Bourbon Street

6 Capítulo Seis - E o equívoco se repete


Notas iniciais
Oie :3 Eu demorei um tempinho a mais para postar, pois fiquei sem internet. Eu até descobri que tinha uma galera aqui em casa, sentei-me à mesa com eles, acho que é minha família hehehe' Brincadeiras a parte, boa leitura.

Agarrei-me a superfície macia em que eu me encontrava, remexendo todo o meu corpo lentamente como se me espreguiçasse. Virei o rosto para cima, abrindo os olhos lentamente e me deparando com um teto que não era nada parecido com o do meu quarto. Um pouco assustado e, finalmente me lembrando do que havia acontecido anteriormente, olhei para a direita, encontrando Nick sentado em sua poltrona de couro.

Seus olhos encaravam, para ser sincero, minha bunda com uma seriedade impressionante. Mordia o lábio inferior, parecendo estar imerso em pensamentos. Semelhava cansaço e, julgando pelas olheiras, não havia dormido quase nada ou nada durante a noite.

Mas afinal, que horas eram?

Levantei-me rapidamente, fazendo com que ele pulasse de susto. Nossos olhares trombaram um com o outro e eu soube que nada estava bem. Abri a boca para falar algo para confortá-lo, mas logo percebi o quão submisso eu seria se não tomasse uma atitude e resolvesse nossos assuntos pendentes. Eu não deixaria que ele fizesse o que quisesse comigo.

Ao lembrar-me da cena da agulha em suas mãos, seus olhos me observando com pena e até mesmo um pouco de medo e suas palavras fugindo tão tranquilamente da sua boca voltaram à minha mente e, a única coisa que eu queria fazer no momento era gritar e perguntar que droga ele havia feito.

Fechei minhas mãos em punho e, mesmo não podendo ver minha expressão, sabia que não estava nada boa. A raiva borbulhava no meu sangue como um vulcão em erupção e eu podia sentir minha jugular pulsar cada vez mais rápido enquanto meus batimentos retumbavam como trovões.

— Enzo... — ele sussurrou ao levantar as mãos em rendição — Tenha calma — começou a andar suavemente até mim, mas antes que cumprisse a metade do caminho, eu rosnei entre dentes:

— O que você fez comigo?

— Eu vou explicar, mas primeiro se acalme... — murmurou aos sussurros.

— Não vou me acalmar porra nenhuma — gritei — Você me dopa com sei lá o que e ainda quer que eu me acalme?

— Sim, eu quero — suspirou — Eu preciso — enfatizou.

— Tudo bem Dr. Phillips, vou me sentar aqui e ouvir tudo o que tem a dizer — falei totalmente irônico enquanto sentava-me no mesmo sofá em que eu havia acordado.

Ele balançou a cabeça afirmativamente à medida que se movia vagarosamente até sua poltrona. Sentou-se e apoiou a cabeça nas mãos, consequentemente sustentando os cotovelos nos joelhos. Abriu a boca várias vezes para falar, mas as palavras pareciam não querer sair.

— Eu precisei fazer aquilo — bradou firme e eu não consegui refrear uma risada sarcástica.

— Precisou? — levantei uma sobrancelha.

— Deixe-me terminar — pediu — Você dormiu com um homem que estava me procurando, certo? — assenti — Ele poderia ter colocado algo em você...

— Ele não introduziu nada em mim — grunhi em alto e bom som — Se você está tão preocupado em quem comeu quem, saiba que fui eu.

Ele me encarou completamente assustado.

— Eu não estava falando disso — balbuciou com a voz falha e eu me senti um idiota por pensar besteira — Referia-me a um chip ou qualquer outra coisa, mas isso é muito CSI — sorriu de um jeito idiota, como se o momento fosse propício a isso.

— O que tinha naquela agulha e porque a enfiou em mim? — grunhi.

— Você não aceitaria realizar todos os exames necessários, eu só te fiz dormir um pouco.

Ele explicava com tanta tranquilidade, que fazia parecer bem normal. Coisa que não era.

— Você poderia ter perguntado primeiro, não acha?

— Você negaria.

— É claro — assumi alterado — O que você fez não foi diferente do que aquele homem fez.

Ele se mexeu inquieto.

— Eu estava te protegendo — aumentou o tom de voz de repente.

— Eu não preciso da sua proteção, Nicholas — grunhi revoltado — Porque não para de se importar comigo e continua com sua vidinha fútil?

Naquele momento eu já caminhava para a porta.

— Eu vou fazer isso — foi sarcástico — Some daqui.

— Não era exatamente o que eu ia fazer? — sequer o olhei.

Não demorei a ultrapassar a porta e seguir para fora da delegacia, passando pelas repartições.

Em um canto separado de todos, Paul estava encostado em uma pilastra. Seus olhos me avaliavam divertidos, provavelmente pensando nas coisas que haviam ocorrido comigo nas últimas vinte e quatro horas e, suas mãos moviam-se juntas, demonstrando o quanto era hiperativo.

Estava quase chegando à porta principal quando ouvi alguém me chamando e fui obrigado a me virar.

— O que foi, Paul? — revirei os olhos, entediado.

O que eu mais queria naquele momento era ir para casa, tirar minhas roupas, tomar um banho quente e dormir na minha cama com os meus lençóis. E para falar a verdade, aquela era a primeira vez que eu desejava ir para casa mesmo sabendo que encontraria minha mulher lá.

— Agora que você não está mais sob as asas do chefe, eu posso te ensinar a me respeitar — um sorriso animado brincava em seus lábios.

— Eu nunca estive sob as asas dele, mas se você quiser resolver nossas diferenças, tudo bem... — falei aparentemente calmo — Não vou ficar por baixo.

— Está desafiando um policial, Carter? — parecia bastante satisfeito.

— Vai se esconder atrás do seu distintivo? — retruquei da mesma forma — Tira essa farda e discute comigo como um igual.

Aproximei-me.

— Quer tirar minha roupa? — sorriu sarcástico.

— Você está tão interessado nisso que eu estou começando a acreditar que não quer brigar, mas sim, ir para cama comigo.

Sua expressão mudou para raiva, fazendo com que um sorriso divertido brincasse alegremente em meus lábios.

— Até mais, Paul — disse ao atravessar a porta.

O sol quase me cegou.

Andei calmamente para casa por uns quarenta minutos, meus pensamentos se embolavam uns com os outros e eu não sabia o que fazer para organizá-los. Minhas pernas doíam e eu me sentia um completo inútil.

Permaneci em silêncio ao entrar em casa e prossegui até meu quarto. Nem procurei saber se Jeane estava presente, porque realmente não era importante. Retirei todas as minhas roupas e logo depois de jogá-las no cesto, enfiei-me debaixo da água gelada do chuveiro e me mantive quieto.

Ainda nu, me joguei sobre os lençóis e deixei que meus olhos se fechassem.

— Faz muito tempo que não te vejo desse jeito — ao ouvir a voz da minha mulher, pulei de susto.

No mesmo segundo puxei os lençóis e me escondi dela.

— Jeane — exclamei — Eu... desculpe, achei que não estava em casa...

— Ainda somos casados, Enzo, não sei por que sente vergonha — guardava algumas roupas no armário.

Levantei-me suavemente e agarrei uma cueca, vestindo-a logo depois.

— Onde estava?

Aquela era a única pergunta que eu não queria ouvir. Fiz uma careta estrangulada e pronunciei uma coisa que não era tão mentirosa.

— Com um amigo.

— Ah! E é por causa desse seu amigo que estamos nos separando? — encarou-me totalmente cética.

— Ele não tem nada a ver com isso e a gente não precisa ter essa conversa.

— Realmente — bradou divertida — Não precisamos falar de como você me trai com outros homens.

— Eu nunca te traí, Jeane — minha voz era um sussurro.

— Como conseguia transar comigo?

— Não precisamos falar disso também.

— Como? — insistia.

— Eu imaginava qualquer pessoa, menos você — acabei me arrependendo — Olha, desculpe, não é pessoal, é só que...

— Não, eu entendi, está tudo bem — falava, abatida — Vou embora.

Observei-a retirar uma mala do armário.

— Não precisa fazer isso...

— E fazer o que, Enzo? — gritou de repente — Morar com alguém que sente nojo de mim? Não — exclamou — Eu vou embora.

— Eu não...

— Sabe de uma coisa? Eu pensei que talvez nós pudéssemos superar isso e continuar, mas não, estava errada — disparou a falar — Não conseguiremos por que você é... você é um... esquisito — nessa altura do campeonato, seu rosto estava mais avermelhado do que um tomate — Seus amigos tem razão em zombar de você...

— O quê? — interrompi intrigado — Eu não... — cerrei os olhos — Como sabe que Matt e Louis...?

— Não sei do que está falando...

— Você contou para as pessoas? Disse que sou gay? — acho que nunca antes havia ficado tão angustiado — Como pode?

— Como você pode me deixar?

Agora lágrimas fugiam de seus olhos e seu peito ia e vinha rapidamente.

— Não mude de assunto — grunhi irritado — Você está errada.

— E você não?

— Eu escolhi viver ao invés de passar o resto da minha vida colado a alguém que não me faz feliz — logo a vi fechar a mala.

Suas mãos tremiam e sua respiração se mantinha descompassada.

— Se escolheu viver, porque não vive de verdades? Não tem problema algum as pessoas saberem o que você é.

A raiva borbulhava em minhas veias.

— Não é uma opção sua, Jeane — me vesti rapidamente — Agora sou eu quem quer que saia dessa casa — olhei dentro dos seus olhos — A gente se vê no dia de assinar os papéis da separação — ao dizer isso, prossegui para fora do quarto e, logo depois, para fora da casa.

Eu não tinha dinheiro, casaco ou moral, e a rua era o melhor local para eu ir naquele momento. O vento estava frio e bagunçava meus cabelos e pensamentos, não que eles estivessem organizados, porque não estavam. Eu estava cansado, pois apesar de ter dormido uma boa parte de tempo, não estava completamente disposto. Meus músculos doíam, o que indicava que eu realmente precisava descansar em uma cama conhecida, mas eu não queria voltar para casa naquele momento e também não queria encontrar nenhum conhecido. Definitivamente eu não sabia o que fazer e para onde ir.

Parei e respirei fundo. Meus olhos viajavam pelas luzes acesas ao redor das ruas enquanto eu ficava lá, estático e pensativo. Eu não tinha mais ninguém. Ou quase ninguém. A discussão com Nicholas não havia sido legal e o que ele havia feito fora menos legal ainda, mas eu ainda o tinha apesar de tudo. Ou então eu só pensava assim para que não pudesse desistir de tudo de uma só vez.

Olhei para os lados e percebi que não estava tão longe da delegacia, então me obriguei a ir até lá. Assim que coloquei os pés na mesma, avistei Paul sentado em uma das mesas conversando com uma garota de cabelos ruivos.

— Oi — cumprimentei uma moça loira em uma das primeiras repartições. Ela sorriu e esperou que eu continuasse — O Nicholas está aí? — eu estava um pouco deslocado, afinal todas as vezes que entrei ali ou estava bêbado ou sedado.

— Não, sinto muito, ele precisou que dar uma saída — fez uma careta triste e eu sorri em forma de agradecimento.

— Obrigado — pisquei para ela e me afastei calmamente na direção da porta.

— Ou ele está e não quer falar com você — era Paul novamente. Virei-me para ele, que me encarava com uma expressão satisfeita — Sabe que ela é obrigada a obedecer às ordens do chefe, não é? Então, ele pode ter pedido para ela dizer isso.

A garota bateu as mãos na mesa ao se levantar e andar até mim.

— Sou Amélia — levantou a mão no ar e eu fiz o mesmo, cumprimentando-a — Sou sim uma funcionária do Nicholas e, sim, sou obrigada a obedecê-lo, mas não sou obrigada a mentir.

— Acredito em você — murmurei aos sussurros — Sou Enzo — sorri de lado.

— É um prazer — ela sorriu de volta enquanto voltava para sua mesa.

Olhei para Paul, que me encarava sério e, ao mesmo tempo, irritado. Sorri de forma sacana e prossegui rapidamente para fora da delegacia. Eu sabia exatamente onde encontrar Nicholas, então tentei andar o mais rápido possível. Ele era um idiota estúpido.

As ruas estavam escuras e o vento estava cada vez mais frio, mas eu não me amedrontei. Continuei andando por um tempo incrivelmente longo sem me dar conta de que me aproximava cada vez mais do meu destino. Eu tinha medo, obviamente, mas tentava apenas manter os pensamentos quietos e a cabeça fixa no objetivo principal.

Encarei o logotipo excêntrico da boate antes de entrar a passos pesados no local. Meus olhos percorreram cada pedacinho do estabelecimento, fixando-se no homem de roupas escuras sentado em um dos bancos em frente para a bancada. Ao seu lado um alguém conhecido se fazia presente. Eu me assustei, mas não demonstrei. Eu não sentia medo ou coisa do tipo, mas raiva sim. E não era pouca.

Fechei minhas mãos em punho e segui até Nick, que mantinha um copo nas mãos e um sorriso simpático no rosto, assim como eu na noite passada.

— E aí — dei um soco fraco em seu ombro.

Silêncio.

— O que faz aqui? — ele me encarava totalmente cético.

— Vim te buscar — agarrei as chaves do carro que estavam penduradas em seu cinto e o celular que permanecia em cima da mesa.

Olhei para o homem que havia praticamente me estuprado na noite anterior e pude ver seu assombro ao me encontrar. Sua mão estava a uma pouca distancia de Nick e aquilo não era bom em nenhum aspecto.

Nick soltou uma gargalhada divertida e eu voltei a observá-lo.

— Devolva minhas coisas, você não manda em mim — tentava arrancar os objetos das minhas mãos.

— Não seja tão imbecil Nicholas, vamos agora — rosnei.

Nicholas sorriu sarcástico. Legal, tudo que eu precisava era de um idiota bêbado para proteger.

— Não estraga as coisas, Enzo — levou um copo de whisky aos lábios.

— Hey, porque não o deixa em paz? — o homem ao lado ousou me desafiar e eu, com toda fúria que consegui reunir, virei-me para encará-lo.

Agarrei seu colarinho com uma das mãos e com a outra o empurrei na parede. Aproximei meu rosto do dele e, ao ouvir o barulho estrondoso que havia causado, percebi que todos paravam o que faziam para nos fitar.

— Olha aqui, eu gostei de ver você em cima de mim, mas não vou gostar nem um pouco de ver você agarrando meu amigo, entendeu? — praticamente rosnava — Eu sei o que você quer com ele, então diga ao seu chefe para vir pessoalmente, pois eu estou cansado de joguinhos — olhei ao meu redor antes de fitá-lo novamente — Agora some da minha frente — o empurrei com força, fazendo com que tropeçasse em uma das cadeiras e cambaleasse para trás — Vamos — virei-me para Nick e chamei, já andando para fora do estabelecimento.

— O que você pensa que está fazendo? — gritou.

— Tirando você de uma enrascada.

Andei até o outro lado da rua.

— Que droga você está falando? — segurou meu braço com força e me jogou na parede, parando bem na minha frente.

— Aquele cara com quem você estava falando era o mesmo idiota que me dopou ontem — sua expressão não parava de modificar — Ele ia fazer o mesmo com você...

— Não ia — retrucou.

— E o que te leva a pensar assim? — levantei as sobrancelhas.

— P-por que eu sou inteligente e você não — seu lábio levemente torto tremia.

— Ah, deixa de ser panaca — revirei os olhos apoiando minhas mãos em seu peito e o empurrando para longe.

Continuei andando até a Ferrari e assim que cheguei perto a abri e entrei, vendo Nick fazer o mesmo pelo banco do passageiro.

— Tá, e o que você tem a ver com isso?

— Somos... — o que nós éramos? — ...parceiros.

— Ridículo — olhou pela janela — Situação ridícula.

— Ele é um dos caras que está atrás de você, estúpido — reforcei ao girar a chave — Não quer simplesmente transar com você, ok? Tem algo a mais.

— Eu já disse que te odeio?

— Não.

— Pois eu odeio.

— Prefiro que me odeie vivo a que me ame morto.

Estacionei a Ferrari e saí, jogando a chave para Nick. Ele a agarrou no ar à medida que prosseguia lado a lado comigo para dentro do local.

— Conseguiu algo, Dr. Phillips? — Paul perguntou.

— Não — foi rude.

— Sim, fui eu que o deixei assim — assumi divertido ao receber seu olhar irritado.

Entrei na sala de vidro e tranquei a porta, jogando-me no sofá logo depois.

— Por sua culpa, eu continuo no ponto zero — ele se jogou na poltrona.

— Eu te ajudei, Nick — relembrei — Se eu não tivesse te tirado de lá aquela hora, você estaria sendo usado nesse exato momento.

Em menos de cinco segundos pude sentir as mãos dele segurando meu pescoço e barriga. Seu rosto era a definição de raiva e, como sempre, seu lábio tremia.

— Cala essa sua boca, senão eu...

— Senão você vai fazer o que comigo? — interrompi encorajado.

— Vou te bater até dizer chega — seus olhos me contemplavam completamente tomados pela raiva.

— Bate — rosnei.

Ele parecia intrigado, afinal nunca ninguém o havia enfrentado de tal forma. Pelo menos eu imaginava assim.

Antes que ele pudesse falar algo, continuei, fazendo-o me encarar assustado.

— Bate que eu gosto.

Notas finais
E aeew? Contem-me, o que vocês acharam? Beijos e até o próximo :*