Both Sides Of A Mask.
3 Welcome to Earth.
Algumas horas antes...
-Nightwalker, assim que você colocar os pés em Winterwinds, procure pelo mensageiro. Ele estará lhe esperando em uma praça que inabitada da cidade.
- Ok... É quem estou pensando?
- Não faça perguntas. Vá.
Eu estava de frente para a praça. Era noite de lua cheia, e ao redor do lugar havia uma leve neblina suspensa no ar. Percorri os olhos por todo o local, procurando o tal mensageiro.
- Merda. – Havia um grupo de humanos sentado em um dos bancos que cercava a tal da praça, e pelo que pude perceber eram drogados. Eram em torno de uns 5 deles. Cada um me olhava de uma forma mais amedrontada que o outro. Deixei uma risada baixa escapar, dando alguns passos em direção ao centro do local. Um deles começou a gritar, puxando o cara ao seu lado pela camisa.
- VAMOS SAIR DAQUI ANTES QUE ESSA COISA NOS COMA! – De tão assustado ele chegou a tropeçar, levantar e sair correndo como se eu realmente fosse fazer algo. O restante apenas o acompanhou. Se eu tivesse a intenção de matá-los, não teria dado tempo de nenhum deles piscar, iriam morrer sem saber como.
Fechei os olhos, deixando um suspiro escapar. – Cadê aquele maldito mensageiro? – Vasculhei o local inteiro com os olhos outra vez, quando de repente ouço uma voz irritante atrás de mim.
- Nada mal para um lobisomem. Malhando muito, Nightwalker? — Disse Morkez num tom irônico.
- É melhor você não me provocar, se quiser continuar respirando. — O encarei seriamente nos olhos.
- Você é o filho mais mimado de Satan! Cadê os seus modos, pirralho? Bom, melhor sairmos daqui rápido, antes que apareça mais um idiota e te veja.
Minha vontade naquele momento era de cortar pedaço por pedaço do seu corpo minúsculo, mas infelizmente eu dependia dele. Aos menos até o final desta missão.
- ... — Permaneci em silêncio.
- Temos que diminuir a sua forma e lhe transformar em um humano. Fácil, rápido e indolor. Feche os olhos.
- Ok. Seja rápido, antes que mais algum ser humano apareça por aqui tentando brincar de caça ao monstro. – Por fim, fechei os olhos. Ouvi Morkez sussurrando algumas palavras de linguagem estranha, provavelmente antiga dos demônios. De repente senti a palma de sua mão fixar-se em minha testa, sentindo uma pequena fisgada nela.
- Pode abrir os olhos agora. Fiz um pentagrama na sua testa pra poder te transformar em um ser humano. Não se preocupe, ele não está visível agora.
Abri os olhos. Pisquei algumas vezes, erguendo as mãos para que eu pudesse vê-las. Olhei para cada parte do meu corpo, um pouco surpreso. — Um adolescente? Você está querendo foder comigo, Morkez? — Grunhi. Ele apenas baixou a cabeça e riu.
- HAHAHA, sim! E não reclame, seu infeliz. Está é a única forma de fazer com que eles não desconfiem de você: um adolescente normal e de estatura média, com cara de idiota. Não podemos facilitar as coisas por aqui, meu querido amigo “lobisomem”. Se eu fosse me basear na sua forma real... Estaríamos ferrados, então aguente, não será por muito tempo.
- Você me pagará por isso, pode ter certeza, seu diabrete filho da puta. – A minha aparência era mais ridícula do que eu pensava. Em um único estalar de dedos dele, estávamos dentro de um pequeno apartamento, com pouca iluminação. Virei os olhos ao redor do lugar, o analisando. Levei as mãos até minha cintura, retirando os machados e os segurando com força. Em questão de segundos ambos viraram pó. Morkez sabia o porquê de eu estar fazendo isso, eu não podia ficar andando por aí com os machados. A verdadeira “essência” deles havia ficado em meu corpo, em forma de tatuagem sobre as minhas costas.
- Deixando isto de lado, vamos ao que interessa Nightwalker. – Suspirei, prestando a atenção nele. — Lidar com os humanos não é algo difícil, mas você precisa ter cuidado. Alguns são espertos demais e levantam suspeitas sobre a nossa existência.
- Certo. E você tem certeza de que é seguro nos encontrarmos sempre lá? Nessa praça que até então era mal habitada. — Eu tinha minhas dúvidas. Era um lugar aberto, mesmo sendo “deserto”.
- Sim. Sem perguntas a respeito disso. Aqueles humanos nem vão se lembrar do que viram quando acordar, de tão chapados que estavam. — Para ele insistir, aquela praça deveria esconder algo. — Voltando ao assunto... A sua missão aqui é bem simples, e esperamos o melhor. Você não foi escolhido à toa, Nightwalker. Não nos decepcione.
- Vou ser rápido, não se preocupe. Por onde eu começo?
- Você se disfarçará de um aluno do ensino médio, na Phoenix High School. Há rumores de que uma Arcanja está disfarçada “tomando conta” de tudo por lá. Não pense que vai ser fácil rastreá-la, pois assim como nós, eles também podem esconder as suas auras.
- Eu sei disto, ou esqueceu quem eu sou? — O encarei por alguns instantes, cruzando os baços — Você fala de um jeito como se eu fosse um novato. Tome cuidado. — Ele apenas riu. Respirei fundo, fechando os olhos tentando manter a calma.
- Você está subestimando os anjos, garoto. Você NUNCA lutou com eles antes, então é melhor baixar a bola e escutar o que... — Não pude me conter. Em questão de segundos segurei seu pequeno corpo entre os meus dedos, apertando-o entre eles com força.
- É melhor VOCÊ não me subestimar, ou estará morto. — O soltei, dando alguns passos em direção à janela, observando a lua. Ouvi o diabrete tossir e pigarrear algumas vezes, tentando dizer algo.
- Você vai se arrepender, moleque. — O ignorei. — Você começa amanhã a frequentar aquela espelunca. Deixei tudo pronto pra você, pirralho mimado. O endereço e as instruções estão na geladeira, se precisar de algo sabe o que fazer. — Quando virei os olhos ele já havia sumido.
- ... Irritante. — Cocei a cabeça, fechando em seguida às cortinas da janela da pequena sala.
O apartamento era pequeno, mas confortável. Havia um quarto, banheiro, sala com sacada e cozinha, que mais parecia um corredor.
Adentrei o quarto a minha frente, fechando a porta atrás de mim em seguida. A cama ficava ao lado da janela, que ficava ao lado direito, tendo um espaço um tanto pequeno entre a parede e ela. Ao lado esquerdo, havia um criado mudo com um reléogio. O guarda-roupa, de tamanho mediano, ficava de frente para a cama, bem mais afastado. Sentei-me na cama, olhando para o espelho que ficava nos pés desta, pendurado por um prego na parede. Retirei a camisa comprida que cobria meu corpo, virando-me um pouco para poder visualizar a tatuagem que havia se formado do pó dos machados. Havia um símbolo no centro, para que quando eu precisasse os sumonassem. Suspirei, deitando sobre a cama e cruzando os braços atrás da cabeça, observando a lua cheia.
- Por que você observa tanto a lua, Nightwalker? – Perguntou Anubis.
- Ela sempre me atraiu de uma forma estranha, eu só não sei o porquê. – Isso era algo que muitos me perguntavam e eu nunca soube responder. Desde criança sempre tive essa atração pela lua, como se fizesse parte de mim. – Talvez seja melhor descansar, o dia vai ser insuportavelmente longo amanhã. Adolescentes... Fala sério.
18.08.2012 – 6:00am
As únicas coisas que me fizeram acordar foi o sol contra o meu rosto e um barulho extremamente agudo. Sentei sobre a cama e esfreguei os olhos, olhando para o relógio que estava sobre o criado-mudo. Dei apenas um soco nele, o destruindo.
- Muito melhor. – Pulei da cama e fechei as cortinas do quarto. Abri o guarda-roupa, procurando algo para vestir. Puxei do cabide uma camiseta preta de manga comprida e um casaco cinza escuro, grosso o suficiente para não passar frio. Sinceramente, os humanos são fracos demais a temperaturas. — Preciso de algo pra colocar nos meus... Pés... – Era estranho, eu nunca havia me preocupado com essas coisas antes, porque sempre estive com armadura. Roupas, calças, calçados... Um saco. Na parte debaixo havia uma fileira de calçados. Peguei um tênis qualquer e os calcei. Eu já estava vestindo uma calça jeans. – Vamos lá.
Saí do quarto, fechando a porta em seguida. Dei alguns passos até a cozinha, retirando o papel que havia na geladeira com as instruções de como chegar e o que fazer no colégio. Em frente a geladeira tinha uma pequena mesa redonda, e em cima um molho de chaves com uma mochila preta. Peguei a mochila, a colocando nas costas, colocando o pedaço de papel em um dos bolsos da calça. Peguei as chaves e saí do apartamento, o trancando e guardando a chave dentro do bolso do casaco.
Eu não sabia exatamente o que fazer e como me disfarçar corretamente como um adolescente normal. A única coisa que eu sabia é que todos eram estupidamente ridículos.
Observei todo o caminho para a Phoenix High School. A vizinhança parecia ser mais reservada, e mal saíam na rua. Talvez fosse porque o lugar era praticamente habitado pelos marginais da cidade, o que me deixava um tanto curioso. Quem sabe algum demônio renegado vivia por aqui? Seria útil, parando pra pensar.
Quando me dei conta estava de frente para os portões do colégio. Coloquei a mão direita em um dos bolsos da calça, procurando pelo pedaço de papel onde havia as instruções enquanto caminhava rumo ao edifício.
O colégio vomitava pessoas pra fora das janelas. Os corredores eram superlotados, e aquilo me incomodava, e além de ter a aparência de um adolescente idiota, eu era baixo. Mas percebi algo quando adentrei as portas daquele lugar: as pessoas ao me olharem se afastavam, como se eu fosse o pior pesadelo de todos eles. E eu realmente sou.
- Hm. Sala de ciências... Sala de ciências... – O corredor era longo, e por sorte, o sinal ainda não havia tocado. Dei mais alguns passos e adentrei a porta a minha esquerda. Parei por uns instantes, observando a sala. Todas as pessoas se assustaram ao me ver, começando a fazer murmurinhos.
- Melhor ficarmos longe dele. Talvez seja um seria killer!
- Olha para aquele garoto... Assustador, ele pode nos matar.
Isso era bom. De certam forma, não haveria ninguém me incomodando fazendo mil perguntas. No fundo da sala, perto da janela, havia um assento vago. Dirigi-me até lá, pendurando as alças da mochila atrás da cadeira, sentando em seguida sobre ela. Apoiei os cotovelos sobre a mesa e as mãos com os dedos entrelaçados em frente os lábios, olhando para fora o lado de fora da sala.
- Bom dia, turma. – Um homem de estatura média, vestindo uma camisa azul escura e calças jeans meio usadas adentrou a sala ajeitando seus óculos sobre o rosto. – Bem, vejamos o que temos aqui... – Ele segurava uma pequena pasta preta. Apoiou-a sobre sua mesa, folhando os papéis dentro dela. – Temos quatro alunos novos, seus nomes são Matthew, Brian, Jean e Ethan. Por favor, apresente-se para a turma um de cada vez. – O primeiro levantou um pouco sem jeito, falando sua idade, de onde veio e tudo o mais. Os outros dois fizeram a mesma coisa.
- Olá, me chamo Ethan. – Sentei-me novamente. O professor levou a mão direita até os lábios, tossindo.
- Ahn, Ethan, heh, por favor, nos diga de onde você veio, sua idade... Essas coisas, queremos conhecer um pouco você. – O professor não era idiota, já tinha notado que a turma se sentia ameaçada com a minha presença. Levantei outra vez, olhando para cada cara assustada dentro daquele lugar.
- Eu sou daqui mesmo, de Winterwinds. Passei por alguns problemas, então, ahn, meu tio resolveu me matricular nesse colégio. Tenho 16 anos. Mais alguma coisa, professor? – Virei os olhos em direção a ele, e pude notar que ele se sentiu ameaçado. Mais um.
- Haha, não... É só isso, pode se sentar, Ethan. Pessoal, espero que todos vocês se deem bem com ele. Vamos começar a aula. – Ninguém sequer chegaria perto de mim, o que não me incomodava nem um pouco.
O resto da aula passou normalmente. Tivemos troca de sala, por causa das aulas, mas tudo passou bem rápido. Já estávamos na última aula quando o sinal tocou. Quando levantei e coloquei a mochila nas costas, todos me olharam como se eu fosse jogar uma bomba nuclear em cima deles. Todos saíram com pressa, exceto uma garota, o que achei estranho. Dei de ombros e me dirigi até a porta da sala.
- Ethan... Não é? – Ouvi a voz da garota ecoar suavemente pela sala. Olhei para o lado e a observei por alguns instantes. Ela era um pouco mais baixa que eu, tinha os cabelos longos e ondulados de cor prateada, e os olhos de cor púrpura escuro.
- Ahn, sim.
- Já conheceu a escola? – Ela não parecia estar assustada.
- Ainda não. – A garota deu alguns passos, ficando do meu lado.
- Então vamos, deixa eu te mostrar as coisas por aqui. É meio chato, mas de certa forma você vai gostar. – Ela sorriu e me puxou pela manga do casaco com um pouco de pressa, me arrastando para fora da sala.
Ela me mostrou todos os lugares. Desde a sala dos professores até o lugar onde os garotos se drogavam. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que se ligava nisso, o que me pegou de surpresa.
- Bom, nós temos o conselho estudantil, no qual eu faço parte já tem um bom tempo. Tem uma vaga sobrando, se você quiser. Eu posso falar com a coordenadora. – Eu não sabia exatamente do que ela estava falando, então decidi permanecer em silêncio.
A garota explicou como funcionavam as disciplinas e como eram aplicados os testes. Achei um tanto estranho. Eles apenas lhe entregavam um pedaço de papel com perguntas e cálculos pra você resolver. Acho que se eles aplicassem as provas como fazemos no Inferno seria muito melhor. Talvez aprendessem alguma coisa de verdade nesse lugar.
Já estávamos perto do portão de saída do colégio. A tal garota deu alguns passos apressados a minha frente, virando-se para mim. Ela estendeu sua mão, com um sorriso desenhado nos lábios.
- Então é isso. Seja bem vindo! Muito prazer, meu nome é Lilian. Até amanhã, Ethan.
- Até. – Fui para o seu lado oposto, colocando as mãos sobre os bolsos da jaqueta um tanto pensativo. Lilian... A única pessoa na qual não sentiu medo de sequer olhar em meus olhos ou ficar perto de mim. Por quê?
Notas finais
Pra quem começou a ler em outubro... *dead* Me desculpem. Realmente, deixamos a fic de lado por bastante tempo, mas agora as coisas vão engrenar. Um cap por semana, se o grande Odin permitir. qqq
Espero que gostem! Por favor, deixe suas críticas ou elogios aqui pra nós! Nos dê sua opinião, é muito importante.
Obrigada e até o próximo cap! :D
Fale com o autor