Borusara - O Preço do Olhar
1 O vento que traz novidades
Após a Quarta Grande Guerra Ninja, o País do Fogo atravessava um longo hiato de estabilidade. A paz não era perfeita, mas suficiente para que o mundo acreditasse que os grandes conflitos haviam ficado para trás. O último grande incidente remontava a alguns anos antes, quando um exame jōnin realizado em Konoha fora interrompido pela aparição de dois seres que não pertenciam àquele mundo. O Hokage e o líder do clã Uchiha haviam contido a ameaça, e desde então os perigos pareciam ter se recolhido ao silêncio.
Ainda assim, longe dos centros de poder, a paz mostrava suas falhas. Algumas vilas menores acumulavam problemas estruturais antigos, vazios sociais onde a autoridade dos Kages já não alcançava com a mesma força. Esses espaços permitiram o surgimento de milícias e grupos ninjas independentes, que exploravam o abandono para consolidar esquemas criminosos.
Em Konoha, o Time 7 foi convocado para uma reunião extraordinária. Liderados por Konohamaru Sarutobi, Sarada Uchiha, Boruto Uzumaki e Mitsuki atravessaram os corredores da torre do Hokage em silêncio, conscientes de que chamados diretos raramente vinham acompanhados de missões simples.
A sala já estava ocupada quando entraram. Naruto os recebeu com uma expressão séria que raramente usava fora de situações críticas. Ao seu lado estavam Shikamaru, seu conselheiro mais próximo, e Sai, líder da ANBU.
Naruto dirigiu-se diretamente a Konohamaru, ignorando deliberadamente os mais jovens, como se quisesse reforçar o peso da responsabilidade. Explicou que uma instalação abandonada próxima à Vila do Som vinha apresentando movimentação incomum. Ninjas encapuzados, sem identificação clara, entravam e saíam do local com frequência suficiente para chamar a atenção da inteligência de Konoha.
— Sai e sua equipe localizaram o galpão há alguns dias — disse por fim, quebrando o silêncio da sala. — Ainda não sabemos quem são ou o que estão preparando, mas não é algo que possamos ignorar.
– Não podemos enviar ninjas da Anbu para missão, nosso contingente está focado outras missões e acreditamos que o time 7 tem todas as habilidades necessárias para realização da Missão – Completou Sai
Naruto entregou o formulário com as informações técnicas da missão, um galpão localizado no topo de um montanha, uma possível instalação para criação de armas ninjas, similares às utilizadas por Boruto anos antes no incidente do exame jounin. Naruto informa que a missão deve ser realizada sem deixar rastros, para isso, que fossem utilizados as habilidades oculares de Boruto e Sarada para verificação, além das cobras de Mitsuki, que facilmente poderiam se infiltrar.
O Time 7 sai da Sala, a missão seria em 2 dias, logo teriam tempo para se preparar para missão e se despedir temporariamente de suas famílias. Konohamaru se despedi, avisando ao time para se encontrarem no portão ao nascer do sol, pois a caminhada seria longa. Enquanto Boruto e Mitsuki decidem por ir ao monumento dos hogakes, espaço onde o time 7 havia adotado para descansar, porém Sarada recusa o convite. Sarada, no entanto, recusou o convite. Havia algo que precisava fazer sozinha.
Enquanto os dois se afastavam em direção às ⁸colinas que cercavam a vila, Sarada tomou o caminho oposto.
O memorial Uchiha permanecia oculto sob o rio Naka, acessível apenas àqueles que sabiam onde procurar. Antigo santuário do clã, o espaço havia servido por gerações como local de reunião e guardava a Tábua de Pedra que moldara o destino dos Uchiha. Ali, longe dos olhares da vila, Sarada finalmente se permitiu parar.
Sarada passou a dedicar bastante tempo nos últimos anos à leitura de escritos antigos, principalmente para aqueles que descreviam o poder e passado dos uchihas. Havia nela a necessidade de saber mais sobre seu passado, seu pai pouco contará sobre o passado do seu clã e existiam poucos documentos disponíveis com informações úteis. Porém, Sarada sabia de informações populares, como que seu clã havia sido vítima de um ataque que o dizimou e que esse incidente era de autoria do seu tio, Itachi Uchiha. Sarada encontrava-se em conflito ao pensar sobre o tema, como alguém tão próximo à seu pai poderia ter feito algo tão horrível. Por alguns momentos, Sarada pensava se poderia fazer algo para continuar com o legado de seu clã e de alguma forma, dar orgulho a sua família e seu pai.
Os ventos naquela tarde eram mais fortes, levando a Uchiha a se refugiar em uma pequena cabana. Cabana essa a qual guardava a Tábua de Pedra do Clã Uchiha. Sarada por vezes tentou ler, mas sem sucesso, entendendo que a linguagem escrita nao era a mesma de seu tempo. Uma curiosidade despertou em Sarada, e se tenta-se ler a partir de seu dōjutsu,. Ao ativar o dōjutsu, Sarada percebe que parte dos símbolos deixa de ser apenas decorativa. As palavras não descreviam técnicas ou selos, mas conceitos — fragmentos de um pensamento antigo.
A escrita falava de um poder que não surgia pelo treino ou pela herança direta, mas pela ruptura. Um olhar que se transformava quando o portador experimentava uma dor profunda demais para ser ignorada. Não se tratava de perda física apenas, mas de algo mais íntimo: a quebra de vínculos, a falha em proteger, o peso de continuar existindo após isso.
Sarada não conseguiu ler tudo. As palavras seguintes pareciam se sobrepor, como se a própria tábua resistisse a ser compreendida por completo. Ainda assim, a ideia permaneceu com ela. Perguntava-se que tipo de poder poderia nascer de uma dor tão intensa — e, mais do que isso, percebeu que não desejava descobrir. A simples possibilidade de perder alguém com quem se importava já lhe era incômoda demais.
Seus pensamentos foram interrompidos por um ruído distante, que a trouxe de volta à realidade.
A Uchiha tinha grande grande carinho e apreço por toda sua família, pai, mãe e avós. Todos, até mesmo seu pai que era mais ausente, sempre confiaram tanto nela. Seus amigos eram importantes para seu desenvolvimento como pessoa. Seu time havia se tornado uma segunda família, seu sensei era um grande mentor e mestre, auxiliando Sarada no controle refinado de chakra; mitsuki havia se tornado um grande amigo e confidente, sempre estando ao lado de Sarada para ouvi-la.
Boruto, no entanto, ocupava um espaço diferente. Era o oposto dela em quase tudo: impulsivo, desajeitado, frequentemente irresponsável. Ainda assim, havia algo nele que a desarmava. A facilidade com que fazia os outros sorrirem, a confiança quase teimosa diante do perigo, a dedicação que raramente anunciava em voz alta. Ultimamente, haviam treinado juntos com mais frequência, e Sarada percebeu — com certa relutância — que sua presença tornava os dias mais leves. Pensar nisso a deixou desconfortável, e ela tratou de afastar o pensamento antes que se prolongasse
No monumento dos Hokages, Boruto e Mitsuki observavam a vila do alto. Boruto comia ramen enquanto falava, de maneira casual, sobre como às vezes se sentia sufocado pela atenção constante dos pais e pelas expectativas que vinham junto com seu nome. Comentou que devia ser mais simples não ter ninguém sempre dizendo o que fazer.
Mitsuki riu de forma breve, quase constrangida, e respondeu que aquela era uma das poucas vantagens de sua situação. Ainda assim, admitiu que muitas vezes sentia falta de alguém que lhe dissesse qual caminho seguir.
Mitsuki sabia que era um humano artificial, criado por Orichimaru. Mitsuki não teve infância, muito menos família e recusava as tentativas da vila de lhe impor uma. Mitsuki não nasceu humano, mas tentava aprender a ser um. Boruto sempre o ajudou nisso, tento no amigo uma âncora moral, que lhe dava mecanismos emocionais para lidar com as emoções
Foi por isso que perguntou, quase de maneira despretensiosa, se Boruto já pensara o que queria para seu futuro, se era um desejo ter uma família no futuro
Boruto demorou a responder. Disse que nunca havia pensado seriamente nisso; queria ser livre, viajar, proteger a vila das sombras — e, ao dizer isso, a imagem de Sasuke lhe veio à mente. Ainda assim, acrescentou que, se tivesse filhos, preferiria estar presente. Que cada um deveria ser livre para escolher seu próprio caminho. Ao terminar, percebeu, com estranhamento, que pensara em Sarada sem saber exatamente por quê.
Boruto e Mitsuki passariam mais tempo conversando sobre outros temas e a missão que viria.
Os dias haviam se passado, despedidas e preparativos foram feitos antes da saída. O Sol já nascia quando Konohamaru, Mitsuki e Sarada ainda esperavam por Boruto para que pudessem sair. O Uzumaki andava tranquilamente para o portão quando avistou de longe todo seu time, em especial a Uchiha que parecia estar furiosa com sua demora. Logo ao chegar, é recebido com um cascudo em sua cabeça, que deixaria marcas até o fim da missão. Sarada completava após o sermão físico – Shanarooo, você precisa estar no horário, já estamos atrasados. Boruto tentava explicar a situação e pedia desculpa para o time – Tive um problema no café e me atrasei, vocês queriam que eu me teletrasporta-se? Não dá!
Uma pequena discussão se desenvolvia entre os três membros do time 7, enquanto Konohamaru observava e relembrava das vezes que observará o antigo time 7 em missões – Algumas coisas nunca mudam – pensou o sensei do time 7
Por fim, todos saíram para missão, que levaria alguns dias para chegarem até o local do armazém a ser investigado. Konohamaru seguia à frente, atento ao caminho e aos arredores, mantendo o ritmo constante de quem já havia feito aquele percurso inúmeras vezes. Não falava muito — e isso, por si só, já dizia o suficiente sobre a seriedade da missão.
Logo atrás vinham os três. Mitsuki caminhava com a tranquilidade habitual, observando o ambiente com curiosidade silenciosa, como se cada detalhe ainda fosse algo a ser aprendido. Em alguns momentos, seus olhos se desviavam para Boruto, avaliando expressões e gestos, como se tentasse decifrar pensamentos que não eram ditos em voz alta.
Boruto, por sua vez, parecia inquieto demais para o horário. Alternava entre comentários dispersos sobre a estrada, reclamações sobre a longa caminhada e observações irrelevantes, claramente tentando preencher o silêncio. Ainda assim, vez ou outra lançava olhares rápidos para Sarada, como se quisesse dizer algo.
Sarada mantinha o olhar à frente, ajustando os óculos de tempos em tempos. Respondia apenas o necessário, mais concentrada no mapa mental que traçava do percurso do que nas provocações de Boruto. Apesar disso, não deixava de notar quando ele diminuía o passo para acompanhá-la ou quando se posicionava instintivamente um pouco à sua frente ao atravessarem trechos mais estreitos da trilha.
A estrada logo começou a se transformar em um caminho menos definido, cercado por vegetação densa. O vilarejo que buscavam ficava além daquele ponto — um lugar pequeno demais para chamar atenção, mas próximo o suficiente de rotas importantes para despertar suspeitas.
Konohamaru ergueu a mão, sinalizando uma breve pausa. À frente, o caminho se dividia, e o silêncio que se instalou não era mais o da tranquilidade da manhã, mas o de expectativa. A missão, enfim, parecia ter começado de verdade. Ele logo se encolheu atrás de uma rocha, onde tentava observar o que parecia ser o armazém descrito pelo Hokage.
Era um prédio industrial grande em comprimento, de aparência velha e abandonada, localizado às margens da Aldeia do Som, escondido por uma grande cachoeira e uma mata. Konohamaru, pedia para que seu time se preparasse e que Mitsuki, utiliza-se de suas cobras para invadir a instalação e recolher informações. Enquanto Sarada e Boruto seriam responsáveis por procurar e observar o fluxo de pessoas presente na construção.
Boruto e Sarada então se direcionaram para uma árvore mais distante de onde seus companheiros estavam, mas com altura e furtividade perfeita para visualização. A Uchiha analisa que havia um grande número de ninjas, que entravam e saiam da construção com caixas e materiais químicos perigosos. Já o Uzumaki, com seu dōjutsu, conseguia observar o fluxo de chakra de seus inimigos – A grande maioria dos ninjas naquela instalação não apresentam um nível de poder perigoso, mas sinto a presença de um chakra de intenção assassina dentro daquele prédio. Acho melhor nós vigiarmos o fluxo diário deles, para que possamos definir a melhor estratégia. Sarada assentiu, mas ambos foram interrompidos por uma explosão que ocorreu no prédio observado.
Konohamaru e Mitsuki haviam sido atacados por uma misteriosa mulher encapuzada e junto dela, mais uma figura encapuzada a acompanhava, homem com uma máscara que cobria boa parte do rosto. Boruto e Sarada logo correram para auxiliar, mas também se viram cercados por ninjas pretos.
O Uzumaki prontamente pediu para que Sarada fosse auxiliar seu sensei e amigo, que ele seria capaz de cuidar dos ninjas que o cercavam. Sarada em conflito, pela ideia de deixar Boruto em perigo, mas reconhecia que o mesmo tinha capacidade para cumprir o que dizia. A Uchiha aproveitou a brecha criada pelo surgimento dos clones de Boruto, que entravam em conflito com os ninjas, para ajudar os outros membros do time 7.
Konohamaru enfrentava a mulher encapuzada com dificuldade crescente. No início, seu taijutsu parecia suficiente para manter o controle da luta, mas logo percebeu o erro. Cada ataque de chakra era absorvido com facilidade, como se nunca tivesse existido. O Rasengan se dissipou no instante em que tocou o corpo da inimiga, arrancando do Sarutobi um olhar tenso de compreensão tardia.
Não muito longe dali, Mitsuki era pressionado pelo ninja mascarado. Suas cobras eram neutralizadas antes mesmo de alcançarem o alvo, e o combate corpo a corpo rapidamente se tornava desfavorável. Foi então que Mitsuki cedeu. O chakra ao redor de seu corpo mudou, denso e instável, e sua presença pareceu distorcer o ar.
Em um instante, ele não estava mais à frente do inimigo — surgira atrás. Cobras emergiram de seus braços e se enrolaram no corpo do ninja mascarado, apertando com força suficiente para limitar seus movimentos.Mitsuki havia ativado seu modo Senin e utilizado de seu jutsu mão das serpentes ocultas, ao qual possibilitava o surgimento de cobras pelas extensões do seu corpo. O tempo que criaram foi curto, mas suficiente.
Sarada surgiu logo em seguida. O chakra concentrou-se em seu punho enquanto ela avançava, sem hesitação. O impacto foi seco, preciso, e lançou o inimigo contra o solo com violência.
Os ninjas já olhavam para luta de Konohamaru com a ninja encapuzada, mas tiveram seus pensamentos interrompidos quando perceberam que seu adversário havia se levantado dos golpes recebidos, o mesmo agora estava sem capuz, revelando um grande cabelo branco e uma máscara que cobria a metade superior do rosto. O Sharingan de Sarada mal pode acompanhar os movimentos do ninja que, em um piscar de olhos, avançou em direção a Mitsuki com um Rasengan, acertando-o em cheio. Sarada ficou surpresa, pois nunca havia visto um ninja sem ser Boruto e o Hokage usar esse jutsu, pois o mesmo requer um árduo treinamento e refino no controle de chakra.
Sarada avançou para cima de seu adversário, buscando acertá-lo com seu punho adamantino. A uchiha e o ninja trocavam sequências de socos e chutes frenéticos, onde um acertava o outro. Aos olhos de terceiros, seria difícil observar a luta sem terem um doujutsu especializado. O Ninja mascarado receberá um chute da Uchiha que o afastou – Você tem potencial, mas não é o suficiente para me vencer. O Ninja então fez selos de mão, logo invocando uma grande onda de fogo em direção a Sarada – A Verdadeira Chama de Samadhi – era o ninjutsu que o ninja entoava.
Sarada tentou esquivar, mas partes do ninjutsu a afetou, causando danos severos a sua integridade física. O ninja mascarado, havia conseguido rapidamente incapacitar dois dos 4 membros do time 7 e andava em direção a Sarada para finalizá-la, mas logo foi interrompido por um chute direto em seu queixo. O ninja logo retrucou com um gancho, mas percebeu que era um clone. Uzumaki Boruto apresentava-se no campo de combate, O ninja prodígio, logo fez selos de mãos, invocando uma grande bolha de água para cima do ninja encapuzado. Dando tempo o bastante para tirar Sarada dos escombros e colocá-la encostada em uma árvore. Boruto então intimou o ninja – Me diga, o quê vocês querem com todas essas caixas?
O Ninja mascarado não o respondeu, logo armou a guarda e partiu para cima com seus punhos. O Uzumaki responde na mesma moeda, com as palmas da mão, Boruto emulava o estilo de luta hyuuga, afastando os golpes do ninja e criando o espaço necessário para investidas. Porém, o ninja parecia perceber falhas na postura de Boruto, assim, o ninja mascarado, ao receber um golpe Boruto, consegue desviar a ponto de quebrar a guarda de Boruto, o acertando com um Rasengan em seu tronco. Agora era o Uzumaki que se encontrava entre os escombros, as chamas que outrora o ninja mascarado havia lançado ainda estavam vivas, o que gerava um aumento da fumaça e destruição do local.
Enquanto isso, Konohamaru tinha dificuldades em lidar com a ninja, que agora sem capuz, apresentava grandes cabelos loiros. Sarutobi percebeu que seus ninjutsus não surtiam o efeito esperado, pelo contrário a deixavam mais forte, assim sendo necessário uma luta em taijutsu.
A ninja estava pressionando a base de Konohamaru, com chutes e socos, além de conseguir modificar partes do seu corpo para atacar seu adversário. Konohamaru recuava sob a pressão constante. Cada golpe da mulher loira vinha carregado de força desproporcional, os impactos reverberam por seus braços mesmo quando conseguia parar os ataques. Ela sorria de forma quase provocadora, como se testasse seus limites apenas para confirmar o resultado inevitável. Seus membros se moldavam de maneira antinatural, estendendo-se ou se endurecendo no instante do ataque, tornando imprevisível qualquer tentativa de contra-ataque direto.
O Sarutobi respirava com dificuldade. Já havia compreendido o padrão — qualquer ninjutsu ofensivo apenas alimentava aquela monstruosidade. Ainda assim, lutar apenas com o corpo significava enfrentar algo que claramente ultrapassava as capacidades humanas comuns — Você está ficando lento — provocou ela, avançando mais uma vez.
Konohamaru desviou por pouco de um chute que esmagou o solo onde estivera segundos antes. Ao pousar, sentiu o peso da decisão que vinha evitando desde o início da missão. Seus olhos se moveram, rápidos, na direção onde sabia que seus alunos estavam espalhados entre os escombros.
Não podia cair ali.
Fez um selo de mão diferente dos anteriores. O chakra mudou de densidade, mais antigo, mais pesado. — Enma. O chão tremeu quando a invocação se completou. A fumaça se dissipou revelando a forma do Rei Macaco, que assumiu imediatamente a postura de combate, avaliando a situação com um olhar experiente e sério.
— Hmph… faz tempo que não me chama para algo assim — comentou Enma, transformando-se no bastão adamantino no instante seguinte. Konohamaru agarrou a arma com firmeza. O peso era reconfortante.
O primeiro golpe foi brutal. O bastão se estendeu com velocidade absurda, atravessando o espaço entre eles antes que a mulher pudesse reagir completamente. O impacto a lançou contra os destroços do prédio, abrindo uma cratera no concreto já fragilizado.
Diferente dos ataques anteriores, aquele golpe havia causado graves danos.
A expressão da ninja mudou. O sorriso desapareceu, substituído por um olhar frio e avaliador. Ela se ergueu lentamente, partes do corpo emitindo estalos mecânicos enquanto se recompunha.— Interessante… — murmurou. — Então você também tem cartas escondidas.
Konohamaru não respondeu. Avançou novamente, combinando o alcance do bastão com movimentos precisos de taijutsu. Delta era forçada a recuar, bloqueando, desviando, absorvendo o que podia — mas, pela primeira vez, claramente na defensiva.
Ela percebeu antes dele, se aquele combate continuasse, ela perderia tempo demais.
Os olhos da ninja brilharam de forma anormal. Um ruído agudo ecoou pelo campo de batalha, e seu corpo começou a emitir uma luz instável, pulsante. — Chega de brincadeira — disse, agora sem qualquer traço de provocação. — Essa instalação já cumpriu seu papel.
Konohamaru sentiu o arrepio subir pela espinha. Mandando Emna se afastar. A energia ao redor de Delta se tornava cada vez mais caótica. Aquilo não era chakra comum — era algo concentrado para um único propósito.
Boruto forçou o corpo a se mover antes mesmo de recuperar totalmente o fôlego. A dor no tronco ainda pulsava onde o Rasengan o havia atingido, mas ele ignorou. Avançou outra vez, usando clones para fechar os ângulos, tentando compensar com número aquilo que lhe faltava em técnica refinada. O ninja mascarado observava tudo com calma excessiva, desviando com o mínimo de movimento necessário, como se já tivesse antecipado cada investida.
— Não adianta — disse ele, a voz abafada pela máscara. — Você força demais.
Boruto cerrou os dentes e atacou de novo.
Sarada reapareceu ao lado dele, apesar das queimaduras ainda recentes. Seus olhos carmesim giravam rapidamente, tentando acompanhar o ritmo impossível do adversário. Ela gritou um aviso no instante em que o ninja desapareceu do campo de visão de Boruto, forçando-o a se jogar para o lado por reflexo. O golpe que veio em seguida atingiu apenas um clone.
Mitsuki se juntou a eles logo depois. Seu chakra ainda estava instável, mas suficiente. Cobras surgiram do solo, tentando limitar os movimentos do inimigo, enquanto ele avançava pelo flanco, coordenando-se silenciosamente com Sarada. Pela primeira vez, o ninja mascarado precisou recuar dois passos. Sarada Armava um Chidori, enquanto Boruto com rasengan em sua mão. Ambos os ataques tinham como alvo um flanco diferente do ninja mascarado.
Antes que pudessem pressionar mais, um impacto ensurdecedor rasgou o ar. A explosão veio do outro lado da instalação, trazendo consigo uma onda de impacto gigante que atravessou o campo de batalha, levando tudo e todos. O solo se partiu, estruturas desabaram, e os ninjas foram arremessados longes.
Boruto foi arremessado para trás. Mitsuki conseguiu se firmar, cravando o braço no chão para não ser levado. Sarada não teve a mesma sorte.
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