Boulevard Of Broken Dreams

16 Capítulo 16 - O Enforcado, parte II


Notas iniciais
Dedico essa capítulo a Ichimoku Hanna que recomendou essa história boba dessa autora mais boba ainda xD E um super beijo à quem recomendou antes! Tiia, valquiriaclara, susipolela e invisibleJu o/ o/

Francis acompanhava um pouco de longe a reconstrução de algumas casas. Suas costas repousavam encostadas a uma parede e ele cruzara os braços, observando o ir e vir de pessoas com materiais de construção. Há alguns minutos atrás, tentara ajudar, mas acabara sendo forçado a desistir quando seu flanco voltou a sangrar e a manchar sua camisa. Não havia nada demais na sua roupa naquele dia. Era uma camisa branca, cujas mangas ele tinha dobrado pouco acima dos cotovelos e uma calça preta e comum.

Não só era mais fácil se misturar com os civis como ele não conseguia ter ânimo para acordar e passar horas escolhendo uma roupa diferente e extravagante. Não quando o seu país estava daquele jeito. Não quando as pessoas estavam daquele jeito. Mesmo o seu cabelo estava um pouco bagunçado. Guerras geralmente tiravam sua natural empolgação com o belo e com as artes. Simplesmente, ele ficava exaurido. E por vezes o mundo era tão feio e perigoso, que era difícil pensar no belo e no fútil.

Fazia um belo dia, no entanto. O francês acreditava ainda na beleza natural das coisas. O sol, por exemplo, fazia um maravilhoso trabalho, brilhando com força no céu azul. As pessoas ficavam mais ativas e mais contentes quando fazia um dia cintilante como aquele. Mesmo Francis se recusou a ficar de repouso como deveria e saiu para o sol, acompanhando os pequenos progressos do dia a dia.

Era como observar o trabalho de formiguinhas. Era serviço demais para pessoas de menos. O país inteiro estava praticamente arruinado. O rosto do francês moldou-se em uma expressão mortalmente séria. Não somente o seu país. O mundo estava uma bagunça. Ainda se lembrava de como fora a última reunião com os demais países.

O encontro com os aliados... Alfred sentara-se primeiro e colocara os pés na mesa folgadamente. Parecia o mais enérgico de todos. Ivan entrou com a mesma expressão dócil e enigmática de sempre, embora ele parecesse ainda mais alto do que nunca. Yao e Arthur estavam visivelmente muito feridos. O chinês estava muito magro e pálido e não parecia particularmente ligar para aquela reunião ou que conversassem nela. O inglês estava pensativo e parecia magoado, apertava um ferimento com a mão direita e parecia não dormir há dias. O francês também tomou o seu assento.

– Hey, sabem de uma coisa? – a voz alta e agitada de Alfred se fez ouvir no cômodo. Todos se voltaram para ouvi-lo, a exceção de Arthur. – Eu sei como terminar a guerra com o Japão!

– O que você pretende? – o francês se sobressaltou. Em uma altura daquelas da guerra, o que aquele garoto pretendia?

– Eu tenho uma nova arma, que logo estaremos mostrando ao mundo. – embora ele tenha dito ‘mundo’ seu olhar foi dirigido diretamente a Ivan, que o olhava agora com uma expressão levemente sarcástica.

– É mesmo, América? – perguntou educadamente, embora nem um pouco surpreso. Ele sabia. – Eu vou estar olhando, então dê o seu melhor, sim? – e com isso, elegantemente se levantou e saiu da sala, seguido por Yao.

Arthur permanecera absolutamente calado e não olhara para Alfred. No entanto, o garoto virou-se e dirigiu-lhe a palavra.

– Né? – e sorriu-lhe um sorriso que parecia bobo, mas que escondia milhares de subentendidos.

– Você já me disse e me avisou que eu não estou em posição de argumentar. – disse Arthur em um tom levemente magoado, sem olhar uma única vez nos olhos de Alfred. Ele se levantou com alguma dificuldade, deixando escapar um suspiro cansado quando se dirigiu até a porta. – E eu já disse. Faça como quiser. América. – o tom ficou decididamente mais gélido, mas o garoto pareceu não ver. Pior, ele pareceu não se importar.


O francês foi retirado abruptamente de suas lembranças quando sentiu alguém tocar-lhe o ombro. Seu olhar rapidamente voltou-se para a direção de onde o toque viera. Viu um cabelo dourado e macio, além de um fiozinho rebelde.

– Matthew, mon petit! – rapidamente tratou de substituir a expressão preocupada por uma que escondesse seus pensamentos. O sorriso foi largo e o cumprimento efusivo.

O canadense, no entanto, não parecia muito bem humorado. Ele não recusou o abraço, mas também não o correspondeu. Ele não o olhou agressivamente, não, isso não era do feitio de Matthew. No entanto, ele evidentemente evitava o seu olhar e segurava o ursinho branco com mais força. Francis o conhecia o suficiente para perceber que ele estava irritado consigo.

Ele se virou de frente para o canadense muito rapidamente e segurou-lhe os ombros. No entanto, antes que ele pudesse dizer alguma coisa para se desculpar, sua visão embaralhou. Sentiu uma dor aguda na cabeça e uma vertigem horrível. Sua garganta arranhava e, no limiar de sua consciência, ele soube que ficar horas parado embaixo do sol do meio dia era uma ideia estúpida. Ele viu a realidade girar por um breve instante até que tudo se tornou escuro.

Quando abriu seus olhos, a tarde já morria no horizonte. Havia alguém na cabeceira de sua cama e um pano úmido sobre sua testa. Francis se levantou devagar e olhou para o lado. Matthew estava ali. Suspirou e desviou o olhar. Ele sempre estava. Mesmo que Francis nunca estivesse e mesmo que ele nunca fosse visitá-lo. Matthew, ao contrário das companhias fáceis de uma noite, estava ao seu lado quando ele precisava. Mesmo que suas companhias de uma noite recebessem muito mais de sua atenção. Parecia injusto até para si mesmo.

– Volte a deitar. – a voz de Matthew não era mais que um murmúrio suave. Talvez ele estivesse triste, mas ele era de longe educado demais para demonstrar isso.

– Hey, Matthew... – chamou o francês, hesitante e pensativo. – Você... tem falado com o Alfred ultimamente?

– Não... – o silêncio perdurou por alguns instantes enquanto o canadense torcia outro pano úmido e o deixava de lado. – Ele não fala mais comigo como falava antes. – murmurou com alguma decepção em seu tom calmo. – Mas... – sua voz se tornou mais alta e ele fitou o francês. – Eu tenho que admitir. Se não fosse os americanos nunca teríamos conseguido essa vitória.

– Vitória...? – aquela reunião dos aliados não saía da cabeça do francês. A evidente tensão crescente entre Alfred e Ivan. O jeito como nem Arthur parecia mais apoiar totalmente o garoto. E Arthur sempre o apoiava e muitas vezes, mimava. Como até ele parecia contra o que quer que Alfred tivesse em mente? Francis era velho o suficiente para saber que algo ruim estava para vir. – Eu não sei se isso é uma vitória... – o mundo estava mudando e ele podia sentir. Havia uma opressão sombria no ar.

O mais novo o olhou confuso, percebendo os olhos azuis do francês se perdendo no horizonte. Como se visse muito além do vidro meio empoeirado e do céu turvo e sem estrelas.



Fora há semanas antes do encontro que preocupava o francês. Quando Alfred acordou no quarto de hospital, Arthur não estivera lá. Já era madrugada alta lá fora. Não havia ninguém por perto, então o garoto com facilidade saiu de seu quarto, pegando seus pertences e andando pelos corredores vazios. Ele não conseguiria voltar a dormir. Seu casaco abraçava seu corpo enquanto ele se movia com alguma dificuldade. O corredor estava em absoluto silêncio, mas Alfred ouvia várias pessoas falando. O murmúrio de vozes era intermitente. O projeto estava para ser concluído. A guerra contra o Japão tinha que acabar.

No entanto, o garoto ainda hesitava. Seus pensamentos ainda eram de Arthur. A opinião do loirinho importava. Sua consciência ainda o condenava. Então, imerso em suas dúvidas, ele procurou por Arthur naquela noite. Não sabia onde ele estava, por isso checou cada um dos leitos, o mais silenciosamente que podia, sem acender nenhuma luz artificial. Pela janela, havia apenas uma luz azulada e fraca, o pouco que a lua míngua daquela noite podia oferecer. O garoto viu muitos rostos naquelas camas, mas nenhum era o que ele procurava. Entretanto, ele não tinha como desistir. Voltou a examinar as camas, auxiliado pela parca iluminação provida pela lua.

Alguns minutos depois, Alfred percebeu quando a pouca luz foi barrada rapidamente por alguma coisa passando do lado de fora da janela. Fora rápido e silencioso, então o garoto só tivera tempo de ver um vulto.


Fora furtivo demais e isso chamou a atenção de Alfred, que abriu o vidro e olhou para fora. Seus olhos claros se arregalaram levemente e ele prendeu a respiração inconscientemente. O tempo pareceu parar quando ele encontrou Arthur parado do lado de fora, distante em alguns metros. Fazia muito frio, mas o loirinho não pareceu se importar. Sua postura não detinha a elegância de sempre. Ele parecia cansado e pensativo e não tinha se dado conta de que Alfred o observava. No entanto, ainda que cansado, ele ainda era altivo e uma figura infinitamente bela e suave na paisagem noturna. Para o garoto, houvera apenas Arthur ali e todas as suas dúvidas anteriores pareceram irrelevantes. A criança que gritava em sua consciência toda vez que ele beirava à crueldade parecia rir de felicidade em ver Arthur de novo. Alfred se perguntava se o outro podia sentir aquela parte dele. Ele se sentia rir por dentro. Fazia um tempo que era sempre assim que ele se sentia quando estava perto de Arthur.


Hey you

Out there in the cold

Getting lonely, getting old

Can you feel me?


Ei você,

Aí fora no frio

Ficando solitário e ficando velho

Você pode me sentir?


Alfred não percebeu quando Arthur se moveu e caminhou de volta para dentro. O garoto ainda estava perdido em suas próprias divagações. Quando Arthur entrou no corredor, Alfred ainda olhava para fora vagamente. O loirinho sentiu o coração falhar uma batida quando encarou a pessoa que vinha ocupando seus pensamentos. Seus pés não se moveram. No entanto, talvez Alfred tenha sentido aquelas duas íris esverdeadas cravas em sua pessoa. Os olhos claros de Arthur acompanharam em câmera lenta quando Alfred se virou e seus olhos azuis recaíram sobre si.

O garoto conseguiu meramente fitar a figura parada no corredor. Arthur o olhava de volta e o silêncio parecia palpável, quase como um bloco de gelo espesso. Alfred olhou com mais atenção o rapaz parado no início da ala. Seus olhos se detiveram nas bandagens manchadas de sangue e se arregalaram quando ele se deu conta de que eram os mesmos ferimentos ainda dos bombardeios. Simplesmente não estavam cicatrizando. Diante de sua expressão horrorizada, Arthur esboçou um meio sorriso, de quem sabia que ele tinha percebido. Alfred sentiu a garganta apertar e trancar quando notou como aquele sorriso era diferente dos que ele guardava em sua lembrança. Parecia estar se esvaindo, sublimando, cada segundo mais distante de como ele sabia sorrir nas memórias que a criança que o conhecera guardara.


Hey you

Standing in the isle

WIth itch feet and fading smile

Can you feel me?


Ei você

Parado no corredor

Com pés sarnentos e com um sorriso desaparecendo

Você pode me sentir?


Arthur caminhou lentamente, se aproximando de Alfred. Seus passos foram um pouco vacilantes e sua mão voltou a pressionar o lado esquerdo do tronco. O meio sorriso desapareceu conforme ele se aproximou. Era assim toda vez que ele chegava perto de Alfred. Ele nunca sabia o que esperar. Será que Alfred lhe seria gentil? Ou será que ele o bateria e agiria como outra pessoa? Por mais que ele amasse aquele garoto, ele estava encontrando dificuldades em viver assim. Era horrível se aproximar sem saber o que ele deveria esperar. Por isso, seus passos se detiveram a cinco metros do outro. Ele já não sabia se confiava em Alfred o suficiente para chegar mais perto. Quando ele estava inconsciente, era diferente, era como se ele ainda fosse a criança que esperava que ele afofasse seus travesseiros e contasse uma história. Mas agora, parado naquele corredor gelado e naquela madrugada, Alfred o deixou hesitante.

O garoto notou a distância que Arthur impôs entre eles. No entanto, ele a ignorou completamente quando percebeu a pele do loirinho totalmente arrepiada de frio. A distância morreu em poucos passos e o casaco repousou quente sobre os ombros de Arthur, ao que Alfred recuou um passo. Ele não era idiota o suficiente para não perceber que o outro desviara o olhar e, embora agradecido e talvez até encantado, estava nervoso e desconfortável com sua proximidade.

– Você... não vai dormir? – a pergunta de Alfred foi hesitante e seu olhar desviou-se do outro.

– Eu não... estou com sono. – mentiu Arthur, suas mãos apertando o tecido do casaco entre os dedos nervosamente. O fato é que ele não conseguia conciliar o sono e seus pensamentos e sentimentos confusos.

– Ahn... A gente pode... conversar? – o tom de voz de Alfred foi diferente e Arthur sentiu isso. O garoto sentou-se no chão e apoiou as costas na parede, olhando-o com alguma expectativa.

E mesmo que o loirinho tivesse concluído minutos atrás que não era saudável ficar próximo de Alfred, não era como se ele pudesse evitar naquele momento. Acabou por sentar-se ao lado do garoto, sibilando um pouco com o chão gelado e intimamente realmente grato pelo casaco aquecido de Alfred. O frio deixava seus ferimentos mais sensíveis e aquele calor que o garoto lhe cedera viera como alívio em uma ótima hora. Fora imprudente sair assim naquele frio, mas seus pesadelos o acordaram do sono calmo e ingênuo que ele achou que teria e seus pensamentos o ameaçaram sufocar naquele quarto. Ele só não esperava que Alfred também estivesse acordado àquela hora. Foi com alguma curiosidade e reticência que Arthur virou-se e fitou o garoto, esperando que ele lhe dissesse a razão daquela conversa.

– Arthur, o que você acha… dessa Guerra? – o garoto não o olhou nos olhos ao perguntar.

O loirinho hesitou antes de responder. A pergunta pareceu sair de lugar algum e ele foi pego de surpresa.

– Eu... acho que ela precisa terminar. – murmurou, seus olhos verdes se erguendo e fitando o céu lá fora.

– Né? – o tom de voz do garoto mudou em algum lugar, mas Arthur não saberia precisar o que era. Viu-se fitado por dois olhos azuis que cintilavam estranhamente. – Quanto menos pessoas morrerem melhor, não é? Você vai se aliar a mim não importa o que, não é?

Arthur o olhou um pouco confuso. Eles já eram aliados. Portanto, o loirinho não pensou muito mais a fundo no assunto antes de acenar vagamente com a cabeça.


Hey you

Don’t help them to bury the light

Don’t give in without a fight


Ei você

Não os ajude a enterrar a luz

Não desista sem uma luta


– Alfred? – Arthur tocou o ombro do outro, tentando olhar para o rosto dele.

Alfred virou-se para olhá-lo. E Arthur se assustou, porque ele parecia prestes a chorar. O garoto o fitava com certo desespero. E o loirinho parecia querer ajudá-lo. No entanto, a ajuda se estendia apenas à parte consciente de Alfred. Arthur parecia ansioso em encontrar o seu garoto de novo. Aquele que Alfred tentara isolar em alguma parte de sua consciência, cimentar aquela criança atrás de uma parede.


Hey you

With your ears against the wall

Waiting for someone to call out

Can you help me?


Ei você

Com seus ouvidos encostados no muro

Esperando alguém chamar

Você pode me ajudar?


Alfred tinha um bom coração, mas ainda, como uma criança, ansiava pela aprovação de Arthur. Ele sabia, em algum lugar no fundo de sua mente, que o que ele estava para fazer era errado, mas ele não queria que Arthur o repudiasse. Alfred tinha perfeita noção do estrago que ia fazer e das meias verdades que estava contando. E aquilo pesava em sua consciência a tal ponto que chegava a doer e o colocara à beira das lágrimas.

E bem ali, em sua frente, Arthur viu como os olhos de Alfred estavam claros. Muito mais do que quando ele o abraçara no meio daquele bombardeio. Muito mais que naquela manhã no hospital. Perfeitamente cristalino e perfeitamente limpo como costumavam estar quando Arthur vinha até o novo mundo e batia à porta do garoto, voltando para a casa deles.

Alfred ainda o olhava com desespero, tentando conter a confusão em sua cabeça e as lágrimas que ameaçavam se derramar. Arthur sentiu seu coração apertar. Ele odiava ver o seu garoto chorando. Seus braços se estenderam e ele abraçou Alfred com força, seus dedos fazendo carinho de leve nos cabelos dele.

– Shhh... O que foi, meu anjo? – o tom suave saiu naturalmente dos lábios de Arthur. Mesmo o apelidinho bobo saiu sem que ele realmente pensasse sobre ele. No fundo, não fazia diferença como ele amava aquele Alfred. Ele só sabia que não podia suportar vê-lo chorar.

No entanto, a doçura do que lhe fora dito pareceu ter o efeito oposto no garoto. Porque ele sabia que nem de longe era como um anjo e que não merecia o cuidado que o outro tinha por si. O choro dele se tornou mais desesperado e ele abraçou Arthur de volta com força, escondendo o rosto no ombro dele.

– Arthur, me ajuda. – murmurou ele, tremendo nos braços do outro. — Eles tão falando comigo, não deixa, eu não quero!

– Alfred, de quem você está falando? – ele não conseguia entender o que estava se passando com o seu garoto. Ele parecia se debater em seus próprios pensamentos, como se tentasse expurgar um intruso em sua própria mente. – Alfred, o que está acontecendo? – ele afastou um pouco o garoto e suas mãos seguraram-lhe o rosto, olhando naqueles olhos azuis, tentando achar uma resposta que Alfred não parecia capaz de lhe dizer.

– Eu sei que você não confia mais em mim, eu sei que eu perco a cabeça às vezes, mas não sou eu, são eles, Arthur, não deixa eles falarem comigo! – seu desespero e melancolia pareciam estar confundindo-o. Os olhos claros do garoto cintilavam não só em lágrimas contidas, mas com alguma insanidade.

– Alfred, o qu-

– Ei, Arthur, eu não gosto de fazer coisas erradas. – interrompeu-o, olhando fundo nos olhos muito verdes de Arthur. — Mas se você disser que é certo, é o suficiente? Eu posso fazer isso? – no fim, seu tom de voz confiante era só um murmúrio choroso. Ele simplesmente voltou a abraçar o loirinho, sabendo que o colo dele era o único lugar em que ele podia se sentir seguro. — Me ajuda, Arthur, eu não quero carregar isso sozinho. Eu não quero!


Hey you

Would you help me to carry the stone?

Open your heart, I’m coming home.


Ei você, você me ajudaria a carregar essa pedra?

Abra o seu coração, eu estou voltando para casa.


– Shhh... eu estou aqui, Alfred. Não tem mais ninguém aqui além de nós dois. – murmurou Arthur, seus dedos entrelaçando nos cabelos cor de caramelo do outro. – E eu não vou a lugar algum. Vai ficar tudo bem, Alfred... – sua voz grave e suave murmurava consolos que vinham sem garantia alguma, mas que surgiam do seu profundo desejo em fazer aquele menino feliz.

– Você vai estar comigo, Arthur? – a voz dele quebrou e alguma coisa no fundo dos olhos dele também. – Depois de tudo, promete que não vai me odiar? – a pergunta saiu em um fio de voz e o garoto parecia absolutamente aterrorizado com a possibilidade de obter uma resposta que não suportaria ouvir.

– Eu prometo. – ao contrário da voz de Alfred, a voz de Arthur não tremeu em uma única sílaba, tão confiante, tão certo que ele estava da promessa que fazia. Seus olhos fecharam porque por alguma estranha razão seu coração doía. Não importava como ele olhasse para aquela situação. Era como se Alfred estivesse lhe dando adeus.

Seus olhos fechados não o permitiram ver a expressão que Alfred tinha naquele momento. Mas a voz chorosa dele alcançou Arthur.

– Eu juro que tentei, mas ele já é forte demais para mim.

Tão rápido como veio, se foi. Alfred piscou algumas vezes e as lágrimas se foram. Quando Arthur o olhou de novo, percebeu os olhos dele de volta a um azul médio. E ele nunca soube se era sua imaginação lhe pregando peças, mas ele podia jurar que o azul estava ficando mais escuro.

Alfred sorriu.


– Obrigado, Inglaterra. – Arthur sentiu um arrepio agourento. Que sorriso tortuoso era aquele?


But it was only a fantasy

The wall is too high as you can see

No matter how he try, he cannot break free

And the worms ate into his brain


Mas isso era apenas uma fantasia

O muro é muito alto, como você pode ver

Não importa o quanto ele tente, ele não pode se libertar

Então os vermes devoraram seu cérebro


– Pelo o quê...? – foi a primeira pergunta que lhe veio a mente, que ainda tentava processar a mudança súbita de comportamento do outro.

– Por calar a boca da intragável vozinha na minha cabeça. – seu sorriso aumentou e parecia deformar levemente as feições do garoto. Com bem pouco, Arthur podia acreditar que era outra pessoa. Alfred retomou a palavra e seu tom era jocoso e alegre. – Ele ficava o tempo todo: “Arthur vai me odiar por isso!” ou então “O que você está fazendo? Isso não é certo!” – disse imitando uma vozinha aguda e idiota. Seu tom voltou ao normal e ele se levantou, olhando para o outro sentado. – Mas, graças a você, agora ele sabe que não importa o que ele faça. Você acaba de fazer a luta dele não valer a pena. Afinal, era desgastante ter de lutar comigo se eu sou a voz de muitas outras pessoas. Ele só lutava porque não queria que você o odiasse. – revirou os olhos e suspirou. – Imagine só, o pobre ingênuo. Por que lutar comigo? Eu sou a justiça.

Arthur sentiu vertigem com a velocidade com que as informações entravam em sua cabeça. A conversa que teve há algumas horas atrás veio com força de volta à sua mente.

“- Eu... nem sei o que dizer, Arthur. – murmurou, finalmente, pensativo. – às vezes eu tenho a nítida impressão que ele te ama, mas às vezes parece que ele te odeia. É quase como se... fossem duas pessoas completamente diferentes. – concluiu, em um suspiro frustrado.”

Então a realização afundou em sua consciência como uma pedra. Alfred fora embora antes que ele contasse como se fazia para bloquear os pensamentos e interesses dos vários governos que passavam por um país. Exigia treino enquanto o país se formava, independente. Mas o choque de perder o garoto fora tão grande que ele esquecera. Isso explicava as vozes na cabeça de Alfred. Arthur mantinha a sua mente praticamente em silêncio, mas sabia como, no começo, achara que ia enlouquecer com todas aquelas pessoas gritando na sua cabeça, tentando manipular a opinião pública e atender os próprios interesses.

E Alfred chegara a um ponto que começara a acreditar nas mentiras do próprio governo. Ele já não sabia julgar nada.

Pior do que aquilo. Se aquele não era mais Alfred e se aquilo era uma manifestação pura dos desejos de um governo... então onde estava o seu Alfred? O garoto que ele amava?

– Bem, por hoje é só! O herói se retira! – a voz veio brincalhona e o sorriso veio torto. Arthur se levantou de uma vez só, correndo atrás dele pelo corredor.

– Alfred! Alfred, volta aqui! – o garoto era rápido e achou engraçado fazer o outro correr atrás de si até que estivesse acabado. De fato, a respiração de Arthur vinha em um ritmo irregular e seu tronco doía, sentindo algumas pontadas em certos lugares, o sangue escorrendo e secando sobre as bandagens. – Alfred, por favor! Eu sei que você está aí! Você não pode deixar que ele mande em você! Alfred! Não faça isso… — o final de sua frase veio em um sussurro sem fôlego. A culpa fazia seus estomago revirar e bagunçava seus sentimentos.


Hey you

Out there on the road

Always doing what you’re told

Can you help me?


Ei você, aí fora na estrada

Sempre fazendo o que te mandam

Você pode me ajudar?


– Alfred! – puxou todo o ar que podia para chamar o garoto de novo. Seu corpo se dobrou e ele apoiou as mãos nos joelhos, vendo Alfred sorrindo no final de outro corredor. O seu garoto tinha que estar ali, em algum lugar.


Hey you

Out there beyond the wall

Breaking bottles in the hall

Can you help me?


Ei você, aí fora, atrás do muro

Estilhaçando garrafas no corredor

Você pode me ajudar?


Alfred estava prestes a virar o corredor e desaparecer de seu campo visual. Arthur até pensou em alcançá-lo, mas seus joelhos cederam e seu osso bateu com força no chão. Foi baixo, mas Alfred ouviu o que ele lhe disse.


– Hey you, don’t tell me there’s no hope at all… Together we stand, divided we fall. (Ei você... Não me diga que não existe esperança no final das contas. Juntos, nós permanecemos e separados, nós decaímos.)



Notas finais
Então, pessoas! Oláá, me desculpe a demora! Bem, além dos outros aspectos da minha vida, a inspiração inventou de aparecer só para os capítulos na frente xDD Resultado: esse aqui não saía, mas to com vários capítulos mais a frente feitos u.u Enfim, perdoem essa pobre autora bagunçada.
Bem, a música do capítulo é Hey You, espero que vocês entendam onde ela se encaixa na história. E logicamente, a música não me pertence, comprem o álbum, não se arrependerão xD (http://www.youtube.com/watch?v=PxEWiQ6Zri4)-> pra quem quiser ouvir. E o vídeo também não me pertence viu xDD
Então, estamos em transição, beirando guerra fria. Acredito que teremos mais dois ou três capítulos para a guerra fria e e depois voltamos ao presente o/ ( nem eu acredito xDD)
E o mais importante, pro final xD Obrigada meeeeesmo pelo apoio no último capítulo! Meu coraçãozinho foi aos pulos ver os reviews de vocês e eu estou muito feliz, muita gente veio e eu estou feliz *-* Irei responder agora mesmo!
E já disse, mas agradeço de novo à Ichimoku Hanna que recomendou essa história *-* To tão feliz que voces nem acreditam xD Enfim, eu falo muito, desculpem, já vou parar xDD Beijo, beijo, obrigada e até capítulo que vem!