Boulevard Of Broken Dreams

7 Capítulo 7 - O Imperador


Notas iniciais
Antes de mais nada, um beijo super especial à valquiriaclara que como a tiia recomendou essa historia *-*
E só avisando, tem coisas relevantes nas notas finais xD
E para os que talvez tenham ficado confusos, o flash-back continua nesse capítulo, o final do anterior foi só um pouquinho do presente, mas estamos de volta às lembranças!
As músicas são Let it be - beatles e Brain Damage (dark side of the moon) Não me pertencem, ok?
E boa leitura o/

Arthur saiu daquela taverna imunda ainda de madrugada, quando começava a amanhecer. O céu se tingia em um tom meio mórbido de roxo, misturado a um rosa claro que indicava que amanheceria logo. O loirinho andava com os passos meio incertos, seus quadris doíam a cada passada que ele dava, em uma pontada aguda que o desequilibrava e o fazia andar mais devagar. Seu estômago estava horrível depois dos litros de bebida misturados àquela porcaria que Francis lhe dera. Arthur ainda pararia para vomitar algumas vezes, mas não conseguiria, uma vez que seu estômago estava completamente vazio. Quando fora a última vez que ele comera alguma coisa?


Chegando em casa, ele tirou as roupas e as jogou fora, completamente enojado sobre o que acontecera na noite passada. Foi se lavar com pressa, esfregando a pele macia, tirando-lhe a cor de leite e imprimindo-a marcas avermelhadas, tamanha a força que ele usava, tentando se limpar do que acontecera. Quando finalmente seus braços doíam e sua pele inteira ardia, ele desistiu e apertou os olhos entre o indicador e o polegar. Em um suspiro meio trêmulo, sentiu mais lágrimas tocarem seus dedos. Impaciente, ele as empurrou para longe e saiu do banho. Arthur odiava chorar. Odiava se sentir fraco. Odiava quando não conseguia ter controle sobre si mesmo. Vestiu uma camisa branca larga, que se fechava em seu peito com duas linhas se cruzando em x.


Jogou-se sobre a cama, cada pedacinho do seu corpo ardendo e doendo. Ele tentou ignorar as marcas de dedos nele, as mordidas que maculavam sua pele. Fechou os olhos, o cansaço deitando sobre suas costas, esmagando-o e o conduzindo a um sono profundo e sem sonhos.



Arthur acordou dentro de algumas horas, mas não abriu os olhos. Sua cabeça latejava, doendo em um ritmo irritante e constante, em castigo pelos seus excessos. Mas não era por isso que ele não queria ter se levantado. Era só que... era completamente irrelevante se ele estava acordado ou não. Ninguém precisava dele, ninguém o queria por perto. Arthur abriu os olhos, fitando o teto inexpressivamente. Bom, ninguém podia acusá-lo de não ter tentado. Só Deus sabia o quão duro ele tentara para não afastar mais as pessoas. Para não afastar Alfred. Agora pensando, ele ainda não entendia o que tinha feito de errado. Honestamente, ele não se lembrava em que ponto magoara tanto o garoto para que ele viesse a odiá-lo assim. Arthur suspirou, exausto. Não tinha muita certeza se queria continuar pensando sobre isso.


O loirinho tinha, com toda a sua sinceridade, entregado seu coração. Ele tinha vivido aqueles anos ao lado de Alfred como se ele fosse uma pessoa comum. Como se alguém gostasse dele. Como se ele importasse. E no final das contas, ele não tinha sido deixado? Não tinha ficado naquela tempestade até desmaiar, sem que ninguém se importasse o suficiente para procurar por ele? Desde que ele aprendera a sentir como uma pessoa qualquer, ele não conseguira mais voltar àquela época em que ele vivia anestesiado, sem se importar com nada, simplesmente fazendo o seu trabalho. Mas agora que ele estava ciente de que tinha sentimentos, ele já não sabia como enterrá-los de novo, ignorá-los.


Por isso ele saiu e bebeu, se enfiou nos piores lugares, participou de orgias. Ele queria esquecer aquilo. . Na verdade, ele queria se estragar, para quem sabe, se tornar outra pessoa. Ele só não aguentava ser ele mesmo.


Porque, finalmente, a solidão o atingiu com força. Não havia ninguém na sua casa e nunca haveria. Sua família o odiava e assim fazia o resto do mundo. Até Alfred acabara por deixá-lo quando não precisava mais dele. Matthew... Será que ele o deixaria também? Eles nunca passaram muito tempo juntos...


Arthur conseguia ouvir o relógio marcando o tempo, seus ponteiros fazendo um som contínuo e tedioso, ecoando pela sua sala. O loirinho agarrou os cabelos com uma mão, puxando-os para trás com força.


Ele olhou para cima de novo, como se implorasse ajuda. Mas ele tinha se esquecido como se rezava. Seus olhos se encheram de lágrimas quando ele percebeu isso.


– Minha bandeira representa a cruz de São Jorge... – sussurrou, tremendo ao tocar a tapeçaria que ficava atrás de sua cama. – E eu nem sei mais o que isso significa. – um sorriso perdido formou-se em seus lábios. O tecido da sua bandeira o fitava, sem dirigir-lhe uma única palavra. Sem ouvir os soluços que entrecortaram a respiração do britânico.


Desde que um dos seus reis decidiu fundar a própria Igreja, Arthur ficou confuso. Ele acreditava no catolicismo. Claro, assim como acreditava em seus contos de fadas e em magia, mas ele acreditava. Só que, como ele era também o que seu governo era, e como seus habitantes foram mudando, gradualmente, ele também foi se perdendo. Seu país podia ter escolhido o que fosse, mas Arthur, como pessoa, não entendia mais. Eram tantos conflitos, tantas ideias diferentes gritando na sua cabeça. Arthur ainda não era capaz de entender o que o separava do país, até onde ele era livre, o que era verdade e o que era mentira.


Mas agora, mais do que qualquer outra coisa, ele precisava de alguém, desesperadamente. Então, Arthur olhou para cima. – Por favor... Eu... Me desculpe. – começou ele, sem muita certeza sobre o que estava fazendo. – O que eu faço agora? Eu devo lutar ainda mais contra ele? Eu devo machucar Alfred, de verdade, para que ele não vá? Eu não posso deixá-lo sozinho nesse mundo, meu Deus...- as lembranças da própria infância solitária ainda assombravam os pesadelos do loirinho. E se fizessem mal ao seu garoto? Alfred poderia se tornar como ele. Arthur se vingara de seus irmãos. Ele os unificou sob seu comando, sob sua bandeira. Tornara-se maior que todos eles. Mas e daí? A que lugar ele tinha chegado? – Ele ainda é tão criança... – ele olhou para cima de novo. – O que eu faço? Arrasto-o de volta à força? – então, em um sussurro muito baixo, ele abdicou de seu orgulho tolo. – Alguém me ajuda...


Então, ao lado de sua cama, surgiu uma mulher, vestida em um vestido longo e simples, muito branco. Arthur olhou, espantado, seus olhos arregalados ameaçando se derramar quando a reconheceu. Ela tomou a sua mão e afagou os seus cabelos.


When I find myself in times of trouble

Mother Mary comes to me

Speaking words of wisdom


– Let it be…


O loirinho se agarrou a ela, afundando o rosto em suas vestes, manchando-as de lágrimas. Ele estava tão confuso, se sentindo tão baixo, tão imundo e ao mesmo tempo tão vulnerável e carente. A voz dela era limpa e clara, gentil com ele. E Arthur, no fundo, sabia que ela falava a verdade. Ele precisava deixar Alfred ir. Deixar que as coisas fossem, pelo menos por agora. Mas era difícil deixar partir a única pessoa que ele já realmente teve na vida.


And in my hour of darkness

She is standing right in front of me

Whispering words of wisdom

Let it be


O loirinho ficou ali por longos minutos, apenas abraçando a cintura da mulher, sentindo-a fazer carinho em seus cabelos. Seus olhos verdes se fecharam e ele respirou fundo. Era estranho. Arthur nunca havia experimentado aquele tipo de carinho, aquele amor materno. Ele não soube precisar ao certo quanto tempo ele ficou ali, mas em momento algum ela soltou da mão dele. Naquele tempo todo, Arthur teve a chance de pensar, com mais calma.De nada valeria continuar lutando com Alfred. Porque Arthur sabia que isso apenas machucaria a si mesmo ainda mais. Ele não tinha mais estrutura para continuar insistindo em alguém que só queria magoá-lo.


Foi assim que o loirinho conseguiu sair de sua casa em um dia nublado e sem graça. Ele, triste, porém mais confortado, foi reconhecer a independência de seu garoto.



Arthur sentou-se na cadeira em frente a uma mesa de madeira nobre muito polida. A sala era recoberta de tapetes e um relógio atrás de si lhe informava que estava levemente adiantado para a reunião. O loirinho fitou as próprias mãos. O que ele fizera? Tanto ele lutara, tanto questionara e fizera. E tudo, para quê? O cantinho de seus lábios se ergueu levemente em mais um sorriso perdido.


– De tal maneira que depois de feito, desencontrado, eu mesmo me contesto. – murmurou versos em uma língua que não era dele.


A porta foi aberta e o loirinho ergueu o olhar, fitando um oficial e Alfred logo à sua frente. Ele estava com um terno caro, os cabelos bem penteados. Obviamente, o terno não era o que ele havia dado ao garoto. Alfred provavelmente já jogara aquela porcaria toda fora. Arthur deu um sorriso educado e acenou com a cabeça.


E Alfred se assustou. Assustou-se com o vazio nos olhos do loirinho. Assustou-se com a expressão perdida que ele tinha. Havia algo quebrado no jeito como ele o fitava. E o sorriso dele lhe apertou o peito. Porque ele sorria, mas parecia à beira das lágrimas de novo.


O garoto engoliu em seco. E por um momento, ele hesitou. Mas o oficial tocou o seu ombro e ele voltou a realidade, conseguindo se desprender do olhar de Arthur, que parecia lhe desnudar a alma. E ele conseguia sentir metade de si querendo aquilo, outra metade odiando aquilo. Ele queria a independência, mas não queria. Ele queria ter o mundo inteiro ao seu comando, mas queria apenas ficar em seu jardim, desperdiçando a tarde inteira ao lado de Arthur.


Alfred era exatamente como qualquer pessoa. Ele era capaz de grande bem e de grande mal. Ele podia escolher alimentar o monstro ou o anjo. O que o fazia diferente é que ele viria a ter muito poder em suas mãos. E teria a chance de fazer escolhas que seriam responsáveis por bilhões de mortes. Teria a chance de se viciar no poder.

Naquele momento, no entanto, ele ainda não perceberia aquele suave limiar dentro de si que separava o garoto do psicopata.



Alfred tomou uma cadeira e se sentou. Arthur sentava-se com graciosidade na cadeira à sua frente. O documento foi passado em silêncio. O loirinho afastou as mãos de perto de si e as estendeu sobre a mesa, sem inclinar seu tronco para acompanhar o movimento. Seus olhos verdes seguiam as linhas do documento sem muita emoção. Aquilo era meramente formal. Seus governantes viriam a assinar o tratado que ficaria na história. Nada do que ele fizesse iria mudar uma linha sequer do documento.


Não que ele fosse mudar algo. O acordo ficaria famoso por ter favorecido em muito os Estados Unidos. Suas fronteiras se alargaram bastante. E, no fundo, Arthur achava bom. Ele estivera ausente na elaboração de tudo aquilo, então não sabia exatamente ainda o porquê de cada cláusula. Então aquele era apenas o seu lado, era apenas o que ele achava. E Arthur achava bom que Alfred tivesse do que viver, como se virar sozinho. Depois ele viria a saber as causas políticas e se acharia muito estúpido por não ter pensado aquilo na hora. Obviamente a Grã-Bretanha tinha interesses comerciais a zelar que seriam favorecidos por aquele acordo. Mas, obviamente, sua capacidade de raciocínio frio se diluía diante daquela confusão de sentimentos que Alfred lhe inspirava. A mera presença dele lhe causava uma efusão de emoções estranhas, que ele não sabia ao certo dizer o que elas significavam.


Seus olhos verdes bateram em outra linha. Dos americanos seriam retirados os privilégios tais como proteção contra piratas no mediterrâneo. Aquilo o fez perceber que... realmente, ele não iria mais proteger o seu garoto. Assim como dizia nas primeiras linhas, a Grã-Bretanha reconhecia os Estados Unidos como um país livre, soberano e independente. Não havia mais elo nenhum entre eles. Suas mãos estremeceram. Alfred não era mais sua família. Seu irmãozinho postiço. Seu garoto.


Arthur assinou rapidamente, nervoso. Metade com raiva. E outra metade com medo. Decidiu não prolongar mais aquilo. Não olhou mais nos olhos do outro, com medo que Alfred visse o quão exausto e triste ele estava. Com medo que o garoto visse que nunca viria a odiá-lo.


E se a sentença se anuncia bruta, mais que depressa a mão cega executa. Pois que senão, o coração perdoa.


Alfred tentou contato visual com Arthur, mas este olhava para os próprios dedos entrelaçados de suas mãos cobertas pela luva de tecido branca. Como se fosse algo realmente muito interessante e como se aqueles fios contivessem a resposta do universo.


Em suma, Arthur não queria olhar para ele. Sua expressão era introspectiva. Ele meramente fitava suas mãos com meio interesse, o olhar meio vago. Não parecia irritado ou com ódio dele. Só… meio sem rumo talvez? Decepcionado, quem sabe.


Alfred suspirou e assinou também, concordando com os termos. Ambos se levantaram e apertaram as mãos. Arthur ficou surpreso ao sentir como a mão de Alfred era larga e envolvia a sua. Era agradável, apesar de tudo.


And when the broken hearts

Living in the world agree

There will be an answer

Let it be

(E quando os corações partidos

Vivendo no mundo entrem em acordo

Existirá uma resposta.)


Mas, muito mais rápido do que qualquer um dos dois queria, suas mãos se soltaram. O oficial saiu da sala e Alfred o acompanhou, seguido por Arthur. No corredor, Alfred virou à direita e Arthur à esquerda.


For though they may be parted

There’s still a change

That they will see

There will be an answer

Let it be…


( Ainda que eles talvez estejam separados

Ainda existe uma chance

Que eles vejam

Que vai existir uma resposta.

Deixe que seja.)


Seus olhares não voltaram a se cruzar. Seus lábios não trocaram uma palavra sequer. Mas nas mãos de cada um deles parecia ainda haver algum tipo de calor morno e reconfortante. Como se eles ainda pudessem sentir um ao outro. Como se pudesse existir um elo maior que os colocasse juntos.


Mas Arthur se convencera de que, provavelmente, era só uma ilusão. Uma das tantas outras quimeras que Arthur inventara em suas muitas horas sozinho. O loirinho saiu com um sorriso triste, colocando as mãos nos bolsos e apreciando a noite já se iniciando em Paris. Pelas praças e ruas havia várias pessoas. Andando, correndo, caminhando. Muitos casais, de mãos dadas, olhavam com fascínio o céu escurecer, como se fosse um milagre. Arthur olhou para cima também. Mas o céu era apenas um borrão de um azul médio pálido misturado a alguma coisa de um vermelho meio aguado. Seus olhos esverdeados olharam vagamente para uma paisagem que lhe pareceu muito sem graça. Seu olhar se desviou e ele não voltou a olhar para o céu de novo.


Estava ficando levemente frio e Arthur conseguia sentir aquele familiar frio nos ossos, a solidão se encravando em cada pedacinho de si. Ele fechou os olhos por alguns instantes, aceitando o sentimento, deixando-o fazer seu peito doer, em uma dor muito familiar também. Quando seus olhos se abriram de novo, ele olhou para frente e se perguntou, sinceramente, o que faria dali em diante.


E mesmo depois que voltou para casa, Arthur ainda não tinha a resposta. Ele simplesmente vivia um dia após o outro, observando-os se empilhar e formarem meses. Ele já não sabia exatamente o que estava sentindo. Era uma mágoa contínua, que machucava sempre, mas que o fazia se sentir presente nesse mundo. Quando doía, ele se lembrava de que ele vivia naquela realidade e não nas memórias que sua mente lhe recordava.


A primeira vez que Arthur sorriu de verdade depois de perder Alfred foi quando Matthew lhe mandou uma carta, depois de muitos anos.



Os dedos longos e, de algum jeito, delicados de Arthur tocaram o envelope com certo assombro. Devagar e um pouco trêmulo, o loirinho abriu a carta e seus olhos verdes acompanharam as linhas da caligrafia meio insegura de Matthew.



Olá Arthur!

Eu estive com você quando você mandou aquela carta para que o Alfred voltasse para casa, lembra? Alfred nunca a leu, mas... Enfim, depois disso, eu ainda não consegui ver você. Espero que esteja tudo bem. Eu sei que você gostava muito dele. Não é grande consolo, mas eu ainda estou aqui por você. Vários colonos de Alfred permaneceram fiéis à coroa Britânica e fugiram para cá. Talvez se você pudesse me visitar e ver tudo isso... talvez você se sinta melhor.

Matthew.

As palavras eram poucas, bem medidas, levemente incertas em seu tom. Mas Matthew lhe pareceu bem mais seguro de si do que Arthur nos últimos tempos. O loirinho sorriu. Ainda havia Matthew. Ainda que ele já fosse um rapaz, Arthur se sentia na responsabilidade. Matthew viria a ser um pequeno ponto de luz para que o britânico parasse com aquela vida sem sentido. Alfred não era mais sua família e Arthur precisava aceitar isso. Deixar o garoto ir e descobrir o mundo sozinho.


And when the night is cloudy

There’s still a light that shines on me

Shines on till tomorrow

Let it be


(E quando a noite está nublado

Ainda existe uma luz que cintila sobre mim

Cintila até amanhã...)


O loirinho não saiu mais para se perder à noite. Porque Arthur não queria ficar com o corpo todo marcado como sempre. Porque senão Matthew poderia descobrir o quão baixo ele descera. E Arthur não o exporia a isso.Matthew ainda estava ao seu lado, a despeito das inseguranças que o loirinho tinha à respeito disso. O garoto ainda perdia seu tempo escrevendo para ele. Arthur não ignoraria a outra criança que deixara lá, do outro lado do oceano.


Ao mesmo tempo, era tanta responsabilidade sobre ele, que por um momento ele se perguntou se, quebrado do jeito que estava, ele seria de algum bem para Matthew. Arthur não era muito mais que um adolescente, ainda que tivesse visto muito mais do que gostaria nesses longos anos. A responsabilidade era enorme. Mesmo assim, seria injusto não falar mais com Matthew, apenas porque Alfred o magoara e o deixara com medo de que todo mundo fizesse o mesmo se tivesse a oportunidade. Foi assim, incerto e cheio de remorsos, que o loirinho embarcou, pela primeira vez desde que Alfred o deixara, para o Novo Mundo.



E quando ele bateu à porta do canadense, foi recebido por um Matthew que lhe sorria com carinho.


– Oi, Arthur! Entra... – convidou ele com aquela voz suave e baixa que ele tinha. Ajudou o britânico com as bagagens dele, acomodando-o em um dos seus quartos de hóspedes. A casa dele era muito grande, mas havia pouquíssima gente nela. Apenas o garoto e uma velha criada, que sempre se esquecia da existência do canadense.


Arthur sorriu timidamente, sentando-se no sofá, seguido por Matthew, que sentou ao seu lado.


– Fico feliz em te ver... – murmurou Arthur, colocando a mão sobre o ombro do canadense. Ele tinha crescido um pouco também, alguns centímetros mais baixo que o britânico, no entanto.


Matthew sorriu, pegando a mão de Arthur sobre o seu ombro e a apertando na sua. – Também estou feliz em te ver, Arthur. Eu sinto muito sobre o Alfred. – disse o garoto suavemente, observando quietamente a melancolia nos olhos verdes que o fitavam.


– Não... Está tudo bem. – e suspirou, escondendo o rosto com a mão livre. – Eu só... preciso me acostumar. – terminou em um murmúrio, sentindo-se completamente inútil. A despeito de suas melhores tentativas, Matthewpercebera que ele ainda estava magoado sobre Alfred.


O garoto sorriu para ele, seus cabelos macios e levemente cacheados na ponta dançando no ar enquanto ele se levantava. Matthew ofereceu a mão a Arthur, como Arthur lhe oferecera muitos anos atrás.


– Vem comigo. Eu tenho algum bom chá na minha cozinha. – e sorriu.


O loirinho aceitou a mão, sorrindo.


Arthur pediu para ele mesmo ferver a àgua e fazer o chá para eles. Era um ritual que particularmente o acalmava. Matthew sentou-se à mesa da cozinha, observando o britânico cuidadosamente preparar um bule de chá. Isso o lembrava das vezes que estavam ele, Alfred e Arthur juntos tomando chá na cozinha. Foram poucas vezes em que os três estiveram juntos, mas o canadense lembrava e guardava com carinho em suas lembranças aqueles momentos. Alfred sempre quebrava as coisas, ficava espiando por cima do ombro do britânico, curioso para ver o que ele estava fazendo. Matthew conversava com Arthur, que, vez ou outra, pedia para Alfred se acalmar. O canadense distraiu-se, perdido em dias que nunca mais viriam a acontecer de novo. Despertou de seus devaneios com o a voz de Arthur o chamando.


– Matthew, você pode me passar essas xícaras? — perguntou ele, distraído.


Quando o canadense pegou as xícaras, elas escorregaram de suas mãos, caindo com um estardalhaço, espalhando pedacinhos de porcelana por todo o chão da cozinha.


– Alfred, eu já disse para você tomar cuidad- — começou ele, ainda assustado com o barulho, voltando-se para olhar a bagunça no chão.


Até perceber o erro que tinha cometido.


Matthew o olhava meio chocado e meio magoado. Arthur cobriu a boca com uma mão trêmula, seus olhos verdes se arregalando. Quando finalmente saiu de seu estado de estupor, ele correu até o canadense, que estava ajoelhado no chão, recolhendo os pedacinhos da louça.


– Eu sinto muito, meu anjo, você sabe que eu não quis dizer isso. — murmurou Arthur, abraçando o garoto. A culpa o matando. Alfred e Matthew eram muito parecidos, apenas Francis parecia saber a diferença entre os dois. Mas o loirinho sabia que o canadense ficava magoado ao ser confundido tantas vezes com o irmão rebelde. Arthur ainda viria a confundi-lo, mas foram poucas vezes naqueles anos. Matthew passou a não se importar depois de um tempo, rindo do embaraço do britânico quando se enganava.


Mas, naquele tempo, o garoto ficou sim, um pouco triste. Abraçou o loirinho de volta, contente com a voz suave dele e com as desculpas. — Tudo bem, Arthur, tudo bem... — e se afastou um pouco, olhando dentro dos olhos verdes do outro. — Você está preocupado com ele, não está? — perguntou ele suavemente, ao que foi respondido com um tímido aceno pelo loirinho. Matthew o abraçou com mais força. Arthur podia ser mais velho. Podia ser mais forte. Mas entre os dois ali, era quem mais precisava de um abraço.




Olhos muito azuis fitavam um céu, também azul, acima deles. Estava levemente nublado, de modo que a paisagem era meio cinzenta. Alfred piscava ocasionalmente, suas costas contra a grama da pequena colina. Suspirou. Ele mesmo já não sabia bem para onde estava indo. Depois que Arthur se fora.. Existiam muitas vozes na sua cabeça, cada uma dizendo uma coisa. E ele não sabia dizer qual voz era dele, qual voz eram as pessoas dali, quais vozes eram seus governantes. Sabia que eram muitas. Era confuso. Ele fechou os olhos por um instante, sua cabeça latejando.


The lunatic is on the grass.

( O lunático está no gramado)


Este país está destinado aos melhores feitos, é a nação do progresso. Nós somos destinados a mostrar ao mundo a excelência dos nossos princípios. Nós somos uma nação escolhida por Deus para ser maior que todas as outras.

Aquela ideia crescia dentro dele. Havia ali uma semente pequena, começando a crescer, a se elaborar. E entrava em conflito com outras partes de si. Uma vozinha bem baixa lhe sussurrava. E daí? Quem se importa? Você ama o Arthur. Fique com ele. Mas outra o contrariava. Eu sou destinado a ser maior e melhor que todo o resto. E outra lhe condenava. Você não pode passar por cima das pessoas, Alfred.

Frustrado, o garoto suspirou, tapando os olhos com os braços, cercado por milhares de vozes na sua cabeça.

The lunatic is on the grass.


Seus braços se abriram, mas seus olhos permaneceram fechados. Suas mãos bateram em algo muito delicado. Ele se virou e viu várias pequenas margaridas, crescendo desarrumadas e aleatórias. Seus olhos se iluminaram repentinamente diante da lembrança de um passado já muito distante. Ele, quando era bem pequeno, fazia pequenas correntes de margaridas e brincava de colocar na cabeça de Arthur. Como se ele fosse a princesa e ele pudesse ser o cavaleiro corajoso que a salvava. Arthur ria das suas bobagens. E ai...


Remembering games

And daisy chains and laughs

(Lembrando de brincadeiras

e correntes de margaridas e risadas)


O que acontecia mesmo?


As vozes estavam mais altas, tirando-lhe a concentração no que quer que fosse que ele estivesse pensando antes. Como se alguém o empurrasse por um caminho que ele mesmo não queria ir.


Got to keep the loonies on the path.

(Temos que deixar os loucos no rumo)


Alfred suspirou, levantando-se e voltando para casa. Ele teria uma reunião em breve e precisava estar pronto. Bateu a grama da roupa e colocou as mãos no bolso, andando com calma. Chegou em casa, trocou de roupa, pegou um papel ou outro relativo à reunião e saiu.


Chegando até a sala onde seria a conferencia, ele sentou-se em um pequeno sofá e olhou em volta. A sala tinha o piso de mármore, de modo que tudo ecoava ligeiramente ali dentro. O recinto era muito grande também. O garoto jogou a cabeça para trás, as vozes na sua cabeça gradativamente mais altas, como se tivesse alguém do seu lado continuamente falando.


The lunatic is in the hall.

( O lunático está no salão.)


As figuras políticas logo chegaram e se acomodaram em cadeiras ao redor de uma grande mesa. Alfred levantou-se do sofá, chutando um jornal no meio do caminho. No jornal falavam sobre aquelas mesmas pessoas à sua frente. Seus feitos, suas consequências. Muitas mentiras, manipulações da opinião pública. O garoto se aproximou da mesa e reconheceu a maioria das vozes. Muitas delas eram as vozes que falavam dentro da sua cabeça.


The lunatics is in my hall

(Os lunáticos estão na minha sala.)


The paper holds their folded faces to the floor

And every day the paper boy brings more.

(Os jornais trazem as faces dobradas deles viradas para o chão

E todo dia o garoto do jornal traz mais)


E Alfred nunca aprendera, nem tentara, bloquear o que aquelas pessoas diziam. Ele não discernia sua existência como pessoa da sua existência como país. Sua separação costumava ser: as horas com Arthur e as horas sem Arthur. Antes mesmo que qualquer um dos presentes abrisse a boca, Alfred sabia o que eles diriam. Mas ouvir deles inflava o seu ego.


Não foi difícil convencer para os seus governantes convencerem o garoto de que ele deveria ser grande. De que ele deveria ser rico. Era por interesse daquelas pessoas, mas isso acabou afetando muitas outras pessoas. Aos poucos, a loucura começou a degenerar o coração do garoto. Muito mais rápido do que deveria ter acontecido, ele descobriu um poço de ambição que vivia dentro de si e ameaçava, um dia, afogar qualquer outro sentimento que ele tivesse. Uma pequena parte dele tinha medo de não conseguir sobreviver quando esse dia chegasse.


And if the dam breaks many years too soon

And if there's no room upon the hill


(Se a represa arrebentar muito antes do que deveria

E se não houver espaço sobre a colina)


Alfred conseguia sentir a adrenalina subindo quando as pessoas falavam do seu país daquele jeito. Um exemplo para todos os outros. Ele deveria mesmo ter mais. Era uma euforia meio distorcida, que subia em um gosto levemente corrompido de algo que não era o que ele deveria fazer, mas algo que seria muito prazeroso fazer. Ter poder era uma coisa divertida.


Mas ainda havia uma parte de si, o garoto que Arthur criara, que tinha nojo daquilo. Que o condenava por pensar assim. Ao ouvir o conteúdo da reunião, esse pequeno garoto teve um pressentimento ruim. Mas sua voz já não mais conseguia alcançar Alfred. Havia muitas outras vozes disputando a atenção dele. E aquelas outras vozes o corrompendo estavam ganhando. Estavam enlouquecendo-o.


– O que você acha, America? – perguntou um dos senhores, com um meio sorriso convencido de quem já sabia que resposta receberia.


– Um excelente plano, senhor. – Alfred respondeu, erguendo um dos cantinhos da boca em um meio sorriso perturbado.


The lunatic is in my head

(O lunático está na minha cabeça)


Foi assim que Alfred decidiu invadir as terras de Matthew.


You raise the blade, you make the change

(Você ergue a lâmina, você faz a mudança)


Alfred voltou para casa, assobiando uma música qualquer. Fechou a porta atrás de si, jogando os papéis da reunião sobre a mesa distraidamente e tirando o casaco que colocara sobre a camisa social. Sua abotoadura, no entanto, soltou e caiu, rolando escada abaixo, em direção ao porão. O rapaz suspirou irritado, murmurando milhares de profanidades, descendo os degraus em direção ao pontinho dourado.


– Maldita porcaria... – murmurou ao finalmente alcançar o acessório. Quando se levantou, seus olhos se detiveram em seu armazém. A porta estava aberta, para sua irritação. Mas quando ele se aproximou para fechá-la, seus olhos se detiveram em um terno velho dobrado caprichosamente sobre as caixas. Curioso, ele se aproximou e desdobrou-o.


Com o movimento, um leve perfume se desprendeu da roupa. Era alguma coisa que lembrava fracamente canela, chá e páginas de livros.


–Ahhh e eu te trouxe uma coisa! – disse o loirinho animadamente.

Foi assim que Alfred ganhou seu primeiro terno.

Sua expressão suavizou. De repente, o depósito vazio se encheu da risada alegre de Arthur. Não existia a poeira ou o cheiro de coisas guardadas. Existiam olhos muito verdes, que cintilavam, junto com uma brisa que abençoava todo o ambiente.


Aqui, pegue na minha cintura... – Arthur guiou a mão de Alfred para a própria cintura, colocando sua mão sobre o ombro dele.

–E agora você se move... – Arthur guiou-o, ainda que Alfred estivesse na posição masculina do par, suavemente lhe mostrando o que fazer. O garoto tropeçou, seu rosto absurdamente quente, suas mãos começando a suar. Arthur ria e Alfred se fascinava ainda mais.

O garoto sorriu, completamente envolto por aquele sentimento familiar que Arthur lhe inspirava. Era alguma coisa aquecida que o abraçava e fazia aquelas vozes pararem. Ele só conseguir escutar o próprio coração batendo com força, seus próprios pensamentos.


You rearrange me till I’m sane

(Você me rearranja até que eu esteja são)


– Alfred! – alguém chamou, batendo à sua porta.


O garoto se assustou, abandonando o terno sobre as caixas novamente. Um dos seus políticos tinha lhe trazido uns papéis que ele esquecera. Alfred sabia. Ele ouvia as opiniões dele. E agora, prestando atenção, ele voltou a ouvir as vozes de antes.


– Alfred! — continuou o homem, batendo várias vezes. Depois de alguns minutos, as batidas cessaram.


O homem passou os papéis por baixo da porta e foi embora, mas as vozes ainda gritavam na sua cabeça.


Torne-se grande, expanda as suas fronteiras, espalhe-se no mundo. Você é escolhido...

Uma nação escolhida entre todas as outras...

Confuso, o garoto bateu a porta do armazém com força, um estrondo ecoando pela casa toda. Nervoso, ele pegou a chave de um molho que ficava pendurado na parede e a arrancou de lá com pressa, trancando o depósito. Subiu correndo as escadarias e saiu correndo de casa, jogando a chave dentro de um rio. A pequena peça de metal afundou com um suave som e se perdeu na correnteza. O garoto que Arthur criara, o garoto que ouvia as histórias dele, estava trancado. E Alfred estava decidido a não encontrá-lo mais.


You lock the door

You throw away the key

(Você tranca a porta

E joga a chave fora)


Porque aquele garoto o deixava vulnerável. Porque ele não era adequado. Mas... aquele garoto era ele. Alfred era aquela pessoa. Alfred era, em essência, alegre, barulhento, sociável, irritante talvez, mas bom. Ele era aquela pessoa, talhada por anos de relacionamento com outras pessoas, por sentimentos que ele não controlava, por momentos bons e ruins que o confortaram e amadureceram.


Então, quem gritava na sua cabeça? Quanto mais ele se distanciava da pessoa que ele era, mais aquela voz gritava. Sussurrava-lhe...Qual o problema, America? Você não é humano. Você não tem que se preocupar com nada disso. Você tem só que ser essa grande nação que você é destinado a ser. Arthur? De quem você esta falando?

– Cala a boca… — murmurou o garoto, andando depressa de volta para casa, tentando ignorer aquela voz, gradativamente mais alta.


Por que? Você sabe que é verdade.

– Pára. – murmurou o garoto, tentando abrir a porta de sua casa, suas mãos tremendo e escorregando.


Você pode fazer todo mundo se dobrar à sua vontade.... Se eles não aceitarem por bem. Voce pode fazê-los aceitar pelo jeito difícil...

Alfred encostou a testa na porta, fechando os olhos.


There’s someone in my head, but it’s not me

(Tem alguém na minha cabeça, mas não sou eu)


– CALA A BOCA! – gritou, mas foi meio sem força. Ele estava perdendo. A criança tinha ficado junto com as lembranças de Arthur. Desistido daquele Alfred que se corrompia cada vez mais e mais.


You shout and no one seems to hear.

And if the band you're in starts playing different tunes

(Você grita e ninguém parece ouviir

E se a banda em que você estiver começar a tocar em sintonias diferentes)


A mão da criança escorregou pelos seus dedos. E lhe sussurrou adeus.


I’ll see you on the dark side of the moon

(Eu vou te ver no lado escuro da lua.)


Então, Alfred riu, o lume da insânia dominando aos poucos seus olhos claros. Mesmo quando ele invadiu o Canadá, ele ainda ria. Quando matava as pessoas do povo de Matthew, ele não se importava. Seu olhar nem tremeu quando o canadense, seu irmão por vários anos, olhou para ele chocado, com a arma na mão e uma expressão puramente estupefata em seu rosto meio infantil.


– Alfred... O que...? – aquelas íris violetas se arregalaram, tentando reconhecer o rapaz à sua frente. Mas não havia muito mais de Alfred ali. O exterior era o mesmo. Mas o brilho meio bobo dos olhos dele mentia. Aquela face de garoto brincalhão era mentira. Quando ele olhava para o rosto ferido de Matthew, ele não sentia remorso.


– "I can't think of anything to say except... I think it's marvellous! HaHaHa!"


(Eu não consigo pensar em nada para dizer exceto... Eu acho que é maravilhoso! HaHaHa!"


A risada perturbada do garoto soou por vários minutos, como se ele achasse tudo aquilo hilário.


– IDIOTA!


Alfred parou de rir e encarou o canadense furioso à sua frente. Matthew nunca gritava.


– Eu não vou deixar o Arthur! Você pode tentar o que quiser, mas eu nunca vou me entregar, eu não vou virar um território seu! – gritou o canadense, seu exército atrás dele, sincronizando seus movimentos, lutando com ainda mais força. Matthew tinha uma determinação feroz em seus olhos claros, suas mãos pálidas seguravam com segurança a arma em suas mãos.


Alfred tentou manter sua expressão de desdém, ainda que tivesse dado um passo para trás diante da fúria de Matthew.


– Há! Ele está só usando você! – caçoou o rapaz.


O que ele não esperava foi o sorriso de desdém que recebeu.


– O Arthur é bom comigo. Eu gosto dele e ele gosta de mim. Ele me visita e nós tomamos chá. – e sorriu, lembranças muito queridas perpassando seus olhos levemente violáceos. — Ele me acolheu quando a França me deu para a coroa britânica. Ele me estendeu a mão quando eu achei que não tinha mais ninguém no mundo. – naquela época Arthur tinha um sorriso muito bonito. E os olhos dele brilhavam de uma maneira deslumbrante. Matthew, no entanto, viu tudo aquilo ruir. — Sabe quando você se rebelou? Eu estive com ele quando ele precisou. Porque ele chorou por você, seu ingrato! – a voz de Matthew tremeu levemente no final da frase. Mas era pura raiva.


Alfred não respondeu. Ele não se importava com as tolices de um velho. Quem se importava havia ficado trancado em um depósito velho. Junto com lembranças que nunca deveriam ter existido. Mas a determinação e a fibra de Matthew não seria em vão. Alfred de repente, caiu com as mãos no chão, tossindo e segurando o peito com força, os olhos lacrimejando. A dor se espalhou depressa e ele fechou os olhos, sua cabeça rodando. Ninguém precisava dizer para que ele soubesse. Ninguém precisava avisá-lo.



Arthur estava queimando Washington.



AS CARTAS — Arcano 4


O IMPERADOR


SIGNIFICADO DIVINATÓRIO


Esta carta representa o poder mundano. Liderança. Tendências combativas. Pressão direta. Convicção. Domínio da inteligência sobre a paixão e a emoção. Força. Figura patriarcal. Firmeza. Desejo de aumentar seu domínio em todas as direções.



Notas finais
1- a referência à mulher é Maria mesmo. Eu precisava de alguém para colocar juízo na cabeça desse inglês maluco e como ele não tem mãe, nem família, nem ninguém, eu fiquei meio sem saber a quem recorrer. Aí estava eu ouvindo let it be, veio a ideia. Espero que ninguém se ofenda u.u As teorias de Alfred que ele seria uma nação escolhida por Deus para ser melhor que todas as outras e talz é a sementinha da teoria do Destino Manifesto.
2- temos a votação. A maioria preferiu as cartas no final mesmo o.o
3- Temos outra enquete xD O pessoal perguntou se havia casais fixos. Bom, pro Gilbert não tem, eu aceito sugestões ( desde que não peguem gente que já tem par aqui xD)
4 - Os trechos que o Arthur fala são trechos do fado tropical do chico buarque. Uma voz com sotaque português fala esses versos, achei que encaixava, portugal é mo chegado da inglaterra e talz xD
5 - Capítulo maior em comemoração às recomendações *-*
Ok, as notas já ficaram meio grandes. Bom, mas um beijo super especial para todas as pessoas lindas e maravilhosas, cheias de graça que comentaram o capitulo anterior! Por favor, continuem, a opiniao de voces sempre me inspira o/
Beijo, beijo, seus lindos! :D