Born to be
2 Daily Prophet
Notas iniciais
Naquela manhã quando Albus desceu para o restaurante do hotel para que pudesse tomar seu café matinal – ou então Café da Manhã, como outros diriam – Rose já se encontrava lá. Estava sozinha como sempre e a maquiagem que usava cobria bem os vestígios de uma noite mal dormida. Aquela talvez tivesse sido a única coisa que conseguira aprender com Victoire que, de acordo com as ultimas cartas, agora era modelo de uma linha bruxa de magia. Não foi preciso se aproximar para saber que ela bebia chá. Albus não aprovaria que ela tomasse café, afinal ela tinha sérios problemas de ficar ligada demais ao ingerir cafeína. No entanto, após analisa-la ao longe, tomou coragem de se aproximar.
Rose estava submersa em pensamentos, tentando encontrar algo lógico para todos aqueles sonhos. Precisava de uma explicação lógica como todo cientista precisava. Odiava coisas que não conseguia solucionar. E aquele havia sido um dos motivos pelo qual ela havia voltado para Londres, além de ser o motivo de ela ter escolhido ficar hospedada perto da King Cross. Havia algo naquele lugar que ela não conseguia entender, mas tinha certeza que não era por causa dos anos de escola. Era algo maior do que simples bons anos. Precisava descobrir o que era, mas antes... Precisava se livrar de Albus. Ele havia sido uma boa companhia, com certeza a melhor delas, durante toda sua vida, principalmente os últimos anos. Eles haviam se tornado ainda mais confidentes, Rose sentia que precisava dele ainda, mas já estava na hora de cortar o cordão umbilical. Aquele último pensamento fez seu estomago revirar.
“Bom dia.” O homem de olhos verdes em que Albus Severus Potter havia se tornado disse educadamente, sentando-se a frente da garota.
“Bom dia.” Rose forçou um sorriso, tentando transparecer que estava realmente bem, mas o primo já sabia que era mentira. Ela sempre mentia para ele... Era estranho aquilo. Quando estudava, ou pelo menos até o sexto ano, nunca havia metido para ele. Como as coisas acontecem em um piscar de olhos? Eles permaneceram assim durante alguns minutos, quietos e a comerem... Mas na verdade apenas a ruiva comia.
Naquele momento, o Potter pensava sobre o que a garota comia. Pouco. Outra vez pouco. Aquilo já estava lhe dando nos nervos. Ele e Scorpius haviam se tornado amigos bem próximos no último ano escolar, mas agora Albus estava começando a voltar a odia-lo, mesmo com aquela incerteza se ele estaria vivo ou não. Quando o acidente com a gravidez aconteceu, ela havia caído em depressão, mas havia se recuperado em pouco tempo ao pensar que seria melhor já que ela nunca soube quem seria o pai. Mas agora tudo estava voltando. Talvez fosse porque ela resolvera voltar ou porque ela havia desocupado a mente, já que lecionar em Salém lhe ocupava o dia todo. Não importava qual fosse o motivo. Ele detestava ver como ela estava se destruindo sem um motivo aparente. Detestava ela ser fechada o suficiente para não confiar mais nele como costumava confiar. A raiva e o rancor – os dois piores sentimentos que eram os defeitos do filho d’O Eleito – estavam retornando. Ele precisava de um motivo para sair dali e respirar um ar puro. Então a ideia lhe veio a mente de imediato.
“Eu tenho que ir. Só passei aqui para ver se estava tudo bem.” Disse a ela, levantando-se ao quebrar o silencio entre os dois.
“Ok.” A resposta foi automática, mas percebeu rapidamente seu erro. “Onde você vai?”
“Encontrar com Alice.” Ele deu de ombros.
“Você disse a ela que voltamos?” Houve certa alteração no tom que Rose usou para perguntar aquilo. Ela não queria que ninguém soubesse que ela havia voltado principalmente Alice Longbottom que sempre foi tão elétrica que deixaria escapar para qualquer um.
“Eu disse a ela que eu voltei.” Albus corrigiu-os imediatamente, dando ênfase ao ‘eu’ para que ficasse bem claro que ele não havia contado sobre Rose, embora fosse sua vontade interior.
“Bom.” Ela relaxou um pouco.
“Bom.” Ele respondeu calmamente. “Estou indo.”
“Divirta-se.”
“Faça algo que não seja ficar tranca no quarto.”
E era exatamente o que ela faria. Bastou ele sair do hotel e desaparecer em meio a rua pouco movimentada para que Rose se levantasse, pagasse a conta e corresse para seu quarto. Precisava pegar um pouco de dinheiro trouxa, uma maquina fotográfica e o bom e velho pergaminho para fazer anotações. Seja o que fosse que a perturbava, ela estava disposta a descobrir. Então após pegar tudo o que precisava, desceu correndo para fora do local e começou sua jornada sem um rumo certo, sem um motivo concreto. Poderia parecer loucura, mas loucuras era algo que passara a ser parte de sua vida.
Após um tempo parada na portaria, ela resolveu seguir pela direita após um sorteio mental. Ela começou a caminhar. E caminhou. E caminhou. E caminhou. As ruas pareciam vazias demais, tristes demais... Era como se algo houvesse sido tirado delas, mas era apenas mais um dia nublado na velha cidade. Algumas coisas pareciam continuar as mesmas, outras pareciam ter envelhecido uns bons anos... Nada parecia tão empolgante. Nada até que chegou a uma praça, mas ela estava triste igualmente a todo resto. Não haviam crianças rindo, nem uma musica alegre tocada por um velho com sua sanfona ou mesmo o cheiro de flores. Talvez fosse época do ano. Mesmo assim aquele lugar chamou sua atenção. Não sabia ao certo se era realmente importante, mas era familiar, então precisava passar mais um tempo ali, raciocinando e tentando entender o porquê. Disposta a marcar aquele lugar em seu ‘caderno de busca’, Rose tirou uma foto panorâmica e foi sentar-se em um banco disponível mais próximo, já que além dela só havia um velho a alimentar os pombos.
“Você costumava ser mais inteligente antes.” Disse a si mesma, mas se direcionado a sua mente. Ela fechou os olhos e respirou fundo. O ar que entrou em seus pulmões trouxe algo que ela não se recordava muito bem, mas que tinha certeza que era uma lembrança.
Crianças corriam, risadas enchiam o ar de alegria. O sol brilhava forte no céu e ao tocar nas bolhas de sabão que dançavam no ar, criava uma cena magnífica que merecia ser lembrada dali vinte anos ou mais. Era um dia perfeito de verão onde as famílias se reuniam para serem... famílias. E aquele era um dia maravilhoso para Rose. E se tornou mais maravilhoso ainda quando alguém se sentou ao seu lado com um buquê de rosas vermelhas.
“Você deveria parar de ser tão clichê. Não é porque meu nome é Rose que você tem que me dar rosas.” Ela disse sem ousar desviar os olhos das crianças alegres.
“Não corte meu barato, Weasley.” O garoto retrucou e Rose gargalhou junto, mas ao fim daquela risada, ela se virou, mas não conseguiu distinguir o rosto dele.
“Me chame de Rose, eu imploro.”
“Weasley é legal de se falar, Rose.” Ele piscou. Ela não sabia como poderia saber daquilo, mas ele havia piscado.
Então Rose abriu os olhos e tudo continuava naquela tristeza que estava antes. Queria fechar os olhos e voltar a sonhar acordada. Porém algo lhe chamou atenção: um jornal que estava preso em uma arvore, tentando soltar-se para voar. Ele não parecia um jornal comum, por isso ela se atreveu a pegá-lo. Ao vira-lo para si, leu o que se marcava em destaque da primeira página do Profeta Diário, como havia indicado no titulo:
HERDEIRO DOS MALFOY AINDA DESAPARECIDO.
Teria aquilo algo a ver com ela? Provavelmente não. Eles haviam sido inimigos e colegas. O resto era mera coincidência. Ou o destino?
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