Notas iniciais
AVISO: esse capítulo será narrado pela personagem Lilian.

Se eu pudesse ter escapado dessa guerra, eu o teria feito. A única coisa que move o ódio entre nós, Arcanjos, contra os Demônios, é o próprio sangue de poder. Não apenas porque nós somos considerados os “mocinhos”, mas porque Deus decidiu que nós deveríamos ser assim, e que deveríamos lutar com unhas e dentes pra mostrar para os seres do Submundo que nós somos muito mais superiores do que qualquer outra criatura existente.

- Lilian, você será encarregada a uma nova missão na Terra. Você deverá protegê-la, e deverá eliminar qualquer criatura que tente gerar desordem. Você será a Guardiã. – Deus invadia meus sonhos, proferindo tais palavras suavemente. Ele, vestindo uma túnica branca presa por um símbolo de prata na altura de seu ombro esquerdo, veio até mim, olhando em meus olhos. – Feche os olhos. Confie em mim. – Com seu pedido, fechei os olhos lentamente. Ele pressionou uma de suas mãos contra o meu peito com força, fazendo com que eu sentisse algumas pontadas por esta região. Apertei com força os olhos, podendo ainda assim notar que uma luz cobriu o local onde estávamos. – Pode abri-los agora. – O fiz. Pisquei algumas vezes, levando a mão direita na região onde ele havia me tocado. Minha pele estava relevada, e doía. Baixei os olhos e havia um símbolo sobre meu peito. Ele sangrava.

- O... O que é isto? Por que o colocou em mim? – Sussurrei. Eu não entendia. Franzi o cenho enquanto sentia algumas fisgadas no peito, devido à marca que eu acabara de receber, que até então eu não conseguia decifrar o que realmente era por estar um pouco deformada por causa da minha pele.

- Não se preocupe. Logo entenderá o porquê desta marca em seu peito.

Depois de Deus proferir suas últimas palavras, acordei e sentei-me sobre a cama.

A dor continuava há latejar um pouco em meu peito. Levei ambas as mãos para abrir os botões do meu pijama, que estava um pouco manchado de sangue, para poder ver a tal marca que ele havia colocado em mim.

- Símbolo do Arcanjo Miguel, o Protetor. — O desenho é um círculo triplo e em seu centro havia alguma espécie de símbolo, certamente Hebraico. – Ugh, isso arde. E ta sangrando. Droga! – Fechei um dos olhos sentindo outra fisgada. Levantei da cama, dando alguns passos até o banheiro que ficava dentro do meu quarto. Acendi a luz, olhando para a marca através do espelho. Peguei a toalha que estava pendurada, a umedecendo com um pouco de água. Passei cuidadosamente em meu peito, o limpando.

Minha missão anterior aqui em Winterwinds era apenas reportar quem entrava e saía da cidade, se havia algum suspeito ou não, por isso meu disfarce continuou sendo o mesmo de uma simples estudante do colegial. Confesso que era muito mais fácil, e o fardo mil vezes menor. Com este símbolo de Miguel, o Protetor, em meu peito... O fardo ficará cada vez mais pesado.

- Não tenho escolha, recebi a Marca Divina. – Suspirei, jogando a toalha em cima da pia e apagando a luz do banheiro, voltando para a cama.

Algumas horas depois...

O sol já estava nascendo e eu mal havia conseguido dormir, por causa da dor. Joguei as cobertas para fora da cama, levantando e pisoteando por elas indo até o banheiro outra vez. Acendi a luz, abri a torneira e lavei meu rosto. Fiz todo o resto; escovei os dentes, os cabelos e apaguei a luz novamente, voltando o meu “cubículo”. Abri as portas do guarda-roupa que ficava ao lado da minha cama, pegando um casaco grande o suficiente para me cobrir até os joelhos, camisa comprida, calça jeans e tênis.

- Ah... Mais um dia naquele colégio. – Não é que eu não gostasse das pessoas por lá, mas eu era Presidente do Conselho Estudantil. Já bastava os Arcanjos me cobrando todos os detalhes de quem entra e sai daqui, e ainda tinha os professores e coordenadores me cobrando a situação da instituição deles. Infelizmente era lá dentro que eu conseguiria as informações necessárias para a minha nova missão.

Peguei minha bolsa que estava em cima da pequena poltrona que havia no meu cubículo, vulgarmente conhecido como quarto, que ficava perto da janela, atravessando sua alça em meu corpo. Sai do quarto em direção ao sofá, pegando a chave que estava em cima deste e saindo do apartamento, o trancando.

O meu prédio era uma quadra de distância do colégio, o que facilitava muito pra mim, mas eu quase sempre conseguia fazer a proeza de chegar atrasada. O ruim disso tudo é que eu sempre tinha que tentar arranjar uma desculpa nova para poder sair ilesa da situação e não ser suspensa de alguma atividade escolar. A nossa diretora era bem rígida em relação a atrasos.

Em questão de 5 minutos eu já estava atravessando os portões do colégio. Como de costume, sempre cheio. Quando cheguei na porta de entrada do edifício, os corredores estavam lotados, muito mais do que de costume. Sorte que a sala de Ciências é bem perto.

Dei alguns passos acelerados em direção a sala, desviando de todas as pessoas que eu conseguia. Muitos tentaram parar para conversar e tirar dúvidas sobre o Conselho, e era difícil me livrar deles.

- Finalmente! – Apoiei a mão direita sobre a porta da sala, suspirando aliviada. Depois de fugir de tanta gente, pude considerar um Record e uma bela vitória. Adentrei a sala, já quase cheia, indo até o meu lugar que ficava na primeira fileira da porta. Larguei a bolsa em cima da carteira e apoiei os braços por cima da mesma.

Alguns minutos depois um aluno misterioso entrou na sala. Vestia um casaco escuro e calças jeans do mesmo tom. Os olhos dele contornou cada aluno, e o seu olhar era um tanto assustador. Seus olhos eram castanhos alaranjados, e repletos de ódio, que eram contrastados por causa dos seus cabelos negros. Por mais que ele nem tenha notado a minha presença, desviei o olhar. Por algum motivo senti minha espinha tremer, como se eu estivesse sendo ameaçada só de estar no mesmo ambiente que ele. “Que sensação é essa?!”. Logo em seguida o professor Bill adentrou com sua camisa azul escura e seu jeans surrado, segurando suas pastas. Clássico.

- Bom dia. Bem, vejamos o que temos aqui... – Ele colocou suas pastas e livros sobre sua mesa, pegando apenas a pasta preta. Começou a folhá-la, proferindo em seguida. – Temos quatro alunos novos, seus nomes são Matthew, Brian, Jean e Ethan. Por favor, apresente-se para a turma um de cada vez.

O primeiro menino levantou, sem sair do lugar, e fez as devidas apresentações. Os outros dois o mesmo. Falaram seus nomes, de onde vieram e toda aquela coisa. O último foi o menino misterioso.

- Olá, me chamo Ethan. – Foi a única coisa que ele disse. Ele sentou-se novamente, olhando apenas para o professor. De fato, era meio assustador, mas tive que conter uma risada.

- Ahn, Ethan, heh, por favor, nos diga de onde você veio, sua idade... Essas coisas, queremos conhecer um pouco você. – Questionou o professor Bill. Ele levantou novamente.

- Eu sou daqui mesmo, de Winterwinds. Passei por alguns problemas, então, ahn, meu tio resolveu me matricular nesse colégio. Tenho 16 anos. Mais alguma coisa, professor? – Ele permaneceu com o mesmo olhar. Olhei ao redor da sala e pude notar as expressões de medo de todos os alunos ali dentro. Esse garoto talvez pudesse gerar um transtorno enorme no colégio, e isso seria péssimo.

- Haha, não... É só isso, pode se sentar, Ethan. Pessoal, espero que todos vocês se deem bem com ele. Vamos começar a aula. – Disse meio sem graça o professor Bill. Sem graça e morrendo de medo.

Eu não consegui me concentrar muito bem nas atividades que foram passadas. Volta e meia meus olhos iam ao encontro daquele garoto. Ele parecia um psicopata dos subúrbios da cidade que resolveu aparecer pra colocar medo ao nosso redor. Certamente ninguém tentaria sequer cumprimentá-lo lá dentro.

O restante das outras aulas foram menos “tensas”. Quando me dei conta já estávamos no meio da tarde, fiquei o tempo todo dentro da sala, até mesmo no intervalo. Os alunos começaram a guardar suas coisas e esperarem o professor nos liberar, o que não levou mais de cinco minutos. Enquanto eu esperava todo o pessoal sair, continuei organizando as minhas coisas com calma dentro da bolsa. Olhei para o lado esquerdo e lá estava ele, colocando a mochila nas costas e saindo da sala. Se eu não falasse com ele, ninguém faria isso. Mesmo que eu tenha um pouco de receio de tentar falar com ele, não tenho muita escolha. Afinal, ele é uma das pessoas novas que eu vi aqui em Winterwall. Preciso saber quem ele é.

- Ethan... Não é? – Engoli a saliva em seco e o chamei pelo nome. Ele virou um pouco a face para poder me olhar, meio confuso.

- Ahn, sim.

- Já conheceu a escola? – Perguntei com a voz um pouco trêmula. Dei alguns passos, ficando um pouco mais próxima dele.

- Ainda não. – Sussurrou ele.

- Então vamos, deixa eu te mostrar as coisas por aqui. É meio chato, mas de certa forma você vai gostar. – Deixei um sorriso contornar meus lábios, puxando o garoto pela manga de seu casaco. Mesmo que pouco, eu ainda sentia medo dele.

O levei em todos os lugares dos colégios, dos piores aos mais “decentes”. — Bom, nós temos o conselho estudantil, no qual eu faço parte já tem um bom tempo. Tem uma vaga sobrando, se você quiser. Eu posso falar com a coordenadora. – Ethan apenas me olhou concordando, como se não fizesse sequer ideia do que eu estava falando. Talvez ele nunca tenha se preocupado com esse tipo de atividade em colégio antes, ou simplesmente não gostava. Decidi deixar este assunto de lado. Comecei a lhe explicar de qual forma funcionava os testes, trabalhos e as provas aplicadas.

Por fim, dei término ao “tour no Phoenix High School”, dando alguns passos apressados até o portão. Virei de frente para ele, estendendo minha mão.

- Então é isso. Seja bem vindo! Muito prazer, meu nome é Lilian. Até amanhã, Ethan.

- Até. – Ele virou para o lado oposto do meu, colocando as mãos nos bolsos sem olhar para trás.

Por mais que ele assustasse as pessoas ao redor com o seu jeito, talvez lá no fundo ele não fosse uma pessoa tão ruim assim, ao menos eu acho.

Notas finais
Por minha culpa, o capítulo levou uma semana a mais para ser postado. Pra quem acompanha, minhas sinceras desculpas.
Bom, está aí! Até o próximo, galera. :3 Deixem suas críticas e sugestões nos comentários, é muito importante pra nós.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.