Bound to Love
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Ele não era estúpido nem tão pouco obtuso. Tão logo aquela mulher lhe contatou para investigar outra mulher e não lhe contou nenhuma historia triste de traição ou algo assim ele deveria ter desconfiado. Era detetive há tempo suficiente para reconhecer confusões quando as via e naquele caso não tinha sido diferente. Mas então porque simplesmente não tinha feito nada, como omitir algumas informações? Não sabia.
O fato era que a moça que havia investigado Felicity Smoak, estava agora na TV.
Sua imagem aparecia na tela juntamente com a informação DESAPARECIDA. A repórter dava os detalhes e dizia que a família da moça, os Queen, oferecia uma recompensa por alguma pista.
Ele levantou-se e foi em direção a QC. Não era pela recompensa, era para corrigir uma falha...para acalmar sua consciência.
– Por favor, gostaria de falar com Oliver Queen.
– Pois não senhor. A quem devo anunciar?
– Só lhe diga que tenho informações sobre a Srta. Smoak.
– Oh! Certo! Só um minuto.
Ao entrar na antessala da presidência olhou para a sala do CEO observou os três homens lá dentro. Ele poderia reconhecer aqueles dois rostos num piscar de olhos. Oliver Queen e Bruce Wayne. E o homem negro ao lado dos dois, John Diggle...sua fama no exercito o precedia.
Oliver não havia dormido nem comido direito desde a noticia do desaparecimento. Não tinha forças...não conseguia parar de pensar na sua filha e em Felicity...precisava achá-las logo.
Bruce e Nyssa, assim como John (que tinha vindo assim que Oliver ligou para ele) estavam em sua sala. Bruce estava constantemente em contato com um tal de Fox.
Quando Nyssa anunciou que havia uma pessoa dizendo ter informações sobre Felicity ele não pensou duas vezes e o mandou subir.
Era um homem não muito mais velho que ele, de porte atlético e que mancava ligeiramente da perna esquerda.
– Storm? Max Storm? – John o reconheceu imediatamente.
– John Diggle! Há quanto tempo! – os dois abraçaram-se com tapinha amigáveis nas costas.
– Max deixa eu te apresentar...
– Oliver Queen e Bruce Wayne...2ª e 3ª companhia...
Os dois acenaram com a cabeça. Oliver não perdeu tempo e logo o questionou:
– Que tipo de informação você possui sobra minha namorada?
– Bom, depois que dei baixa comecei um negocio de investigação particular. A maior parte dos casos é de traição e pessoas desaparecidas por causa de dividas...enfim...há um tempo atrás uma mulher me contatou para investigar sua namorada. Não me deu detalhes e só pediu um relatório sobre a rotina da moça. Eu devia ter desconfiado de algo, mas somente fiz meu trabalho e entreguei o relatório. Não havia nada que pudesse desabonar a pessoa, nada de ilegal ou perigoso. Achei afinal que era só uma esposa desconfiada que tinha acabado de ver que estava errada...
– Mas? – John o incentivou a continuar.
– Até hoje de manhã quando a vi no noticiário...soube na hora que meu relatório contribuiu para isso.
– Quem era a mulher? – Oliver tinha uma expressão dura.
– Bom, claro que ela mentiu o nome e claro que ela foi um tanto ingênua quanto a isso...não sei se ela sabia mas estava contratando um detetive – deu uma risada seca – não precisei de muita investigação para saber de quem se tratava....Laurel Lance!
– O QUE??? – Oliver levantou-se num pulo — Laurel?? Meu Deus!! Ela enlouqueceu de vez!!!
– Meu amigo...acho que ela sempre foi louca...só disfarçava melhor! – Bruce falou e em seguida pegou seu celular – Fox? Preciso que rastreie um celular...
(...)
Felicity sentia cada músculo e cada nervo do seu corpo reclamar pela posição que estava há dois dias. Sophia ora chorava, ora resmungava...
Ela tinha permissão para alimentá-la e ficar com ela duas horas por dia. Um dos homens, que parecia ter um pouco mais de sentimentos ou simplesmente tinha cansado de ouvia a bebe chorar, arranjou um pedaço de colchão para acomodá-la.
Naquele momento ela tinha Sophi nos braços e a abraçava forte. Não conseguia mais chorar e nem queria...precisava ser forte e protegê-la. A menina dormitava em seu colo com os dedinhos enrolados em seu cabelo. Ela pensava em Oliver e em como ele deveria estar desesperado.
Num rompante a porte se abre e Laurel entra parecendo mais perturbada que nunca!
– Que cena comovente!! — ela faz cara de nojo, agarra a menina pelos braços praticamente a jogando no colchão. Sophi começa a chorar instantaneamente. Felicity tenta avançar em direção a ela, mas é parada pela mesma que lhe apontava uma arma.
– Hey, quietinha!!!! Agora vamos conversar nós duas! Ou melhor, eu vou falar... – ela gritou por um dos capangas que lhe entregou uma bolsa, de lá ela tirou uma fita prata e tampou a boca e amarrou as mãos de Felicity nas costas – vamos ver até quando vai sua coragem!
Em seguida ela tirou uma faca da mesma bolsa e cortou uma parte da blusa de Felicity. E começou seus devaneios, gesticulando com a faca na mão.
– Você acha que pode simplesmente chegar e tomar o lugar da minha irmã? Tsc..tsc..tsc... – seu olhar ficou desfocado – você acha que pode tirar o meu lugar? — Felicity estava entrando em pânico, a mulher tinha surtado de vez – Quero ver o que o Oliver vai fazer quando encontrar teu corpo todo picadinho...e talvez, só talvez, eu seja querida e deixe o da filhinha dele inteirinho!
– VOCE É LOUCA! ELA É SÓ UM BEBE!! FAÇA O QUE QUISER COMIGO...MAS A DEIXE EM PAZ! – as lágrimas escorriam por seu rosto e ela tentou livrar-se das amarras.
A mulher pegou a faca e passou com força pelo braço de Felicity deixando um corte profundo que imediatamente começou a sangrar! Ela segurou o gemido de dor, mesmo quando Laurel lhe infringiu mais um corte na altura da clavícula.
– Você não vai sair impune dessa...você vai pagar por isso! Não era a toa que tua irmã não te queria por perto! – Felicity cuspiiu as palavras num rompante de ódio.
No mesmo instante ela sentiu o baque do tapa e seu corpo foi lançado ao chão ainda preso á cadeira. Ela ouvia Laurel gargalhando satisfeita e saindo da sala. Sophi ainda chorava compulsivamente.
Um dos capangas veio até a sala, a ajudou a levantar-se do chão. Soltou seus braços de trás das costas e os posicionou do lado do corpo apoiados nos braços da cadeira.
– Por favor – ela pediu baixinho – minha filha...me deixe acalmá-la...
Ele pereceu pensar por um instante e assentiu. Ele soltou seus braços:
– Você tem vinte minutos.
Ela pegou a menina no colo e cantarolando baixinho a embalou. Ignorando a dor no braço e no ombro ela aproveitou para olhar os bracinhos dela onde a louca a havia pegado. Com um soluço ela comprovou o que já sabia: os hematomas já estavam aparecendo. Em meio à dor uma raiva pulsante tomou conta dela. Como aquela mulher ousava tocar na sua pequena? Tinha que tentar fazer algo! Mas o que?
O homem voltou para amarrá-la e saiu sem falar nada. Sophi mexia os bracinhos sacudindo um brinquedinho. Felicity só rezava para que Oliver as encontrasse logo...
(...)
– Ok, Fox! Podes enviar o mapa?
Mapa? Oliver olhou para o amigo que tinha uma expressão de alívio no rosto. Ele se aproximou de Bruce com esperança.
– Ele achou Oliver! Ela não está mais lá agora, acabou de sair. Mas Fox conseguiu encontrar o endereço. È um galpão de uma antiga companhia de armazenamento de combustível que está abandonado perto do cais...
– Vamos lá então! – Oliver foi impedido pelo amigo.
– Calma ai! Temos que ter um plano. Ou você quer chegar lá atirando como o Rambo?
– Ok! – ele falou relutante – mas vamos logo com isso, cada minuto que passa é um minuto a mais que elas ficam nas mãos daquela insana!
Eles bolaram um plano. Iriam segui-la até o galpão para ter certeza de pegá-la em flagrante. Oliver iria tentar negociar com ela e John e Bruce iriam procurar Felicity e Sophia.
A policia, e consequentemente seu ex sogro, só iria ser informada quando o plano já estivesse em prática.
Os três seguiram para a casa da advogada. Não demorou muito para ela sair de casa. Ela seguiu direto para o galpão.
– Ela deve mesmo estar confiante que ninguém desconfia dela, nem fez nenhum desvio...
– Na verdade eu sabia que ela não estava muito sã...mas para chegar a isso? – Oliver ainda custava a acreditar.
Quando chegou ao cais ela se dirigiu diretamente ao galpão cujo endereço era exatamente o que Bruce tinha conseguido com Fox. Oliver ficou no carro, poucos metros afastado enquanto Bruce e John seguiam para os fundos do galpão.
– Oliver? – John o chamou pelo comunicador.
– Sim?
– Ela já entrou e conseguimos acesso pelas janelas laterais...estamos entrando.
– Ok! Avisem-me quando as encontrarem. – ele aguardaria um pouco e depois iria enfrentá-la.
(...)
Laurel seguiu direto para a sala onde as duas estavam. Olhando para o lado viu sua irmã lhe sorrindo.
– Vamos acabar logo com isso, Sarah! Logo poderemos ser felizes novamente! Nada vai nos impedir!
Ela entrou no local e o que viu a agradou. A mulher estava com a cabeça baixa, o sangue ainda corria num pequeno filete do corte que ela havia feito naquela manhã. O corte da clavícula não sangrava mais, mas parecia feio.
– Estou vendo que sua coragem não é tão grande assim, vadia! – ela falava com raiva. Viu quando a mulher levantou a cabeça e a dor cruzou seu semblante – se você está sentindo dor não se preocupe logo tudo vai acabar!
Felicity estava em pânico, mas ao mesmo tempo agradecida pois a raiva da mulher era dirigida a ela e não a Sophi. Ela aguentaria qualquer coisa...
Ela pegou novamente a faca e aproximou-se de Felicity a segurando pelo queixo. Seus olhos faiscavam de raiva e loucura. A loira tentou se soltar, mas tudo o que conseguiu foi se machucar mais. Laurel, mergulhada em sua loucura, olhou atrás de Felicity e sussurrou:
– Pode deixar minha irmã! Ela vai ter o que merece! – e enfiou a faca na lateral do corpo de Felicity a fazendo gritar de dor!
Nesse instante barulhos são ouvidos fora da sala. Laurel joga a faca de lado e pega um revolver da bolsa e sai em direção do som. Felicity tenta não desmaiar de dor, Sophia precisa dela. A menina está chorando, como sempre faz na presença da tia.
– Shii... – ela contem um gemido de dor e tenta manter a voz calma – mamãe está aqui, meu amor...vai ficar tudo bem! — ela começa a cantarolar, mas a dor e a perda de sangue acabam fazendo com que ela desmaie.
(...)
– Oliver?
– Sim?
– É melhor você entrar. Acabamos de ouvir um grito que deve ser da Felicity. Laurel saiu de uma sala a esquerda da entrada. Vá para lá...já rendemos os dois capangas e vamos prendê-la.
Mesmo em desespero pelo que John falou, Oliver tentou manter a calma e entrou no prédio. Logo avistou a sala e correu para lá. Podia ouvir o choro agudo da filha de longe e não hesitou em derrubar a porta assim que a percebeu trancada.
A cena ali o deixou em choque. Felicity estava amarrada a uma cadeira desacordada e Sophia estava no canto da sala sob um colchão chorando compulsivamente. Ele foi em direção à filha e a pegou no colo. Ela se acalmou assim que o reconheceu. Ele a deixou novamente no colchão e foi soltar Felicity que ainda estava desacordada. A soltou com cuidado e a pegou no colo a colocando no chão.
– John? Bruce?
– Oliver? – Bruce respondeu.
– Preciso de ajuda aqui.
– Ok!
Quando Bruce entrou na sala ele parou na porta.
– Talvez completamente louca não seja o suficiente para resumir aquela mulher!
– Onde ela está? – Oliver estava amarrando o braço da namorada com um pedaço de sua camisa para estancar o sangue e depois tentou fazer o mesmo com o ferimento da barriga.
– John foi atrás dela. Ele já ligou para a policia.
– Certo...Você pode pegar a Sophi para mim? Preciso tirar a Felicity daqui com urgência e levá-la para o hospital!
Ao saírem da sala Laurel surge com a arma em punho apontando para eles.
– LAUREL! É melhor você se entregar! Acabou!! – Oliver gritou em desespero. Felicity ainda sangrava pelo ferimento da barriga.
– NÃO!! SARAH NUNCA ME PERDOARIA POR DEIXÁ-LA COM VIDA! – ela apontou para Felicity.
– Viu? Louquinha de bater pedra! – Bruce queria mesmo dar um mata leão naquela mulher e acabar com isso! Já tinha perdido a paciência e só estava se controlando por causa da pequena em seus braços.
– Laurel! Para com isso! — Oliver queria sair logo dali, mas tinha receio que ela fizesse algo pior. Sentiu um alivio imenso quando viu John se aproximando pelas costas da mulher fazendo sinal de silencio.
John a rendeu e ela reagiu, um tiro foi ouvido seguido de uma pequena explosão! Oliver gritou:
– Vamos sair daqui logo! – o tiro havia atingido um antigo tanque de armazenamento de combustível que pelo jeito não estava totalmente vazio.
Bruce saiu na frente com Sophi no colo, John ao seu lado arrastando uma Laurel completamente ensandecida, Oliver os seguiu com Felicity ainda descordada nos braços.
Assim que saíram da porta puderam perceber que a policia estava ali com vários soldados e ambulância a postos.
Atrás deles o galpão foi tomado pelo fogo e explosões eram ouvidas dentro do local.
John entregou Laurel para o pai e passou todas as informações que tinha sobre o caso.
Os paramédicos correram em direção a Oliver e retiraram Felictiy de seus braços. Ele pegou a filha do colo do amigo e antes de seguir para a ambulância pediu a ele:
– Bruce, resolva as coisas por aqui por mim? Vou para o hospital com Felicity.
– Pode deixar! Eu e John resolvemos tudo por aqui. Depois vamos para o Hospital.
– Podes falar com a Nyssa para avisar minha mãe e Thea?
– Considere feito!
Na ambulância a caminho do hospital, Felicity teve um momento de consciência.
– SOPHI?! – Ela tentou levantar, mas foi impedida por Oliver!
– Hey, calma!! Está tudo bem! Sophia está aqui! — ele lhe mostrou a menina — Eu estou aqui...está tudo bem!
Lágrimas corriam por seu rosto e ela lhe deu um sorriso fraco antes de ser levada novamente pela inconsciência.
Oliver encostou o rosto na cabeça da filha e respirou fundo sentindo o seu cheiro. A raiva ainda fervia em suas veias. Ele já tinha visto os hematomas nos braços da filha e pode ver os cortes profundos no corpo do amor de sua vida. Nada do que será feito com Laurel será o suficiente para fazê-la pagar por todo o sofrimento que causou. E depois de três dias de puro terror se permitiu chorar baixinho abraçado á filha e com uma das mãos de Felicity na sua.
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