Born to Die | Exile
31 Exile | Himalaia
Notas iniciais

HIMALAIA
Himalaias são a mais alta cadeia montanhosa do mundo.
Tóquio, 2016
O carro de Stone seguiu pela rua até virar e prosseguir em uma nova avenida, distante do olhar melancólico de Willa Fairchild. Uma brisa fria bateu contra o rosto de Willa e os seus cabelos foram jogados para o lado esquerdo e ali, atrás dela, Pietro parou. Ela sentiu o seu coração martelar contra o peito do velocista, era uma mistura de ansiedade, temor e uma boa quantidade do veneno que corria em suas veias e o tornara um aprimorado. Pietro mirou um olhar pesaroso sobre a figura dela, aquecendo as mãos dentro dos bolsos do seu casaco de couro.
— Você fez, você matou ele?— Pietro questionou a ela e Willa virou-se para encarar ele. Naquele olhar Pietro não sabia dizer se ainda conseguia enxergar a garota por quem seu coração batia tão forte. Ele que vivia no acelerado, se encontrava dando um passo de cada vez. E curiosamente, isso só acontecia com ela. Willa era o seu motivo para diminuir a sua pressa, a sua urgência para viver tudo ao mesmo tempo. Ter voltado dos mortos lhe deu uma percepção que quando ele buscava viver tudo de uma vez, ele perdia muito do mundo dos vivos. Não mais.
— Não — ela revelou abaixando o seu olhar com uma ruguinha em seu cenho.— Eu dei uma chance para ele recomeçar.
Pietro deixou o ar escapar dos lábios, passando as mãos nos cabelos ralos. Ele... ele não estava perdido em suas lembranças. Ele conhecia aquela Willa.
— Eu vi você conversando com aquele homem e pensei... – O pior. As palavras morreram em seu pensamento. Ela entendeu. Doeu em um primeiro momento, ele dentre todos pensar o pior das suas ações, mas no seu lugar, ela não pensaria também, depois de todos os seus erros e acertos?
— Eu percebi que ele, como eu estava seguindo um padrão, por acreditar que era condicionado a isso, por conta do seu destino marcado em seu sangue — ela revelou comprimindo um sorriso triste.
— Não, não é — Pietro rebateu deixando os dedos entrelaçarem nos dela. Sua pele fria entrou em contato com o calor confortável da sua mão e o olhar trocado por eles teve mais cumplicidade do que jamais tivera até então.
— Sim, eu sou — ela não tencionava ser dramática e dançar ao som da menor e mais melodramática sinfonia de violino do Japão. Ela estava aceitando o destino e não aquele que foi escolhido para ela, mas o que ela desenhou para si. — Eu tanto falei sobre como Stone e Stick trataram perfidamente a Elektra como a garota da profecia, mas eu mesma me tratei como alguém destinada a cumprir um fado. Eu precisei quase matar um homem para me dar conta que eu faço o meu destino agora. Eu não sou mais uma marionete da Casta. Eu nunca fui. Sabe, quando somos condicionados a um papel nos acostumamos a ele, eu era uma ninja, eu era uma assassina, eu era uma vingadora... E agora o que eu sou? Uma fugitiva? Uma civil? Qualquer coisa oposta ao que fui condicionada parece muito complicado de conseguir lutar para ser ou não. Agora, pode parecer impossível me desprender desse padrão, mas não é. Só preciso dar o primeiro passo...
— E qual seria ele? — Essa era a pergunta de dois milhões de dólares.
— Eu não sei, eu só consigo pensar nisso aqui. — Ela mostra a pasta entregue por Stone a ela. Ele une as sobrancelhas, sem desconfiar do seu conteúdo e Willa sentiu um embargo na garganta. Aquele símbolo da HIDRA ainda perseguia a sua mente e atormentava a sua imaginação. O que o seu passado poderia ter em comum com aquela organização?
— O que é isso? — Pietro apontou para a pasta, trazendo ela para o presente.
— Eu ainda não sei, mas... — ela desconfiava o que encontraria em cada uma daquelas páginas e sentia-se observada. Olhou por sobre os ombros e encontrou o vazio e o silêncio e a preocupação emandando em Pietro. Ela apertou a mão dele, em temor e preocupação. Ele retribuiu o gesto, aproximando-se um pouquinho dela. — Eu não quero pensar nisso agora — ela afastou isso, recebendo um afago na bochecha e ela comprimiu um sorriso. — Podemos falar, decidir sobre isso tudo amanhã?
— Podemos — ele concordou com um dos seus sorrisos calorosos. — E o que você quer fazer agora?
— Yakissoba — ela sugeriu pensativa. O seu estomago roncou e talvez ela fosse precisar de mais do que yakissoba. Talvez alguns moshis. — Eu quero preparar um yakissoba.
— Então, nós vamos fazer um yakissoba — ele a puxou para perto do seu tórax e repousou o seu braço sobre o ombro dela, rumo a casa.
E ali estavam, seguindo rumo ao destino lapidado por eles.
Willa mentiu para Pietro. Ela não queria tragá-lo para as possibilidades desconhecidas e sombrias do seu mundo. Seu mundo. Qual deles seria? Ela precisava lidar com tudo isso, entender o que se passava, compreender o que estava por trás daqueles documentos. Se fosse, informações credíveis, ela pediria os conselhos de Maximoff. Caso contrário, eles prosseguiriam com a sua vida de fugitivos.
Mas, para isso ser uma possibilidade em seu futuro, ela precisava primeiro encarar aqueles papeis e lê-los aqueles documentos e para isso acontecer, ela necessitava de privacidade. Ela não podia simplesmente se enfiar em seu quarto e deixar Pietro preocupado com a sua atitude. Seria estupido da sua parte, como também muito insensível.
Sem contar que ela pensaria melhor após um bom prato de lamen. Pietro arrumou a mesinha de centro com duas tigelas e os hashis. Willa colocou a água para esquentar com ovos, selecionou algumas verduras e dois pedaços de peito de peru. Colocou tudo na tigela com o lamen. Enquanto a água esquentava a massa e as verduras, Willa buscava ser presente para Pietro. Escutava ele tagarelar sobre um anime no netflix que ele queria muito mostrar para ela, pois a protagonista era loira e ninja, e tinha o humor igualzinho ao dela. Ele não lembrava do nome, então passou cinco minutos nervosamente buscando o anime no streaming, falando sobre a história, sobre a personagem e sobre como não entendia a tecnologia e amava ao mesmo tempo. Ele estava nervoso, ansioso, agitado. Ele tinha expectativas. Estava empolgado com o que seria do amanhã. Estava empolgado com o futuro deles. Tímida e inesperadamente, Willa entrelaçou os seus dedos e Pietro arregalou os olhos, sentindo o seu coração vacilar contra o peito. Olhou para as suas mãos unidas e encontrou Willa admirando a tela da televisão em uma página com uma variedade de programas sobre culinária. Ele a puxou para um abraço. Rápido, mas profundamente preocupado. Ela não disse nada sobre os seus medos. Ele não disse como se sentia com ela. Eles comeram em silêncio, finalmente ele encontrou o anime e eles assistiram. No terceiro episódio, Pietro roncava entregue ao décimo sono e Willa cobriu ele com uma manta, aumentou o aquecedor e encontrou refugio na solidão do seu quarto.
Sentada na cama baixa tipicamente japonesa, diante de si, ela despejou todo o conteúdo da pasta. Arquivos com dezenas de relatórios em alemão e russo. Pastas com fotos em preto e branco, polaroids, fitas de filmes para revelação e até mesmo, desenhos do que pareciam projetos, pesquisas científicas em humanos e coisas que por conta da barreira da linguagem, Willa não compreendia. O que todos aqueles relatórios da Hydra tinham em comum com ela? Os seus olhos atentaram para um moleskine de capa preta escrito do inicio ao fim com uma caneta preta e um caderno de capa vermelha com um círculo preto desenhado em tinta na capa de couro. Ela analisou as páginas do caderno vermelho: puídas e amareladas, por conta da má conservação e o tempo. Em uma primeira olhada, Willa não encontrou sentido na confusão de palavras em cirílico e alemão. Eram frases desconexas linha após linha, listas infinitas de palavras, nomes ou ao menos, o que pareciam ser nomes, desenhos de mapas e mais frases escritas e palavras e textos, até a última página. Então, um clique: uma das listas continha nomes de cidades no interior da Alemanha. Os asteriscos serviam para demarcar as cidades onde as bases da Hydra haviam sido destruídas pelos seus inimigos, a Shield, até então. A lista em cirílico eram cidades também, só que na Rússia, Sokovia e Polônia. Uma foto caiu da agenda, sobre o colo de Fairchild. Ela pegou o papel, afastando a poeira acumulada na imagem queimada. Era a foto de rosto de uma garota. Um rosto em formato de coração, cabelos loiros ondulados, a pele pálida com alguns hematomas e cortes presos com esparadrapo. Sobrancelhas negras e espessas. Os olhos azuis brilhavam na foto desgastada. Os lábios crispados demonstravam desgosto. Ela conhecia aquela menina.
Era ela.
Ela puxou em sua mente quando ela tirou aquela foto. Ela não recordava. Ela nunca tirou fotografias na Casta. Nem mesmo quando foi viver na Mansão ou quando foi morar com Stone. Tirou algumas fotos para documentações, mas em nenhuma delas, ela estava ferida. Isso levantaria questionamento das autoridades. Ela... Não se lembrava daquele dia da foto, daquela situação que levou a tirar aquela foto. E ela chorava. Willa sentia as lágrimas desbravarem o seu rosto e percebeu a comoção quando um gemido doloroso escapou da sua garganta.
O que estava escrito naquela caderneta e porque a sua foto estava entre aquelas páginas?
Ela secou as lágrimas com as costas da sua mão, revirando as páginas buscando por entre as páginas alguma explicação ou localização para aquela imagem. Ela não encontrou a página marcada. Isso talvez não fosse importante. Aquela foto era. O carimbo da Hydra atrás da fotografia com uma data impressa: abril de 2007. Caçou pelas datas nas páginas.
2007... Ela já vivia na Casta.
Ela abandonou a foto na cama e concentrou nas pastas. Ela abriu mão de entender os textos, ela não compreendia russo e estava longe de ter qualquer noção de alemão. Concentrou nas fotografias e no que tinha escrito em inglês. As imagens eram gráficas. Cientistas testando tecidos e amostras de sangue. Médicos fazendo um procedimento cirúrgico no corpo de uma garota. Dr. Hans? Dra. Mildred? O médico fisioterapeuta Hudson?
Willa virou a foto encontrando uma etiqueta nomeando a paciente como R.R sendo tratada e operada pelos médicos...
— Dr Hans Geoffrey, Dra Mildred Hanson e o médico ortopédico Hudson Jones.
A fotografia escapou dos seus dedos. Ela não conhecia aquelas pessoas. Aqueles lugares nas listas. Nunca estivera na Rússia antes! Não havia pesquisas, nem testes científicos em humanos nos arquivos liberados pela Viúva Negra. Aqueles arquivos tratavam sobre missões contra as maiores potenciais mundiais e a humanidade, como também o projeto Soldado Invernal. Não havia nada sobre R.R ou esses médicos lá, certo?
Willa não sabia dizer.
Raios-X de ossos quebrados, exames de resultados sanguíneos e órgãos. E as próximas fotos mostravam os ferimentos descritos ali: osso da panturrilha quebrada, fêmur partido, baço estourado, intestino rompido, seis costelas afundadas, um pulmão perfurado e muitos hematomas espalhados nos braços e pernas. Hipotermia e inanição. A paciente foi considerada um milagre até aquele momento descrito no exame, no entanto, o médico (cientista?) deixou claro as poucas chances de sobrevivência da menina. Então, a paciente era uma menina, uma criança. Pelas informações soltas capturadas por Fairchild, a criança foi encontrada por um fio nas geleiras do Himalaia. Um embargo sufocou a garganta de Willa.
Himalaia?
Willa pegou a última folha do arquivo com uma foto presa a um clipe. Tornou-se desnecessário secar as lágrimas, o ácido em sua garganta ardia e corroia dolorosamente. Ela não continha aquele embargo e chorava compulsivamente.
Qual era o significado por trás daquela barbárie? Uma garota entre a vida e a morte é resgatada pela Hydra, para quais propósitos? E aquelas pesquisas? E as listas com aquelas cidades? A sua foto? Ela reconhecer aqueles médicos.
Engolindo em seco, os seus olhos leram linha após linha do relatório. Tratava sobre um paciente com uma condição boa de saúde e alguns dados físicos envolvendo treinamentos e percepção. Seu dedo buscou pela foto no clipe e o seu coração parou quando olhou aquela fotografia em sépia. Era o Bucky. Era uma foto de Bucky congelado na maquina. Havia algumas informações sobre o estado do soldado invernal desde a sua última ligação. Por ligação, Willa acreditou ser como eles chamavam o ato de congelá-lo. Em um carimbo havia uma data e horário marcado, indicando o seu religamento no projeto Soldado Invernal. Três meses antes da foto retirada de Willa.
Como aquela sua foto encontrou o caminho da Hydra e por que estava unida a pasta de Bucky? Qual era a relação daquilo tudo?
Zemo.
Willa fechou os olhos sentindo o coração apertar em seu peito.
Aquele homem... Ele conhecia o seu nome. O seu nome de antes da Casta. Ele conhecia as histórias mais sórdidas dos passados de cada um dos Vingadores, o que e quem era o Soldado Invernal, a relação com o Capitão, quem assassinou os pais de Tony. Algo, no entanto sempre matutou a mente de Willa: ela era um link a Steve, mas não era um ponto sensível para determinar a excelência dos planos. Ele sabia dos detalhes da sua vida, pois ele era um soldado, ele sabia e reconhecia que informação era poder. Ele conhecia cada um deles intimamente para manipulá-los diretamente para a sua armadilha. Sem essas informações, sem a sua estratégia, ele não conseguiria a excelência do seu plano. Willa era parte do seu plano. Saber quem ela foi antes de quem ela é hoje era parte do seu plano para conseguir desestruturá-la. Ele conseguiu desvendar uma parte dela que Willa enterrou em seu passado. E aquela foto, aqueles documentos, o seu nome...
Porque ela estava pensando nesse homem com tanta certeza, tanto afinco?
Ela abandonou tudo na cama. Deixou o quarto e buscou por ele.
Pietro dormia enrolado na manta, roncava baixinho. Cuidadosamente, ela acarinhou o rosto de Maximoff e ele não demorou para despertar. Balbuciou algumas palavras incompreensíveis em seu idioma e olhou para Willa, sua vista em um primeiro momento turvo. Então, ele notou o nariz vermelho, os olhos lacrimejantes e os lábios trêmulos da ninja e sentou no sofá em um pulo.
— Willa, o que houve? — Ele lançou os seus joelhos ao chão ficando na sua altura entrelaçando os seus braços sobre os seus ombros e a sua cintura, trazendo a contra o seu peito. Ela não conteve as lágrimas encontrando conforto no seu peito. E Pietro encontrou desespero pela ausência de explicação da sua parte. — Willa, eu preciso que você fale comigo.
— Me fale sobre o seu tempo na HIDRA.
— Sobre meu tempo lá? — Ele questionou confuso.
— Como a HIDRA chegou até você e a Wanda com a proposta do teste de aprimoramento humano?
— Eles não nos procuraram — Ele respondeu cuidadoso e arqueou as sobrancelhas. — Nós procuramos eles.
— Como? — Ela estava com uma enorme interrogação em seu rosto. Pietro sentou no chão, estendendo as mãos.
— Nós procurávamos emprego nos classificados todos os dias. Faziamos uns bicos aqui e ali e um dia encontramos um anúncio sobre um teste revolucionário. Era tão bem remunerado que poderíamos ficar uns dez anos sem trabalhar! — Ele arqueou as sobrancelhas, distanciando o nosso olhar. — Encontramos com um cara em um parque e mais tarde descobrimos que ele era um dos generais do Strucker.
— E vocês aceitaram, mesmo sabendo que se tratava da HIDRA? — Ela uniu as sobrancelhas, incerta.
— Você diria não para a oportunidade de ter super poderes? — Pietro atirou a questão com um sorriso jovial.
— Sim! — Ela exclamou sem titubear. — Alias, eu rejeitaria qualquer coisa oferecida pela HIDRA.
— Nós não tínhamos ideia de quem a HIDRA era. A mídia em Sokovia não reportava na sobre eles e o acesso a internet era restrito. Mal tínhamos dinheiro para comer, imagina para ter internet banda larga... — Ele entortou um sorriso e Willa abaixou o olhar, sentindo-se mal por ter julgado Maximoff. Ela nunca esteve em seus sapatos. Ela era a pobre garota órfã branca que aprendeu a lutar com mestres anciões e dominava com maestria a luta de uma raça e cultura oposta a sua e mesmo sob a adversidade, ela teve a sorte de uma boa vida. Pietro e Wanda eram estatística para um país de terceiro mundo.— Eles nos ofereceram uma boa quantia de dinheiro. Fizeram promessas. Prometeram ajudar a guerra civil do nosso país e que se aceitássemos, estaríamos na frente de luta. Seriamos um símbolo de libertação. O pior das hipóteses seria o teste falhar e morremos.
— Prioridades é algo em falta na família Maximoff — Ela ralhou não escondendo sua inconformação. — Vocês foram testados na base de Berlim, certo? — Ele assentiu. Foi ali onde as suas histórias se cruzarem, literalmente. El sorriu saudosista. Willa, por sua vez, arqueou uma sobrancelha, lembrando de um mapa em uma das cadernetas circulando e interligando a sede de Berlim com outras duas, o trio de sedes onde, supostamente, ela estivera quando jovem. — Vocês ficaram lá durante todo o processo ou passaram pela base da Sokovia e Polônia também?
— Wanda te contou isso? — Ele soou surpreso.
— Não. — Ela respondeu fraco. Pietro empertigou a sua postura arregalando lentamente os seus olhos.— Eu vi um mapa em uma daquelas cadernetas e elas estavam interligadas com Berlim...
— Você precisa deixar essas coisas de lado, foi ler essas coisas que te deixou assim, não é? — Ele repousou sua mão sobre o ombro dela, trazendo-a para perto de si com afeto.
— Nós precisamos ir para Sokovia.
— Eu te levo aonde você quiser ir — Ele inclinou o rosto, como se fosse capaz de ver algo em Willa que ela mesma, desconhecia ser capaz de demonstrar. — Mas, eu preciso que você me diga o que está se passando.
Ela respirou fundo e abaixou os olhos, ponderando o que faria a seguir. Levantou e estendeu sua mão a Pietro, convidando-o a acompanhá-la até o quarto.
Ao encontrar a cama abarrotada por todos os documentos coletados da casa do agente morto da HIDRA, ele abriu os lábios para ralhar com Willa, mas ela foi mais rápido do que sua preocupação e pegou a sua foto e entregou a ele, com os olhos marejados. Pietro conhecia aqueles olhos azuis gélidos. Ele virou a foto, temendo que encontraria ali atrás, o que encontrou na sua foto e ali estava, o carimbo vermelho da HIDRA. Ele deixou os seus olhos perderem-se naqueles cadernos e exames médicos com um novo sentimento: temor.
— Willa, o que significa isso?
— Lembra que eu decide investigar quem estava por trás dessa farsa do meu parentesco com a Jessica? — Ele assentiu e Willa se sentiu encorajada a prosseguir, pegando a pasta dada por seu Sensei e guardada por ela a sete chaves, nos últimos dias, mostrando a ele. — Stone me ajudou com isso. Ele foi direto na fonte, o investigador que tentou descobrir detalhes do meu passado, na época em que vivia no Japão com Stone. Ele queria saber se eu tinha uma família em algum lugar do mundo ou se era sozinha, como ele. O investigador, por sua vez, mentiu sobre minha história, de acordo com Stone, ele fez isso para me proteger da HIDRA.
— Quantos anos você tem aqui? — Pietro apontou para a foto e ela forçou os olhos na imagem, entortando os lábios.
— Pela data atrás da foto, eu tinha dezesseis — Ela deu de ombros e Pietro colou os seus olhos em Fairchild. Ela mirou o sokoviano com horror estampado em sua fisionomia. — Eu não lembro dessa foto, Pietro. Eu nunca tirei fotos na Casta, só tirei fotos para documentação e certamente, essa não é uma dessas fotos. — Ela deu um passo para trás, rodopiando os seus olhos para cada extremidade do quarto, embargada. — Porque eu não lembro dessa foto?
— Talvez ela seja manipulada, como aquelas fotos que o Tony faz no computador colocando o Thor em cartazes da L'oreal — Ele lembrou, arqueando as sobrancelhas.
— Ele faz isso? — Willa crispou os lábios, contendo um riso frouxo.
— Melhor focarmos no problema. — Se ele revelasse isso a Willa, Tony trancaria ele em um dos seus quartos de pânico. É melhor ele não falar dos quartos de pânico também.
—— Eu não sei o que pensar sobre isso... — Mentira, ela não pensava com clareza sobre aquilo, pois a sua descrença era maior do que a sua racionalidade, no entanto, ela pensava em alguém que dentre todos, demonstrou conhecimento sobre aquilo que a sua própria mente não reconhecia. — Só consigo pensar que se eu quero respostas, eu preciso ir na fonte delas, com a queda da HIDRA, todos os arquivos estão em público e o que não estão encontram-se escondidos pelo mundo todo, nas mãos dos ex agentes, mas... Uma pessoa sabia do meu nome e mostrou saber coisas do meu passado, coisas, além disso aqui, tudo aqui e talvez, ele possa ser a peça faltante para tudo isso.
— Quem?
— Zemo.
— O cara que causou todo esse caos? — Ele questionou descrente.
— Esse caos aconteceria com ou sem ele. — Ela corrigiu, meneando a cabeça em negativa. — Ele foi só uma parte dos nossos conflitos.
— Bom, mas você tem que concordar comigo que ele foi um gatilho fantástico.
— Não vejo dessa forma. — Ela negou com a cabeça, sentando no acolchoado da janela, com os feixes da luz pública brincando com a cor dos seus olhos e a palidez da sua pele.
— Essas coisas que ele sabia sobre você... Você lembrava? — Pietro questionou com cuidado, admirando Willa em sua contemplação.
— Eu não lembrava o meu nome — Pietro deixou um suspiro escapar dos seus lábios. — Quando Zemo disse Riddle, foi como um estalo. Um clique. E quando eu encontrei meu reflexo pela primeira vez, depois de um longo tempo eu me enxeguei sem aquele embaçamento de antes. Eu me reconheci.
Pietro abandonou a foto na cama. Pegou um cartão com os dados do tal agente que tinha mais informações sobre o caso R.R. Colado ali tinha um post it alertando a Stone para falar com ele o quanto antes e averiguar uma numeração, parecia a latitude e longitude de um lugar.
— O seu sensei averiguou isso? — Pietro mostrou o cartão a Willa e ela negou com a cabeça. Foi uma das tantas coisas sem data que não fizeram muito sentido na cabeça da ninja.
— Não. Stone conseguiu as informações, mas entregou nas minhas mãos a escolha de como solucionar e lidar com isso.
Que baboseira. Pietro pensou, revirando os olhos. Ele zappeou no quarto, pegando o tablet na escrivaninha de Willa e digitando no processo de retorno os códigos escritos no cartão, na barra do Google. Uma localização apareceu no mapa americano.
— Quem quer que seja esse agente, ele mora em Atlanta — Ele parou diante dela e sentou-se no lugar vago do acolchoado, entregando a ela o tablet com a localização. — O que acha de em vez de irmos a Sokovia, damos um pulo no Steve, contamos a ele o que você descobriu e quem sabe, ele até queira nos acompanhar... — O cenho de Willa enrugou e uma lágrima escapou. Pietro afagou o seu rosto. — Ei, vai tudo ficar bem.
— Vai mesmo? Pietro, eu não sei o que está acontecendo. Eu não sei o que é real na minha história e o que é fruto de uma conspiração. E pensar que até ontem, eu se quer pensava que isso acontecia comigo... É assustador. O que mais eu não sei?
— Eu não sei, mas nós vamos descobrir. Isso pode ser tanta coisa, pode ser uma piada de mal gosto feita para enganar o seu sensei...
— Ninguém é capaz de enganar o Stone. — Ela crispou os lábios, negando com a cabeça.
— Há primeira vez para tudo. — Ele apontou espertinho.
— Eu sabia sobre as cidades — Pietro uniu as sobrancelhas. — Eu não li na caderneta e lembrei. Eu sabia, antes de ver no mapa, quando eu vi Berlim, eu sabia que ela estaria conectada com Sokovia e a Polonia. Eu sei disso, por que eu estive lá... Lembro do cheiro de metal, lembro de cheiro de remédio, do barulho de marcha, de sangue... de gritos. Eu tenho a sensação que estive nesses lugares várias delas.
— Com Stone? — Ele deduziu e Willa choramingou, negando com a cabeça.
— Não, eu nunca fui além do Japão com Stone — Pietro abaixou a cabeça, consternado. — Eu sabia o nome dos médicos, em uma das fotos da minha suposta recuperação, e quando virei a foto, os nomes estavam ali atrás.
Pietro olhou para cama e foi até lá, agilmente, pegando todas as fotos em seu alcance e retornando ao lugar ao lado dela, descartando as fotos até encontrar a dita por ela.
— Dr. Hans! — Ele disse, recordando do médico. — Eu conheci ele. Cuidou de mim nos testes iniciais. Era um homenzinho muito...
— Assustador — Willa completou suas palavras, com um olhar perdido na rua deserta. Pietro a admirou, mudo. — A voz dele parecia a do boneco Chuck só que rouca e ele tinha aquela história que ele contava para todos os pacientes do homem da caixa que coletava pedaços das pessoas que ele encontrava...
— Para trazer a esposa de volta a vida — Agora, foi Pietro quem completou as suas palavras e ela assentiu, perturbada. Pietro segurou as suas mãos lhe passando confiança. — Willa, qual foi o seu primeiro contato com a HIDRA?
— Quando comecei a trabalhar com o time do Steve na SHIELD... — Ela crispou os lábios.
— Você não parece certa.
— Eu não sei, Pietro. Eu não sei... Eles têm uma foto minha e eu não lembro de ter tirado essa foto. Você tem ideia de tudo que está passando na minha cabeça? Depois de tudo que o Bucky passou com aquela lavagem cerebral, o que a Jessica passou com aquele maldito Killgrave, eu só consigo pensar que tem algo de errado com a minha cabeça, comigo... Eu não sei se isso tudo é verdade. Eu preciso da Wanda — Ela bateu dois dedinhos na testa. — Se tem alguém que pode encontrar alguma coisa errada aqui dentro, é ela.
— Nós vamos até ela, mas primeiro, você precisa se acalmar.
— Eu não consigo. Isso é demais para mim.
— Consegue. Você está assustada e eu entendo isso. Você teve um dia longo. Não dormiu. Toda essa sua reação é compreensível. Mas, você precisa colocar os seus sentimentos no lugar primeiro — Pietro apontou para todo aquele caos sobre a cama de Willa. — Isso aqui é muito delicado, Willa. Isso pode ser uma manipulação barata desse Zemo, como pode ser algo pior, algo que foge da nossa alçada. E se esse tal investigador estava te protegendo realmente da HIDRA? Já pensou nisso? Você está se enfiando no covil da HIDRA aqui. Desativada ou não é a HIDRA. Uma vez lá não se tem saída.
— Você e Wanda escaparam — Ela apontou comprimindo um sorriso terno.
— A que custo? — Ele disse triste, deixando seu dedo vagar para uma cicatriz redonda, de uma daquelas tantas balas, aquela marcando o seu antebraço.
— Vale tudo pela liberdade — Ela proferiu determinada.
— Concordo, mas novamente, a que custo? Você é mais esperta do que isso. Essa incerteza, esse medo pelo desconhecido está mexendo com o seu julgamento. Você precisa enxergar isso como uma das suas missões. — Não era uma má ideia. — O que você faria em primeiro lugar?
— Analisaria a veracidade por trás dos eventos.
— Sim, averiguaria essas informações e o que o outro agente pode ter a dizer. — Willa sorriu, é, Pietro estava tornando-se um conhecedor dos seus costumes cotidianos, além do seu amor por yakissoba, ele agora reconhecia os seus hábitos como ninja.
— Como se trata da HIDRA, precisamos caminhar como se pisássemos em ovos. Cada decisão pode ser decisiva. Por isso, eu não tomaria nenhuma decisão precipitada sem ter 100% de certeza das consequências.
— Mais alguma coisa? — Ele arqueou as sobrancelhas e Willa ponderou.
— Não podemos fazer isso sozinhos. Se a HIDRA está envolvida de verdade ou ficticiamente eles têm um poderio para nos aniquilar nesse momento, se desejar, nos prender para conseguir informação, torturar ou sumir conosco. Tudo depende do que eles querem de nós. — De mim, Willa pensou desgostosa. — Não podemos enfrentar a HIDRA com um sonho e os nossos punhos.
— Precisamos de uma equipe. — Pietro matutou. Wanda toparia. Talvez, Visão. Ele não gostava da ideia de ter o androide perto da sua irmã, mas sabia que isso estava fora do seu controle. Wanda gostava da companhia dele e o androide gostava da sua irmã. Enquanto ele a fizesse feliz... Pietro grunhiu. Depois de toda a confusão do tal acordo de Sokovia, Visão visitava Wanda em Sokovia, quase, semanalmente. Por um lado, ele sabia que a irmã podia se proteger sem precisar de ninguém, mas saber que ela não estava sozinha era reconfortante.
— E armamento. — Willa completou o pensamento. Natasha. Ela conhecia um pessoal que traficava armamento, ela poderia passar o contato a eles e talvez, até poderia ajudar nessa missão. — E uma vez nisso, se estamos mesmo lidando com a HIDRA, ele vão nos atacar, com tudo que tem.
— Então, precisamos estar preparados para todos os cenários. — Ela assentiu deixando seus dedos vagarem no cartão e Pietro tirou de sua posse. — Por ora, chega de remoer isso. Amanhã vamos para Atlanta e você precisa de descanso. Vamos, eu te ajudo a guardar tudo isso e depois disso, vamos dormir.
Sem questionamentos, Willa assentiu com um sorriso fraco.
Eles guardaram tudo na pasta e Willa nem tira as sapatilhas dos pés, deitando na cama. Pietro zappeou até a cozinha e preparou um chá de hortelã, servindo para Willa. Sua irmã dizia que hortelã acalmava os nervos. Talvez, ajudaria Fairchild a dormir. Em silêncio, ela bebericou um pouco o líquido quente e reconfortante e Pietro acarinhou as suas costas, ora deixando sua cabeça apoiar em seu ombro, ora deixando seus dedos afagar a nuca dela. Quando terminou o chá, deitou na cama e Pietro ameaçou deixar o quarto para dar a ela privacidade, mas Fairchild segurou a sua mão e pediu em um sussurro dengoso para ele ficar com ela, naquela noite. Pietro obedeceu sem questionamentos. Ela abriu espaço na cama e ele entrou embaixo do edredom. Ela o abraçou, encontrando conforto em seu tórax, no seu cheiro de colônia, no batimento compassado e ansioso do seu coração. As mãos dele rodearam a sua cintura e o calor do seu corpo a aquecer. Ela apertou os olhos respirando fundo, embargando a comoção. Pietro, por sua vez, acarinhou a sua nuca e depositou um beijo em sua testa e as ultimas palavras que ela ouviu dele naquela madrugada foram em sokoviano, um pedido carinhoso: durma bem, minha princesa.
E ela dormiu.
— Riddle.
A voz de um garotinho firulou no ar até alcançar os ouvidos da garota. Um par de coturnos parou estalando contra o taco, o corredor diante dela, era obscuro, pouco claro para a sua visão. Ela levantou o seu rosto marcado por sardas, finos cortes sarando e a palidez, característica do frio da região. Ela não via o sol há muito tempo. Seus cabelos caiam sobre os seus ombros em cascatas loiras e enroladas. A jovem Willa vestia negro, por sobre aquele uniforme tático, ela vestia um casaco de pelos sintéticos na gola e luvas brancas. Aquela voz atormentou os seus sentidos... Ela lançou um olhar por sobre o ombro, buscando por quem a chamava. Aquela voz era de seu irmão... mas ele não estava ali com ela. Ele estava morto. E no corredor não havia ninguém.
— Riddle. — A voz clamou de outro extremo do corredor.
— Quem está aí? — Ela questionou em russo.
— Onde você está? — A questão ecoou no corredor, em inglês. .
— Irmão... — Ela choramingou, atormentada.
— Você está aqui! — Dr. Hans repousou suas mãos nos ombros da garota. Ela sobressaltou e ele a virou bruscamente, pronunciando as suas palavras com rispidez em alemão. — Venha. O soldado te espera para o treinamento... — Um apito soou em seu ouvido quando o seu sobrenome foi pronunciado. Ela fechou os olhos, buscando afastar as enxaquecas e foi puxada pelo médico. — Eu não estou aqui para ser sua babá, garota insolente. Não importando a sua importância para o meu mestre, você ainda precisa me dar respeito.
Ele a empurrou pelo ombro, assim, ela deu alguns passos a frente e Riddle ignorou as suas palavras. Não demorou muito para ela voltar a buscar aquela voz na distância. Quando olhou por sobre os ombros, encontrou no inicio do corredor, um garoto de cabelos loiros enrolados e olhos azuis quase tão vivos quantos os seus vestindo algo em tom bege e mostarda. Um trio de soldados vestindo uniformes táticos e negros cruzaram o corredor e assim que entrou em contato com eles, o garoto esvaneceu no ar. Estaria Riddle imaginando coisas?
Subitamente, Riddle se encontrou em uma sala de treinamento. Homens fardados de preto, treinavam entre si sob as ordens de comandantes alemães. O Dr. Hans não estava mais ali. Ela seguia um caminho conhecido pelos seus pés, enquanto os seus olhos vagavam por toda a sala. Passou por entre aparelhos físicos, passando pó de magnésico nos dedos. Uma dupla treinava golpes entre si e cumprimentaram ela, com um aceno de cabeça. Ao alcançar o tatame, alguns oficiais abriram o caminho para ela assistir o que acontecia escondida por entre a muralha de pessoas. Na beirada do tatame, nos seus pés um homem foi arremessado, inconsciente. Riddle sorriu, assistindo o sangue deixando canto dos lábios daquele soldado.
— Bravo. — Um homem congratulou em alemão. Ela levantou os seus olhos, assistindo todos os soldados baterem continência a ele e ela imitou o gesto, aprumando sua postura, mas não cortou seus olhos dele, como os outros. O homem entrou no tatame.Vestia um sobretudo negro e uma camisa roxa fazia par com a sua calça tática. Na cintura, um sabre de esgrima. Ele repousou amigavelmente a mão no ombro do soldado vencedor com um sorriso satisfeito para o seu subordinado. Apreensiva, Riddle olhou para o homem de cabeça baixa, submisso. Os cabelos negros, gosmentos e escorridos, escondiam o seu rosto. — Excepcional, Soldado.
— Você está atrasada. Como sempre. — Um rapaz sussurrou no ouvido de Riddle. Ela conteve um sorriso e o mirou, sisuda. Ele olhava o tatame, sério, como os outros soldados. Um corte de tempo e agora, ele a olhava incerto com o cantinho dos olhos castanhos enrugados. — Você está preocupada.
— Não gosto de lutar com ele. — Ela proferiu comprimindo os lábios, fixando a sua atenção no soldado de cabelos castanho e oleoso, pouco cuidado e o suor do treinamento pingava de sua testa caindo no tatame. O braço metálico reluzindo em contato com a luz artificial da sala de treinamento afligia os soldados rentes ao tatame.
— Você está pronta. — O rapaz sorriu admirando com satisfação a jovem Riddle. — O mestre ficará satisfeito.
— Você quis dizer o seu pai? — Ela ralhou com deboche e recebeu um cutucão do jovem.
— Você sabe o que eu quis dizer. — O seu semblante endureceu ao sussurrar aquelas palavras com os seus lábios finos, comprimidos.— Meu pai tem planos para hoje a noite. Um jantar com alguns aliados. — Riddle assentiu, ela escutou algo pelos corredores sobre isso. — Você quer ir comigo?
— Mal posso esperar — Ela sussurou escondendo um sorriso animado. Ele dividiu esse sorriso com ela, mas os dois foram pegos no flagro, pelo mestre.
— Riddle. — O mestre a chama com autoridade. No entanto, há uma docilidade na sua forma de olha-la, era quase como se ele tivesse carinho por ela. O rapaz encolheu os ombros, olhando de Riddle ao homem que, era o seu pai. Com preocupação e respeito, ele abaixou a sua cabeça, mantendo-se próximo a jovem. — Venha aqui, querida.
Riddle obedeceu e entrou no tatame, acompanhada pelo olhar de todos os soldados. Nenhum demonstrava uma emoção se quer, a não ser o jovem que tinha um brilho curioso em seu olhar. Ela parou em frente ao homem de sobretudo e ele repousou suas mãos nos ombros dela com um sorriso comprimido.
— Você sabe o quanto é importante para mim, não é minha querida? — Ela assentiu e ele olhou para o soldado, parado na extremidade do tatame. — Preciosa menina. Você, soldado, cuida dela todos os dias, como se ela fosse um membro de seu corpo, mas hoje, eu quero assistir a quantas anda o treinamento da minha pupila. Não existe confronto capaz de medir a sua capacidade, se não, com você.
O mestre deixou um último afago no ombro da jovem e deixou o tatame, parando ao lado do filho, sem lhe direcionar um olhar. Riddle olhou para o soldado e engoliu em seco. Ela não queria ter que lutar com ele. Ele era o seu amigo. Ou não era mais? Se ele foi colocado naquela maquina maldita, ele não lembraria dela como sua amiga, apenas como o objeto de uma missão, de uma tarefa.
— Lutem, até alguém ser incapaz de continuar. — O mestre ordenou e o jovem olhou para Willa, subitamente, preocupado.
Um embrulho preencheu o estômago de Willa.
Ela assistiu o soldado virar-se, inexpressivo. Vazio. Sem vida. Ela semicerrou seu olhar, focando a sua concentração. Ele não se lembrava dela. Ele não a reconhecia. Ele não a conhecia. Por mais difícil que isso fosse, lutar com ele naquele estado era pior. Ele não sabia quem ela era, mas Riddle daria cada golpe sabendo que batia em um dos seus poucos amigos.
—— Pronta, soldado? — James, o soldado invernal questionou em russo para ela, frio. A garota empertigou, correspondendo a sua expectativa. Ela não olhou para o mestre, mas sentia seus olhos sobre ela. Ele queria um show, eles dariam um e tanto. Ela podia vencê-lo. Ela conhecia os seus pontos fracos. James lhe ensinou alguns e ela poderia contê-lo, derrubá-lo e vencê-lo. E no processo, ela conseguiria fazê-lo lembrar dela. E ela quebraria o padrão mais uma vez e antes de voltar àquela maquina maldita, ele, ela e Helmut fugiriam daquele inferno. Eles tinham uma chance e ela aproveitaria.
— Pronta, soldadin. — Ela respondeu debochada.
Eles prosseguem um pé atrás do outro, até estarem no alcance um do outro. Jame levanta o braço metálico, com o punho fechado, mirado para acertar um soco em Riddle, ela dá impulso e agacha, girando um chute contra o calcanhar dele e apoiando as mãos contra o tatame, acertou um chute contra o tórax de James, o derrubando. Tudo enegreceu.
Interior do Boston, Estados Unidos.
Willa desperta após um sacolejo da caminhonete alugada por ela e Pietro para atravessar a estrada arenosa. A caminho de Atlanta, eles decidiram seguir até a fazenda onde Steve encontrava-se nas sombras.
Pietro dirigia com pouco conforto. A sua estatura e tamanho muscular não era o recomendável para aquele banco de motorista sem uma manivela de ajuste. Por pressuposto, ela digeriria por toda a travessia, então não seria um problema. No entanto, ela foi acometida por um súbito cansaço e sono após comer um daqueles lanches de fast food com muito doce, muito quejo e gordura. Ela tomou o banco de passageiro, encolheu as pernas e dormiu. Pietro até a cobriu com o seu casaco, deixou a música de uma estação de músicas dos anos 80 tocar ao fundo e dirigiu, seguindo as coordenadas do GPS do carro. Era uma lata velha moderna.
Willa não era uma pessoa matinal. Acordou com um olhar de poucos amigos. Sentiu cheio de café e gordura. Seu estômago ronronou com prazer. Sua mão tateou e encontrou a bolsa com todos os documentos da HIDRA. Abriu os olhos, aliviada. Um resmungo libertou dos seus lábios e ela massageou a lateral do corpo. Pietro pegou um copinho descartável fumegante e empurrou para ela. Com delay, ela pegou a bebida e bebericou, saboreando o gosto amargo de café de estrada. Ele entregou alguns pop tarts e ela demorou para terminar com um, admirando a paisagem desértica da estrada. Retornou para o assento da carona, abaixando o volume do rádio. Seus ouvidos estavam zunindo, ainda por conta de ter despertado e por atordoamento do seu pesadelo, se é que ela podia chamar assim...
— Encosta o carro. — Ela pediu suavemente. — Você está cansado. Eu dirijo agora.
— Bom dia para você também, flor do dia. — Pietro disse, bem humorado. Willa grunhiu, com seu mau humor rotineiro.
— Não me sinto num bom dia, imagina num bom ano. — Pietro fez uma expressão amuada. — Tá, teve lá o seu lado bom. — Pietro sorriu, satisfeito. — Vai, encosta.
— Não. Falta treze quilômetros para chegarmos lá, eu posso dar conta.
— Quando você parou? — Ela questionou, após admirar o desenho no copo do café, era de uma cafeteria barrista.
— Uns dez quilômetros atrás — Ela arqueou as sobrancelhas, bebericando o café. — Peguei gasolina, tomei alguns cafés e comi. Trouxe essas coisas para você e reabasteci nossos doces e salgadinhos para o resto da viagem.
— Você pag...? — Ele interrompeu no ato, semicerrando os olhos para Willa.
— Sim, paguei, defensora do certo e do justo. — Ele disse, emburrando.
Willa sorriu, admirando a paisagem. Uma defensora que, conseguia ajudar as pessoas a alcançar o seu potencial.
— Que lugar para viver! — Ela exclamou admirando as fazendas a distância, rodeada de vida, de verde, de paz.
— É, parece que a qualquer momento o Mike Myers vai sair de algum buraco com um facão para nos matar. — Pietro disse soturno e Willa abafou uma risada.
— Pensamento reconfortante. — Perto de tudo que ela estava pensando? É, até era mesmo.
— Só falta aparecer uma placa de FIQUE LONGE em vermelho sangue. — Eles riram mais. — Deve ser uma merda viver assim. Isolado de tudo e de todos.
— Depende da companhia. — Willa proferiu, refletindo.
— Não, não — Pietro negou com um riso frouxo. — Para mim falta barulho. Falta pessoas. Falta movimento. Falta cor.
Willa ri.
— Você pode ter isso em qualquer lugar do mundo, mas esse silêncio, essa paisagem todos os dias de manhã, enquanto toma café, a oportunidade de poder criar seus filhos longe do caos da vida urbana, da violência, a tranquilidade da nossa consciência em estar com alguém querido, longe do caos e do mal só se consegue poucas vezes na vida — Ela proferiu sem pensar muito em suas palavras. Pietro a admirou em silêncio.
Eles eram tão diferentes. Pietro pensou. Ele não quis prosseguir com o assunto. Sabia que levaria a uma discussão sobre criação e costumes e ele certamente não tinha como argumentar com ela. Até os seus dez anos, ele teve uma família, um lar, uma rotina. Ela tivera isso? Ele não sabia dizer. Na sua juventude, ele se acostumou a viver de lugar a lugar, dormir em chão, comer comida boa, roubar algo para esquentar ele e a irmã, na expectativa de ser acolhido de alguma forma por um estranho de bom coração. Como teria sido a vida dela na Montanha? Ela teria tido a companhia de alguém querido, esse alguém teria sido Stone ou houve outra pessoa? Ou, ela estivera sozinha, por tanto tempo que se acostumara com esse estado? Pietro começava a se sentir pequeno na vida dela. Para se conhecer alguém se leva tempo, anos, mas com Willa ele sentia que nunca a conheceria e ele não sabia dizer até que ponto isso era atraente.
Após adentrarem em uma estrada capinada com algumas toras sinalizando onde o carro não deveria passar, a picape alcançou a entrada de uma humilde e discreta fazenda. A lateral estava desgastada. A frente tinha sido pintada, o teto refeito e um pequeno jardim floria. Na garagem não tinha um carro. Willa curvou os lábios, unindo as sobrancelhas primeiro em confusão, e em seguida preocupação. Pietro estacionou e olhou da casa a ela e ele foi capaz de lê-la como um livro.
— Aconteceu alguma coisa, não é?
— Não tem ninguém.
— Steve deve ter ido a cidade, para rebastecer a casa. — Pietro supôs, mas a postura de Willa denotou oposição a sua premissa.
— Não, não tem ninguém aqui a muito tempo. — Ela abriu a porta do passageiro e deixou o carro, sentindo a terra dura sob os pés. Aquela região não era tocada por água e chuva a dias.
— Como você sabe disso? — Pietro perguntou, deixando o carro e parando ao lado dela, em milesismos.
— Começando pela terra. Esta dura — Ela pisou, para demonstrar. — Não chove e ninguém molhou ou passou aqui a muito tempo. Ninguém limpa essa casa a uns dois, três dias. Não tem cheiro de produtos higiênicos. Nem perfume, nem cheiro de comida e tempero usados em alguma refeição.
— Essas coisas ficam no ar? — Ele questinou enquanto prosseguiam pelo caminho de terra para a entrada da humilde residência.
— Por um, dois dias dependendo do alimento, do tempero. Curry pode durar até por mais de 7 dias. Eu morei perto de um restaurante de comida indiana, minhas roupas viviam dominadas por esse cheiro.
— Que louco. — Pietro era uma criança fascinada pelo mundo de cores, sabores e cheiros que, apenas Willa vivia. Era uma troca interessante de habilidades.
— A porta tá trancada —- Willa comentou reparando nas trancas metálicas cerradas, tanto na porta e janela.
— Ué, arromba. — Pietro apoiou-se contra a pilastra da varanda com os braços cruzados e Willa comprimiu um sorriso tímido.
— Parece estranho arrombar a casa do Capitão América.
— Eu acho que Steve vai entender. — Ela assentiu. Segurou a maçaneta e sacudiu procurando por um ponto fraco onde a porta era inclinável ou mais maleável. Encontrou, era na ponta do topo. Ela inclinou a maçaneta para toda essa ponta e Pietro a ajudou, em poucos instantes a maçaneta descolou, sem danificar a porta dando para abri-lá e apoia-lá contra a entrada. — Você acha que ele deixou algum recado?
Willa movimentou os ombros, desgostosa. Parando na entrada da sala e conferindo os detalhes intocáveis do ambiente. Alguém perfeccionista organizou aquele lugar minimamente. Havia revistas na mesa de centro, enfeites nas tábuas das estantes, quadros inexpressivos, um aquecedor tão antigo quanto à televisão. O tapete passava uma sensação de casa, conforto, aconchego. Quem vivia ali via aquele lugar como um lar.
— Não sei, mas vale dar uma olhada, pegar um pouco de comida para a nossa viagem. Quem sabe, esperar um pouco, ele pode estar voltando... de sei lá onde ele foi. — Pietro sugeriu e Willa não negou
Ou alguma coisa aconteceu. Pietro correu por cada cômodo averiguando que não haviam roupas, nem itens pessoais e quase nenhum remédio no banheiro. Quem viveu ali, resolveu tirar férias ou nunca mais voltar. Ele voltou até Willa. Os lábios dela crisparam quando o viu sem nada em mãos ou uma palavra de consolo na ponta de sua língua. Pietro parou atrás dela, repousando a sua mão no ombro dele apertando afetuosamente em uma afirmação da sua presença.
— Ei, o que é aquilo? — Ele apontou para a geladeira.
Willa caminhou para lá, mas em milésimos Pietro foi e voltou mostrando um pedaço de papel escrito Jakku com a caligrafia de Steve.
— Jakku? — Pietro leu, coçando a nuca.
— É um planeta em Star Wars. É onde a Rey aparece pela primeira vez — Pietro abriu os lábios entendendo as palavras dela, mas se quer se lembrava quem era Rey em Star Wars, imagina o planeta. E esse era aquele filme que tinha o cara de orelha pontuda? Era melhor não perguntar.
— Eu estou começando a achar que eu preciso ver esses filmes como referencia bibliográfica. — Ou só para agradá-la.
— A Rey é a protagonista do último filme, O Despertar da Força. O Steve dizia que eu parecia com a Rey. — Ela olhou a folha, crispando os lábios. — Por que ela sabe se defender, ela entende todos os idiomas, sabe dirigir uma nave, sabe se virar com máquinas, quer sempre voltar para casa...
— Vejo a semelhança. Jakku é a casa dela! — Ele lembrou e estalou os dedos e Willa sorriu. — Steve foi para a China! Ele foi atrás de você.
— Possivelmente. Será que ele ficou preocupado por causa das minhas cartas?
— Você já desconfiava da sua passagem na HIDRA e mencionou isso a ele?
— Não. Eu falei sobre o trabalho com a A Casta, sobre você, sobre não ter respostas sobre o Bucky...
— O que você falou sobre mim? — Pietro abriu um sorriso animado, aproximando-se de Willa com charme.
— Que você estava comigo, me ajudando, cuidando de mim. — Ela conectou os seus olhos, comprimindo um sorriso afetuoso a ele.
— É, é isso mesmo. — Ele disse, cheio de si.
— Eu sei que eu não sou a pessoa mais fácil de lidar, no normal e você com certeza merece mais... E sobre pressão tudo isso se torna mais evidente. — Ela tagarelou nervosa. — E eu tenho que atribuir a César o que é de César.
— Quem é... César? — Pietro uniu as sobrancelhas, confuso. Willa abafou uma risada.
— É algo que o meu pai dizia — Ela levantou os olhos, para o alto, pensativa. Recordando do seu pai, dono de olhos gentis e um sorriso reconfortante. — Se uma pessoa fez algo, você precisa dar os créditos a ela. É o que ela merece. — Ela olhou para Pietro e sorriu. — Você tem cuidado de mim. Você tem notado em mim coisas que eu não tenho visto ou atrevido perceber. A sua voz é uma das que ecoa em minha mente quando preciso tomar uma decisão.
— E quem você escuta?
— Lady Gaga. — Ela respondeu arqueando as sobrancelhas. Pietro fez uma carinha tristonha e ela riu. — É sério, Piet. Sem você, eu acho... Não, eu tenho certeza, eu teria me atirado na vida da Casta novamente para me manter escondida do governo e deixaria essa busca pelo meu passado nas sombras. Do que adianta ter um passado, se eu não posso ter um futuro, não é?
O governo rastreava ela e todos os integrantes traidores que, de acordo com eles, escolheu o lado errado do acordo. Ela não encontraria paz, até que eles a capturassem e prendessem no RAFT, ou pior, se nunca o fizessem. Ela não poderia fugir para sempre. E isso é algo que ela aprendeu com o Steve. Era uma questão de honra.
— A Casta tem esse efeito nos seus seguidores. Você se dedica às missões, você se torna uma arma contra os inimigos da causa até que chega um ponto que você é um rosto sem nome, sem história, sem passado, sem futuro e presa a um presente de looping. — Ela respirou fundo, deixando os seus olhos vagarem pela casa. — Eu falei sobre viver em um lugar assim, simples e afastado de tudo, porque eu nunca vou poder fazer isso. É um sonho. Eu posso deixar a Casta, mas a Casta não vai me deixar. Eu posso buscar calar a sua voz, mas não posso reprimir a sua ideologia. Quando eu cheguei na Casta, eu mal sabia quem eu era. Eu estava cansada, desidratada, com fome. Stone me chamou de Yanagi por ter visto a força do Carvalho em mim. Me deu um nome, um propósito. E desde então, eu vivo no meio, entre quem eu fui e quem eu sou.
— Você nunca me contou isso. — Pietro disse em um suspiro, impressionado. Um pouco comovido e certamente, pesaroso pelos sentimentos que residiam no coração de Willa.
— As coisas boas — Ela revelou, comprimindo um sorriso triste. — Eu te contei sobre as coisas boas. Viver no Japão com Stone me trouxe de volta à vida. Eu amava Toquio, a vida urbana, as comidas... Essa dissociação meio que desligou quando eu estava lá... Eu queria poder fazer coisas, estudar, aprender a dançar, aprender idiomas e eu comecei a fazer questionamentos sobre a minha vida antes da Casta, se eu tinha parentes vivos, se alguém sobreviveu...
— Depois de ir para o Japão você não voltou mais para a Casta?
— Voltei, mas para a mansão, para prosseguir com o meu treinamento e por conta das missões. Eu fui para Nova York quando descobri que tinha uma prima. Stick me proibiu, brigamos, tivemos uma luta bem feia e eu me reneguei da Casta. Eu não pertencia ali.
— Nossa... Eu não imaginava.
— É. — Ela arqueou as sobrancelhas, até então, a sua vida foi uma aventura. — Por isso o Stone lutou pela minha vida. Ele me conhecia. Ele sabia que eu não era uma desertora da causa, mas eu era uma desertora por desejar lutar pela minha liberdade.
— Você só queria ter uma vida. — Pietro abafou uma risada.
— O que? — Ela uniu as sobrancelhas, curiosa.
— Você tem razão quando diz que eu te coloco em um patamar. Eu nunca pensei que você quisesse algo tão simples.
— Nós todos somos simples, das nossas formas. Algumas pessoas buscam aprovação dos outros, alguns querem se sentir bem com elas mesmas e algumas pessoas, como eu, só querem encontrar o seu lugar no mundo.
— Eu entendo isso. — Ele assentiu admirando Willa com um brilho, correspondido por ele.
Sentindo as bochechas aquecerem, Willa desconectou os seus olhos dele e comprimiu um sorriso.
— Vamos embora, Pietro. — Ela lançou um olhar saudoso a casa. — Não era para nos encontrarmos com Steve.
— Não quer deixar um recado? — Ele sugeriu levantando os ombros. — Só para ele saber que estivemos aqui e ninguém arrombou a casa dele.
— Não é seguro. Não sabemos se eles estão seguindo os meus passos. E se estiverem, eu colocaria Steve em risco. — E você também, ela pensou pesarosa. — Mas... Eu posso deixar um sinal.
Ela pegou a folha onde Steve escreveu Jakku e fez um tsuru, um origami de um pássaro sagrado na cultura japonesa. Ela prendeu a asa na geladeira, com um imã e pediu silenciosamente para Steve encontrá-lo e entender sua mensagem. Pietro correu até ela, atirando os braços sobre os seus ombros e repousando seu queixo no ombro dela.
— Vem, vamos voltar para a estrada.
— Eu dirijo até o hotel, nos hospedamos lá por uma noite e descansamos. — Willa sugeriu, olhando para Pietro com um sorriso comprimido. — Depois decidimos o que fazer a seguir...
— Eu pensava que nós tínhamos isso resolvido... — Eles não iriam atrás do tal agente?
Eles seguiram para a saída da casa e juntos arrumavam a porta de um jeito que, a distância, não poderia ser notado a tranca destruída por Willa.
— Me dei conta do risco que você está correndo em estar me ajudando nisso. — Willa tinha um senso de responsabilidade. Ela estava investigando a HIDRA. A HIDRA estava em seu rastro desde a China e não demoraria para reencontrá-la. Pietro podia ter escolhido ajudá-la nessa investigação, mas ela escolhia protegê-lo.
— Willa, não vamos discutir isso. — Ele desceu os degraus, negando com a cabeça.
— Vamos sim. — Ela reforçou seguindo um pouco mais a frente, decidida. E virou-se para olhá-lo. — Você está em risco.
— Eu estaria em maior risco se ficasse sozinho, esperando por notícias suas. — Ele parou diante dela, olhando-a com aquela ruguinha de preocupação em seu cenho. Willa deixou os ombros pesarem, mesmo que o seu olhar mantesse decidido. — Seria capaz de uma loucura até.
— Não fala assim. — Ela nega com a cabeça.
— Olha, se isso for te tranquilizar, se eu não aguentar o tranco, eu te aviso, mas, enquanto isso não acontece e você ainda me queira por perto, eu estarei aqui para te ajudar. — Willa assentiu, respirando fundo. Pietro reconfortou ele, repousando a sua mão em seu rosto. Ela fechou os olhos e deixou-se levar por aquele toque adornando aos seus sentimentos por ele. — Nós vamos fazer isso juntos.
— Ok. — Ela concordou, olhando-o acarinhando a sua mão. — Mas se isso ficar perig...
— Você e eu estaremos do outro lado do planeta antes dessa merda toda explodir na nossa cara. — Willa sorriu e Pietro admirou com um sorriso contido e antes que o seu coração entregasse ele beijou os seus lábios. Willa reagiu com surpresa e ele se afastou, buscando sua reação. Talvez um tapa ou quem sabe, ela se afastaria dele, como ela tem feito nos últimos tempos, rejitando as suas investidas com graciosidade e respeito a relação deles. Ela aproximou dele e beijou os seus lábios em um beijo mais apaixonado e envolvente, com a casa ao fundo de sua paisagem. Quando se afastaram... — Obrigado por isso.
— Você está agradecendo o meu beijo? — Willa comentou, rindo.
— Estou agradecendo você por corresponder os meus sentimentos. — Pietro revirou os olhos se sentindo subitamente muito piegas. Ele negou com a cabeça. — É bom saber que eu não estou sozinho aqui, nesse ship.
— Ship? — Ela arqueou uma sobrancelha dando alguns passos para trás, retornando no caminho.
— É. Piella. — Ele comprimiu um sorriso, rapidamente aproximando-se dela e envolvendo a sua cintura com as suas mãos. — É assim que os nossos fãs nos chamam na internet.
— Fãs? — Willa riu, virando-se e ele continuou com as mãos em sua cintura, até alcançarem o carro e ele girá-la, até diante de si e surrupiando um beijo. — Pietro, você precisa dormir.
— Willa, você precisa usar mais a internet. Tem tumblrs sobre a gente e até twitters. — Willa arqueou as sobrancelhas. Ele precisava dormir e ser desconectado da internet. — Aparentemente, o pessoal até faz fanfics sobre nós, alguns são eróticos. — Willa abriu os lábios, subitamente sem palavras e Pietro deixou as suas mãos vagarem pelo corpo da ninja. Por um momento, ele pensou surrupia-la em seus braços, e sinto muito por isso, Capitão, mas usaria o quarto dele para matarem essa paixão. Mas, Willa abriu a porta do motorista, pronta para afundar seu embaraço em alguns pedaços de pop tart e quando chegasse no hotel, com um bom banho frio. — Quer que eu leia um? — Pietro sugeriu e Willa sentiu as pernas vacilarem.
— Pietro, entra no carro e dorme, por favor.
Pietro a beijou, arrancando o seu ar e deixando em sua mente a expectativa de mais e sem gracinhas, ele a obedeceu e o casal seguiu no carro para o hotel mais próximo.
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