Boulevard Of Broken Dreams

29 Capítulo 29 - Re_Birthday


Notas iniciais
Agradecimentos super especiais a Anonimo! o/ Não, a autora não ficou maluca, juro que esse é o nick xD Enfim, obrigada mesmo pessoas, eu fico muito emocionada com os leitores lindos que aqui vem *-*
Enfim! Peço milhões de desculpas pela demora! Nas notas finais explicarei isso melhor e tudo mais, não posso enrolar mais com esse capítulo! Depois explico por que xD

– Arthur... – e houve uma pausa, porque o garoto estava tentando tomar coragem para aquilo há um tempo. Ele respirou fundo e afastou-se alguns centímetros, fitando as bochechas levemente coradas do garoto abaixo de si, assim como os olhos verdes que cintilavam, esperando o que ele tinha a dizer. Alfred engoliu em seco, sentindo as próprias bochechas esquentarem. – E-eu... hmm... sabe. Queria saber... se... – o garoto sentiu o coração martelando furiosamente dentro do peito, ainda percebendo-se fitado por olhos muito verdes. Ele tinha que dizer. Com toda a coragem e determinação e... e coragem... – Quer... namorar comigo? – mas não foi mais do que um sussurro muito tímido. Embora Alfred quisesse muito que fosse uma confissão mais incrível e confiante, o máximo que ele conseguiu foi um murmurar baixo, acompanhado de bochechas muito vermelhas.

A sua sorte era que Arthur conseguira ficar ainda mais vermelho.

– A-acho que eu poderia. – gaguejou Arthur, terrivelmente embaraçado.

Bem, sempre se diz que não se pode confiar na opinião de um apaixonado. Mas, confiando ou não, se perguntassem a Alfred, ele diria que um anjo não poderia ter um beijo mais suave que o de Arthur.

Alfred provavelmente não podia ter estado mais errado. Porque de anjo Arthur tinha passado um pouco longe. O loirinho sorriu de leve e tirou os óculos do garoto, dobrando as hastes delicadas e colocando-os de lado. Alfred sentiu o coração falhar uma batida quando Arthur voltou a fitá-lo. Ele trazia as faces um tanto avermelhadas e os lábios outro tanto mais vermelhos do que sempre. Os cabelos claros vinham mais bagunçados e ele parecia deliciosamente descomposto. Talvez o desejo e o nervosismo de Alfred fossem muito óbvios, pois partiu de Arthur um sorriso divertido e a iniciativa para outro beijo.

O garoto suspirou contra os lábios do loirinho, instintivamente movendo seus quadris sobre os de Arthur, apertando-o um pouco contra o chão. Talvez eles estivessem indo um pouco rápido? Mas havia um jeito certo de amar alguém? Havia algum tipo de regra para garantir que um amor vá dar certo?

As dúvidas circulavam pela mente do garoto, que ficava gradativamente mais vaga com o passar dos segundos. Beijar Arthur era bom, muito bom. E sentir o jeito como os lábios do loirinho se moviam e como a língua dele massageava a sua pareceu-lhe muito mais importante que pensar.

Afinal... só tinha os dois naquele quarto, o clima entre eles estava ótimo...

O garoto deslizou uma mão para debaixo da camiseta de Arthur, sentindo a pele macia se arrepiar por onde seus dedos passavam. Ele ergueu o tecido e, sobre o tronco de Arthur, depositou um beijo , estranhamente devoto, como se ele pudesse jurar lealmente a alguém com um beijo. E, como se pudesse entender, o loirinho estremeceu e afundou os dedos nos cabelos do garoto.

– Alfred!

A voz da tia do garoto soou como uma sirene de alarme em caso de catástrofe natural aos ouvidos dos dois adolescentes. Arthur empurrou o garoto de cima de si e ambos olharam um para o outro. O loirinho notou, naquele décimo de segundo, o olhar do garoto recair sobre suas bochechas afogueadas, seus cabelos totalmente despenteados, sua roupa amarrotada e, especialmente, uma ereção notável entre as pernas de Arthur. Não que Alfred estivesse muito melhor, no entanto. O loirinho corou mais fervorosamente ainda e correu até o banheiro do quarto, batendo a porta.

– Arthur! – sibilou o garoto, testando a maçaneta, apenas para constatá-la trancada. Era o melhor esconderijo! – Aquele vigarista! – resmungou o garoto.

Os passos ecoaram pela madeira do corredor e a maçaneta da porta do quarto girou.


– Merda! – murmurou o garoto. Sem tempo para achar um esconderijo, jogou-se no chão e sentou-se com a bacia de pipocas em cima do colo, fingindo prestar atenção na tela pausada do videogame.



– Alfred? – sua tia ergueu uma sobrancelha.



– Siiim? – disse o garoto, virando apenas a cabeça e somente o estritamente necessário para enxergar a mulher à porta.



– Que está fazendo aí? – o garoto estava visivelmente tenso. Sem contar que um furacão parecia ter passado por cima dos cabelos, normalmente muito assentados, do garoto.


– O-oras, o que! Estou esperando meu amigo sair do banheiro para podermos continuar a partida! – disse, talvez um tanto rápido demais. – S-só estava conferindo quantos pontos eu tinha feito antes, só isso! – completou, sorrindo, um tantinho amarelo, mas ela pareceu comprar sua mentira.

– Certo... – talvez não muito convencida, mas deu de ombros. — Enfim, só perguntei porque eu estou aqui para cuidar de você. Aliás, era sobre isso mesmo que eu queria falar. Eu vou ter que voltar para casa essa noite, minha filha está um pouco doente e eu preciso ir ajudar o seu tio. Seus pais voltam amanhã, então deve ficar tudo certo, ok?

– A-ah uhum! Manda um beijo para todo mundo na sua casa! E melhoras para minha priminha! – seu tom foi mais natural e seu sorriso, normal. Ele de verdade gostava de sua prima, e ela parecia gostar de si, uma vez que Alfred tinha algum jeito com crianças.

– Certo. Beijo, querido! – disse ela, saindo apressadamente.

Alfred soltou uma respiração que ele nem percebera que estivera prendendo e colocou a bacia de pipocas de lado. Agora ela já não tinha o que esconder. Houve alguns segundos de silêncio, seguido pelo som discreto da porta do banheiro abrindo. Arthur olhou um pouco em volta e, quando convencido de que estavam sozinhos, abriu totalmente a porta e sentou-se na cama do garoto.

Ambos se entreolharam e suspiraram de alívio.

– Por pouco. – disse Arthur.

– Muito pouco. – disse o garoto, levantando-se e sentando do lado do loirinho.

– Então, o que ela queria? – perguntou Arthur casualmente, muito mais por perguntar do que por real necessidade em saber.

– Ah, ela disse que precisava voltar para casa, mas meus pais só voltam amanhã. Aí a gente vai dormir só nós dois essa noite. – comentou o garoto, despreocupadamente. Seu comentário não tinha nada de maldoso e ele realmente não pensara antes de falar. Portanto, foi realmente confuso quando Arthur engasgou e corou com força, até a ponta das orelhas.

Alfred demorou um minuto inteiro para entender a situação em que eles tinham ficado. Porque o que antes era um simples dia de maratona de jogos na casa de um amigo virou uma noite sozinho no quarto do namorado. Quando a realização o atingiu, Alfred moveu-se um tanto bruscamente para olhar para o rosto de Arthur, e a cama rangeu um pouco. Era um som um tanto... sugestivo. O garoto sentiu o próprio rosto esquentar.

– N-nossa, sabe que eu estou com um filme ótimo aqui em casa?! – gaguejou ele, levantando-se imediatamente e indo fuçar suas gavetas. Na verdade, o filme era horroroso, pavoroso, com muita carnificina e terror. Alfred realmente não queria ver aquilo sozinho, então... bem, era uma oportunidade de não pensar demais sobre Arthur e assistir ao filme. Porque sozinho ele não veria, nem amarrado, obrigado, ameaçado de morte. Mas com outra pessoa... E... bem, se fosse muito assustador, ele pararia e estaria tudo certo.

– Terror? – Arthur ergueu uma sobrancelha quando viu a capa do filme enquanto Alfred colocava em seu computador. – Não sabia que você gostava disso. – disse ele sorrindo, bagunçando os cabelos do garoto em aprovação. – Eu adoro essas coisas!

Alfred deu um sorriso amarelo e apertou play. Agora sim que não tinha como ele dizer que estava com medo ou que queria parar o filme. Arthur ainda apagou a luz, deixando apenas a luz pálida e azulada da tela do computador. Restou a Alfred resistir bravamente, dando gritinhos discretos e tremendo o mínimo possível.

Arthur, no entanto, percebeu que o garoto tremia como uma folhinha, com os olhos grudados na tela, tenso até o último fio de cabelo, apavorado com aquele filme, que Arthur, particularmente, achou incrivelmente idiota. Uma ideiazinha maldosa passou por sua cabeça. Silenciosamente, enquanto Alfred estava bem entretido, esgueirou-se para longe. Entrou no banheiro e molhou as mãos com a água gelada, até elas estarem frias como um cadáver. Rapidamente, voltou ao quarto e agachou perto da cadeira. Com um sorrisinho maldoso, e mal segurando o riso, agarrou a canela de Alfred e puxou seu pé.

Alfred pulou a quase meio metro do chão e gritou, correndo para o canto do quarto e agarrando seu taco de baseball, agitando-o como um doido varrido.

Apenas para achar um Arthur no chão, rolando e chorando de tanto rir.

– A-Arthur! — queixou-se o garoto, largando o taco no chão e corando fervorosamente. — I-isso n-não t-teve a m-menor graça, viu?!

Levou pelo menos dez minutos até Arthur parar de rir, minutos nesses em que Alfred socou o topo da cabeça do inglês engraçadinho e desligou o computador.

– Desculpe, Alfred, mas é que você estava tão nervoso que foi engraçado. – disse, se levantando e enxugando as lágrimas. – Você nem viu que eu saí!

– Haha, muito engraçado. Já nos divertimos muito, vamos dormir. — resmungou o Alfred, jogando um travesseiro na cara do loirinho e deitando na própria cama.

– Desculpe. – disse Arthur, ainda sorrindo, agarrando o travesseiro antes que ele o acertasse. – Prometo que vou ficar no meu colchão e não vou te pregar peças enquanto você estiver aí. – disse divertido, deitando-se e sumindo do campo visual do garoto deitado na cama.

– A-Arthur!

– Hm? – respondeu, voltando a se sentar.

– ...

– Se não é nada, boa n-

– N-não! – interrompeu Alfred imediatamente. Ele respirou fundo e tomou coragem. – Deixa eu dormir com você? – murmurou quase inaudivelmente.

– Isso é sério? – perguntou Arthur, erguendo uma sobrancelha.

– Muito.

Arthur suspirou e ergueu o cobertor, dando espaço para o garoto. Alfred apagou a luz rapidamente, agradecido pelo fato de haver um interruptor ao lado de sua cama, e se juntou a Arthur imediatamente.

– Feliz? – resmungou o loirinho.

Alfred se rearrumou na cama, virando de lado e puxando Arthur contra si.

– Agora sim. – respondeu, soando visivelmente menos assustado.

– C-certo, certo, mas não precisa grudar tanto. – gaguejou Arthur, empurrando o garoto um pouco para o lado.

– Preciso sim, vai que você resolve sair ou me pregar uma peça? Nada disso. – decidiu, puxando Arthur para deitar sobre o seu braço. O loirinho corou fervorosamente, sua mente de adolescente correndo a mil por hora. Alfred estava perto. Muito perto. Dava para sentir o corpo dele, firme atrás de si, assim como as mãos largas dele em sua cintura. As luzes estavam apagadas, mas ainda era possível enxergar com a luz que entrava pela janela. Seus olhos desceram e encontraram as mãos de Alfred em torno de si.

Aquilo não estava ajudando o sono a chegar. Decidido a dormir, Arthur fechou os olhos e ignorou a respiração quente do garoto contra a sua nuca.

No entanto, fechar os olhos não foi sua melhor ideia. O restante de seus sentidos pareceram se tornar ainda mais aguçados, fazendo com que ele não conseguisse evitar... ficar excitado.

Alfred estava muito entretido achando que era muito menos assustador dormir com alguém depois de um filme de terror. Na verdade, agora, com Arthur tão perto, o filme nem parecia assustador. Sorriu, muito contente consigo mesmo.

Ainda era um tanto cedo e o garoto se arrependeu de ter proposto que forem dormir. Embora aquilo tenha sido só uma desculpa para parar o filme... Um tanto entediado, resolveu mexer com Arthur. Alfred encaixou a cabeça na curva do pescoço de Arthur, afastando um pouco os fios loiros e inspirando o perfume que se desprendia da pele macia.

– Hnn... Alfred...

O garoto piscou algumas vezes, sem saber ao certo o que tinha acontecido.

– Desculpe. Incomoda? – perguntou, um tanto preocupado. Seria ruim se ele estivesse sendo desagradável.

– N-não... – murmurou Arthur, gemendo baixo e inclinando a cabeça um pouquinho para o lado, deixando seu pescoço um tanto mais vulnerável. Alfred sentiu o coração bater com muita força, percebendo a situação. Um tanto instintivamente, outro tanto para testar se havia entendido direito, colou seu corpo no de Arthur e sentiu-o estremecer de leve. Ele mesmo sentiu-se estremecer levemente, a vontade de tocar mais ainda intoxicando os seus sentidos. Era estranho, mas... desejar Arthur lhe parecia muito familiar. Mesmo que ele já estivesse muito feliz por ter conseguido beijá-lo, ainda havia vontade, ele ainda queria... tudo.

Suas mãos, anteriormente descansando de modo casto em torno da cintura de Arthur, desceram e seguraram os quadris dele, trazendo-o um pouco mais para perto de si. Seus lábios tocaram o pescoço de Arthur, e sua língua ajudou quando ele decidiu sugar a pele sensível, seus dentes ocasionalmente mordendo um pouco.

Arthur gemeu e fechou os olhos, sentindo a língua de Alfred, arrepiando-se quando sentiu a leve dor das mordidas. Já dava para sentir a ereção do garoto atrás de si. Alfred passou a mover os quadris para frente de leve, sem perceber, apenas se concentrando em deixar um chupão no pescoço claro de Arthur. O loirinho ofegou e fechou os olhos, seu baixo autocontrole sussurrando propostas em seu ouvido. As mãos de Alfred voltaram a deslizar para debaixo da camiseta do loirinho, seus dedos percorrendo o tronco dele, sentindo a cintura, os quadris estreitos e, abaixo destes, uma bunda firme e compacta. Alfred mordeu o lóbulo macio da orelha do loirinho, que sentiu a ereção do garoto se tornar ainda mais firme.

– Arthur... – murmurou o Alfred, beijando onde mordera Arthur, puxando-o contra si. Havia algo muito terno no jeito como as coisas estavam acontecendo. Alfred beijou de leve a marca que deixara no pescoço do loirinho, delicadamente. E era como se Arthur fosse a existência mais importante da vida daquele garoto.

E, com Alfred sendo tão adorável, não havia mesmo como o autocontrole de Arthur ter alguma chance.

O garoto ouviu o loirinho gemer um pouco mais alto, e a intervalos de tempo menores entre cada gemido. Foi quando o garoto percebeu que Arthur estava se masturbando. Os lábios dele vinham entreabertos e seus olhos claros, fechados. Suas faces estavam afogueadas e ele parecia absolutamente perdido nas sensações que o seu corpo era capaz de lhe proporcionar. Alfred encostou os lábios na orelha de Arthur, com um meio sorriso divertido.

– Pervertido. – murmurou. O loirinho conseguia ser o mais ousado, mesmo quando embaraçado na frente de quem ele gostava. Arthur realmente não era alguém que ele pudesse subestimar. E Alfred não era alguém que gostava de perder. O loirinho gemeu baixo com o sussurro, mas se calou imediatamente quando sentiu sua calça ser puxada para baixo devagar. Ele corou até as pontinhas das orelhas e sentiu Alfred afastar sua mão e substituí-la pela própria. Arthur estremeceu quando sentiu a mão larga do garoto tocando-o, impondo um ritmo sobre o qual o loirinho não tinha controle.

– Hnnn.. A-Alfred... – chamou Arthur, entre um gemido e outro, tentando clarear seus pensamentos. Sentia Alfred totalmente colado em suas costas, a respiração quente dele contra o seu pescoço. O loirinho não conseguia concluir um único pensamento daquele jeito. Só podia sentir que era uma posição boa, mas que ela não permitia que ele pudesse beijar o garoto. E Arthur realmente queria beijá-lo agora. Ele respirou fundo e afastou a mão de Alfred, virando e encarando-o.

– Arthur? – mas qualquer que fosse o que o Alfred fosse perguntar, ele não teve a chance de fazê-lo. Arthur alcançou seus lábios e o beijou, suspirando de leve com a sensação. O garoto retribuiu imediatamente, sentindo o coração palpitar dentro do peito pela mera ideia de que era Arthur quem ele estava beijando. Amar uma pessoa era estranho assim. Tudo era mil vezes mais difícil, mil vezes mais importante, mil vezes melhor na frente daquela pessoa, mil vezes mais embaraçoso. E isso era tão verdade, que as mãos de Arthur tremiam levemente quando ele as desceu e abriu o zíper da calça do garoto. O coração do loirinho estava batendo contra sua garganta, mas nenhum motivo para que ele parasse passava pela sua cabeça.

Ele sentiu o começo da roupa íntima do garoto e suavemente baixou-a, até que sua mão tocasse a pele e se fechasse em torno do outro. Os olhos claros de Alfred se fecharam e um gemido baixo escapou de seus lábios. E, como se tivesse adquirido um vício naquilo, ele buscou o beijo de Arthur, sua língua contornando a dele, e sua mão descendo para se juntar ao loirinho.

– Hnn... A-Alfred... Aah... — Arthur gemeu contra os lábios de Alfred e estremeceu quando sentiu-o colocar as duas ereções juntas. – A-Ah! – sua mão e a do garoto começaram a se mover e seus sentidos foram sobrecarregados pela sensação. Dava para sentir a ereção de Alfred contra a sua e aquilo era tão diferente. Foi torturantemente lento de início, até o ritmo crescer e se tornar rápido, deliciosamente rápido e forte. O beijo continuou, molhado demais para ser decente, longo demais para manter o fôlego.

Alfred afastou-se milímetros da boca de Arthur e gozou, gemendo baixo contra os lábios do loirinho. Arthur sentiu o sêmen de Alfred deslizar pela sua própria ereção, mas o garoto continuou a mover sua mão.

– A-ah... — O loirinho fechou os olhos e gozou sobre a mão do garoto, mordendo de leve a nuca dele em reflexo. Soltou-a e beijou a pele um pouco avermelhada, gemendo baixo, quase um murmúrio satisfeito. Seu corpo estava tão relaxado que a sensação era de que ele nem tinha ossos.

Alfred tomou a boca de Arthur, beijando-o devagar. E o coração do garoto palpitou, como se estivesse dando pequenos pulinhos dentro de seu peito. E continuou a parecer muito feliz, mesmo quando Arthur resmungou algo sobre a cama estar uma bagunça, mesmo quando os dois se levantaram e tentaram colocar tudo em ordem, mesmo quando ambos haviam se trocado – Arthur tomando algumas roupas emprestadas — e já confortavelmente deitados.

Ainda havia um sorriso idiota brincando nas feições do garoto quando ele e Arthur se encararam, deitados um ao lado de outro. O loirinho revirou os olhos, mas Alfred não conseguiu se importar. Apagou a luz ao lado de sua cama e abraçou Arthur, seu coração sendo ridículo e batendo mais rápido que o necessário.

Mas quando Alfred depositou um beijo sobre a testa do loirinho, foi a vez do coração de Arthur palpitar. Fosse lá o que o destino reservasse a eles, bem ali, naquele frágil momento chamado aqui e agora, Arthur estava feliz. E isso era suficiente.

Nenhum dos dois realmente soube quando acabou dormindo. Arthur não tinha a intenção de dormir, mas não conseguiu evitar. E, como ele soube que aconteceria, seu sono tornou-se agitado.

– N-não...

Alfred acordou atordoado, apreensivo com o sussurro assustado. Seus olhos claros reviraram o quarto, até se deterem em Arthur, um tanto encolhido e longe de si.

– Arthur?

A voz de Alfred, no entanto, pareceu tornar as coisas piores. Arthur se sobressaltou e acordou, cravando duas pupilas muito dilatadas na direção do garoto. O loirinho parecia assustado o suficiente para chorar. E, diferente das outras vezes... Ele parecia apreensivo, como se esperasse que Alfred fosse fazer algo de mal a si.

– Arthur? O que foi? – murmurou o garoto, afastando a franja da frente do rosto de Arthur.

O loirinho o fitou por um minuto inteiro, até suspirar e deitar a cabeça no ombro de Alfred, perto da curva do pescoço dele.

– Nada. – murmurou. Seus braços contornaram a cintura do outro e ele continuou a esconder o rosto. Quando seu tórax encostou no de Alfred, este pôde sentir o coração de Arthur bater absurdamente rápido. Suas mãos tremiam levemente, mas elas continuaram a abraçar o garoto.

Alfred já tinha visto aquilo antes e, de certo modo, sabia o que fazer. Simplesmente o apertou contra si, sentindo-o gradativamente menos tenso.

– Desde quando você tem esse tipo de sonhos? – sempre quisera perguntar, mas nas outras vezes a coragem lhe faltava.

– ... sempre, eu acho? – a resposta foi hesitante e vaga. — Não importa, eu já me acostumei a maioria deles. É só que... – mas voltou a se calar, sua mão apertando a camiseta do garoto com um pouco de força.

– Que...? – incentivou ALfred

– ....

– Que o que, Arthur? – insistiu.

– Eu não quero falar sobre isso. – murmurou Arthur. A verdade era que alguns dias eram piores que os outros. E, naquele em especial, ele sonhara com algo muito, muito doloroso. Ele só podia se lembrar da chuva, açoitando-o com tanta força que parecia ter ódio de si. E... havia Alfred. Pela primeira vez, ele lembrara de Alfred. Pela primeira vez, ele viu quem estava consigo naquele dia. Era ele. Mas... aquele Alfred era diferente. Ele era mais cruel. Mais infantil. Ele... o deixara. E aquilo estilhaçava seu coração. Arthur não queria lembrar. Não queria falar sobre aquilo. Ele queria jogar o problema para o fundo da sua cabeça e fingir que ele não existia. Porque às vezes as pessoas são covardes assim.

Mas quando a força que se tem não basta, ainda existe uma saída. Quando não se tem força suficiente, às vezes é preciso emprestar um pouquinho da de outras pessoas.

– Por favor, Arthur. – e o garoto pareceu realmente implorar. — Fala pra mim.

– ...

– Arthur.

– Não é nada.

– Confia em mim. – e, mais uma vez, ele estava implorando. Por um pouquinho de confiança.

– ... Alfred.

– O que?

– ... – as palavras entalaram. Porque era sinceridade demais, era se expor demais, era... era tão difícil. Mas... Talvez, se Arthur pudesse se vencer. Se pudesse ser mais honesto. Se ele entendesse... Então... talvez ele pudesse deixar aquele passado para trás.

E, na tentativa de soltar a mão do passado, Arthur abraçou Alfred, que era o que ele tinha no presente.– Eu não quero que você vá embora. – foi menos que um sussurro, porque as consequências para as suas palavras o assustavam.

O garoto calou-se por um momento. Porque ele não fazia ideia de que... Arthur o considerava tão importante quanto ele o fazia com o loirinho. Mas Arthur achava que ele era importante. Ele não queria que Alfred fosse embora. E, mesmo que soasse como egoísmo por parte de Arthur, isso fez Alfred absurdamente feliz.

– Eu também não quero ir. – murmurou, sinceramente. O loirinho pareceu absolutamente surpreso por um momento. E, no momento seguinte, ficou contente por ter dito a verdade. O garoto tomou sua mão e a apertou. Em resposta, Arthur encostou sua testa na de Alfred e seus olhares se encontraram. Um sorriso mínimo brincava nos lábios de ambos. Faltaram palavras. Porque elas sempre faltavam. Mas... a confiança podia ser muda, não havia nada de errado nisso.

Aquele dia era o comecinho de um relacionamento que cresceria e amadureceria, destinado a mudar completamente o rumo das vidas daqueles dois meninos, deitados abaixo de um céu muito vasto, vivendo sobre um mundo infinitamente grande. Meninos que se amariam o suficiente para acreditar que o mundo podia se resumir a uma pessoa, ou até mesmo a um breve momento.

Havia sim certa dose de euforia naquele tipo de amor. E era em parte porque ambos eram novos o suficiente para acreditar. Ao mesmo tempo, era algo pacífico, como se... eles já fossem muito velhos e aquele sentimento fosse como um companheiro de viagem muito antigo. Era um sentimento cheio de contradições, mas ambos resolveram tentar aceitá-lo.

Depois daquele dia, Arthur e Alfred tiveram poucas chances de se encontrar. Os dias foram escorregando pela soleira da porta, até que duas semanas se passassem. Semanas estas em que Alfred estudou desesperadamente para suas provas, uma vez que deixara tudo para a última hora. O loirinho foi inteligente o suficiente para usar casacos e blusas que escondessem o chupão que ele levara de Alfred até que a marca praticamente sumisse ( ao contrário de Alfred que, quando flagrado no dia seguinte e questionado sobre a marca de mordida, se atrapalhou e respondeu que tinha caído). E, além dessa preocupação em seu dia-a-dia, não havia nada de muito preocupante. Arthur ainda não estava em provas, então passara todos esses dias lendo ou dando pequenos passeios sozinho. Particularmente, ele adorava aquele estilo de vida, embora fosse o que Alfred definia como ‘terceira idade’.

Já Elizabeth estava particularmente contente nos últimos tempos. Arthur parecia mais feliz, um tanto animado com as coisas e não se tornara raro encontrá-lo sonhando acordado. Seu filho era sempre muito sério, então era engraçado vê-lo agir assim. Ela sempre ria consigo mesma.

“Provavelmente pensando em alguma menina” – pensava, ainda rindo um pouco.

Essa situação acontecia com frequência. Como, por exemplo, no presente momento, em que Arthur fitava o livro a sua frente, mas seus olhos não estavam se movendo. Ele olhava contemplativamente as mesmas linhas havia pelo menos uns dez minutos.

“A entropia mede o grau de desordem, de caos de um sistema. Qualquer evento acompanhado por um aumento no grau de caos tende a acontecer espontaneamente.”

Bem, a vida real parecia gostar muito daquela ideia.

– Arthur! Arthur!

– Ahn?! Eu? — Perguntou, se atrapalhando e deixando cair o livro no chão.

– É, filho! Perguntei se você pode abrir a porta, porque eu preciso terminar a receita e ainda colocar isso no forno a tempo. – disse ela, ao que o loirinho notou que ela mexia uma massa e vestia um avental.

– C-claro! – respondeu Arthur, levantando-se imediatamente e indo até a porta.

Alfred recomeçou a tocar a campainha, decidido a encher a paciência dos moradores da casa até que o atendessem. O garoto tinha sim tudo isso de bom senso.

– Eu já ouvii, caramba! – disse Arthur, abrindo a porta, um tanto irritado.

– Olá. – disse Alfred, dando um sorriso muito largo.

– Olá, Alfred. – respondeu Arthur, cruzando os braços, tentando se lembrar de que ia reclamar sobre o garoto ficar pendurado em sua campainha. Era só um pouquinho mais difícil quando o seu namorado estava dando um sorriso tão contente ao vê-lo.

Sua face avermelhou imediatamente assim que o pensamento lhe ocorreu. Namorado. Que estranho aquilo. Alfred era seu namorado. Estranho, definitivamente muito estranho. Por um momento, nenhum deles soube exatamente o que fazer.

– Não vai me convidar para entrar? – riu o garoto nervosamente, quebrando o silêncio e passando por Arthur, entrando na casa do outro como sempre fazia.

– Você já entrou mesmo. – disse Arthur, balançando a cabeça e rindo um pouco. Assim que fechou a porta, Alfred estendeu um braço que ele mantivera atrás das costas desde que chegara. Sua surpresa era uma pequena margarida, ou alguma flor parecida, simples e provavelmente pega por aí. Arthur ergueu uma sobrancelha.

– Eu não sou uma garota.

– Eu sei, acredite. – riu o garoto, e dessa vez havia um tanto de malícia em seu tom. De fato, Alfred bem sabia que Arthur era um menino. – Enfim, mas onde está escrito que eu não posso te dar flores? – perguntou, chegando mais perto e abrindo a mão de Arthur, depositando a flor em sua palma.

– Lugar nenhum. – concedeu Arthur, dando de ombros, um tanto interessado no presente em sua mão. Não era um presente muito usual, mas... Bem, era bonitinha.

– Não vai me agradecer? – perguntou, se aproximando um pouquinho mais, sorrindo outro tanto a mais.

– Hm. – Arthur considerou a situação. Dar o braço a torcer ou fazer valer a educação? Bem... Elizabeth se esforçara tanto em educá-lo... – Obrigado.

– Hmm... não aceito o seu obrigado.

– O quê?! Então vá a merda. – resmungou Arthur.

– Mas já que o seu ‘obrigado’ eu não quero, eu vou escolher outra recompensa. – riu o garoto, aproximando-se um pouco mais, até que a mão de Arthur, que segurava a flor, encostasse no peito de ambos. O loirinho sorriu divertido. Alfred sorriu de volta e, então, meramente fechou os olhos e o beijou de leve, sentindo-o corresponder suavemente.

– Filho, abre essa geleia pra...

Elizabeth parou no meio da frase e no meio do corredor, olhando para os dois. O vidro da compota caiu de sua mão e aterrissou no tapete. Arthur empurrou Alfred para longe de si e encarou a mãe, que apenas piscava, atônita.

“A entropia mede o grau de desordem, de caos de um sistema. Qualquer evento acompanhado por um aumento no grau de caos tende a acontecer espontaneamente.”

Notas finais
Bem, vocês devem ter notado o título do capítulo e se perguntado por que re_birthday? Bem, é porque HOJE, exatamente HOJE, essa fic faz um ano! o/ o/ Eeeee xD *confetes* Nunca achei que depois de um ano vocês ainda estariam aqui! xD Não tenho palavras para expressar minha emoção *-*
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Exatamente por hoje ser o aniversário, fiz do possível e do impossível para atualizar HOJE. Estive viajando, depois voltei, fui reprovada nos vestibulares todos, fiquei deprimida, fiquei doente, aí enfim, uma avalanche de coisas, mas uma ideia fixa: Ao menos dia 07 eu tenho que atualizar! xD Portanto cá estou eu, nem banho tomei ainda kkkkk
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Também por questão comemorativa, tivemos um lime! o/ Eeeee. Ficou uma droga, eu sei, mas eu me esforcei D: Os lemons mesmo acho que estão melhores. Mas enfim, sem spoiler xD
O capítulo foi tranquilo, de um modo geral, e o próximo deve sair certinho. Depois do próximo eu tenho a maioria já escritos, faltando revisar e ver se não esqueci de nada, ou se não dá pra ficar melhor. Então, a previsão é que cheguemos num ponto com atualizações mais constantes. Mas sempre saibam que eu dou um jeito de atualizar xD
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Hmm... Além disso... Ah, achei legal relacionar esse capítulo com um pouco de química ( embora isso sirva pra outras matérias) porque o primeiro capítulo é paradichlorobenzene. Re_birthday também é dos vocaloids e é ótima a música xD ( não me pertence, não me processem, please, a autora é pobre xD)
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Que mais... Bem, talvez esse capítulo tenha ficado meio sem sal? Não sei, por favor me digam o que acharam! Aproveitem e me digam como foi acompanhar essa história até aqui o/ ( medo de dizer isso e espantar todo mundo. Do tipo a pessoa ficar 'caraaaca já perdi um ano com esse treeeco?' Por favor não pensem isso! xD E desse ano não passa, não se preocupem! xD)
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Quanto a ptxbr, confesso que estou escrevendo as cenas, mas ainda não pensei muito bem sobre o final deles e tudo o mais... Então ainda não os inclui nesse capítulo. Franadá terá de aparecer a frente por conta de muitas razões que não posso dizer porque spoiler é crime xD
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Quanto às pessoas lindas, maravilhosas, cheirosas, divas e que merecem tudo de bom que me mandaram reviews! Irei respondê-los já! xD Só não podia deixar virar meia-noite senão não teríamos comemoração de aniversário! Bom, ainda são quase 22h, tomara que não esteja todo mundo dormindo xD
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Mil beijos e muito obrigada por tudo mesmo! :D