Born to Die
12 Glory and Gore
Notas iniciais
– Roxanne -
You could try and take us, but we're the gladiators
Everyone a rager, but secretly they're saviors
Glory and gore go hand in hand
Tinha um pressentimento bom de que alguma coisa fosse enfim fazer sentido.
Com cuidado, juntei todos os meus cadernos e notas a caminho da reunião. Scorpius Malfoy prometera que descobriria tudo sobre Leo Hayes em dois dias e não parecia estar brincando. Aliás, nunca o vi tão determinado, impaciente e com tom de voz autoritário: o fato de ele ser uma pessoa calma e sã era a única coisa que talvez fizesse sua amizade com seu extremo oposto James funcionar – apesar de até mesmo eu ter presenciado uma de suas brigas sem fim.
Entretanto, preciso dizer que acho compreensivo. Não a parte dos acessos de raiva e acusações que todos sabíamos estarem sendo dirigidas a Isobel e Louis, mas o sentimento de traição, como se estivéssemos sendo deixados ás escuras por conta de algum mistério que não era nosso, apesar de alguma maneira nos dizer respeito.
Eu não entendo bem o conceito de segredo. Claro que tenho minhas particularidades e desejos íntimos, sou humana. Mas não acredito que exista algo que eu tenha que esconder com tanta força mesmo oferecendo perigo a todas as outras.
Afinal, tudo que nos era desconhecido de alguma forma nos era suspeito. Talvez não fossemos capaz de vivermos normalmente até acharmos o culpado. E o tique-taque do relógio e o prazo de três semanas para resolvermos isso era incessante.
Então estava pensando em Scorpius e Louis quando me encaminhava vagarosamente pelos corredores do sexto andar a caminho da reunião. Faltavam mais ou menos vinte minutos, o que significava que tinha tempo de sobra para revisar minhas notas e desenhos antes de divulgar meus achados na reunião. John estava meio transtornado com algo que ainda não tinha me contado. Apenas insistiu que seria melhor se o encontrasse na reunião e não me preocupasse.
Estava pensando nisso quando avistei-os. Eu poderia estar dançando uma rumba de saltos altos que eles não me escutariam chegando. Sei que o correto a se fazer seria apenas anunciar minha presença, porém, me escondi atrás da pilastra.
– Está fora de minha jurisdição inclusive comentar sobre o assunto, Louis. – Scorpius disse em seu tom de voz calmo, persuasivo e socialmente privilegiado. – Eu apenas não entendo quais as razões para tantos segredos.
– Você realmente não entende. – Louis falou. Eu não conseguia ver seu rosto, mas sua voz soava tensa.
– Sei que eu não tenho direito de me intrometer na sua vida, não somos sequer amigos. – Scorpius exalou o ar com força, se preparando para dizer algo. – Porém, eu conheci Ethan. Por mais que as pessoas insistam em frisar que nós não éramos mais amigos, isso não é verdade. Nos afastamos porque é o que acontece com as pessoas naturalmente na vida, mas eu nunca deixei de me importar com ele. E nós nos víamos todas as semanas para uma eterna revanche de xadrez bruxo. Tudo muito secreto.
– Ás quartas-feiras na sala do coral? – Louis pareceu surpreso.
– Sim. – Scorpius riu levemente. – Ele disse que eu tinha uma sombra insuportável chamada James e eu dizia que xadrez bruxo provavelmente destruiria minha imagem em minha sala comunal. Nós nos sentávamos por duas horas e falávamos sobre nada. Era provavelmente uma ode aos velhos tempos. Saiba que nunca deixei de ver o mais bonito dos cianos em Ethan e tudo que vinha dele tinha cor de alegria. Ele parecia radiante nos seus últimos meses de vida e, por mais que não fossemos confidentes, tinha certeza que ele gostaria de me contar o motivo, de exibi-lo e sair por aí declarando sua felicidade aos quatro ventos, porque aquele era Ethan.
Podia escutar Louis fungando, parecia estar chorando. Meus olhos estavam cheios de lágrimas também. Eu sei o que é me sentir estranha na minha própria família, minoria no mundo, alguém sem voz. Não que eu esteja implicando que eu e Louis sejamos os mesmos e soframos as mesmas coisas, são lutas diferentes, pontos de vista e argumentos diferentes. Porém o mesmo sentimento de estrangeirismo e incompreensão. Gostaria que eu tivesse dado espaço para que tivesse me contado, gostaria de dizer que ele não precisava ter medo, porque finalmente estaríamos ao lado dele e o amaríamos por quem ele era.
– Agora eu sei que você era essa felicidade e acredito que ele tenha te amado muito, assim como agora entendo o quanto você o amou. Injustiça seria deixar esse amor passar batido, injustiça seria deixar que seus próximos amores perdessem também o direito e o dever de te declarar ao universo e ser feliz abertamente. Ethan me disse algo parecido quando eu achei que seus parentes me amaldiçoariam quando comecei a namorar Rose: que todos nós tínhamos direito ao amor, não importava quem amávamos ou quando seria. – Scorpius também tinha o tom de voz embargado. – Lembre-se de que você está em um espaço seguro e que ninguém aqui quer mudar quem você é.
Eu não esperava nenhum desses discursos vindo de Scorpius, aliás, nunca o escutara dizer nada que tivesse algum tipo de valor. Ou nunca prestei atenção, até porque não havia motivo para que nossos caminhos se cruzassem como se fossemos parte de um super grupo.
A cada dia aprendia algo de novo sobre aquelas pessoas, inclusive aquelas com as quais dividia o sobrenome.
Por mais individualista que aquele grupo fosse, com seus casais e duplas e trios de melhores amigos, havia algo certo naquele trabalho em equipe. Por mais relutantes que fossemos em formar laços até com nossa própria família, sabíamos que precisávamos uns dos outros. Quando fingia estar chegando, vi no rosto de Louis que ele necessitava ouvir o que Scorpius dissera e que nenhum de nós diria aquilo da melhor maneira.
Aos poucos todos se instalaram em seus locais habituais, havia certa expectativa agora, uma vez que eu sabia algo que supostamente era um segredo. Existiam também olhos ansiosos em ver Abigail e James pela primeira vez após a penúltima reunião, já que desde que saíram da enfermaria, cinco dias após os ataques, foram proibidos de se ausentarem de seus quartos por alguma medida de segurança e um repouso que exigia que não fizessem esforços. Sabíamos agora que Abigail perdera quase um terço do volume de sangue de seu corpo rapidamente e que em mais alguns minutos seria fatal, que James estava em situação melhor porque ela executara os encantamentos antes que ele perdesse todo o sangue.
A verdade é que ele ficou quase tanto tempo quanto ela na enfermaria por algum outro problema que não souberam (ou quiseram) nos explicar.
– Acho que devemos começar. – Louis iniciou a reunião olhando de soslaio para a porta. – Os motivos para nos reunirmos hoje são poucos, porém importantes. Creio que devemos começar com Roxanne que disse que tem novidades sobre sua pesquisa.
Olhei para Rose, que era quem de fato se importava com minha pesquisa. Tinha dito tudo que encontrara para ela no dia anterior, fora minha promessa e eu a cumpri com maestria pela maneira que seus olhos brilharam e seus dedos correram ávidos a anotar meus achados. Ainda assim, era importante deixar todos a par de tudo.
– A planta dos desenhos é uma evolução raríssima da Ageratina Altíssima, uma planta da América do Norte. – Quis omitir a parte do envenenamento indireto através de laticínios, pois Rose me dissera que se fosse usada apenas a planta, essa seria facilmente detectada. – Esta é Ageratina Libitina, uma planta que também nasce na América do Norte, porém sua ocorrência é tão rara que quase a consideraram extinta por algumas décadas. Ela nasce apenas durante a Aurora Boreal em Nunavut no Canadá, quando as partículas elétricas liberadas pelo sol se colidem com gases de nitrogênio e oxigênio ao entrarem na atmosfera terrestre causando aquela luz fantástica e também um nível espetacular de magia.
– Libitina em latim significa morte. – Uma voz soava monótona atravessando a porta em passos curtos. – Ou talvez seja sepultura.
Todos os olhos se viraram para porta ao mesmo tempo, enquanto Abigail e James cruzavam as portas de mãos dadas. Monotonia na verdade era cansaço.
– Nosso clubinho deveria considerar fazer essas reuniões no primeiro andar, que tal? – James reclamara, jogando-se em uma cadeira. Suas mãos estavam um pouco trêmulas e seu rosto estava mais magro, seus olhos estavam sérios apesar do sorriso fraco em seu rosto.
Imaginei que Scorpius e James correriam um em direção ao outro e se dariam um abraço apertado, como em comédias românticas caucasianas, porém ele apenas depositara a mão no ombro do melhor amigo que ainda respirava com dificuldades e a deixara lá. Isobel Dawson nos surpreendeu, levantando-se e abraçando Abigail por três segundos inteiros, que a retribuiu desajeitadamente já que seus dedos não desentrelaçavam os de James.
Notei pelos olhos arregalados de Isobel que ela também estava surpresa com o súbito lampejo de afeição por Abigail.
– Você me emprestou suas notas de Aritmancia no terceiro ano, quando tive uma crise de gastrite e você já tinha feito aquela matéria. – Ela falou, voltando as mãos para os bolsos do vestido de boneca, sempre o mesmo modelo, sempre cores sóbrias. – Nunca agradeci o suficiente. Obrigada, Abigail.
Abigail sorriu abertamente pela primeira vez desde que entrara naquele cômodo. Trocou um olhar mareado com James e voltou a encarar Isobel.
– Obrigada pela preocupação. – Abigail respondeu apenas, praticamente sussurrando. – Nunca pensei que alguém sentiria minha falta.
– Nós sentimos. – Louis falou, quando notou que Isobel estava desconsertada. – Sinto que me arrependerei ao dizer isso, mas também sentimos a sua falta James.
Pensei que ele responderia algo como “Obviamente”. Afinal, era James e todos conhecíamos seu ego enorme, sua inquietude e grande mania de se sentir necessário. Mas ele apenas sorriu, levantou-se e abraçou Louis. A quantidade de abraços do dia de hoje era alarmante e James o abraçava com força mesmo parecendo tão fraco.
– Sinto muito. – James falou, em um tom de voz baixo enquanto Louis o olhava sem ação. – Por Ethan.
Um luto pouco atrasado.
– Obrigado Roxanne, pela pesquisa, acredito que será útil para Rose. – Louis se dirigiu a mim, após James sentar-se novamente. A pesquisa já está sendo útil a Rose, pensei. Enquanto sorria e acenava.
Senti o olhar de John sobre mim e me virei para sorrir para ele, que segurou meus dedos entre os seus. Não gostaria de ter que disfarçar minha vontade que aquela reunião acabasse logo para que eu pudesse enfiar aqueles mesmos dedos em seus cabelos e simplesmente beijá-lo por algumas horas sem necessidade de falar ou pensar em assassinatos e o medo que sentíamos.
– Err. – John limpou a garganta, indeciso em dizer algo ou não. – Não sei em que ponto essa informação se torna útil, uma vez que já constatamos que certamente se trata de um homicídio e temos provas substanciais que corroboram com nossas suspeitas. Porém, acredito que unidos aqui com um mesmo objetivo, devemos compartilhar toda e qualquer informação que tivermos.
Numa sala repleta de segredos, a palavra “compartilhar” parecia pesar milhares de quilos. Todos transpareciam algum tipo de tensão em dividir as tais informações.
– Através de feitiços simples em uma noite desesperada, foram descobertas marcas de unhas aterrorizantes no umbral, na parte superior da janela. – John colocou as mãos nos bolsos, desconfortável com a quantidade de olhares sobre ele, com o teor das informações e talvez com as imagens que estavam certamente se formando em sua cabeça. – O que sugere resistência antes que a medida drástica de empurra-lo fosse formada.
Algumas conjecturas começaram a se formar através de cochichos. Imaginei se uma pessoa que não era dotada de tantos músculos ou praticante de esportes teve como se defender de um agressor com claras intenções de terminar sua vida, se ele tinha acertado seu assassino de alguma forma. Se estávamos deixando passar algo.
Louis agradeceu a John também e logo um silêncio desconfortável se formou. Um em que olhávamos uns para os outros temendo partilhar nossas deduções, já que era complicado imaginar um mundo onde pessoas veem outras cravando as unhas em madeira antiga e farpada e, mesmo assim, as empurram e provavelmente as assistem caindo em direção a morte.
Em determinado momento, todos os estavam encarando o casal que voltou da enfermaria. Olhar para o rosto sempre alegre de James naquele tom pálido, com o maxilar e as maçãs do rosto marcadas pela perda de no mínimo dez quilos ou o ar cansado da “multitarefas” Abigail Jones me assustou mais que saber que eles estavam na enfermaria nos últimos cinco dias.
Fazia o medo parecer real. Sólido.
– Gente, acho que a dieta que eu fiz foi muito drástica! Só queria entrar na beca de formatura, mas olha só! Vou ter que pedir para mamãe apertar meus jeans! – James quebrou o silêncio em seu tom de voz metido a engraçado habitual, sabia que todos estavam encarando seu peso e sua mão livre e trêmula, já que a outra Abigail apertava com firmeza.
A pior parte foi que eu ri, eu fui a primeira a rir de chorar e querer jogar meus braços para o alto. Alguns segundos depois, apesar de aquele cômodo ter sido feito para assuntos sérios, todos riam. Me senti aliviada ao ver o cara que atrapalhava os jantares de Natal e brincava de pique-esconde com as crianças mais novas ali na nossa frente. Era uma sombra do mais irritante dos meus primos, mas era melhor que nada.
– E ele está de volta. – Abigail girou os olhos, mesmo que sorrisse e o encarou com um tipo de admiração. Acho que ele finalmente conseguiu conquista-la após quatro ou cinco anos.
Isobel Dawson e Alvo também estavam vivendo uma dinâmica diferente. Era transparente a maneira como ele não tirava os olhos dela, não daquela maneira assustadora de dias atrás, mas com afeição. O sorriso dela não era tímido em direção a ele, existia uma força eletromagnética pairando ali no meio, desafiando e vencendo a gravidade que os mantinham afastados pelo semicírculo. A atração que estavam sentindo um pelo outro era tão visível que quase me ofereci para trocar de lugar com ela.
Rose sorria para seu amigo recém retornado da reclusão, com uma mão no joelho de Scorpius.
Não consegui evitar pensar em Louis, cujo olhar encontrou o meu, após constatarmos as mesmas coisas. Me senti culpada por um instante: por estar feliz, por estar com os dedos entre os da pessoa que eu amava, pela pessoa que eu amava ainda estar viva e a dele não. Por estarmos ali, em um grupo que ele formara, exibindo algum tipo de alegria e felicidade. Como se o que ele fizera em busca de apoio tivesse se tornado fonte de alívio para todos exceto ele.
Queria que ele tivesse andado de mãos dadas com Ethan.
– Todos temos direito ao amor. – Louis declarou, como afirmação que resolvera repetir para si mesmo. – A amar alguém. A sermos amados. Scorpius me disse isso mais cedo, ou algo assim.
Todos olharam para ele com expectativa.
– Eu não sei o que faz com que eu sinta mais culpa. – Confessou, olhando para as próprias mãos. Seu rosto adquirira um sorriso débil e consternado, mas sua voz continuava firme. – Ou em qual das partes eu errei mais, se foi em negar a mim mesmo o direito de amar alguém, por medo de o que aconteceria depois: Será que continuariam gostando de mim? Será que minha família me deixaria me sentar com eles e apresentar alguém que não fosse quem eles esperassem? Será que vocês me olhariam de maneira diferente? Será que deixariam de ser meus amigos ou meus primos ou pessoas desconhecidas por quem eu criei algum tipo de laço misterioso?
Louis levantou-se de sua cadeira e, como um andarilho, pareceu vaguear pela sala.
– Se foi em negar a quem me amava o direito de me amar publicamente, em querer ser o motivo de alegria de alguém, mas secretamente. – Louis respirava pouco enquanto irrompia questionamentos que faziam pouco sentido para as pessoas presentes. – Eu preciso me justificar de alguma maneira, eu acho, porque eu só me sinto tão... Culpado. Quando eu os vejo de mãos dadas e juntos de alguma forma eu me sinto feliz, pode parecer que não por esse monte de frases jorradas sem sentido, porém é verdade. Se dermos com as caras nos muros e não encontrarmos o culpado disso tudo, pelo menos sinto que vocês encontraram uns aos outros, como um dia eu encontrei Ethan.
Eu queria poder decifrar e descrever o rosto de cada um ali presente, mas não conseguia tirar meus olhos do rosto de Louis, que parecia pronto para desabar a qualquer momento. Aquele era um momento de coragem e pode parecer estúpido, mas eu me sentia tão orgulhosa dele naquele momento que podia sentir meu rosto se enchendo de lágrimas.
– Eu amei e ainda amo Ethan de uma maneira quase que incompreensível ou inexplicável se os dois conceitos se inter-relacionam. – Louis voltou a sentar-se em sua cadeira e levantou o rosto para todos, declarando que aquilo que estava dizendo era de extrema importância. – Eu queria não ter tido medo e ter passeado com os dedos enlaçados aos dele como ele sempre quis, eu queria tê-lo levado a um dos natais Weasley/Potter, porque por mais que ele e James não se dessem bem, um dia descobririam que torciam para o mesmo time de quadribol e falariam por duas horas sobre, o que me irritaria um bom tanto. Conversaria sobre xadrez bruxo com o Tio Ron, comeria tortas da vovó. Ele se daria bem até com Dominique que tem repulsa por todos os seres humanos do mundo. Eu queria ter tido a coragem. Eu queria ter tido um futuro com Ethan.
Ele respirou fundo e dessa vez sorriu.
– Eu o amei de maneira infinita. – Louis fez contato visual com todas as pessoas presentes, eu sei porque ele sorriu para mim quando nossos olhares se encontraram. – Sei que não é o suficiente dizer isso agora, não tem o mesmo efeito que teria há meses. Entretanto, como meu namorado, Ethan ficaria feliz em saber que eu finalmente tive coragem de declarar aos ventos o meu amor por ele e isso me traz algum tipo de paz.
Houve uma certa expectativa de quem diria algo primeiro enquanto nos entreolhávamos. Isobel levantou-se e deu a mão a ele, fazendo-o olhar em seus olhos imensos e trocar um olhar mais que significativo. Scorpius sorriu para ele que retribuiu de maneira agradecida, era como se Louis parecesse mais leve.
Existiu uma roda de abraços e palavras carinhosas que ficou apenas silenciosa quando James e Louis se encararam. E eu compreendo a tensão: James não era uma pessoa ruim, apesar da nossa maneira de descrevê-lo. Ele tinha milhares de qualidades e milhares de defeitos, um deles consistia na sua dificuldade de levar coisas a sério, como aquela ocasião em especial pedia. Eu podia ver aqueles natais em que Louis se recusara a brincar com James e esse se vingara através de comentários e brincadeiras maldosas ou aquelas vezes em que Louis denunciara as pegadinhas de James para tia Gina apenas para que ele ficasse de castigo.
Eram coisas de criança, eu mesma já cortara o cabelo da Molly depois de ela falar que o meu era ruim. Porém ainda assim, me sentia tensa.
– Tenho certeza que isso não aconteceria, mas se alguém tirar o seu lugar na mesa da família, você sempre terá um lugar ao meu lado e alguém para brigar por você. Droga, eu até sei como você poderia ter pensado diferente, mas gostaria que não tivesse sido assim. Sinto muito. E eu não entendo como alguém deixa de ser primo de alguém, para mim você sempre será a criança pentelha que não deixava que eu me divertisse nas férias. – James falou de maneira séria e depois sorriu.
– Temos apenas um ano de diferença. – Louis fez questão de dizer.
– Agora me conta, o que você fez? – James tinha seu sorriso zombeteiro no rosto novamente. – Eu não era o maior fã do cara, mas ele era o maior partido.
– O que posso dizer? – Louis sorriu, talvez aliviado por escutar uma brincadeira no meio de tantas pessoas sentimentalistas em um momento tão emocional. – Sei que você sempre invejou essa beleza veela que corre em minhas veias já que a genética não foi tão favorável no seu caso.
Todos riram um pouco da cara de “não-tenho-o-que-responder” de James.
– Mamãe me disse que eu sou bonito. – Resmungou sorrindo. – Abbie, você deveria dizer para ele que eu sou bonito.
– Você é uma graça... Não tanto quanto Louis, mas uma graça. – Ela se inclinou para apertar a bochecha ossuda de James que respondeu com uma careta.
Quando ele chegou a minha parte do círculo eu não tinha muito o que dizer, por isso beijei seu rosto e o segurei entre as mãos. Sua pele era tão branca que entrava em contraste com a minha de maneira engraçada.
– Estou orgulhosa de você. – Falei, encostando sua testa a minha como vovó Johnson costumava fazer quando queria me mostrar o quão especial eu era e o quanto me amava. – Tenho certeza que Ethan também estaria.
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