuos e ele me chupava com vontade, aumentando a velocidade cada vez mais.
Chegou a um momento que eu não conseguia mais prestar atenção em nada e, ficar acordado era um desafio maior do que eu podia aguentar, então me deixei levar pela minha inconsciência.
Eu não sabia quem o Nicholas era de verdade e nem sabia se fazia algo errado a ponto de ser perseguido e temido, mas eu também não queria saber. Nada importava mais, eu só queria ir para casa e esquecer que um dia o conheci.
Joguei a cabeça para o lado novamente e lá estava a mulher. Seu olhar me avaliava de forma assustada e até mesmo com medo. Revirei os olhos irritado e mesmo incrédulo de que receberia sua ajuda, tentei:
— Ei, por favor, me ajuda — puxei as algemas levemente, mostrando o que ela precisava fazer.
— Não vou tocar em você — expelia desprezo como uma cobra expele veneno.
— Não precisa tocar em mim, só tirar isso — pedi desesperado, mas ela não pareceu se importar.
— Como consegue desrespeitar Deus dessa forma? — rosnou enraivecida e eu estava pronto para respondê-la, quando ela continuou — Vai queimar no fogo do inferno — tinha uma expressão maligna.
Eu soube exatamente que o desrespeito a Deus não era exatamente o fato de eu estar pelado e amarrado em uma cama, mas sim por eu ter tido relações sexuais com um homem. Preconceito idiota.
Aquele som invadiu meus tímpanos. Um som que não havia como eu me esquecer. Coturnos de couro e bico de aço estalavam pelo corredor. Os passos pesados assombravam o local a cada segundo passado e a presença intimidadora estava próxima demais. Sacudi a cabeça para o outro lado e me mantive quieto, apenas encarando a parede.
Pelo canto do olho pude ver a mulher indo embora enquanto três homens entravam silenciosamente no quarto. Um deles era Nicholas com suas roupas negras e cabelo bagunçado.
— Achem alguma coisa — ordenou com a voz rouca e, quase que instantaneamente, os outros policiais começaram a avaliar o recinto.
Virei o rosto na sua direção, levando junto minha vergonha e uma vontade enorme de morrer. Um sorriso divertido e vitorioso dançava nos lábios do rapaz enquanto seus olhos brilhavam de tanto entusiasmo.
— O que faz aqui? — minha voz parecia ter sumido no meio do caminho.
— A pergunta é, docinho, o que aconteceu? — sua voz parecia se espalhar pelo quarto.
Ele mantinha a pose de macho alfa, com os braços cruzados e a expressão séria. Mesmo naquela situação eu não podia deixar de perceber a definição dos seus músculos sob a camiseta e, por causa disso, eu precisava pensar em qualquer outra coisa, afinal seria vergonhoso ver meu membro crescer e se enrijecer ainda mais na frente dele.
Revirei os olhos ao ouvir o apelido e deixei que minha cabeça virasse levemente para cima. Meu peito descia e subia suavemente de acordo com minha respiração, que não estava nem um pouco elevada. Encarei o teto completamente desanimado, piscando algumas vezes antes de lembrar que deveria respondê-lo.
— Não me lembro direito — olhava para todos os lados, menos para Nick. Senti uma leve movimentação perto do meu pé e percebi que um dos policiais havia passado a mão em mim, como se procurasse por alguma pista — Ei, dá pra parar com isso?
— O que aconteceu? — Nick resolveu gritar, fazendo a raiva dentro de mim se espalhar.
Explodi.
— Tira esses idiotas daqui — puxei as algemas com força. Os homens se afastaram, mas logo soltaram sorrisos divertidos ao lembrar que eu estava amarrado e não podia fazer nada com nenhum deles.
— Vão — Nicholas ordenou de forma séria — Agora.
— Mas senhor... — um dos rapazes falou.
Eu me lembrei que fora ele que havia me prendido a poucos dias.
— Paul, já que você está tão a fim de ajudar, porque não me faz um favor? — Nick murmurou calmamente à medida que enfiava a mão no bolso e retirava uma carteira de lá.
— Sim senhor — ele assentiu animado.
— Compre umas roupas para ele — apontou para mim com uma mão e com a outra entregou o dinheiro para o rapaz — Ele não pode sair daqui desse jeito.
— Desculpe-me Dr. Phillips, mas eu sou um policial e não um vassalo — Paul o desafiou.
— O que eu sou seu, Paul? — Nick falou com uma tranquilidade de dar medo.
— Chefe, senhor.
— Então me obedeça — rosnou.
O moço assentiu e se afastou sem nem mesmo tentar discutir.
Nossos olhares se encontraram por um instante, mas a conexão foi quebrada assim que eu virei o rosto para o outro lado. Estava vergonhoso demais olhar para ele sabendo que o mesmo podia encarar meu corpo nu.
Pude ouvir o som do seu coturno novamente, só que dessa vez ele soava gracioso. Tudo estava silencioso ao nosso redor e a tensão era palpável. Nick tocou minha barriga com seus dedos gelados, passando-os suavemente pela minha pele, consequentemente, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem um a um, trazendo uma sensação de refrescância.
Fechei meus olhos com força, mordendo meu lábio do mesmo jeito. Eu tinha que pensar em algo que me fizesse não pensar justamente nos dedos gelados dele se arrastando calorosamente pela minha pele. Senti sua respiração quente perto do meu pescoço e percebi que ele estava próximo até demais. Virei-me levemente tomando cuidado para não bater de encontro com ele. Nossos rostos estavam a milímetros um do outro, nossas bocas se encontravam muito perto, seus olhos permaneciam grudados em meus lábios e sua respiração quente me excitava ainda mais.
“Droga Enzo, pense em qualquer coisa, menos nele”.
Sua boca se mexeu lentamente e pronunciou, exalando seu hálito de uva em mim.
— Eu tenho uma pergunta.
Encarei seu corpo coberto por toda aquela roupa com o desejo ardendo dentro de mim. Fechei os olhos e os abri, respectivamente, tentando não pensar besteira, afinal eu estava nu, seria fácil de ele perceber o que eu estava sentindo. No caso, seria fácil até demais. Sem pensar duas vezes resolvi pronunciar aquilo que ele queria que eu falasse.
— Qual é?
— Você deu ou comeu? — um sorriso sarcástico tomou conta dos seus lábios avermelhados.
Minha vontade era de matá-lo de pancada, então puxei minhas mãos tentando levantar meu corpo, mas ainda estava preso e claramente, não consegui. Seu rosto ainda mantinha o sorriso satisfeito, o que me deixava ainda mais nervoso.
— Me tira daqui — Gritei, o que, para ele, só aumentou a diversão do momento.
— Ainda não — puxou uma cadeira de madeira e se sentou.
— Por quê? — desesperava-me — O que está esperando?
— Você me dizer o que aconteceu aqui — levantou a sobrancelha.
— Não me lembro de muito, ok? — balancei a cabeça — Eu estava bebendo com aquele homem e só acordei depois quando já estávamos na cama — ele fez uma careta de nojo, então revirei os olhos e prossegui — Eu disse que estava cansado e ele me falou que por isso eu era uma boa companhia — Nick me observava com interesse e parecia estar atento a cada palavra minha — disse também que eu não me lembraria de quase nada porque havia me dado um tipo de droga ou sei lá...
— Brotine-zero — consertou.
— Eu não entendi muito bem o que isso é.
— É uma substancia que te deixa desacordado por um tempo — explicava sério.
Abri a boca em um “Ah” silencioso e, estava pronto para continuar, quando vi Paul enfiar a cabeça para dentro do quarto. Seus olhos em chamas pareciam estar prontos para me cortar com a faca que trazia pendurada em sua cintura. Nicholas percebeu meu silêncio e virou apenas o rosto para o lado, observando-o pelo canto dos olhos.
— Fez o que eu pedi?
— Sim senhor, aqui está — estendeu as roupas que trazia em suas mãos e Nick agarrou-as, levantando calmamente e prosseguindo até mim.
Deixou as peças em cima da cama enquanto pegava a faca que pendia do seu cinto.
— Pode ir, Paul — resmungou.
A última coisa que o outro homem fez foi me lançar um olhar de nojo.
— O que vai fazer com essa faca? — minha situação não era nada boa naquele instante.
— Não é óbvio? — aproximou a faca das minhas mãos e eu fechei os olhos.
Um barulho preencheu meus ouvidos e eu rapidamente senti um alivio me inundar. Puxei minhas mãos e não senti dor, então finalmente me via livre.
— Obrigado — levantei meu tronco com dificuldade.
Estiquei meus braços na direção dos meus pés, procurando desamarrá-los, mas antes que eu os alcançasse uma faca se firmou no colchão à minha frente. Ouvi a risada baixa do chefe de polícia e preferi não demonstrar emoção. Arranquei o objeto da cama e rasguei com ela as cordas que me prendiam.
Virei de costas para o homem e comecei a vestir as roupas rapidamente. Não eram exatamente do meu tamanho e a calça era bastante apertada, assim como as do Nick. A camiseta gola V grudou em meu peito, já que eu estava um pouco suado e o chinelo era maior do que meu pé.
“Abri os olhos e enxerguei tudo embaçado. Algo se movimentava sobre mim e eu logo pude perceber que era uma pessoa. Um homem, para ser mais específico. Eu podia ouvir seus gemidos roucos e também conseguia sentir a deliciosa sensação de estar dentro de alguém, mas assim como antes, eu não conseguia me mexer.”
— Nick? — chamei assim que percebi que ele se afastava.
Virei-me para ele e encarei suas costas definida enquanto o via girar apenas o rosto na minha direção.
— Olha só, não sei quem foi o cara, mas ele levou minha mochila, meus documentos e meu dinheiro — murmurava aos sussurros como se aquilo fosse diminuir minha vergonha — Não sei se posso voltar para casa e para falar a verdade, eu nem sei onde estou. Me ajuda.
Eu chegava a engasgar com minha própria saliva.
— Eu vou encontrá-lo.
— O quê?
— Eu vou encontrar o cara que fez isso com você e ele irá se arrepender — sua expressão continha pura raiva.
— Não. Você não pode — impus também ficando nervoso.
— Por que não? — levantou as sobrancelhas, cético.
— Ele está atrás de você — informei — Alguém o mandou até você, mas ele preferiu me atrair primeiro porque, segundo ele, eu sou o mais fácil de controlar e...
— Do que está falando, Carter? — se aproximou vagarosamente e, em poucos segundos, seu corpo estava quase colado ao meu.
— Tem alguém...
— Senhor? — no mesmo momento em que ouvi a voz de Paul, percebi que Nick já estava distanciado.
— O que foi, Paul? — parecia irritado.
— Precisamos levá-lo — sorria debochado para mim.
— O quê? Me levar para onde? — Recomeçava a me desesperar.
— Relaxa Carter, precisamos fazer alguns exames em você — guardava a faca novamente em seu cinto — Sabe como é, tentar descobrir a quantidade de droga que o idiota te deu, imagino que seja pouco, já que você está acordado... Tenho que saber o que houve.
— Acho que já deu para entender, não é? Eu dormi com um...
— Cala a boca — aparentava estar entediado — Paul, ele vai comigo.
— Mas senhor...
— Não Paul, você não vai poder castigá-lo por nada, ele vai comigo... — revirou os olhos e logo prosseguiu para fora do quarto. O segui calmamente e, assim que passei por Paul, deixei que meu corpo batesse de encontro com o seu de propósito.
— Desculpe-me — sorri irônico.
Caminhei calmamente até estar novamente perto do chefe de polícia. Passamos por vários corredores e por fim saímos na boate. Olhei tudo com curiosidade e me perguntei por que diabos havia quartos no fundo dali. Nick e eu estávamos quase saindo quando avistei novamente aquela mulher. Nossos olhares se encontraram e ela parecia querer me matar, portanto, não éramos diferentes naquele momento. Aproximei-me com calma e, Nick percebendo minha movimentação, seguiu-me de perto. Ela se encolheu onde estava assim que cheguei perto.
— Eu posso queimar no fogo do inferno, mas você vai passar o resto da sua vida inútil limpando a sujeira que pessoas como eu fazem — rosnei entre dentes.
A expressão dela se contorceu em nojo, desprezo e raiva, mas antes que pudesse responder alguma coisa, Nick segurou minha cintura e me puxou para perto.
— Desculpe-o — pediu com um sorriso simpático — Bebeu demais — já me puxava para fora do estabelecimento.
Assim que saímos para o vento frio, mas ao mesmo tempo refrescante, Nick deu ordens para os policiais seguirem direto para a delegacia, pois ele iria fazer o mesmo.
— Como soube que eu estava aqui? — perguntei ao adentrar a Ferrari.
— Não sabia — girou a chave — Só sabia que tinha um idiota nu e amarrado em um dos quartos da boate, mas como era nessa parte da cidade eu preferi vir, afinal, tenho...
— Nick, eles estão atrás de você. Quantas vezes vou precisar dizer isso? — revoltei.
— Já percebi, mas preciso descobrir quem é e porque me quer.
— Isso é idiotice.
— Essa é a minha vida, Carter, se quiser pode desistir, mas eu vou continuar — bradou veemente e minha vontade era de gritar como ele era idiota.
Prosseguimos todo o caminho aguentando aquele silencio incômodo que havia se estabelecido. Ambos queriam conversar, mas também éramos orgulhosos demais para puxar assunto. Assim que o carro foi estacionado, Nick lançou um olhar cuidadoso para mim.
— Relaxa, não vou deixar acontecer nada com você, ok? — o olhar fixo no meu.
— Porque está falando isso? — perguntei incrédulo.
— Porque não terei mais tempo antes de... — olhou para o retrovisor e viu que seus homens andavam até nós, então voltou a me encarar — Desculpe-me — aproximava-se de mim cautelosamente.
Uma de suas mãos segurou minha coxa enquanto a outra atingiu minha costela. Senti uma picada rápida, mas indolor e ousei olhar para baixo. Nick segurava uma seringa pequena e afiada. Apenas ao ver aquilo senti minha visão estremecer e tudo ao meu redor começar a girar. Respirei fundo, mas o ar parecia não querer ir para os meus pulmões.
Em um último segundo de consciência pude ouvir a voz do chefe de polícia, mas nada consegui entender.
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