Bouquet

2 Solteiras Selvagens


A noiva segurava o buquê em suas mãos em meio as luzes agitadas e coloridas da festa. Cada uma das solteiras se preparava, com os olhos atentos ao prêmio, tentando achar um bom lugar e crentes de que se fossem a sortuda a tê-lo em mãos seriam a próxima a se casar. Seja o que for para ser.

Então ela se vira de costas e joga-o por trás da cabeça. Eu pulo com os braços mais esticados que eu consigo e pego o buquê, o seguro com todas as minhas forças entre meus dedos, enquanto um monte de mulheres solteiras e selvagens me espremem, apertam, unham, mordem (acho que alguém me mordeu) e tentam tirá-lo de mim.

E pouco a pouco a situação se acalmou, as damas perceberam que seus esforços foram em vão, e começaram a se recompor e olharem umas a outras procurando algum vestígio do buquê. Eu fiquei um pouco tonta, enquanto tentava raciocinar se aquilo acontecera mesmo, tentando me manter em pé com saltos altos. As loucas que estavam tentando me matar há poucos segundos me olhavam com a cara de inveja. Tipo, ela não precisa mais do que eu. Olhei para baixo e lá estava ele em minhas mãos, todo despedaçado, mas, eu que peguei!

Claro que não tardaram a começar os comentários que tanto me provocam. Mas desta vez eu estava feliz. Radiante, dessa vez eu sorria em vez de amarrar a cara. Havia aquela pontinha de esperança. Talvez o rapaz perfeito por quem eu tanto sonho resolveria aparecer por aí como um passe de mágica.