Born to die
2 That Alright
No dia seguinte Gabriel faltou à escola e no outro também. Eu conheci uma garota, Bonnie, uma negra de cabelos encaracolados e um bom papo, o pai dela trabalhava com minha mãe e nós fazíamos quatro aulas juntas. Bonnie conversava aleatoriamente comigo, dizia sobre os professores, sobre o clima, a comida da escola, as lojas da cidade, garotos e os assassinatos. Enquanto ao Palmer, eu tinha aula de educação física com ele, aquele garoto fica me olhando feio a semana inteira e eu retribuía o olhar.
Era estranho, eu ficava esperando Gabriel chegar a qualquer momento mas ele não aparecia. Bonnie falou comigo sobre ele, sobre nós ter visto juntos no meu primeiro dia de aula e disse também sobre ele ser o garoto mais estranho que ela já conheceu. Ela disse que eles sempre estudaram juntos e que ele nunca teve amigos, vivia faltando e sempre que eles tinham que desenhar algo Gabriel Langdon desenhava a morte e todo mundo tinha medo de ficar com ele. Então é claro que eu cheguei à conclusão de que ele tivesse algum problema quando criança o problema possa ter passado e ninguém fica com ele por medo de ele ainda ser daquele jeito. Mas que criança que cresce no meio de assassinatos, desaparecimentos e suicídios não tem problema algum psicológico? No dia seguinte ele não apareceu, à medida que o tempo passava, eu ficava cada vez mais tensa. Bonnie chegava só na segunda aula então eu andava sozinha pelo corredor da secretaria um pouco atrasada quando escutei alguns barulhos vindos da porta e então ela abriu revelando o garoto de cabelos bagunçados e olhos escuros. Ele tinha um sorriso fraco nos lábios e não tinha percebido minha presença ainda. Gabriel levou as mãos ao cabelo e os bagunçou mais um pouco e então virou pro lado onde eu estava rápido de mais como se levasse um susto. Eu fiquei o olhando insegura enquanto ele parecia me reconhecer.— Oi. Belissario. – ele cumprimentou um pouco surpreso.— Oi Lagndon. – eu cumprimentei da mesma forma e nós ficamos apenas nos olhando por mais algum tempo. Ele parecia mais cansado do que da primeira vez que eu o vi, e agora eu enxergava seus olhos, eles eram de um verde musgo meio azul algo que eu nunca tinha visto. Quando saio do transe eu apenas sorri fraco e desviei dele seguindo em direção a escada. Meu coração estava levemente acelerado e eu ainda tinha a imagem nítida de seu rosto em minha mente. Eu tinha subido apenas quatro degraus quando eu escutei ele me chamar. — Tem aula do que agora? – ele perguntou.— Literatura. – era minha primeira aula de literatura na semana.— Então temos essa aula juntos. – ele sorriu de canto.— Que bom porque eu ainda não tive literatura e não sei onde fica a sala. – confessei e ele sorriu novamente. As aulas de literatura foram germinadas e eu sentei atrás do Gabriel que ficava encostado na parede, ele ficava o tempo todo virado pro lado tendo visão de toda a sala e me ajudou a fazer alguns exercícios. A professora era uma coroa de uns quarenta e lá vai cacetada mais sua técnica de ensino era perfeita. As pessoas me olhavam de um jeito estranho e aquilo me incomodava pra caralho. Será que tinha algum bicho no meu cabelo? Será que o rimel que eu passei tava borrado? Será que minha roupa tava rasgada? Suja? Eu acho que não tinha nenhuma dessas coisas em mim, mas eles insistiam em olhar como se olhassem pra um zumbi. —Que foi? – ele perguntou baixo enquanto a professora passava alguma coisa no quadro.—Tem alguma coisa de errado comigo? Todo mundo fica me olhando como se eu fosse uma aberração – sussurrei. Ele riu um pouco alto de mais trazendo mais olhares pra onde eu estava.—Não é só você que tem medo de mim. – ele ergueu o corpo e disse perto de mim e então deu meia volta e foi falar com a professora. Fiquei um tempo tentando entender o que ele tinha dito, não era pelo fato de ter algo errado comigo, era porque eu andava com ele. Gabriel sussurrou algo a Mrs.Watson e então ela assentiu e ele saiu da sala. Por um tempo eu me senti sozinha meio desprotegida. E enquanto Gabriel Langdon estava fora eu fiquei me perguntando o porquê as pessoas não falavam e tinham medo dele. E claro que, era estranho tinha umas conversas doidas mas não era motivo pra ser excluído, era? Metade da sala tinha acabado o exercício e pequenos murmúrios eram escutados, e o Gabriel não tinha voltado ainda. — Ei, Langdon te contou o porque faltou? Ergui meu olhar e era Bonnie.— Não, eu o encontrei saindo da diretoria e nós não falamos sobre isso.— Ata. –e ela disse por fim. -Você não tem medo dele não? tipo. No seu primeiro dia de aula foi inteiro com ele e cai entre nós, ele é muito estranho.—Não tenho medo dele, ele pode ser estranho mais gosto do jeito dele. – dei de ombros – gosto de pessoas diferentes. Ela ficou em silencio. —E porque você tem medo dele? – perguntei assim que vi que ela não tinha o que dizer.—Faz tempo que eu o conheço e ele sempre foi estranho assim sabe? Você ta falando com ele e ele ta olhando pro além é estranho. Principalmente nessa cidade. Concordei e nos rimos.—Se você perceber, sempre que acontece alguma coisa ruim Gabriel Langdon vai estar lá. — Nossa. — Parece coisa de filme né? — Com certeza. Mas se você sabe que ele sempre esta lá então você também esta? Ela quase gargalhou.—Não, não é que sempre alguém que esta lá me conta. Eu tinha varias perguntas, mas não conseguia formular nenhuma delas. E eu estava abrindo a boca para perguntar mais alguma coisa quando uma menina passou correndo e gritando pelo corredor fazendo todos irem lá fora.
Metade do corredor estava lá fora quando eu consegui sair da sala com Bonnie. Tinha muita gente em volta da garota gritando e chorando. Eu tentei me aproximar pra saber o que estava acontecendo mais Bonnie já tinha pegado o que estava acontecendo.—Uma menina da sala oito foi assassinada no banheiro feminino perto da quadra. – ela dizia baixo e calma para que eu e mais as pessoas que estavam ao meu lado escutassem e então eles começaram a falar gritado. Me afastei do tumulto ainda extasiada com a noticia. Não eram nem dez horas da manha e já tinha alguém morto no banheiro da ESCOLA. Tipo, numa escola. Já um pouco longe da falação eu escutei passos no corredor e um arrepio na espinha. Virei de vagar e lá estava Gabriel Langdon, ele andava com as mãos no bolso a cabeça erguida o all star preto batendo no piso, como se estivesse caminhando num shopping. E então o que Bonnie disse foi confirmado.
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