Boulevard Of Broken Dreams

32 Capítulo 32 - Alive


Notas iniciais
Oláá 8D
Peço desculpas pela demora. Eu prometi capítulo passado se não me engano que daria um tempo para todo mundo alcançar as atualizações ( porque às vezes me falam que os capítulos são muito grandes né) e tudo e fiquei esperando xD Mas, bem, como direi? Eles não chegaram xD Perdi o que... mais da metade dos leitores que costumavam falar comigo nos reviews xDDD Sinto muitissimo, acredito que o lemon fail tenha sido responsável xD
Enfim, é rir para não chorar. xD Ahhh mas eu ainda não estou totalmente falando sozinha! Não, não! xD Ainda há pessoas guerreiras que não desistiram.
Enfim, mas aí é que eu tava dando um tempo, mas acho que isso só tava atrasando a vida né, porque quem ainda esta acompanhando, já leu e ficou esperaando. Enfim, nessa última semana eu terminei de revisar e tudo mais, o que quer dizer que temos outro capítulo o/ -q (ta acabando, gente, sério xD)

No mais, direi nas notas finais, chega de enrolação! Boa leitura o/
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(A música do capítulo é i'm alive - Becca. Acredito que vários aqui conheçam xD)

Francis tocou-lhe a bochecha, e, quando convencido de que sabia onde ela estava, depositou um beijo ali.


O canadense corou, mas não disse coisa alguma. Seu coração batia como um louco. Mas, enfim, quando é que fora diferente? Seu coração nunca parecia normal quando Francis estava por perto. Durante os passeios, que o francês decidira que dariam de mãos dadas. Durante as tardes no café, quando Francis tocaria as músicas favoritas de Matthew.

Ele já prolongara aquele estágio por tanto tempo. Em uma semana, ele deveria voltar para casa.

Então... mesmo que tivesse entendido tudo errado... ele provavelmente seria perdoado por aquilo.

O canadense delicadamente tocou a face do outro, que se sobressaltou de início, mas depois relaxou. Matthew fez com que ele se virasse em sua direção. Bem, se estava mesmo indo embora em uma semana, ele poderia ao menos ter aquela lembrança, não poderia?

Surpreendendo ao francês e a si mesmo, Matthew colou seus lábios aos de Francis.


– Matthew? – o francês empurrou-o, chocado. Era muito, muito estranho alguém tocá-lo sem avisar. Para ele, que não podia enxergar a aproximação, era incrivelmente atordoante. Sua mente... travou. O que... ?Aquilo era o que ele pensava que era?


– Eu estou indo embora. – murmurou o canadense após um minuto de silêncio absoluto na sala. Desvencilhou-se de perto do outro e pegou o próprio celular sobre a mesa.

– Como assim? – indagou o outro, escutando os sons, mas incapaz de esboçar uma reação.

– Eu vou embora. Meu estágio... acabou. – murmurou ele, e havia algo que Francis nunca ouvira. Matthew parecia estar... chorando. — Eu vou pra casa.

– Matthew, espera! – tentou o francês, levantando-se do sofá.

– D-desculpe por isso. – murmurou o canadense. No momento, ele não gostaria de ouvir nada que o outro tivesse a dizer.

A porta foi fechada. O francês queria alcançá-lo, mas ele não podia enxergar o caminho.E Francis sentiu algo que não sentia há muito tempo. Uma sensação de ... isolação. Sentia que... não podia fazer nada. Matthew acabara de fugir para um lugar que Francis nunca poderia encontrá-lo. Porque ele não tinha como sair de casa e procurar o outro a esmo. O francês cogitou até mesmo usar a bengala, que tanto feria o seu orgulho. Só não o fez porque havia jogado-a fora.

Voltou a sentar-se no sofá. De tudo, lhe restara a impressão de um beijo sobre seus lábios. Fora mesmo um beijo?Redundantemente, ele fechou os olhos. Abriu-os. E continuava escuro.

Enquanto estivera com Matthew, aquela escuridão não incomodava. Porque a voz dele era como uma profusão de cores.

Chegou a pegar o telefone, mas nunca discou o telefone de Matthew. Estava com raiva. Por Matthew não ter dito antes que ia embora, por aquele beijo sem explicação, por ele não ter dado a Francis a chance de retribuir seus sentimentos. E especialmente, porque, no fundo, ainda não podia perdoá-lo por ter deixado-o no escuro de novo.


Matthew saiu correndo em um atropelo, fugindo de algo que ele nem sabia o que era. Andou poucas ruas até parar, ofegando, e encostar-se a um muro. Seu coração batia com tanta força que chegava a doer. Ele afastou a franja suada da testa e engoliu em seco a vontade de chorar.


Sério, o que ele estava fazendo? Não era aquilo que ele queria dizer. Ele queria agradecer pela amizade, e por tudo, e... por que tudo saíra errado?

Por reflexo, procurou o ursinho de pelúcia para abraçá-lo contra o peito. Mas... Ele não estava em suas mãos. Procurou dentro do casaco. Mas não havia nada ali. Em pânico, seu olhar percorreu as ruas que ele deixara para trás, mas não havia sinal algum, pontinho branco algum que sequer pudesse ser o que ele procurava. M-mas! Ele tinha certeza que tinha saído de casa com Kumajiro. Muita certeza. Mas ele não deixara cair na rua e...

A realização o golpeou imediatamente. Deixara na casa de Francis. Seu estômago pareceu afundar.

Ele… ele não podia simplesmente voltar lá. Não depois de tudo o que acontecera, não agora, decididamente. Mas... ele podia ter esquecido tudo! Mas justamente o ursinho polar?


Nothing I say comes out right


I can’t love without a fight

No one ever knows my name

When I pray for sun, it rains


Respirou fundo e tentou colocar a cabeça no lugar. Mas a cena de momentos atrás se repetia e repetia em sua cabeça. Não havia alegria, ou riso na expressão do francês. Apenas, choque. Ele pareceu simplesmente atordoado, como se... como se nunca esperasse uma coisa daquelas de Matthew. E claro que ele nunca esperava. Francis provavelmente nem o via como um romance em potencial. Claro que não. Francis era bonito, charmoso, educado, um músico de gostos e gestos refinados. O que aquele francês poderia ver em alguém como Matthew? Sem graça e tolo Matthew? Sempre em segundo lugar, sempre esquecido. Mas…


Francis parecia ser diferente. Ele… parecia se importar. E, por tudo de ironia que existia nesse mundo, era o único que realmente parecia enxergá-lo.

Talvez por isso o francês lhe fosse mais querido do que ele podia admitir. Por isso, talvez, Matthew podia suportar a ideia de amá-lo em segredo, mas não podia suportar a ideia de que ele o odiava. Por isso, o canadense sabia que nunca deveria tê-lo beijado. Nunca deveria ter cruzado a linha.

As lágrimas borravam sua visão e ele quis muito poder apertar o ursinho polar contra o próprio peito como sempre fazia. Como se pudesse diminuir aquela sensação de que... estava sozinho.


Every lover breaks my heart


And I know it from the start

Still if I ended up a mess

Every time I second guess


Matthew fez as malas assim que chegou a sua casa, uma roupa jogada sobre a outra, em uma confusão que não lhe era característica. A passagem já estava comprada, ele sabia que partiria em uma semana. Mas ele não aguentaria ficar ali. Não daquele jeito, não com os sentimentos confusos e desgarrados que o atormentavam. Cancelou a passagem e remarcou-a para o mesmo dia. Que se danasse a multa, o transtorno e todo o resto.


No entanto, ele não conseguiu ligar para o proprietário e dizer que estava saindo do imóvel. Porque, no fundo, isso faria sua ida definitiva. E isso o assustava de uma maneira que nem ele soube explicar. Apenas fechou tudo e trancou as portas, levando seus pertences.

A senhora Jones pareceu muito surpresa ao atender a porta e ver o filho em casa uma semana antes do que ele dissera.

– Matthew?

– Ahn... oi. – murmurou ele. Soou um tanto perdido. Seus sentimentos continuavam um caos.

O que ele ainda não sabia era que a sua família estava um caos.

Sua mãe perguntou educadamente como fora a viagem, mas pareceu desistir uma vez que o filho não demonstrava nenhuma animação para comentar o assunto. O senhor Jones foi cumprimentado polidamente pelo rapaz, mas, ademais disso, havia muito silêncio. Muito silêncio mesmo. O casal parecia evitar de se olhar nos olhos, como que... escondendo algum assunto, tentando... acobertar ou ignorar alguma coisa. A televisão não fora ligada e, durante todo o tempo que Matthew permaneceu no quarto desfazendo as malas, não se ouviu uma única conversa, apenas tímidos barulhos de pessoas trabalhando. Mesmo extremamente distraído com o que acontecera entre ele e Francis, Matthew não pôde deixar de reparar que... tinha alguma coisa errada ali.

Foi apenas na hora do jantar que o canadense acabou descobrindo o que era, embora não tivesse perguntado coisa alguma. A resposta simplesmente pareceu cair em seu colo.

Foi uma cena corriqueira, que Matthew já considerava rotina em sua casa.

– Alfred, você pode me passar o... – o padrasto de Matthew calou-se imediatamente, e a senhora largou os talheres sobre o prato ruidosamente. A atmosfera era tão pesada que o ar parecia denso, como se pudesse ser cortado ao meio com uma faca. O silêncio se estendeu e o rapaz não conseguia entender a tensão repentina. Sempre o confundiam com Alfred, então por que...

A pergunta lhe ocorreu. E, por um momento, ele quase não a verbalizou, por medo da resposta.

– Mãe, onde está o Alfred?

Sua mãe permaneceu calada. Então, desatou a chorar e se retirou da mesa, indo até o próprio quarto e batendo a porta.

– Senhor...? – tornou Matthew, virando-se para o pai de Alfred. Seu coração disparara dentro do peito e ele temeu muito, muito a resposta. Mas uma pergunta feita era um caminho sem volta. Agora ele precisava da resposta.

O senhor suspirou pesadamente.

– Seu irmão meio que... hm... saiu de casa. – contou ele, hesitante.

– O quê?! – a voz do canadense elevou-se pela primeira vez. – Como assim, saiu de casa? Ele nunca teve intenção de sair de casa antes de pelo menos entrar na faculdade. Por que ele resolveu sair tão de repente? – os olhos azuis levemente violáceos do rapaz se cravaram no senhor a sua frente, que levantou de sua cadeira.

– Nós brigamos, ele saiu. – foi o máximo que ele conseguiu se fazer dizer. Na verdade fora uma discussão tão feia que mesmo pensar em contá-la já lhe revirava o estômago.

– Por que vocês brigaram? – insistiu o canadense, levantando-se e apoiando as mãos na mesa, chocado. O que... estava acontecendo?

O pai de Alfred, que caminhava para fora da sala, parou por um momento.

– Ele tem um namorado. – disse ele, muito sério, saindo do cômodo antes que Matthew pudesse esboçar qualquer reação.

O rapaz piscou uma vez. Duas. Três.

Do que... eles estavam falando? Então Alfred... Alfred fora expulso de casa? E por... namorar um garoto?

O canadense deixou-se cair de volta na cadeira, atordoado. Parecia que alguém havia golpeado a sua cabeça, porque ele não conseguia... juntar os fatos, entender aquilo, aceitar a explicação que lhe deram. Não... aquilo não... estava acontecendo. Não podia estar.

No entanto, por mais que ele quisesse continuar a não acreditar... Os fatos estavam ali, para quem quisesse ver. Nas demais semanas, o clima continuara tenso, o quarto de Alfred continuou vazio, seus pais não falavam sobre o assunto. Logo, as semanas tornaram-se meses. Matthew tivera seu nome trocado pelo de Alfred incontáveis vezes e todas elas terminavam com situações tensas e difíceis.

Matthew não sabia o quanto mais daquilo conseguia suportar. Sentia falta de Francis. Das conversas, dos passeios, das receitas, das músicas. Sentia falta da mão do outro, que tantas vezes ele segurou para guiá-lo. Sentia falta do mero fato de que o francês o ouvia, respondia. Como se Matthew fosse... alguém que importasse.

Não era como agora. Que ninguém nem falava direito com ele. Quantas vezes Já não o confundiram com Alfred, desde que ele chegara? E quantas vezes isso não fez o canadense se perguntar se eles não prefeririam que Alfred estivesse ali em seu lugar...

Matthew respirou fundo, sentindo a garganta trancar. Estava deitado em seu quarto, como sempre fazia, deixando os dias passarem naquela lentidão, naquela melancolia repetitiva. Por um momento, ele desejou que o francês estivesse ali. Porque ele se sentia profundamente sozinho agora. Uma solidão que não desaparecia ao lado daquelas pessoas.

Uma lágrima desceu silenciosamente pela bochecha do canadense. Sentia-se culpado. A verdade era que ele fora profundamente feliz enquanto estivera com o francês. E, por tudo de felicidade que ele tivera, pareceu-lhe injusto a forma como ele foi embora. Muito, muito injusto. No mínimo... ele devia uma explicação.

Na verdade, talvez isso tenha sido somente uma desculpa para que Matthew tivesse coragem para ligar para Francis. Porque talvez ele simplesmente quisesse muito ouvir a voz do outro. Mas algumas verdades não ousamos admitir nem para nós mesmos.

O canadense alcançou o celular e discou o número do francês. Tentou uma vez. Duas. Três. Perdeu as contas.


When I’m bored to death at home


When he won’t pick up the phone

When I’m stuck in second place

Those regrets I cannot erase


(Quando eu estou mortalmente entediado em casa


Quando ele não quer atender o telefone

Quando eu estou entalado em segundo lugar

Esses arrependimentos que eu não posso apagar)


Arrependeu-se. Se ao menos… ele tivesse se confessado direito... Pelo menos sairia com a consciência limpa. Matthew deixou o celular cair ao seu lado na cama. Não... Passara disso. Seus sentimentos ultrapassaram esse tipo de expectativa. Ele queria mais. Ele queria ser correspondido. Ele queria uma resposta e queria que ela fosse positiva.


Porque talvez fosse verdade que... ele queria ficar ao lado do francês. Talvez... fosse a coisa que ele mais quisesse na vida. Porque era bem possível que ele sonhasse em passar o resto da vida como ele passara aqueles dias na França. Fazendo o trabalho que amava, decorando o último confeito e então indo colocá-lo no balcão, sempre aproveitando e arriscando um olhar mais longo ao pianista ao fundo do salão. O pianista não podia vê-lo e nunca poderia. Mas, por alguma razão, sempre que Matthew aparecia, Francis sorria. O canadense passaria a tarde ouvindo a pessoa que ele amava tocando piano, enquanto o dia escapava por entre seus dedos e o sol lentamente, rapidamente, sumia em direção ao horizonte.

Por vezes, eles voltariam para a casa do francês, logo ao lado. E conversariam, brincariam, passariam o tempo. Matthew veria aquela pessoa sorrir como nunca sorria para mais ninguém. Veria aquela pessoa ouvi-lo e responder-lhe. Veria aquela pessoa sendo encantadora. Veria a noite passar e a hora de ir embora chegar muito antes do que deveria. E, por fim, veria o outro parecer triste ao se despedir. Então, sentia-se triste por ter visto tantas e tantas coisas e saber que a pessoa que ele amava não tinha visto coisa alguma. Caminharia para a própria casa ainda arrependido. Porque ele queria ter ficado. Parecia que... faltava algo. Era como se lhe faltasse uma parte essencial de si mesmo. E, agora, pensando sobre esses dias, Matthew percebeu que talvez... fosse verdade. Agora, ele percebia. De alguma maneira, ele... entendeu a sensação.

Seu coração parecia ter ficado para trás.

Antes, sempre haveria o dia seguinte. Eles sempre se veriam depois. Mas... e agora? Se Matthew não fizesse algo... eles nunca mais iriam se encontrar. Tudo voltaria a ser como antes. Sua casa, seus estudos, sua vida... Então ele talvez conhecesse outra pessoa e acabasse por ficar com ela. Mas... nunca seria o mesmo. Porque mais ninguém no mundo era Francis Bonnefoy.

Ele podia impedir isso. O rapaz ergueu uma mão e olhou-a longamente. Fechou-a e deixou que ela caísse ao seu lado na cama. Inquieto, sentou-se.

Além de tudo isso... Era um fato que se ele escolhesse ir atrás do francês provavelmente acabaria expulso de casa também. Inicialmente, não podia acreditar que uma coisa daquelas podia acontecer, mas... depois do que acontecera com o seu irmão... Talvez Alfred nem tenha sido expulso, mas provavelmente a vida dele seria um inferno se ele tivesse decidido ficar ali. Matthew sabia que se Francis fosse a sua escolha, ele teria o mesmo destino. E, ao contrário de Alfred, que já tinha um namorado, Matthew tinha apenas... uma chance, talvez? Podia acontecer que ele jogasse tudo para o alto e ainda assim acabasse não correspondido.

Riu consigo mesmo. Nem para ser expulso de casa Matthew seria o primeiro. Ele sempre fora o segundo lugar em casa. Alfred era o prodígio que queria cursar engenharia. Matthew era o ingênuo que queria cursar gastronomia. Alfred era o mais falante, o mais agitado. Matthew era o calado, quieto. Mesmo agora, ele só tinha aquela atenção porque Alfred não estava lá. Ele não era suficiente. Matthew nunca seria. Não importava o quanto ele sacrificasse da sua vida, ele nunca seria Alfred.

Pela primeira vez, ele sentiu-se realmente feliz com isso. Ele... nunca seria Alfred. Aquelas expectativas que as pessoas tinham dele... eram... tolas. Ele não era aquela pessoa. Ele tinha os seus próprios sonhos, os seus próprios objetivos, as suas prioridades, a sua vida.

Então, não havia motivos para continuar com aquilo. Por um momento, ele imaginou a sua vida se ele ficasse ali. Se ele quisesse se provar melhor que o irmão. Se ele fizesse como sempre e obedecesse, cedesse, calasse.

E, decididamente, não. Não era aquilo que ele queria. Não era aquilo que ele teria. Respirou fundo e se levantou da cama. Porque talvez o mundo fosse dos audazes. Refez as malas. Arrumou o quarto. Desceu as escadas, já com a bagagem em mãos. Sua mãe estava na sala.


Only I can change the end


Of the movie in my head

(Só eu posso mudar o final

Do filme na minha cabeça)

Por um momento, ele cogitou a possibilidade de passar por ela sem ser percebido. Não seria difícil...

Mas, não. Daquela vez, ele faria diferente. Matthew não gostava muito daquela parte de si que se menosprezava, que fugia. Então... ele iria mudá-la.

– Mãe, eu vou voltar para a França.

– M-mas, meu filho, por que tão de repente? Eu achei que você fosse ficar aqui conosco! — disse a senhora, levantando-se do sofá, olhando o filho com o coração na mão.

– ... Mãe, o senhor Jones me disse. – soava estranho, mas ele nunca exatamente conseguira chamar o pai do Alfred de pai. O canadense devia ter uns... oito anos quando veio morar com a mãe e com o padrasto. E embora o senhor Jones fosse agradável consigo, Matthew nunca se sentira a vontade para chamá-lo de pai. E o senhor nunca quisera o obrigar. O canadense respirou fundo. Por que estava lembrando disso agora?

– ... disse o quê?

– Sobre o Alfred.

–...

– Eu... não quis acreditar, de início. Mas... eu acho que é mesmo verdade, pela sua reação. – havia tanto mais que ele poderia dizer. Por um momento, ele quis dizer o quanto repudiava a decisão dela. O quanto... o quão baixo aquilo lhe parecia. Mas...

– Matt, eu... eu sinto muito a falta dele. – murmurou a senhora, sentida.

– Mas o seu amor por ele não é suficiente para aceitá-lo como ele é?

– Matt... – a crítica ácida soava tão estranha na voz doce de Matthew. Parecia surreal. Como se ela fosse acordar a qualquer momento. Mas ela não acordou. E Matthew continuou, decidido, nervoso, mas firme.

– Eu... eu também amo uma pessoa. Ele é francês. – fez questão de dizer, mesmo que não tivesse a mínima chance de ser correspondido. — E... eu estou voltando para lá.

– Você também...

– É. – deu um meio sorriso triste, ou conformado. – Eu não espero que você aceite. Ainda mais sabendo o que aconteceu com o Alfred. – arrumou a mochila nas costas e alcançou sua mala. – Não precisa me dizer para nunca mais voltar. Acho que, como o Alfred, eu talvez nunca volte. Mas... – virou-se para olhar para ela uma última vez. – Se fosse comigo... e fossem os meus filhos... Eu não os deixaria ir assim. Talvez você não possa perdoar nenhum de nós agora. Mas... se demorar muito. Mesmo o Alfred... Ele vai se tornar alguém que você não vai reconhecer. E você vai acabar sozinha. – disse suavemente, caminhando em direção à porta. Não como Alfred fizera, não derrotado, não confuso. Ele tivera tempo para pensar e tomar uma decisão. E ele acreditaria na escolha que fez, até o final.

A brisa um tanto fria o atingiu assim que a porta foi aberta. Então, Matthew sorriu. Fechou a porta atrás de si e não olhou para trás. Porque talvez ele voltasse. Talvez, não. Mas, independente do que acontecesse, ele saberia que, naquele momento, não havia nada que ele desejasse mais do que aquilo.

There’s no time for misery

I won’t feel sorry for me


(Não há tempo para miséria


Eu não vou sentir pena de mim)


Sua casa na França ainda estava alugada em seu nome. E embora estivesse sem os seus pertences, ele nunca devolvera ao proprietário. O que talvez mostrasse que ele nunca tivera intenção de abandonar aquele lugar completamente. De fato, ele chegara a pagar três meses de aluguel sem nem ao menos estar morando lá, apenas para ter aquele lugar a sua disposição caso... caso ele voltasse.


O canadense nem se importou em desarrumar suas malas ao chegar. De fato, elas foram jogadas em um canto da sala, e trancadas lá dentro por um Matthew muito apressado. Ele correu desesperadamente pelas ruas da cidade, mas, diferente da primeira vez que fizera aquele caminho, estava sozinho, sem o ursinho apertado em seus braços. Seu cabelo era arremessado para trás com o vento e sua respiração era rasa demais, seu coração pulava e seu estômago provavelmente dava cambalhotas.


I’ll live my life, I’m alive



Sua corrida afoita levou-o a um caminho que ele tanto conhecia, à uma casa que ele tanto visitara, ao lado de uma confeitaria comum que parecia ter mudado a sua vida para sempre. Ele só... nunca tinha se dado conta disso.


Mas afinal, quando é que alguém se dá conta do próprio destino?

Matthew tocou a campainha uma vez e esperou. Seu coração parecia estar batendo dentro da sua cabeça, de tão alto que o barulho parecia. Pela primeira vez na vida, ele não tinha plano nenhum. Ele não tinha a menor ideia do que iria fazer, do que iria dizer. Ele estava visitando a casa de alguém sem nem avisar. Para piorar esse alguém provavelmente o odiava. Ele tocou a campainha novamente, insistindo pela primeira vez. Porque era muita falta de educação tocar a campainha tantas vezes seguidas. Mas, pela primeira vez, isso realmente não importava.



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– Pra quê você quer saber disso? – perguntou Luciano tristemente, com um suspiro cansado.



Mas ele não podia condenar a pergunta. Era muito justa. Claro que Afonso queria saber quem era aquela pessoa, que o visitara todos, todos os dias no hospital, que conversava, cantava, falava como se fosse a pessoa que mais o conhecesse no mundo. No hospital, parecia ser Luciano que insistia na presença do outro. Mas depois que Afonso tivera alta, pareceu ser o contrário. O lusitano o procurara, de novo, de novo e de novo, para saber quem ele era.

Como se Luciano já não tivesse motivos o suficiente para chorar, aquele infeliz vinha com uma pergunta dessas? Como se o rapaz já não tivesse tido que voltar para a casa que dividia com o outro e encontrá-la vazia, todos os dias? O lusitano voltara a morar com a família, sem uma palavra de explicação. Antes que ele saísse do hospital, parentes buscaram os pertences dele, para que Afonso não notasse nada de diferente ao voltar para casa. Ele nunca nem saberia que passara anos morando junto a outra pessoa, seu namorado, em um quase casamento. E a ideia era essa. De que ele não precisasse lidar com aquilo naquele momento, que ele não precisasse notar que esquecera daquela parte de sua vida.

Em suma, o rapaz estava simplesmente sendo apagado completamente da vida do outro. E agora Afonso lhe vinha com essa? Aquilo já... já lhe rendera dor o suficiente. Ele já chorara o suficiente, não? Então por que? Por que Afonso queria saber daquilo?

– Pra que saber? – tornou o rapaz, deixando-se cair sentado no sofá de sua casa. — Não... vai mudar nada. – murmurou, mas fora quase para si mesmo.

– Por que não me contas? – tornou a insistir o outro, teimoso, muito teimoso, absolutamente obstinado com aquilo. Como se a resposta do rapaz fosse importante, como se ela fosse essencial.

Porque era.

Então, por que a resistência tola do outro? E, embora o lusitano não soubesse, era como sempre acontecia entre eles. Dois teimosos, um choque de gênios, que terminava com um cedendo às vezes, o outro, outras.

O rapaz respirou fundo e tentou ser razoável.

– Porque... – mas seus sentimentos, sua mágoa, tiveram a melhor sobre si. — porque você acabou de sair de um acidente desses, nasceu de novo, pode recomeçar sua vida sem cometer os mesmos enganos de antes! – disse, embora aquilo parecesse feito para machucar mais a si do que a qualquer outra pessoa.

– Luciano.

Era a primeira vez que ele chamava o seu nome desde que acordara.

–... – o rapaz se calou. Seu coração apertou dolorosamente. Deus, como ele sentira falta daquilo. Como ele estivera morto de medo que nunca mais pudesse ouvir aquela voz.

E tomado por aquela saudade tão grande, por seus sentimentos, tão à flor da pele, como ele podia recusar uma resposta que só ele tinha àquela voz, que tanto lhe fizera falta?

Ao mesmo tempo... Como ele poderia contar o que eles viveram? Como explicar para uma pessoa que ela tinha se apaixonado? E como admitir que o amor tornara-se obsoleto? Que fora esquecido?

Luciano respirou fundo novamente e desviou o olhar. Por um momento, não disse nada. No fundo, achava cruel. Recontar uma história de amor era como pedir a alguém que resumisse seu livro favorito. Como fazer para que o outro sentisse como se tivesse vivido a emoção daqueles momentos, como se estivesse vivendo tudo pela primeira vez, como se estivesse lendo um livro pela primeira vez?

Exatamente pensando nisso, a ideia lhe ocorreu. – Hoje, não. Por hoje... Eu... vou te contar uma história. Depois de você ouvir essa, então eu vou te perguntar de novo se você quer ou não saber de onde me conhece. Pode ser? – era mentira. A verdade era que ele contaria a história dos dois logo de início. Seria a resposta que o outro queria. Mas o rapaz não teve coragem de dizer-lhe abertamente. Porque talvez Afonso nem se importasse. Porque sempre havia o risco de que... a história não o atingisse. De que o outro a julgasse tola e sem sentido. De que os sentimentos que existiram nunca mais poderiam ser trazidos de volta. E, se isso acontecesse, o rapaz gostaria ao menos de poder continuar amigo do outro. Sem nenhuma estranheza pelo o que eles tiveram no passado. Sem que houvesse culpa por sentimentos mal resolvidos.

– É justo. – murmurou o lusitano, afinal. Escolheu a outra ponta do sofá em que o outro estava e sentou-se, cravando seus olhos verdes em seu interlocutor.

O outro rapaz suspirou uma nota que pairava entre nostalgia e melancolia. Quando achou ter achado as palavras certas, começou a falar.

Iniciemos por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive muitas outras, melhores e piores; mas aquela jamais se apagou de meu espírito.

Os olhos verdes do lusitano não eram olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Mas como Luciano quis que fossem naquele momento. Porque assim, ele nunca o teria amado. Porque Bentinho jamais amara Capitu.

E se ele não amasse aquele lusitano complicado, seria tão fácil.

No entanto, e ele não sabia disso ainda, os melhores pedaços do paraíso estão depois dos caminhos mais sombrios e tortuosos.

Alheio ao que o destino e a sorte lhe propunham, o rapaz continuou sua narrativa.



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O garoto abriu um olho fantasticamente azul quando sentiu a luz do sol batendo em seu rosto com força. Arthur, muito espertamente, estava encolhido em seu peito, virado de costas para a janela; ainda, portanto, adormecido, longe da ofuscante luz matutina.



Acontecia com certa regularidade aquela cena. Depois que Alfred se mudara e agora morava sozinho, Arthur o visitava geralmente sempre quando podia. E passava a noite lá duas vezes na semana pelo menos. No entanto, várias vezes Alfred tinha que ir trabalhar pela manhã, o que o tirava a oportunidade de apreciar o momento com Arthur assim que acordava.

Mas, naquele dia em especial, Alfred estava de folga. Então, tomou seu tempo e passou a observar o loirinho, que dormia calmamente ao seu lado.

O sol iluminava apenas suas costas, delineando o contorno dos músculos e a pele branca, com certo aspecto de leite. Os cabelos dourados pareciam ouro com a luz intensa sobre eles e lhe pareciam muito charmosos, ainda que estivessem completamente bagunçados. Arthur dormia com os olhos cerrados com sutileza absurda, como se estivesse tendo um sonho muito bonito. Os travesseiros muito fofos e os lençóis recém-lavados e frescos pareciam deixá-lo muito confortável. Mesmo que estivesse um tanto frio lá fora, Arthur estava seguro e aquecido ali. A expressão dele era pacífica e sua respiração, constante e suave. Alfred não soube explicar, mas... internamente, ele agradeceu àqueles dias de paz e à qualquer um que tenha sido que o permitiu viver um dia como aquele.

O garoto suspirou e seus dedos afastaram os cabelos loiros que caíam sobre a face de Arthur. Um meio sorriso divertido cruzou suas feições. Realmente, ele faria qualquer coisa para que aquela pessoa ali fosse feliz.

Poderia ficar ali ad eternamente, mas as persianas ainda precisavam ser fechadas. Resignado, Alfred beijou a testa do loirinho, substituindo o próprio corpo por um travesseiro para servir de apoio a Arthur.

– Hmm? – dois olhos verdes se abriram e piscaram um tanto confusos quando o loirinho acordou, sentindo falta do corpo que o aninhava em seu sono. O garoto sorriu ao se ver fitado por aquele verde familiar e sonolento.

– Eu esqueci as persianas abertas... – murmurou Alfred, um tanto embaraçado pelo erro, enquanto se encaminhava até as janelas.

– Hnn... – Arthur resmungou qualquer coisa e virou-se para o lado da janela quando a luz do sol foi tapada e o garoto voltou para a cama.

Alfred voltou para baixo das cobertas, fitando as costas do loirinho, agora voltadas para si. Aparentemente, Arthur se cansara da posição anterior, optando por dormir virado para o outro lado. O garoto abraçou-lhe por trás, envolvendo-o pela cintura, enquanto beijava o seu pescoço.

Arthur aceitou o abraço, mas disfarçou o arrepio que o beijo lhe causara. Ainda era muito cedo e ele estava incrivelmente sonolento, de modo que voltar a dormir ainda parecia uma ideia genial. Já Alfred até era a favor de continuar na cama, mas a caminhada até a janela o deixara acordado. Em questão de segundos, no entanto, Arthur adormecera novamente, deixando Alfred, na prática, sem muito o que fazer.

E como diria Luciano, mente desocupada é oficina do diabo. Sem o que fazer, Alfred passou a admirar o rapaz em seus braços, notando como a pele dele era macia em seus ombros. A pele era branca, mas não como papel, translúcido e pálido. Era... como leite. Ou algo mais consistente, talvez? Como creme? Não, mas creme não era tão branco... Chocolate branco? Não, chocolate branco era adocicado demais e um tanto amarelado. Era como creme de leite, provavelmente. Hm... creme de leite. Meio sem pensar, Alfred beijou o ombro de Arthur, sentindo a textura com seus lábios.

Era macio mesmo. Seus beijos desceram até a nuca, fazendo Arthur estremecer e se arrepiar, remexendo um pouco nos braços do garoto.

– Hnngh, Alfred... pare com isso, é manhã clara. – protestou o outro, acordando do cochilo leve com a movimentação excessiva.

Alfred resmungou um pouco, mas contentou-se em pousar suas mãos na cintura de Arthur e encaixar-se contra suas costas, finalmente parando de se mexer e tentando dormir.

Só que agora era Arthur que não conseguia mais dormir. A respiração de Alfred acariciava a pele de sua nuca e as mãos dele em sua cintura inspiravam pensamentos que em nada ajudavam seu sono. Deu um suspiro frustrado e se virou para o lado do garoto.

– Que horas são? – perguntou finalmente, tomando coragem.


– Ugh... – resmungou o garoto, alcançando o celular e voltando a deitar com as costas na cama. — oito horas. – disse ele, enquanto Arthur apoiava o queixo sobre as mãos, que por sua vez vinham apoiadas sobre o peito do garoto deitado abaixo de si.


Alfred sorriu, depositando o celular sobre a cabeceira e enlaçando a cintura de Arthur com as mãos livres. Trouxe-o um pouco mais para perto, e afundou o rosto na curva de seu pescoço, respirando fundo.

O loirinho gemeu baixo com a sensação. Sentiu quando os lábios do garoto se arrastaram sobre seu pescoço, sua bochecha, até alcançarem sua orelha. Lá, o garoto mordeu o lóbulo de leve. Então, afastou-se um pouco e levou uma mão até os cabelos de Arthur. Colocou uma mecha dourada atrás da orelha do loirinho, seus dedos tocando o metal frio do piercing que Arthur colocara recentemente.

Elizabeth não ficara muito contente com o que ela chamou de ‘ficar fazendo buracos no meu filho’. Mas Arthur era um adulto praticamente, então não exatamente podia impedi-lo. O loirinho embora pudesse, não gostaria de fazer se ela fosse absolutamente contra. Então, ambos concordaram em uma pequena argola na parte superior da orelha de Arthur. Mesmo Elizabeth precisava admitir ( para si mesma, jamais em voz alta) que ele ficara muito charmoso assim. Alfred, particularmente, gostara muito da mudança. Arthur podia saber, mesmo sem o outro dizer, apenas pela quantidade de vezes que Alfred brincava com o seu piercing.

Logo sentiu a língua do garoto enlaçando a pequena pecinha de prata, contornando-a e puxando um pouco, o que fez Arthur ser percorrido por um tentador arrepio.

– Nós temos que levantar. – disse Arthur, antes que acabasse se deixando levar. Normalmente, ele se deixaria. Mas aquele dia era um dia muito especial.

– Temos mesmo? – perguntou o garoto, abraçando o outro e respirando fundo.

– Sim. Ou você esqueceu? – o tom de Arthur tornou-se mais pesado, o que poderia se tornar o prelúdio de uma briga.

– Não, não esqueci. – respondeu Alfred rapidamente, afastando-se e dando um selinho nos lábios do outro. Era muito cedo para começar uma briga. — Hoje sua mãe me chamou para conhecer seu novo irmão. – disse ele, como que para comprovar que dessa vez estava lembrando e que dessa vez prestara atenção ao que lhe fora dito.

Arthur olhou-o por um momento, mas pareceu convencido de que o garoto falava a verdade. Seria repetitivo também começar uma discussão sobre como Alfred não prestava atenção no que o outro dizia. Eles já tinham tido ao menos umas três ou quatro pequenas discussões sobre isso, geralmente desencadeadas quando Arthur avisava que não poderia vir no próximo fim de semana, Alfred acabava não ouvindo, depois brigava com Arthur por não ter avisado, que brigava com Alfred por não ouvir e o ciclo se repetia.

Bem, ao menos não havia monotonia enquanto ele estava com aquele ser bagunçado e caótico que atendia pelo nome de Alfred.

Arthur fechou os olhos ao sentir a mão do garoto em sua nuca, fazendo carinho lentamente. Mas, não. Eles realmente iam se atrasar e Elizabeth podia ser terrível se irritada. O loirinho respirou fundo e se levantou.

– Eu vou na frente. – avisou, pegando uma muda de roupas em sua mochila e indo tomar um curto, porém relaxante e merecido banho.

Levou ao menos quarenta minutos para que os dois tomassem banho, se trocassem e arrumassem mais ou menos a bagunça que estava o quarto (em ‘mais ou menos’ leia-se: limpar o que realmente não poderia ser deixado nos lençóis, tirar o que realmente não poderia ficar no chão... em suma, assuntos pendentes que diziam respeito às atividades da noite passada.)

Fazia uma manhã razoavelmente agradável lá fora quando os dois saíram. Estava um pouco frio, mas o sol de quase nove horas já era alguma coisa. Estava um pouco nublado, mas, de um modo geral, Arthur achou bem agradável. Geralmente teria feito a caminhada em silêncio, aproveitando as ruas meio vazias pelas quais eles passariam, sentindo a brisa e pensando em algo meio bucólico.

Mas para Alfred parecia ser preferível morrer a ficar cinco minutos de boca fechada.

– Então, Arthur. – começou ele, ao que o seu interlocutor suspirou.

– O quê, Alfred?

– Como é o seu irmão? Ele parece com vocês? – começou, enchendo o outro de perguntas.

Arthur parou por um instante. Então, retomou a caminhada, respondendo à pergunta do garoto.

– Na verdade, eu também não o vi ainda, hoje vai ser o primeiro dia dele lá em casa. – ponderou Arthur, sentindo-se um tanto nervoso.

– Onde ele esteve antes disso? – tornou o garoto, o caminho sendo feito meio que mecanicamente agora, dado à relevância do que era conversado.

– No hospital... Demorou um tempo, mas minha mãe conseguiu a guarda dele. Os pais morreram em um acidente de carro. Só sobrou o bebê. – continuou Arthur, sério, fitando vagamente o chão. – Não tinham parentes próximos, e os distantes sequer conheciam os pais, então, recusaram. – continuou o loirinho, abrindo o portão de sua casa e deixando o garoto passar.

Então, Arthur se calou. Mal percebeu o caminho que fazia enquanto atravessava o jardim. Era verdade que ele conhecia sua mãe o suficiente para saber que ela tinha um certo ponto fraco por crianças. Mas, naqueles anos todos, ela conhecera várias e várias crianças órfãs, uma vez que ela ainda ia (algumas vezes na semana) à enfermaria do orfanato de Arthur. O loirinho não podia deixar de ficar incrivelmente intrigado. O que aquela criança tinha para ter conquistado Elizabeth tão imediatamente?

O suave clique que a porta fez ao ser aberta foi seguida por silêncio.

– Mãe? – perguntou Arthur, entrando devagar. Alfred o seguiu, encostando a porta atrás de si.

– Mãe? – chamou Arthur, um pouco mais alto.

Elizabeth despontou no corredor, um sorriso muito largo em seu rosto e um embrulhinho de cobertores em seu colo. Fez sinal para que eles não fizessem muito barulho e chegassem mais perto.

Os dois rapazes se inclinaram e encontraram um bebê naquele montinho de cobertas. Os olhos muito azuis do garoto se arregalaram por um momento. A criança tinha os cabelos loiros mais ou menos no tom de Arthur, bagunçados como os do mesmo. Alfred abriu um sorriso muito largo ao erguer os olhos e encontrar Arthur. O bebê poderia ser confundido como filho do loirinho.

Mas o que nenhum dos dois esperava, foi o que eles viram quando a criança se remexeu e abriu os olhos.

Ambos se viram fitados por duas lentes muito, muito azuis. Tão azuis quanto os olhos estupefatos do garoto ao lado de Arthur. O loirinho ergueu a mão e delicadamente tocou a bochechinha do irmão. Aqueles olhos azuis voltaram-se curiosamente para si.

– Arthur, Alfred... Esse é o Peter. – murmurou Elizabeth.



Notas finais
Pois é... Cá estamos xD Bom, como eu disse, estamos entrando na reta final dessa história. É... O capítulo que vem traz o último conflito, acontecimento maior, da história. Depois, algum desenrolar e então, o fim.
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Bem, esse foi um capítulo bem tranquilo, de transição entre grandes acontecimentos. Então, não sei, suponho que ele não esteja muito emocionante. Mas ele também não tinha como ser suprimido...
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Ahhhh esqueci de dizer! A parte em itálico da fala do Lu é um trecho de Dom Casmurro. A idéia é que ele conte todo o romance dele com pedaços dos maiores clássicos da nossa literatura 8D
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E claro, o espaço reservado às pessoas lindas do meu kokoro, cheias de paciência comigo xD Um super beijo para Yuki, Ju, Neko, Cath, Shirayuki e Homumoemura xD Obrigada mesmo por continuarem aí. Tenho o sonho de ainda ter leitores quando eu postar o último capítulo! kkkkkkkk
Enfim, é que eu falo muito e isso cansa as pessoas. Na verdade, eu não falo muito, mas escrevo muito, veja... xD
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Enfim, muito obrigada mesmo, beijo beijo! :DD