Born to Die
3 Ride
Notas iniciais
– James –
I'm tired of feeling like I'm fucking crazy
I'm tired of driving 'til I see stars in my eyes
It's all I've got to keep myself sane, baby
So I just ride
Não tenho certeza das razões que me levam a fazer as merdas que eu faço.
Eu poderia listar meia dúzia de motivos rasos e problemas complexos da mente de um rapaz claramente privilegiado e sem aparentes dificuldades na vida, entretanto, ninguém está interessado nisso. Aliás, acredito que se tenho um dom é o de dar às pessoas o que elas querem: meus pais querem boas notas, meu time quer um bom jogador, meus amigos querem um cara popular que consegue as melhores façanhas e os conceda as melhores risadas, a minha carreira após a escola que chega ao fim em alguns meses quer atividades extracurriculares e eu quero mais tempo.
No momento, o clube dos nove – porque eu acabei de me incluir, mesmo que eles ainda não saibam o quão necessário eu sou ao ponto de me quererem – quer uma carta e, por isso, eu me deixei ser pego explodindo bombas de bosta no vestiário de Lufa-Lufa. Até a direção da escola pensa que isso foi um erro amador, visto que eu não frequento a diretoria desde o quarto ano. Me olham desconfiados enquanto eu digo que eu apenas quis começar o ano de maneira divertida e questionam minha falta de sensibilidade diante aos últimos fatos que estão assombrando os pesadelos dos meus queridos colegas, inclusive meu irmão.
– Eu não entendo porque todos fingem que se importam com Ethan agora. Ele tinha meia dúzia de amigos, dezenas de coleguinhas e literalmente nada de interessante a dizer. – Foi o que consegui responder, girando os olhos, enquanto me analisavam com um misto de dúvida e pena. Algo como “Por que esse menino reprime essa dor atrás de artimanhas ao invés de dar vazão ao seu espírito atormentado?”. Tudo bem, talvez não exatamente com essas palavras. – Que descanse em paz.
Percebi meu mau uso da palavra “literalmente”, mas já era tarde. Me puni mentalmente, enquanto meus olhos vasculhavam a sala escura com móveis feitos de madeira de carvalho, pensando que provavelmente nada havia mudado nessa escola desde, sei lá, Dumbledore.
Meus dedos tamborilavam na mesa enquanto eu imaginava maneiras de distrair as autoridades presentes no recinto. Quando percebi a carta de suicídio na gaveta de pergaminhos de onde sairia minha carta da detenção e minha mente começou a passar por alguns devaneios desnecessários, coloquei a mão nos meus bolsos da calça. Quais eram as remotas chances de eles não verem o que meu sistema nervoso tanto desejava?
Se concentre. Gritei mentalmente para meu cérebro desatento.
Forjar uma carta de conteúdo similar a carta de suicídio original não tinha sido fácil, primeiramente porque os amigos do falecido ainda estavam sob estado de choque. O mais espertinho dos três, John, conseguiu me dar uma versão aproximada do que se lembrava de ter lido e me passou um caderno antigo com a letra do cara. Com a varinha eu fiz uma carta de suicídio e assinei Ethan.
Foi essa carta que joguei na mesa quando Abigail Jones bateu na porta e o pergaminho com o conteúdo original praticamente flutuou atrás da cabeça grande do diretor que olhava para a porta. Coloquei os dedos sobre a carta falsa assim que ele voltou a olhar para a mesa, para que ele pudesse praticamente arrancá-los fora.
– O Sr. Potter tem uma tendência sobre-humana de enfiar o nariz onde não é chamado. – Murmurou agressivamente enquanto acrescentava dias no pergaminho da minha detenção. Como se detenções mudassem minha vida. – Pensei que o senhor não se importava com o rapaz que se suicidou, senhor Potter.
– Não me importo mesmo. Sou apenas naturalmente curioso. – Sorri, puxando o pergaminho com minha detenção e guardando a carta de suicídio original no bolso sem que ele percebesse. – Cinco dias de limpeza de vestiário?
– O senhor faz a bagunça, o senhor limpa. – Murmurou, guardando o pergaminho falso em um envelope.
Talvez fosse enviá-la para a família de Ethan finalmente.
Enquanto eu encarava o diretor Longbottom e sua vice conversava com Abigail na porta, pensei novamente nas razões que me levam a fazer as merdas que eu faço. Eu nem sequer ia com a cara do Ethan e não é algo que eu fingirei nesse instante simplesmente porque o cara morreu. Ainda assim, estava ali assinando mais uma detenção e pensando em como conciliaria cinco dias de punição com os meus treinos e os clubes que faço parte, vida social, estudos. Eu e minha maldita mania de querer fazer parte de tudo, principalmente de um clubinho secreto que quer decifrar um mistério e tem como integrante Abigail Jones.
Mal posso acreditar que convidaram Scorpius e não me convidaram, isso é simplesmente descortês.
Scorpius e Ethan eram amigos há algum tempo antes de eu aparecer.
Ethan era um rapaz popular e eu também. Eu sou a pessoa mais popular da escola e é seguro dizer que não é pela influência positiva dos meus pais na sociedade bruxa. Talvez seja efeito da minha personalidade expansiva, extrovertida e por vezes invasiva que contagia todas as pessoas de bem ao meu redor.
Já Ethan se via como algum tipo de personalidade agradável que atraía a todos com seu bom temperamento e sua presença magnética enquanto eu fazia a linha do humor subversivo e sarcástico que não consegue se manter parado. Por mim, tanto faz, não foi exatamente minha culpa Scorpius querer andar comigo e por fim se tornar meu melhor amigo. Algumas coisas são obras do destino, como o fato de termos um ano, um mês e um dia de diferença de idade.
Enfim, Ethan me acusava de infantilidade e imaturidade (aliás, exatamente essas palavras, para criticar o fato de que eu não conseguia crescer e me misturar com gente da minha idade, uau) e eu o acusava de chato moralista que não sabia fazer nada além de ser um rapaz mimado que passa o dia julgando as pessoas (acredito que agora eu deva usar esses verbos no passado).
Scorpius sempre esteve no meio dessas ofensas gratuitas entre eu e o meu arqui-inimigo. Além disso, todos sabiam da minha falta de apreço pelo nosso querido falecido. Estou surpreso por não ter sido acusado de assassinato pelo clube – mesmo que 50% dos membros sejam meus familiares, entre primos e irmãos.
Mas voltando ao presente... Por fim, Abbie abandonou o posto de distração e saiu da sala. Escutei meia hora de um discurso desajeitado da nossa autoridade maior, Senhor Longbottom, que era um cara bacana nos churrascos de família e um pé no saco em Hogwarts, e finalmente fui liberado.
Quando me afastei da diretoria, me senti seguro o suficiente para pegar o famoso bilhete de suicídio e simplesmente ler, parte para provar de uma vez para o grupo que talvez aquele fosse um genuíno caso de suicídio e parte para checar se tinha feito um bom trabalho falsificando uma réplica.
O fato de meu cérebro estar falhando — visto que passava da hora da minha dose diária de concentração em pílulas de alegria — não escondeu a verdade que era muito óbvia para alguém que fazia aquilo com frequência mais regular que o senhor e a senhora Potter gostariam: aquele bilhete fora forjado e de maneira esdrúxula e descuidada.
Não estou dizendo que não tinham feito um bom trabalho em reproduzir a letra do Morrison e na escolha de palavras metidas a intelectuais que não sei se eram do feitio do rapaz, mas que fazia a morte parecer poética de alguma forma.
Estou falando de irregularidades comuns como enfeitiçar a mensagem no pergaminho após escrito ao invés de enfeitiçar a pena que escreveria a mensagem: a uniformidade das letras torna-se desigual, os traços nos “t” e os pingos nos “i” tornam-se diferentes e principalmente, o rastro de magia é quase tangível.
Um trabalho desleixado de alguém que estava com pressa e principalmente, alguém que não era Ethan Morrison.
Pela primeira vez fiquei excitado em participar desse clubinho que desvenda crimes e, mesmo que eu tome o cuidado de não falar mal do falecido perto do meu irmão que por algum motivo obscuro era amigo dele, pela primeira vez senti algum tipo de remorso por não ter oferecido de maneira decente meu ombro a Al. Se o rapaz tinha sido assassinado de fato, na minha mente a situação de alguma forma se agravava.
Meu cérebro estava entrando em parafuso e eu estava começando a me sentir exausto, porém ainda tinha o que fazer. Precisava encontrar Louis e dizer o que tinha descoberto. Alem disso, esse é o meu último semestre, a lista de tarefas parece que triplicou após o feriado e eu não tenho tempo para dormir.
Fiz o que faço sempre que sinto que vou ceder ao inevitável cansaço: tirei o frasco laranja do bolso e engoli três pílulas de uma vez. Foi quando vi Abigail Jones. O combinado não era que ela me esperasse, na verdade eu não esperava ninguém por ali naquele horário. Meu rosto queimou em súbita vergonha enquanto ela comportava-se como uma daquelas estátuas de olhos arregalados que me assustavam.
Eu a vi e ela me viu.
Não havia como esconder ou mentir que nada aconteceu naqueles nano segundos em que nossos olhos se encontraram e eu apertei o frasco alaranjado na mão enquanto ela amassava o bilhete que acabara de tirar do bolso. Era provável que não soubesse o que eu tinha acabado de engolir e eu obviamente não sabia o conteúdo do pedaço de pergaminho que ela tentava esconder a todo custo. Porém a tensão que exalava de seu corpo pequeno e o tom pálido de sua pele denunciavam algo que parecia ser maior que meu medo de ser descoberto ou a vergonha que sentiria se ela contasse que me viu engolindo pílulas. Ela parecia assustada, amedrontada e indefesa por trás daqueles olhos maiores que nunca pelo espanto.
Não sabia se deveria ir em sua direção ou fingir que não a vi naquele momento em que parecia tão vulnerável: afinal, o que diria? Provavelmente algo como "Olha, não sei o que tinha nesse seu papel, mas estou aqui para salvá-la".
Essa seria uma atitude facilmente tomada por mim em uma situação de aparência menos grave: eu e minha enorme habilidade de levar zero coisas a sério.
Contudo, eu disse anteriormente que não havia como mentir, eu a vi e ela me viu. Por isso, antes que ela corresse e se afastasse de mim com um comentário mordaz sobre como ela não poderia ligar menos para minha existência, caminhei a passos largos até chegar ao lugar onde ela continuava petrificada. Coloquei meu frasco ilegal no bolso da calça e simplesmente a abracei. Não porque dou em cima dela todos os dias desde sempre de maneira sufocante e pouco galanteadora (porém engraçada), mas porque parecia o certo a se fazer. E talvez seja por isso que ela me abraçou de volta ao invés de me empurrar e se aconchegou em mim. Não estava chorando, mas eu podia senti-la trêmula e também podia sentir as batidas desreguladas de seu coração.
Perto dela eu me sentia um gigante, a maior pessoa do mundo, e pouco tinha a ver com a minha altura em relação a dela, mas com o sentimento de que eu a tinha ali — mesmo que não do jeito que eu queria — nos meus braços. E não para protegê-la, porque Abbie era tudo menos indefesa.
Sem motivos aparentes ela começou a correr. Minha razão me pedia para fincar meus pés naquele corredor e apenas assisti-la ir, mas minhas pernas obedeceram minha intuição e em instantes eu estava atrás dela com o meu coração saltando pela boca. Não sei o que ela queria de mim, porque a maneira que me olhava enquanto corria parecia que era mais para checar se eu ainda a acompanhava do que de alguém que fugia de mim. Eu podia quase ouvir a respiração de alguém às minhas costas, mesmo que não pudesse ouvir seus passos. A única vez que olhei para trás pude notar algo que parecia um vulto, talvez uma sombra, o que funcionou como gasolina para minhas pernas que quase alcançaram Abigail.
– James, eu preciso ficar sozinha! – Ela mentiu, me indicando um corredor paralelo com o olhar. Não demorou muito até eu perceber que chegaríamos ao mesmo lugar se nos separássemos, mas eu não queria deixa-la sozinha. Não quando eu sabia que tinha alguém atrás de nós. Perdê-la por um segundo significava deixá-la correr perigo por um segundo.
Ela parou de correr de repente. Mordeu o lábio inferior e com as mãos suadas nos meus pulsos, trocou um dos olhares mais significativos que já experimentamos na vida. Existia um misto de pânico, um mistério que ela não me contaria e um pedido de socorro. Com a mão gelada, me indicou os bolsos de suas calças jeans com um sussurro quase silencioso implorando para que eu fosse discreto.
Enquanto eu pensava em como tiraria algo discretamente de seu bolso traseiro, ela puxou meus braços em direção a sua calça e me enlaçou em um beijo que não foi exatamente o que eu esperava no auge da minha paixão juvenil de todos esses anos, pois parecia algo mais urgente, talvez emergente e mesmo que aquele fosse meu maior desejo desde que o terceiro ano, eu estava mais preocupado em tirar o bilhete das calças jeans apertadas que em sentir o toque macio dos lábios quentes de Abigail.
Ela ainda não tinha parado de me beijar quando sentiu que eu já tinha roubado o bilhete de seu bolso. Eu ainda estava em pânico, ainda sentia um olhar quase na minha nuca, como se estivessem prestes a me dar um golpe e me desacordar.
Minha parte romântica, cínica e despreocupada queria segurar o rosto dela e dizer que não foi assim que imaginei nosso primeiro beijo, mas quando eu ouvi o barulho de algo caindo perto dali, consegui apenas puxar a varinha e me colocar em frente ao corpo minúsculo dela, que com as costas nas minhas empunhava sua varinha. As velas dos castiçais do corredor daquela passagem deserta foram se apagando uma a uma, enquanto o vento das janelas estranhamente abertas naquela noite gélida de janeiro trepidava as cortinas aveludadas ainda de cores natalinas. Era possível escutar desde o barulho tortuoso dos galhos se quebrando em algum lugar lá fora até o som de nossas respirações perdidas sem saber o que fazer. Senti a brisa de inverno tocar minha nuca e não pude evitar o arrepio involuntário nos meus braços.
Giramos lentamente até cobrirmos o perímetro quando ela deixou sua varinha cair, boquiaberta encarando a parede:
“Você já sabe, Jones. Abre a boca e é a última coisa que você fará”.
A mensagem em letras garrafais num tom asqueroso que lembrava sangue desapareceu na medida em que fomos lendo-a. Eu estava prestes a seguir o som dos passos apressados em direção contrária à nossa com a varinha em punhos e raiva crescente quando ela puxou novamente meus braços.
– Você não vai me contar o que está acontecendo? — Meu tom de voz era menos inquisidor do que eu desejava, eu estava genuinamente preocupado e assustado.
– Não é seguro. – Sussurrou com um fiapo de voz restante, seguindo seu caminho por aquele corredor escuro e me mandando seguir a travessa que nos levaria às estufas.
Não parecia certo. O vulto poderia aparatar no corredor escuro e ataca-la e mesmo que ela não gostasse do papel de mocinha indefesa, a sensação de tê-la trêmula nos meus braços parecia não se afastar mesmo eu tomando um caminho paralelo ao dela.
Com cuidado abri o bilhete que estava em seu bolso traseiro.
“Eu estou te vendo, eu estou nos seus rastros, eu estou em toda parte. Existem peixes que morrem pela boca e crianças estúpidas que morrem pelo estômago, mas disso você já sabe. Seja uma boa garota.”.
Talvez eu não tenha compreendido todas as referências, entretanto não era preciso muito para desconfiar que tratava-se de uma ameaça de morte; alguém estava de fato perseguindo-a e não parecia uma brincadeira tola dos indivíduos de humor distorcido e soturno de Hogwarts. A ideia de alguém perseguindo-a por todos os lugares e vigiando-a nesse terrorismo mental elevava meu medo a uma potência inimaginável e por isso, sem tomar fôlego, escondi o bilhete no bolso e apenas corri até sentir o ar queimar meus pulmões, apenas interrompendo minhas pernas descontroladas ao vê-la.
Pela maneira em que sua figura arqueava as costas como se buscasse ar naquela noite em que nenhum de nós estava protegido o suficiente contra o inverno rigoroso de janeiro, tinha tomado a mesma decisão de chegar ali o mais rápido possível. Tinha tanto a dizer, a questionar e a prometer que tudo parecera vazio diante os olhos escuros e amedrontados de Abigail. Gostaria de dizer que ela estava segura comigo, porém eu sabia que não podia lhe assegurar, mesmo sabendo que dali para frente eu não sairia do lado dela nem por um segundo.
Eu não sou stalker. Todos, inclusive Abigail, sabiam que eu tinha uma paixão platônica, pouco sustentável e facilmente não correspondida por ela. Eu – verdadeiramente – me importava em um nível exagerado com ela, quase como se tivesse me apaixonado por ela na primavera em que, aos doze anos, ela se sentara em frente a mim com uma biografia não autorizada de uma banda trouxa antiga e me oferecera amendoins – normais, do tipo japonês – que sua família mandara de natal.
Qualquer que seja o nome do sentimento que venho nutrindo por ela nos últimos cinco anos da minha vida, esse vem se atenuando cada vez que vejo seu cabelo sempre volumoso em forma de espirais bonitos que ela diz ter cor de formiga e que batem em seus ombros, todas as vezes que vejo seu corpo curvilíneo de um metro e meio voando o mais rápido possível de braços abertos em sua vassoura surrada após o treino de quadribol e, principalmente, sempre que ela prende o riso após alguma tentativa fracassada minha de conquista-la. Seu sorriso branco com os dentes da frente separadinhos me desconcerta tanto quanto me mantém de alguma maneira persistente.
Havia algo inebriante na cor escura de seus olhos castanhos, mesmo tristes e assustados daquela maneira. Eles sempre me despertavam diferentes desejos e naquele momento não era diferente, porém meu desejo era apenas abraça-la como se magicamente tudo fosse ficar bem.
– Você leu o bilhete. – Não foi uma pergunta, mas uma afirmação. – Não posso te contar.
– Mas eu quero te ajudar. – Meu tom de voz era estranhamente brando, apesar da urgência que sentia enquanto eu falava a centímetros de distância de seu rosto. – Você não pode...
– Eu venho me defendendo sozinha há muito tempo, Potter. – Seu tom não era ríspido, talvez porque ela de fato acreditava em mim. – Só quero que você fique comigo aqui um pouco, pode ser?
Assenti, enquanto ela aceitava o convite que meus braços abertos faziam. As tarefas, as descobertas para Louis e minhas preocupações com detenção podiam esperar até ela se acalmar. Naquela noite fria nos abraçamos até nos aquecermos, em silêncio e sem coragem de mencionar o tanto que corremos naquela noite. Queria que ela visse que estava segura comigo, porque eu me sentia seguro com ela.
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