Born to die

3 Shot in the dark


— O que aconteceu? – ele parou do meu lado, mas olhava para o tumulto.
—Uma... m-menina foi assassinada. – dei um tempo para respirar e então continuei – enquanto você estava fora.
Ele suspirou e entrou na sala. E eu fui atrás.
—Foi alguém da escola.- era pra ser uma pergunta, mas não saiu como uma.
—Pode ter sido. – ele deu de ombros e começou a copiar o que tinha perdido.
—Isso acontece toda hora, você nunca se perguntou quem faz isso? – eu estava nervosa e não conseguia parar de falar.
—Já pensou que se fossem pessoas já estariam presos?- ele parou e olhou para mim.
—Ta dizendo que foram, fantasmas?
Eu tinha que parar de me mexer, eu tinha que me acalmar então sentei no chão mesmo.
—Tipo isso.
Eu ri irônica.
—Você ta brincando né?
Ele fez que não com a cabeça.
—Você tem outra explicação? – ele enfim soltou a caneta na mesa e olhou pra mim.
Fiquei sem reação apenas fitando ele e então ele levantou rapidamente e segurou meu pulso me fazendo levantar. Gabriel andava rápido no meio das pessoas tumultuadas nos corredores e no pátio e eu o seguia afinal, ele estava grudado no meu pulso.
Descemos as escadas e quando chegamos no primeiro pátio ele parou me soltou e encostou a boca perto do meu ouvido e sussurrou:
—Sua mãe. – e então ele ficou um pouco mais a frente com as mão no bolso apenas olhando pra mim.
—Daphne – a voz da minha mãe ecoou e então eu desviei o olhar dele. – como você esta?
—To bem to bem, o que foi?
—Eu vim examinar o corpo, você viu algo?- ela estava aflita.
—Não mãe eu tava na aula. Você já foi lá? Cadê o pai?
—Não eu estava indo agora mais ai eu vi você, ele ta interrogando quem estava na quadra na hora.
—Ata, eu to bem, vai lá. – forcei um sorriso e ela me abraçou.
No meio daquela confusão toda, aquele abraço foi realmente muito aconchegante e me acalmou.
Ela me soltou e saiu desviando dos alunos e então eu lembrei-me que Gabriel ainda estava ali.
—Como você sabia que era ela?
— Eu a vi trazendo você no primeiro dia de aula. – ele deu de ombros.
Ficamos ali parados por um tempo olhando o nada com um silencio desconfortante no ar.
—Vem aqui. – ele enfim disse começando a andar.
Eu o segui até um corredor afastado das pessoas e então andamos até a última sala. Gabriel abriu a porta revelando a sala de informática, tinha uns cinquenta computadores.
Ele sentou no primeiro e eu puxei uma cadeira pra sentar ao seu lado e então ele começou a escrever vários nomes e entrar em vários links. Enquanto Gabriel Langdon se mantinha concentrado na tela do computador eu aproveitei para analisá-lo. Seus cabelos estavam compridos até a orelha e bagunçado, seu nariz era fino e sua boca parecia ter sido desenhada por um pincel. Sua pele branca e pálida contrastava com seu moletom azul escuro. Ele tinha a aparência de doente, mas aquilo o deixava altamente atraente.
— Billy Thomas. Chefe da policia em 1998, assassinado cinco anos depois que começou a trabalhar aqui até hoje ninguém sabe o que aconteceu – ele começou a dizer. – Mike Rollingan. Chefe em 2003, foi internado num manicômio quatro anos depois, ele cuidava dos mesmo casos que o Billy. Anne Willians, ela foi cabo, e trabalhou no FBI, tentou solucionar o caso de Billy e Mike e quando ela quase conseguiu simplesmente se suicidou. Em 2010 o único filho de Mike voltou a cidade e decretou saber o que aconteceu com o pai. Ele morreu há três anos atrás quando ia levar os resultados para a policia do estado. – ele parou de dizer e virou a cadeira de frente para mim.- Quem matou essas pessoas Daphne? Se fossem pessoas, acho que Anne, ou filho de Mike já teriam descoberto ou qualquer pessoas que more aqui a mais de trinta anos.
Eu fiquei olhando e olhando, sem saber o que dizer. Aquilo era assustador, surreal. A cada palavra que disse com calma foi me arrepiando cada vez mais. Aquele lugar era um terror e agora eu estava presa aquilo. Eu não sabia na realidade do que eu tinha medo, talvez fosse de morrer ou de perder alguém que eu ame. E eu não quero ser a próxima a ser encontrada morta no banheiro de algum lugar. Senti minhas mãos suadas assim que Langdon as tocou, eu levei um susto de leve. Ele olhava o meu braço direito, como se procurasse alguma coisa nele.
— Você não vai achar nada ai. – avisei.
Ele sorriu e ainda sim não soltou meu braço.
— Você é tão branca, como não ficaram as marcas?
Meu queixo literalmente caiu e meu coração palpitou mais forte.
—C-como você...?
Ele puxou meu moletom cobrindo as partes que ele olhava e olhou pra mim.
— Eu não vou contar pra ninguém. – ele sussurrou
— Isso só aconteceu uma vez, e foi uma idiotice. –aquilo era realmente verdade.
Era vergonhoso falar de algo como aquilo com qualquer pessoa, era vergonhoso falar de suas fraquezas com qualquer pessoa.
—Eu sei como é, ta tudo bem Daphne eu não vou te julgar porque você pensou em desistir.- suas palavras me relaxaram e enquanto eu olhava ainda em choque ele sorriu. E ele tinha um sorrio realmente muito lindo e aconchegante.

Eu trocava de canal de segundo em segundo, eu estava tentando achar algo que realmente prendesse minha atenção mais parecia que nada naquele quarto podia fazer isso. Desci as escadas de madeira e andei até o escritório debaixo da mesma. Minha mãe estava lendo uns papeis sobre a mesa mais ela percebeu minha presença antes de eu falar qualquer coisa.
—Filha! Seu pai não vem jantar em casa, o que acha de pedirmos pizza? – ela dizia entusiasmada.
—Pode ser – dei de ombros – e que, eu queria saber se descobriu algo a mais sobre a morte da garota.
Ela tirou os óculos de grau e fez que não com a cabeça.
—Você a conhecia? – ela perguntou.
—Eu tinha visto ela ontem e hoje no começo da aula. Parecia uma boa garota.
—É, ela tinha alguns problemas.
—Que tipo de problemas?
Caminhei até a cadeira ao lado dela e sentei esperando que ela começasse a falar.
—Ela ia na psicóloga porque de uns tempos pra cá ela não conversava mais como antes, não comia meio que se isolou sabe?
—Aham, mas que psicóloga ela ia?
—Acho que a... Alice Langdon.
E instantaneamente me deu vontade de sorrir, mas eu me controlei, ela perguntaria o porque eu estava rindo e eu não tinha uma boa desculpa.
— E sei lá, ela já falou sobre suicídio com a doutora Langdon?
—Olha Daphne, me passaram poucas coisas mas sim ela já tinha dito isso para ela.
—Então você acha que... – eu aumentei o tom de voz como se estivesse descobrindo algo.
—Não tem como, não tinha sinal algum de suicido. Foi puro assassinato, um crime perfeito. – ela disse e então seu olhar se perdeu no meio da sala.
E eu fiquei ali apenas procurando algo para ocupar meus olhos quando ela voltou a falar.
—Eu examinei o corpo de outra garota que tinha morrido dois messes antes e é do mesmo jeito. E incrível porque ela também ia na psicóloga e ela já tinha dito sobre suicídio e semanas depois foi morta.
—Uou, mãe! Isso e incrível.
—Incrível Daphne? Como incrível?
—É tipo aqueles filmes que você tem que ir achando as pistas, tipo scooby-doo. – eu parecia uma criança falando, tanto que ela começou a gargalhar.
—Que tipo de filmes você anda vendo? – minha mãe se levantou e me abraçou de lado fazendo com que eu levantasse e então caminhamos até a porta.
—Uns com o Johnny Depp ou Robert Pattinson.- brinquei.
—Porque não me disse? Eu iria assistir com você – e ela continuou.
Andamos rindo até a cozinha e então ela me soltou e eu sentei na bancada esperando que ela pegasse o celular.
— Pizza do que?
— Não importa do que seja, é tudo pizza. – respondi e ela riu novamente.
Enquanto ela telefonava eu fique olhando uma parte da rua pela janela. Estava muito escuro e parecia não ter poste de luz naquele lugar porque era tudo completamente muito escuro. Esperei que minha mãe terminasse a ligação e então disse:
— Não tem postes nessa rua.
Ela me olhou com o cenho franzido e então foi até a janela.
— Mas ontem a noite estavam acesas. Que estranho.
— Isso da medo. – eu disse mas não estava realmente com medo.
— Assim fica bom pra namorar. – ela deu uma batidinha no meu ombro e então me olhou com um olhar cúmplice.

— Mãe! – repreendi controlando o riso.
— Ah Daphne, você tem quase dezessete anos não acha que esta na hora de dar uns beijos por ai.
Virei minha cabeça de vagar para que ela visse bem minha cara de incrédula. Não era o que uma mãe normal falaria para uma filha. Mas talvez ela percebesse o meu anti-socialismo.
—Não tem nenhum garotinho bonito na sua escola?
Instantaneamente pensei em Gabriel Langdon, ele era bonito. Eu gostava da bonitice dele.
— Não tem mãe, eu não conheço ninguém e quer que eu saia beijando qualquer um? Porque se for assim eu vou pegar o mendigo que fica na esquina da padaria. – descontrai e ela gargalhou mais ainda fazendo sua pele branca ficar avermelhada.
Eu gostava de passar um tempo com minha mãe, mesmo tendo passado a vida inteira só com ela. Eu a conhecia afinal, sabia o que dizer e o que não dizer, ou seja, eu sabia que não era a hora de falar sobre Gabriel Langdon.