Born to Die

10 Winter Winds


Notas iniciais
Musica do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=_KCg_QEHtkY John como imaginamos: http://img2.bdbphotos.com/images/orig/e/t/etd1m1eortbytry1.jpg?skj2io4l Ps: Esse é o fim da parte I :D A partir daqui, vamos pra segunda e ultima parte da história sz

– John -

As the winter winds litter London with lonely hearts

Oh the warmth in your eyes swept me into your arms

Was it love or fear of the cold that led us through the night?

For every kiss your beauty trumped my doubt


Roxanne Weasley é a poeira de estrela mais bonita já produzida pela aleatoriedade do espaço-tempo e a junção dos elementos químicos certos forjados pelas pressões gigantescas que existiam no âmago de estrelas enormes e extintas há bilhões de anos luz atrás. Sei que isso é matematicamente e racionalmente impossível de se comprovar, mas nunca estive tão certo de algo na vida.

Enquanto ela tentava convencer Alvo a agir como seu próprio pai tinha agido nos anos noventa, eu, por minha vez, me contentava em observar a maneira como ela gesticulava, o jeito como seu cabelo caía no ombro e como os olhos cor de âmbar brilhavam de concentração.

– Eu posso ir com você, Al. – Me voluntariei, não porque eu realmente gostaria de invadir a biblioteca depois do horário de recolher e procurar por livros em sessões proibidas, mas sim porque queria ajudar Anne e, para ajudá-la, eu precisava que Potter se dispusesse a isso também.

– Essa não é a questão. – Ele disse, mas seu tom parecia um pouco mais flexível.

– E qual é a questão? – Anne perguntou um pouco impaciente.

– A questão é que alguém precisa manter os olhos em Dawson e descobrir quais são as merdas que ela esconde.

– Por Merlin, Al. – Minha namorada girou os olhos. – Estou começando a achar que você está desenvolvendo uma paixão esquisita por essa garota.

– Não é possível que vocês estejam tão tranquilos com relação a ela. Sério. Até Scorpius Malfoy está desconfiado!

– Desde quando nós ligamos para a opinião de Scorpius Malfoy? – Anne perguntou.

– Eu não vou me manifestar novamente a respeito. – Avisei a ele. – Você já sabe o que eu penso. Independente de Dawson ser culpada ou não, seria bom descobrirmos a planta, nem que seja para sanar a curiosidade. Além disso, você pode por Hugo para ficar de olho nela enquanto fazemos isso hoje à noite. Não é como se você já não tivesse se utilizado desse método nos últimos dias. – Meu tom de voz tinha uma nota proposital de reprovação e ele sabia disso.

Por fim, Alvo se deu por vencido, mas não sem antes acrescentar:

– Vocês sabem, isso pode ser exatamente o que ela está esperando de nós.

– Alvo, você sinceramente deveria parar de ler sobre teorias da conspiração e psicologia reversa. – Aconselhei, mesmo sabendo que ele iria me ignorar.

Eu não tinha irmãos ou qualquer tipo de configuração familiar, então não tinha ideia de como era estar na pele dele. Sei que metade de suas ultimas atitudes eram ecos de seu desespero pelo que havia acontecido com James. Ainda que, quando saudáveis, ambos passassem todo o tempo discordando um do outro, era visível que se preocupavam na mesma medida em que se implicavam.

Portanto, parecia natural que ele não estivesse sendo razoável. Mesmo assim, eu não conseguia encontrar uma boa desculpa para que ele estivesse se concentrado tanto em Isobel Dawson.

Talvez Anne estivesse certa no fim das contas.

– Agora que estamos acertados, com licença. – Ann fez um aceno para Alvo e, em seguida, me puxou pelo braço delicadamente até sairmos do meu dormitório.

– Você sabe que não precisa fazer isso para me impressionar, não sabe? – Roxanne conhecia minha natureza pouco propensa a aventuras, provavelmente por essa razão estava me dizendo isso.

De fato, uma parte de mim estava fazendo aquilo para impressioná-la um pouco, porem estava longe de ser a parte mais substancial.

– Sei. Mas o que você precisa saber é que eu te amo. Eu sempre vou tentar te impressionar. Aliás, na maior parte do tempo, estarei fazendo isso de modo inconsciente. – Ela continuou me fitando. – Só que não é exatamente o caso aqui, Ann. Sugeri que eu poderia ir com Al porque de outro modo ele não iria. Mesmo se você tivesse se convidado, não surtiria efeito. Desde que Ethan morreu nós... – Respirei fundo, tentando explicar a estranha cumplicidade que só nasce quando você presencia algo terrível com outra pessoa. – Nós temos certo poder de influencia sobre o outro. Acho que esse é o termo apropriado. Sem contar que estou tão perturbado com a ultima reunião quanto qualquer outro. Qualquer coisa que puder fazer com que eu me sinta útil ou que me faça ganhar um beijo seu, me parece um excelente negócio.

Anne emoldurou meu rosto com ambas as mãos, antes de colar a testa na minha.

– Você não tem precisado de muito esforço para conseguir a ultima coisa que citou.

– Graças a Merlin. – Sussurrei, antes de beijá-la.

Ficamos assim por um tempo antes de seguirmos para as aulas. A gente teve História da Magia, Estudo dos Trouxas e Feitiços e eu não consegui me concentrar mais do que cinco minutos em qualquer uma delas. Anne e Alvo pareciam tão ansiosos quanto eu, mas nenhum de nós mencionou algo sobre isso. Tínhamos combinado de rever nosso plano simples no fim da última aula, mas fomos surpreendidos por uma Lily furiosa que requisitou a presença do irmão do meio para o chá da tarde na cabana do Hagrid. Alvo não teve nenhuma chance de negar. Com um olhar de desculpa, ele a seguiu e então Anne e eu passamos o fim da tarde e o inicio da noite nos distraindo com xadrez bruxo. Em determinado momento, começamos a considerar a ideia de que talvez Potter não aparecesse.

– Talvez a gente precise de um plano B. — Murmurei, um tanto carrancudo. Rox continuou encarando o tabuleiro.

– É. — Mas quando ela ordenou que seu cavalo mexesse, e ele fez um caminho inverso, nós dois encaramos o nada a nossa frente.

– Você é ridículo. — Roxanne avisou, mas riu de alívio. A cabeça sorridente de Alvo apareceu a 1,80m do chão.

– Eu estava esperando um pouco mais de paixão por aqui. — Provocou. — É isso que vocês entendem por namorar?

Anne girou os olhos e o chamou de voyeur. A atmosfera pareceu mais leve de repente. O que quer que Hugo, Lily e Hagrid tinham feito ao meu colega de quarto, funcionara: ele recuperara um pouco do humor habitual, o que era ótimo, porque indiretamente amenizava meu nervosismo.

– Você estava certa. – Ele disse à Roxanne. – Acho que estou exagerando um pouco sobre Dawson. Garotas bonitas e esquisitas são uma péssima combinação para caras como eu. – Anne e eu trocamos um olhar de cumplicidade, mas antes que pudéssemos dizer algo, ele continuou: — Mas isso não significa que vou deixar de desconfiar dela. Enfim... Não quero nenhuma palavra sobre isso. E quando o John perder essa partida, eu sou o próximo.

De fato eu perdi. E depois que assisti Anne humilhá-lo no xadrez, me senti melhor.

Depois disso, nós três esperamos juntos até as 22, protegidos pela capa da invisibilidade. Pouco a pouco os alunos foram subindo ao dormitório e, por fim, os monitores. Com cuidado, nós escapamos pelo quadro e uma vez fora da sala comunal, relaxamos.

– Um garoto órfão... — Alvo começou, apontando para mim. — Um cara com uma família gigante e uma garota com o cabelo volumoso. É quase como se eu já tivesse escutado essa história em algum lugar. — Ironizou.

– Historia vero testis temporum, lux veritatis, vita memoriae... — Roxanne declamou Cícero. Ou algum outro pensador da Antiguidade Clássica trouxa.

– Ok, agora você só está bancando a esperta. — Alvo interrompeu e nós rimos juntos.

Sim. Rimos juntos. Instantes antes de invadirmos uma biblioteca e deixarmos minha namorada como vigia e possível bode expiatório. Nenhum outro Janeiro na minha vida seria tão estranho.

Ao contrário do que poderia sugerir o nível de adrenalina no meu corpo, nossa busca foi bem simples. Alvo e eu adentramos antessalas, percorremos corredores extensos, e, por fim, encontramos as cinco estantes extensas de livros de Herbologia que só o corpo docente tinha acesso. Os feitiços de proteção eram relativamente fáceis (mesmo porque, não era como se livros de herbologia contivessem informações perigosas que pudessem destruir o mundo) e nós demos conta deles sem muitas dificuldades.

Na volta, nem nos preocupamos em ser tão silenciosos. Eu queria checar se Anne estava bem e Alvo... Bem, Alvo apenas tinha descoberto seu espírito grifinório (felizmente ainda adormecido em mim).

– John, as atitudes idiotas de James começam a fazer sentido pra mim. — Confessou, exultante.

– Isso parece preocupante, cara.

– Eu sei! – E seu rosto se contorceu numa careta que me fez abrir um sorriso debochado.

Lembro bem dessa hora porque nunca parecemos tanto o que nós de fato éramos: dois caras no auge dos dezesseis anos. Para todos os fins, não durou muito. Uma corrente fria surgiu e arrastou para longe nosso espírito brevemente juvenil. Alvo e eu voltamos a ser rapazes assustados e cautelosos e apressamos o passo, parando só ao chegar perto da silhueta de Anne.

– Tudo bem? — Eu inquiri, mesmo sabendo que só o fato dela estar ali e respirando já era um indicativo de que sim.

– Tudo. — Sorriu, puxando um pedaço do tecido mágico para se cobrir também. — Vocês foram rápidos.

– E trouxemos tudo que você pediu – Alvo entregou os livros a ela. — E mais um exemplar, por puro exibicionismo.

Ann riu baixinho e nos agradeceu. Depois que ela guardou o material didático na mochila, nós três nos curvamos para que nossos pés não ficassem a mostra e voltamos para a torre da Grifinória, ignorando o resmungo da mulher gorda no quadro.

Uma vez seguros, nós nos permitimos respirar direito.

– Vejo vocês amanhã. — Anne avisou, me dando um beijo estalado na bochecha e correndo em direção a seu quarto.

– Isso é ótimo. — Alvo analisou enquanto nós seguíamos para o nosso dormitório. — Eu tinha medo de que você fosse se tornar um desses caras solitários e ranzinzas que acumulam um monte de coisas em casa e nunca veem a luz do sol.

– Obrigado, Al. Eu realmente me importo com a opinião de uma pessoa que tem fixações eróticas com uma personagem fictícia trouxa que usa o cabelo em forma de donuts.

– Hey, mais respeito com a princesa Leia! — Ralhou num sussurro, enquanto abria a porta.

Eu estava prestes a responder no mesmo tom para não acordar Barnaby quando notei que o quarto estava vazio.

Al e eu nos entreolhamos.

Em uma instituição escolar que abriga adolescentes e funciona sob a forma de internato, é natural que alguns alunos escapem durante a noite. Al, eu, Ethan e Barnaby não fugíamos a regra, mas por algum motivo, observar a cama vazia de O'Sullivan naquela noite, fez com que Potter e eu nos lembrássemos da ultima reunião no clube dos nove e da acusação (nem tão velada) de Rose.

– Você acha possível...? — Perguntei a Al, me odiando por estar começando a desconfiar do nosso colega de quarto.

Alvo encolheu os ombros, também vencido pela incerteza.

– Isso é uma droga. — Sibilou com os olhos fixos nas camas de dossel vazias.

– É... — Concordei, mas então tive uma ideia. — Porem, a gente pode aproveitar que estamos a sós para checar o quarto.

– Nós já fizemos isso, John.

– Não. — Insisti, sentindo uma ansiedade latente. — Nós não checamos.

Alvo arregalou os olhos, entendendo finalmente.

A partir daí, nós dois sacamos nossas varinhas e começamos a murmurar feitiços enquanto rondávamos o quarto. Reviramos tudo, gastamos todo nosso estoque de conhecimento em encantamentos. A ideia, que parecia ótima a principio, foi começando a esvanecer.

Al e eu começamos a perder a concentração e, em determinado momento, a olhar bastante para a porta, com medo de que Barnaby surgisse e nos surpreendesse.

Alvo foi o primeiro a assumir a inviabilidade de continuar com o plano.

– Está ficando tarde. — Murmurou, lá para as três da manhã. Eu concordei, me dando por vencido.

– Vou tentar uma ultima coisa. — Avisei, subindo no criado mudo no intuito de verificar o umbral da janela. Não havia nada de errado com ele, alem do fato de que era dali que alguém tinha jogado Ethan. Eu passei os dedos pela madeira lisa e escura e então apontei a varinha, quase de maneira despretensiosa, antes de invocar um feitiço de revelação.

Minha surpresa foi tão grande quando a luz azul da reação começou a tornar visível as marcas de unha que cambaleei para trás e Alvo precisou me segurar para que eu não caísse.

– Estou bem. — Gaguejei, aturdido, retomando o equilíbrio do corpo.

– Porra nenhuma. — Al respondeu, não com raiva, apenas como constatação. Seu rosto estava pálido de uma maneira quase sobrenatural. — Nenhum de nós vai estar tão cedo.

Notas finais