Born to Die
9 Sound and Color
Notas iniciais
– Scorpius -
Sound and color with me in my mind.
Sound and color, try to keep yourself awake
[…]
Sound and color. I want to go back to sleep
Sound and color
Ain't life just awfully strange?
Meus olhos encaravam a grande mesa cheia da Grifinória menos furtivamente que gostaria: era simplesmente complicado confessar ao mundo o quão devastado eu estava naqueles três dias em que dois espaços vazios chamavam mais atenção que as dezenas de locais ocupados. Grifinória sempre foi agitada assim. Esbaldava dourado, uma cor que eu costumava odiar, mas que combinava com toda aquela vida e alegria às sete da manhã.
Contudo, não me levem a mal, nunca quis pertencer a outra casa além de Sonserina. As pessoas ignoram nossas outras virtudes para destacar a ambição, como se para conquistar algo não precisássemos de força de vontade ou astúcia. No arco-íris que era Hogwarts, as letras da minha casa flutuavam em tom brilhante de prateado que era uma das cores mais bonitas que eu já tinha visto depois do vermelho escarlate de uma certa pessoa. Era quase como se o verde que predominava o meu uniforme não existisse, apenas aquelas nuances metalizadas em relevo quase palpáveis.
Entretanto, Grifinória era dourada e naquele dia tinha um tom mais apagado porque a única pessoa de cor amarela, que brilhava mais que qualquer ouro que se sentasse àquela mesa estava preso na enfermaria a dois dias.
James.
Por onde começar?
Quando nos conhecemos eu via quase todas as pessoas nos mesmos tons de bege e marrom, cores entediantes que me traziam mais pesar que excitação. Os sons de suas vozes monótonas tinham cheiro de agrião e ás vezes páprica, como se todos me causassem algum desconforto. Uma das primeiras pessoas a ter a cor das minhas palavras favoritas, como “mar”, “universo” e “piano”, um tom de ciano que funcionava como tranquilizante, foi Ethan. Nós tínhamos seis anos de idade, brincávamos nos jardins da minha casa – apesar de grama ter cheiro de bege, o que não me agradava muito — e quando eu perguntei a ele que cor era seu nome, apenas riu.
– Quando eu falo Ethan, eu vejo azul. – Eu disse enquanto fazíamos buracos no gramado dos meus pais.
– Nomes não têm cores. São apenas nomes. – Ethan não me olhou como se eu fosse um duende, somente me disse o que era óbvio para ele.
– Scorpius é cinza, mas ás vezes eu vejo sombras de vermelho. – Era óbvio! Ele apenas não conseguia ver ainda, na minha opinião de criança.
Ethan era um bom amigo que não se incomodava em sentar-se na longa mesa de jantar dos Malfoy mesmo que eu colocasse o som alto para conseguir engolir a comida. Ouvir música me distraía, já que eu via as notas azul escuro tristes de La menor ou os tons agudos de rosa em Sol e conseguia comer sem a interferência das múltiplas sensações no meu prato. Ethan também não me achava estranho quando eu contava sobre as bolhas de sabão que surgiam no ar quando eu escutava Vivaldi.
Mais adiante na minha linha do tempo pessoal, mais especificamente quando eu conheci Rose, eu não sabia exatamente o que era a garota certa. Eu tinha apenas onze anos de idade e tinha acabado de entrar em Hogwarts onde eu via mais bege e marrom, alguns verdes-musgos e até aquele tom desinteressante de branco gelo. Mas não ela. Rose chamava mais atenção que todas as pessoas com aquele tom quase obsceno de vermelho escarlate. A primeira vez que ela falou comigo eu levei um susto tão grande que caí da minha cadeira porque sua voz tinha cheiro de chiclete de menta e uma melodia tão rosa que fazia pequenas espuminhas no ar.
Precisei de alguns anos até admitir que vermelho era minha cor favorita, até eu confessar que ela era tudo o que eu conseguia ver e o que me dava paz quando todos os meus sentidos se mostravam confusos. Enquanto achava que preferia ciano namorei uma moça chamada Olive que tinha essa cor, mas ela não apagava todos os outros nomes como Rose: era como se a Weasley fosse o único analgésico nesse mundo errado de pessoas beges com vozes de agrião. Quando nossos lábios se tocaram e eu senti gosto de algodão doce, consegui reconhecer o fato de ela ser a garota certa, a única pessoa escarlate nesse meu mundo esquisito.
E aí, finalmente James. James tinha um tom de amarelo que quase cegava, como se ele fosse o sol. Durante o primeiro ano eu evitava olhar em sua direção – o que era praticamente impossível porque ele tinha aquele tipo de amarelo estranho que brilharia até no escuro. Todavia, eventualmente me senti exausto de enxergar todas as pessoas da mesma cor e parecia errado dispensar a oportunidade de acrescentar um amarelo na minha paleta de cores limitadas.
Sem contar que ele parecia legal. Não dá maneira que meus amigos sempre foram, mas uma novidade interessante de alguém que de fato levava as coisas ao máximo, que se divertia e que ria tanto ao ponto de cair no chão. E me entendam, eu vim de uma casa séria cor de risca de giz, de uma escola preparatória de uniformes igualmente sóbrios. Eu queria apenas ser algo diferente.
Mais diferente, quero dizer.
A essa altura eu já sabia que eu era distinto, já que as pessoas não entendiam o porquê de eu misturar sorvete de baunilha com pimenta jalapeña para ver e sentir gosto da cor laranja. James, no entanto foi o único que entendeu o que isso significava quando começamos a andar juntos, antes de Rose aparecer e me compreender por completo. Aliás, ele foi a única pessoa que de fato se interessou em ouvir minhas descrições detalhistas das misturas de sentido e variedades de cores de quando eu comia, falava o nome de alguém e escutava música. O tom colorido de cada uma das teclas de piano quando eu as tocava.
– Eu descobri o motivo de você ser diferente. – Falou um dia, quando eu estava no terceiro ano e ele no quarto. – Pedi a minha mãe esse livro sobre neurologia que chegou hoje de manhã! E, bro, é incrível como os bruxos ignoram a ciência trouxa. Seu cérebro é diferente. – Falou, me mostrando imagens de cérebros naquele livro grosso dele. – O meu também, graças a essa inteligência e genialidade toda escondida atrás da barreira da hiperatividade. Porém o seu cérebro é raro, é especial. Esses lances psicodélicos que você vê e sente são uma meta associação de sentidos.
– Ou seja, é como se meu cérebro vivesse a base de alucinógenos. – Lembro de ter girado os olhos. – Draco sempre me achou defeituoso mesmo, bom saber que ele tem motivo.
– Não é uma doença. – James me defendeu de mim mesmo. – É na realidade uma raridade que acontece em uma a cada mil pessoas no mundo inteiro. Se chama sinestesia e mesmo que você não veja dessa maneira, é um puta de um privilégio e eu sinto inveja.
– Quando a voz do professor Hartonen te fizer sentir gosto de cebolas cruas e capim você não vai sentir inveja. – Ele riu do meu ódio ao professor de poções, enquanto me entregava o livro e me apontava o capítulo sobre sinestesia.
Então essa é a história sobre como conheci as pessoas importantes da minha vida e com meu melhor amigo era amarelo e minha namorada era vermelho escarlate.
Abigail Jones não era minha amiga, mas eu sentia falta de vê-la ao lado de James no café da manhã, porque ela tinha cor daquelas pedras da lua, que mudam de um tom perolado a um quase lilás de acordo com a luz do sol. Quando ela cantava no coral da escola eu conseguia sentir o tom distinto de biscoitos de chocolate e uma cor aquecida de café com leite de Mi. Eu gostaria de conhecê-la no dia que ela finalmente cedesse as incessantes investidas indiscretas e perturbadoras de James. Eles pareciam se gostar.
E todas essas informações são só para explicitar a minha preocupação profunda desde aquele dia que recebi o patrono de cavalo de James. Tínhamos saído de uma daquelas reuniões há mais ou menos duas horas, Rose tinha ido destruir seus pulmões de propósito e, como cigarro jamais teria uma cor boa o suficiente para mim, eu preferia espera-la a alguns metros de distância. Era bom, porque assim eu conseguia observar melhor suas botas curtas, suas meias de poá e sua perna flexionada para que ela apoiasse a sola do pé na parede. A pessoa mais bonita do mundo.
E então o cavalo que galopou em minha direção e esperou que eu o seguisse, de maneira urgente: algo estava errado. Rose apagou o cigarro imediatamente e me seguiu.
Ao chegarmos, imediatamente vimos uma poça de sangue em volta do corpo pequeno de Abigail enquanto o ensanguentado James parecia não ter nenhuma ferida. Meu estomago se embrulhou diante aquele cheiro de ferrugem que eu acho que era de vermelho sangue. A varinha da monitora chefe de Grifinória jazia ao lado de seu corpo fraco, perto de seus dedos imóveis, era como se ela tivesse conseguido de alguma forma salvar James com as poucas forças que tinha.
Rose tomou o pulso dela enquanto repetia que ela tinha perdido a cor e que aquilo só poderia ser Sectumsempra. Eu tentei salvá-la repetindo – esperava que no ritmo certo – o encantamento de cura e então Rose e eu carregamos os corpos inertes e desacordados dos dois usando nossas varinhas até a enfermaria.
– Avise a Alvo. Talvez seja melhor esperar até de manhã para notificar Lily – Eu disse a Rose, porque aquele parecia ser um assunto de família, não sei. Enquanto a enfermeira falava sobre perda de sangue e fraqueza, sobre a dor que eles deveriam sentir quando acordassem, eu só conseguia pensar em que tipo de pessoa era capaz de usar magia negra em estudantes.
– Eles já estão nos perseguindo, não estão? – A menina cor de anoitecer com olhos imensos sempre parecia estar em todos os lugares. Estava na porta da enfermaria dessa vez. – Por que outra razão atacariam o outro Potter e a monitora chefe?
Ela abaixou os olhos quando viu Alvo aparecer a galope na enfermaria acompanhado por Rosie. Percebi o desconforto dela e esperei que eles entrassem para responder, ainda olhando o corpo com amarelo mais tímido de James imóvel no leito.
– Eu não sei. – Respondi com sinceridade a Isobel Dawson. – Mas acredito que seja uma boa ideia manter a varinha em mãos e tomar cuidado.
De cabeça baixa murmurou que não adiantaria muita coisa. Não parecia ser do feitio dela manter conversas com outras pessoas em geral, mas existia um vislumbre de preocupação nos olhos dela, talvez fosse aquele jeito amigável e bondoso de lufa-lufa que olhava para o corpo solitário de Abigail Jones no leito ao lado de James que estava cercado pelo irmão e prima.
Encarou mais uma vez o quarto e sumiu dali de maneira rápida.
Não muito tempo depois, Rose, Alvo e eu fomos expulsos da enfermaria. Aplicariam aquela erva que queima e solta vapor para curarem as cicatrizes e nós não poderíamos voltar até que eles estivessem recuperados.
Há dois dias eu fico olhando a mesa inacabada esperando as cores de Grifinória se completarem e recebermos alguma notícia.
Foi acidentalmente que encontrei Louis naquele dia e disse que estava na hora de marcar outra reunião. Ele pediu para que eu fosse mais discreto, porém eu precisava de respostas. Se isso fosse um tipo de perseguição às pessoas do grupo como Dawson sugeriu, eu temia por mim e por Rose também, porque só poderia significar que tinham nos descoberto, o que eu acreditava ser impraticável, ou que alguém naquele grupo nos delatou o que também parecia ser difícil.
No entanto, agora eu não confiava em nenhum deles.
Mesmo na sala escura em que nos reuníamos eu conseguia ver com distinção suas cores, sentir suas vozes e misturar seus perfumes. Era incrível como nenhum deles se parecia bege ou marrom. Eles tinham na verdade cores interessantes e até bonitas, o que me fazia desconfiar menos deles por algum motivo. Alvo por exemplo tinha cor de lua cheia que fazia um bonito contraste com a cor de anoitecer de Isobel. Como se em meu cérebro esquisito eles se complementassem de alguma forma.
Entretanto, pelo modo que a olhava, o irmão de James não pensaria em ser complemento de Dawson de maneira alguma. Aos olhos de Alvo, a garota de vestidos de boneca e olhos enormes era uma criatura perigosa de uma das páginas do legendário livro de Newt Scamander. Enquanto todos tinham suas reservas em relação às pessoas no cômodo, ele parecia ter tanta certeza que eu estava começando a me sentir incomodado. Dawson por sua vez parecia perdida, um pouco confusa e, como uma criança que desafia a outra a piscar primeiro, não tirava os olhos dos de Alvo.
Louis, sempre em tom solene com notas de tristeza, discursava sobre algo que confesso que não prestei atenção. Eu observava as pessoas no cômodo: Rose estava ao meu lado, mas não parecia estar. Não tirava as mãos de um inseparável bloco de notas que continha tantas equações e fórmulas impossíveis de acompanhar que eu me perguntava se faziam sentido. John estava com a mão esquerda sobre a mão de Roxanne. Nunca acompanhei a vida do casal, porém de acordo com James- Notícia- Agora, eles nunca tinham assumido o romance que claramente estavam destinados a ter.
Eu continuaria com as minhas conjecturas, se, segundos depois, todos não estivessem olhavam para mim.
– Scorpius? – Louis chamou minha atenção.
– Sim? – Respondi, ligeiramente atordoado.
Ele ajeitou a gravata do uniforme antes de me lembrar de maneira impaciente que fora eu quem convocara aquela reunião.
Falar em público não era meu plano. Eu só queria observar aquelas pessoas juntas e refletir se eu tinha algum motivo para desconfiar delas. Porém, olhe para eles: Alvo era irmão de James e, por mais que a relação dos dois fosse por vezes complicada pelas personalidades opostas, ele jamais executaria algum tipo de magia negra na própria família. Roxanne era uma pessoa tão zen, que parecia simplesmente errado pensar nela como culpada. Então tínhamos John, a pessoa mais desconhecida para mim ali dentro se você considerar o fato de que eu não conheço nenhum Ingram no mundo bruxo, que ele não é nascido trouxa e o fato de eu nunca ter dito “oi” para o cara. Mas, presumindo que quem atacou meu amigo tenha sido a mesma pessoa que matou Ethan, descartei John, Isobel e Louis de uma vez.
– Bem. – Pensei por breves segundos no que iria dizer. – A verdade é que depois de James e Abigail terem sido atacados, estava desconfiando de vocês. Confesso que não é algo agradável, já que estamos todos aqui com um mesmo objetivo que é desvendar o mistério Ethan e estamos todos com medo, agora que dois de nossos... Colegas estão na enfermaria a dois dias.
Alvo estava fuzilando Isobel com os olhos. Queria poder defendê-la de alguma forma, até porque eu vi o olhar dela sobre as feridas de Abigail: eram de genuína preocupação.
– Acredito que deveríamos pensar em suspeitos nos baseando na lista de pessoas que foram convidadas para a reunião e nunca apareceram. – Roxanne se manifestou, de alguma forma concordando comigo.
– A primeira delas é Barnaby O’Sullivan. – Minha namorada tirou os olhos do bloco de notas pela primeira vez e olhou diretamente para Alvo e John. – Entendo que ele seja amigo de vocês, mas ele foi a primeira pessoa a “encontrar” o corpo, não teve reações similares as de vocês e existem rumores que os dois tenham se desentendido nas últimas semanas.
– Eles nunca foram amigos. – John limitou-se a dizer.
Parecia defensivo em relação a Barnaby ou talvez simplesmente não gostasse de falar mal das pessoas pelas costas. Alvo continuava sem se manifestar em relação ao colega de quarto, mas Rose continuava encarando-o, transitando do rosto de um colega para o outro.
– Vocês não estão curiosos a respeito do motivo pelo qual ele nunca compareceu? – Instigou, arqueando uma sobrancelha.
– Talvez ele acredite que foi suicídio. – Alvo abriu a boca. Foi interessante, porque ele parou de encarar Dawson por uns instantes.
– Ou talvez ele saiba que não foi. – Rose insistiu.
– Existe mais alguém suspeito nessa lista? – John disse, visivelmente incomodado.
Roxanne declamou mais dez nomes dos quais alguns reconheci. Um me chamou bastante atenção: Leo Hayes.
Abigail e Dean Collins eram amigos, todos sabiam disso porque eles não se desgrudavam, apesar de pertencerem a diferentes casas e fazerem poucas matérias juntos. Rose e eu escutávamos sobre isso todos os dias e o tempo inteiro por causa de James, que nunca admitiu, porém tinha ciúmes excessivo do rapaz – e nunca admitiria porque achava que James era latim para vencedor. Então, no início do quinto ano, como James fez questão de nos informar, Dean e Abigail se afastaram por uns meses, nos quais seu amigo foi visto mais na companhia de Leo Hayes que dela.
Algo que nem James soube me informar aconteceu e os dois brigaram. Dean apelou para diretoria para trocar de dormitório e seu pedido foi negado. Depois que o rapaz faleceu, ninguém mais ligou para o embate físico dos dois e talvez a única pessoa que soubesse a causa fosse Abigail.
As pessoas continuavam discutindo coisas, mas eu só pensava na ligação entre Leo Hayes, Dean Collins e Ethan Morrison.
– De onde Ethan conhecia Leo Hayes? – Esperei que quem fosse que estivesse falando naquele momento simplesmente parasse.
Vi Isobel Dawson e Louis Weasley trocarem um olhar cúmplice. Existia um segredo e eu não tinha certeza se saberíamos pela maneira em que os dois estavam relutantes em descolar os lábios.
– Eu entendo que todos tenhamos segredos. – Tentei soar calmo. Eu sou uma pessoa calma, eu não saio perguntando para as pessoas de onde elas conhecem umas às outras se eu não tenho motivos. O fato de duas pessoas saberem a resposta e se recusarem a responder não apenas me irritava como me fazia duvidar do quão sério eles estavam levando aquilo. – Eu só não entendo porque guarda-los quando existem duas pessoas gravemente feridas na enfermaria e uma morta.
Ainda assim eles mantiveram seus lábios selados.
– Deixe-me contar algo para vocês. – Sei como meu tom de voz soa ríspido quando tento ser educado mesmo irritado. Eu sou um Malfoy e sei me comportar como um. – Eu sei que vocês não ligam nem um pouco para as pessoas que estão na enfermaria, afinal, vocês não queriam nem que James fizesse parte desse grupo para início de conversa e devem ter chamado Abigail porque ela conhece todas as pessoas dessa escola. E é sempre ótimo ter contatos, porém, eles são pessoas, pessoas que foram vítimas de um feitiço que não está no material didático. De uma magia negra que os dilacerou como espadas invisíveis no rosto, nas costas e no peito. E não foram cortes superficiais, foram cortes profundos. Vocês não podem imaginar como isso é. Nem eu posso, mas não foram vocês que viram seus corpos sem cor e quase sem pulsação, nem vocês que se sentiram impotentes como se mais duas pessoas fossem morrer, uma delas seu melhor amigo. Agora, vocês podem estar com medo, compreensível, já que também estou aterrorizado. Mas quando eu vejo Leo Hayes, ex-colega de quarto de Dean Collins, a outra pessoa morta que Ethan pediu para investigarmos, na maldita lista de quem não compareceu e vocês não me dizem a ligação dele com Ethan, eu não ligo paro medo de vocês.
– Eles eram amigos antes de Louis e Ethan serem, só isso. – Isobel começou a dizer. Parecia irritada com minha insistência, como se eu não tivesse o direito de perguntar. Logo agora que eu estava simpatizando com ela, ela parecia estar mentindo na minha cara. – Houve uma discussão feia por temas delicados que não valem a pena ser descritos no momento, mas Louis pensou que valeria a pena convidá-lo. Bem como achou que seria bom convidar você, mesmo que não desse a mínima para Ethan nos últimos anos.
– E porque você foi amiga dele nos últimos, não sei, seis meses você merece estar mais aqui que os outros? Me esclareça, o seu luto é maior? – Não queria responder de maneira rude, porém meus ânimos já não estavam ótimos.
Precisei respirar fundo, era óbvio que estavam escondendo algo, mas não podia continuar pressionando sem causar discórdia.
– Sinto muito, não queria provocar uma discussão. Só acredito que deveríamos ser honestos uns com os outros. – Minha última tentativa de conseguir algum fato verdadeiro da boca deles. – Afinal, nunca se sabe quem será o próximo a ser atacado. Enfim, acho que devemos investigar o local do crime e as pessoas da lista.
Encarei Louis e Isobel.
– Eu investigo Leo Hayes. – Falei com segurança e deixando que discutissem enquanto Louis me olhava de uma maneira esquisita que eu não conseguia decifrar.
Não me importava: em menos de quarenta e oito horas eu saberia tudo o que havia para se saber sobre Leo Hayes.
Fale com o autor