Born to be
1 Come Home
Notas iniciais
Hello, world. Hope you're listening...
Após passarem pela policia de fronteira — que checou seus passaportes, mas logo verificou que eram provenientes daquele país -, Rose e Albus caminharam em silêncio para fora do aeroporto, até mesmo porque a ruiva ainda estava meio dormente graças aos remédios que havia tomado para que conseguisse viajar sem problemas. Havia um táxi a espera de passageiros logo na porta, como em todo aeroporto, mas eles apenas passaram direto por ele. Os transportes trouxas eram muito lentos, costumava ela dizia, o que significava que eles pegariam oNôitibus Andante e Albus estava enjoado só de pensar. Esta era a únicaescolha porque (1) Albus estava com problemas com Aparatações longínquas, (2) Rose tinha medo de altura e (3) eles ainda não tinham ideia de onde iriam, mas com certeza não seria para casa.
Após andarem por cerca de cem metros para longe do aeroporto, Rose soltou a mala de rodinhas e sacou a varinha, esticando-apara fora domeio-fio. Bastou alguns poucos minutos para um imenso ônibus roxo de três andares aparecer em meio a rua pouco movimentada. O sorriso no rosto da Weasley pareceu satisfeito, mas o garoto Potter ficou emburrado na mesma hora. O cobrador abriu a porta e parou frente a eles para a famosa apresentação que eles já conheciam.
"Bem-vindos ao Nôitibus Andante, o transporte de emergência para bruxos e bruxas perdidos. Basta esticar a mão da varinha, subir a bordo e podemos levá-lo aonde quiser. A passagem custa onze sicles, mas por catorze vocês levam um delicioso chocolate quente ou quinze uma escova de dente e um saco de água quente. Meu nome é CarlisleTownsend e serei seu condutor nesta tarde."O tal rapaz Townsend se apresentou da maneira mais rápida que conseguia e então analisou o rosto dos dois a sua frente. Albus não deixou de notar que o garoto pareceu um pouco mais animado ao ver Rose e isso o fez pigarrear.
"Gerônimo." Disse Rose empolgada, levantando as duas sobrancelhas do jeito que somente ela sabia fazer para indicar um 'vamos lá', mas ao invés de dizer isto, ela preferia a palavra gerônimo.
Juntos eles subiram e se sentaram lado a lado no meio do segundo andar. Ela sentou-se na janela e observou as imagens que passaram rapidamente. Não era possível ver muita coisa além de borrões, mas ainda sim ela preferia ficar olhando aquilo do que encarar os olhos verdes do rapaz ao seu lado. Sabia que se olhasse para ele teria de responder mil e uma perguntas, as quais não ansiava por responder. A primeira delas provavelmente seria como ela se sentia. E como ela se sentia? Bem e mal, ao mesmo tempo. Bem porque estava de volta a Londres, de volta a sua terra natal. Mal porque ainda não estava pronta para ver seus pais. Não estava pronta para responder tantas perguntas.
Ela suspirou.
"Está tudo b...?" Albus começou a pergunta, mas foi impossibilitado, pois o rapaz de cabelos castanhos e uma imensa cicatriz que ia do nariz a bochecha — o condutor — sentou-se no banco da frente e encarou os dois, ou melhor, Rose. Obviamente ele estava tentando flertar com ela.
"Então... Para onde estão indo?" Ele perguntou tentando puxar assunto.
"Para o Ca..." Novamente Albus tentou falar, mas desta vez quem o interrompeu foi a própria prima. Por que é que ele não podia falar nada?
"Para um hotel perto da King Cross..." Rose respondeu tranquilamente, porém o primo entrou em seus próprios pensamentos tentando entender porque ela queria ficar perto da King Cross Station. Mal ele sabia que a resposta estava bem a sua frente. "Sabe onde fica?"
"Um hotel trouxa?" Uma de suas sobrancelhas levantaou como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo. Carlisle, o condutor, havia acabado de perder um ponto com a garota e um ponto mudava o jogo totalmente.
"Algum problema?" Ela havia captado que ele era o tipo de cara que julgava as pessoas de acordo com o local que ia e que também não era o maior fã dos trouxas. Não que ela estivesse a fim, mas sempre dava a oportunidade. Afinal, ela estava ficando velha e o único homem na sua vida era o primo que ela havia arrastado consigo para o grande abismo da vida.
"Nenhum." Ele fez uma pausa e então se levantou, um movimento que declarou derrota. "Vou avisar ao velhote."
O Potter esperou até que Carlisle não estivesse mais a vista para que pudesse encarar a prima e conseguir as respostas que precisava. Sua primeira pergunta com certeza seria sobre o motivo de estarem indo se hospedar perto da King Cross ao invés de irem para o Caldeirão Furado. E foi isso que ele perguntou, mas a resposta demorou a ser dada.
"Meu pai sempre vai lá." Sua voz era baixa, rouca e antecedia um choro. Ele precisou se preparar psicologicamente. Tinha pânico de garotas chorando, mesmo depois de três anos sempre encontrando com Rose chorando pela casa em que moravam.
"Pensei que estivesse com saudades dele... Que iria querer vê-lo."Albus prosseguiu hesitante.
"Eu estou, mas..."
"Não está preparada para contar tudo?" Ele indagou embora já soubesse a resposta. Gostava de ouvir a voz dela já que vinha ficado cada vez mais difícil.
"Estou cansada de justificar as coisas, mas também não estou preparada para dizer toda a verdade."
Albus fez uma pausa por um tempo que pareceu ser um tanto longo. Ele sempre gostou de pensar duas vezes antes de falar. Era um dos pontos que ela mais gostava nele.
"Só volte para casa, ok? Mas quando estiver pronta. Eles vão estar te esperando."
"Eu sei que vão. Eles sempre estiveram." Foram suas últimas palavras dirigidas a ele naquele fim de dia e ele não tentou pressiona-la a falar. Talvez algum dia ela voltasse a ser aquela garota de antes... Ele sentia falta da prima, mas ele sabia que ela só voltaria ser a mesma quando o Malfoy voltasse. Se é que ele voltaria. Três anos haviam se passado e não havia nenhuma noticia dele. Provavelmente ele não havia recebido a carta sobre a gravidez de Rose, provavelmente não sabia que a irmã mais nova tentara suicídio, provavelmente não sabia que tudo que ele tentou proteger não conseguiu se proteger. Mesmo assim ele mandaria uma carta. Ele tinha esperança que o amigo retornasse, mesmo que ninguém mais tivesse, mesmo que já passassem anos.
Não houve nem mesmo um boa noite vindo de Rose após irem para os respectivos quartos minutos depois do check-in do Hotel. Ela também não apareceu para o jantar. Não que ela estivesse brava com ele, mas porque essa era a garota na qual ela havia se tornado. E uma noite após outra, era sempre um pesadelo interminável para ela. Sombras de uma memória que ela não se lembrava, sombras de coisas que deveriam ter sido... Tudo agora a assombrava. Então ela se trancava no quarto, esperando que seu mundo mudasse, como ela fazia quando estava assustada quando era criança.
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