Born to Die

19 Comme Des Enfants


Notas iniciais
Ultimo capítulo :( Musica: https://www.youtube.com/watch?v=PaUI6Tvd1sA

— Louis -

Alors tu vois,

Comme tout se mêle

Et du coeur à tes lèvres,

Je deviens un casse-tête

Pontius Hartonen foi detido por tio Harry e tio Ron, pouco tempo depois do acidente na casa dos gritos e da nossa descoberta sobre Isobel ser uma pessoa rara*. Ele foi levado ao Ministério e, em seguida, transferido para Askban, onde cumpriria uma extensa pena pelos assassinatos de Dean Collins e Ethan Morrison, alem de coação de menores. Eu — bem como todos os outros integrantes do clube dos nove – precisei depor. Foi um pouco complicado falar sobre sentimentos pessoais e sobre a minha sexualidade para os meus tios numa sala cinza e desprovida de qualquer coisa alem de três cadeiras, uma mesa e um gravador mágico, embora os dois tenham reagido a isso de maneira natural, o que me fez chorar como uma criança de três anos ao perceber o quão pouco racional eu havia sido por manter em segredo algo assim.

Depois disso, todos nós fomos escoltados de volta para o castelo, onde fomos recebidos com os mais diversos tipos de olhares: de surpresa, de admiração, de medo. Isobel recebia a maior parte dos olhares furtivos dessa ultima classificação, mas se manteve firme. Nós assumimos as taxações. Eu era o cara gay. Izzie era a garota aborto. Abigail era a garota pobre, amiga de um dos caras mortos. Alvo era o esquisito. James, o viciado. John, o órfão. Rose, a fumante. Rox, a militante. Scorpius, bom... Scorpius era o Malfoy. Nós abraçamos as denominações, porque sabíamos que embora elas fossem de fato características nossas, não nos definia. Alem do mais, boa parte delas, embora fosse dita pelas pessoas como se fosse uma coisa ruim, eram na verdade coisas das quais gostávamos e das quais estávamos aprendendo gradativamente a nos orgulhar. E as que de fato eram ruins, o que era o caso de James e Rose, bem, elas haviam se tornado um desafio que os dois estavam dispostos a vencer.

Eu não estou tentando dizer que a prisão de Pontius foi à solução indireta para todos os nossos demônios pessoais. Nós tínhamos um monte de coisas nas quais trabalhar. Algumas delas levariam semanas. Outras, meses. E outras, anos inteiros. Mas estava tudo bem porque acho que isso é o que significa crescer.

Quanto a mim, a sensação de justiça não cobriu o vazio no peito que eu sentia pela ausência de Ethan. Minhas mãos ainda tremiam quando eu dizia seu nome em voz alta ou quando lia poesias de Rimbauld. Eu sabia que não importava quanto o tempo atenuasse esses solavancos de emoções, ele sempre seria uma saudade constante e eu gostaria de mantê-lo assim. Era a minha forma de deter uma parte sua sempre viva: transformando-a em mim. Todas as coisas boas que eu fazia por mim mesmo e pelos outros era uma homenagem a Ethan. Todos os meus melhores sorrisos.

Acho que ele gostaria disso. E me perdoaria por todas as vezes que eu acabaria não conseguindo fazer nada alem de chorar e me sentir miserável, como no dia anterior ao meu aniversário.

O julgamento do professor e toda a comoção familiar que eu e meus primos causamos não foram coisas ruins, mas me deixaram emocionalmente esgotado. Todo o amor que recebi, especialmente dos meus pais e das minhas irmãs me deixou grato, mas também um pouco sufocado. Eu não era um herói e não queria me parecer com um e, ainda assim, era assim que eles me olhavam. Não sei definir bem o misto de sentimentos conflitantes.

Sei apenas que depois do dia de folga que nos foi concedido, eu tive a opção de ficar em casa por ser véspera do meu aniversário, mas preferi voltar para o castelo. Meus pais não insistiram, apesar de estar nítido em seus rostos que era o que eles gostariam de fazer. Concordaram relutantes, e pediram para que eu ficasse atento às corujas que eles me enviariam em razão do meu aniversário de dezessete anos.

Só depois de garantir que sim, eu olharia as corujas e sim, eu enviaria noticias, eles me permitiram partir (mas não sem antes se revezarem em uma sequencia de abraços apertados e preocupados).

Uma vez de volta a Hogwarts, eu me recolhi no dormitório e chorei de maneira compulsiva e silenciosa por horas seguidas durante a noite e a madrugada do dia vinte e dois para o dia vinte e três. Foi pior do que nos primeiros dias quando a realidade parecia flutuante e mutável e eu não tinha certeza se estava tendo pesadelos terríveis ou se Ethan de fato não estava mais vivo. Agora eu tinha certeza e não havia mais nada que eu pudesse fazer a respeito.

Foi doloroso de todas as maneiras concebíveis e a saudade que eu senti dele pareceu aumentar gradativamente ao longo dos segundos que se escorriam. Eu cerrei os punhos, consciente de que estava me arrastando para um poço de loucura do qual eu não tinha certeza se poderia sair quando a minha melhor memória de Ethan me resgatou e iluminou como um farol.

Nós estávamos correndo pelo quarto andar. Ethan estava rindo de qualquer coisa estúpida que havíamos compartilhado pouco antes. A facilidade com que seus lábios se curvavam para cima me desarmava. Fazia meu coração saltar batidas. Ele estava novamente com a câmera, tirando fotos das minhas caretas e da maneira desastrosa que eu corria. Quando o alcancei, o empurrei em direção ao armário de vassouras e uma vez que estávamos seguros e trancados por dentro, ele gargalhou com vontade, dizendo, mesmo sem dizer, o quanto achava aquilo sugestivo.

Eu não estava achando graça. Eu estava muito concentrado em perceber como ele parecia bonito com o rosto iluminado por pequeníssimos feixes de luz que entravam pelas frestas de madeira.

— Amo você, Morrison. – Eu sussurrei e seu rosto ficou sério de súbito.

— O que?

— Eu amo você. – Repeti. Era mais do que uma confissão. Era um pedaço de alma transformado em palavras. Era o zumbido de adrenalina nos meus ouvidos. Era o desejo e a promessa do futuro que eu queria ter com ele. E mais do que tudo isso, era algo que eu nunca havia dito antes.

Eu não acho que ele tenha me respondido. Não acho que ele precisava. Eu sabia que ele me amava também e isso estava claro pela maneira como ele me beijou em seguida.

Pensar nisso não me fez parar de chorar, mas me acalmou o suficiente para que eu conseguisse dormir.

Ethan esteve comigo durante todo o sonho bonito que meu inconsciente produziu no dia do meu aniversário e quando eu acordei, se manteve em forma de sensação, de reconforto.

Quando eu desci para o primeiro café da manhã e me sentei no lugar habitual na mesa da Corvinal, Izzie se levantou da mesa da Lufa Lufa, Scorpius e Rose da mesa da Sonserina, Rox, James, Abigail, Alvo e John da mesa da Grifinória e todos se dirigiram para perto de mim. Meus colegas de casa não se importaram em ceder os espaços de seus lugares e se afastarem para que eles pudessem se sentar próximos a mim. Se o diretor Longbottom estava ciente da cena, ele fingiu muito bem estar concentrado na sua comida para fazer alguma objeção. Isso me fez sorrir verdadeiramente.

Eu apertei a mão de Dawson, a amiga que Ethan havia deixado para mim, e ela me beijou a bochecha. Eu estava tão grato por sua existência que pensei que choraria de novo.

E talvez eu realmente tivesse feito isso, se nesse momento as corujas não tivessem começado a aparecer, distribuindo jornais, embrulhos e correspondências. As felicitações dos meus pais foram as primeiras a chegar. Depois, montes de correspondências foram se aglomerando a minha frente, a maioria assinadas por meus parentes Weasley, Delacour e Potter.

Havia um pacote, entretanto, que me chamou a atenção por estar identificado por Morrison. Eu não me senti culpado por ignorar todos os outros embrulhos para abrir este primeiro.

“Caro Louis,

São nossos desejos sinceros que você aproveite a data de seu aniversário. Otto e eu estávamos justamente esperando uma boa oportunidade ou apenas uma boa justificativa para lhe escrever. Com todas as noticias terríveis que recebemos nas últimas semanas, foi com imenso pesar e emoção que descobrimos a caixinha de prata que você encontrará junto a esta carta no quarto de nosso querido Ethan. Saber que você foi o motivo de alegria do nosso filho em seus últimos meses de vida nos devolveu um pouco da paz que julgamos ter perdido para sempre.

Cordialmente,

Sr. e Sra. Morrison”

Meus dedos trêmulos abriram a caixinha. Na fotografia que ela guardava, um Louis bem mais feliz do que eu – embora girasse os olhos e sorrisse de canto — e um Ethan igualmente contente faziam caretas. Na borda, uma assinatura real do meu namorado.

Et moi je t'aime un peu plus fort.

E eu te amo um pouco mais forte.

Notas finais
Já foi dito no capítulo anterior, mas: *Para escrever a Izzie, nós nos baseamos numa pesquisa feita na Wiki de Harry Potter, onde encontramos a seguinte informação: “Existe uma variante dos abortos que são extremamente raros, muito mais do que os próprios abortos. São os chamos abortos-com-magia, são abortos que sob muito estresse ou alguma emoção forte podem acabar por se utilizar de magia”. Foi isso que aconteceu com Isobel no capítulo anterior. Nós supomos que ela não teria controle nenhum sobre como a magia incidiria dela em um momento de tensão e que funcionaria quase como quando crianças estão descobrindo que são bruxas, só que sem a parte de isso voltar a acontecer eventualmente. Como autoras da personagem, acreditamos que esse foi o único grande momento de estresse na vida da Izzie em que seu estado de nervos foi tal que ela conseguiu um feito com magia. *Outro ponto importante é que para escrever o flashback, eu estava escutando outra musica. Então é como se esse capítulo tivesse duas musicas base. A que dá titulo a ele e a do flashback, que no caso é essa: https://www.youtube.com/watch?v=bR2LoN7AWHo