Born to Die

2 Comes the Morning


Notas iniciais
Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=zF6Xs0IrDyE Alvo como imaginamos: http://37.media.tumblr.com/7e16da4820280136f71b11236fd8adcd/tumblr_n269yxOOLs1s65m5no1_500.jpg (não dá pra ser diferente né haha)

– Alvo –

Comes the morning

When I can feel

That there’s nothing left to be concealed

Moving on a scene real…

Na manhã em que o mundo se tornou parcialmente mais cínico e sádico, eu acordei grogue, com um principio de dor de cabeça latejando na têmpora e uma esquisita sensação de desconforto e torpor que, embora eu só fosse descobrir posteriormente, me seguiriam pelo resto do dia.

A verdade é que eu nunca me levanto realmente feliz e disposto, mas dessa vez foi diferente. Lembro-me de sentir uma intuição básica, um formigamento embaixo da pele. Algo errado no ar. Barnaby e John, recém despertos, pareciam acometidos pela mesma coisa. Nós nos entreolhamos, sonolentos, numa disputa muda de quem tinha a cara mais amassada e foi aí, entre um esfregar de olho e um bocejo que notamos a cama vazia de Ethan e as cortinas de sua janela esvoaçando convidativas num prelúdio horrível do que nós três veríamos a seguir.

Aquela janela me atormentaria por meses inteiros, mas ali, naquele momento, só pensei em qual de nós teria sido idiota o suficiente para se esquecer de fechar o vitral em pleno inverno.

Eu me levantei e enquanto xingava a mim e a todos os meus colegas de quarto mentalmente, me debrucei sobre o parapeito da janela no intuito de alcançar seu fecho escancarado para o ar frio proveniente do lado de fora.

É um pouco surpreendente como gestos simples como esse podem desencadear uma fileira de eventos aleatórios tão arbitrários. A partir desse ponto, a sequência dos acontecimentos se tornou confusa: lembro que algo atraiu meus olhos para baixo. Lembro que minha expressão aguçou a curiosidade dos outros caras. Lembro do liquido escuro e gosmento que manchava a neve, e que eu só fui entender que era sangue depois de compreender que a figura disforme e esquisita embaixo de uma fina camada de gelo era um corpo.

Lembro de alguém gritando “Ethan!” em um lampejo de reconhecimento e de Barnaby correndo porta afora, ainda de pijama, no intuito de avisar o diretor e o resto do corpo docente antes que Hogwarts inteira despertasse.

O anuncio oficial foi pronunciado pelo diretor Longbottom logo após o café da manhã. Um silêncio mórbido e pesado se abateu sobre o salão comunal e pareceu incidir diretamente sobre o meu estomago já embrulhado. Se eu tivesse me atrevido a comer algo, teria vomitado ali mesmo, em cima do meu prato. Sei que não é uma imagem mental muito bonita de se invocar, mas é a realidade.

O que acontece é que embora a morte esteja impressa em todas as histórias da minha família, dos meus pais e do contexto em que eles viveram, a única vez que tive real contato com ela até então foi quando Bilbo, meu ferret, faleceu.

Era um bicho adorável, mas nem de longe a experiência pode ser comparada. Bilbo conseguia fazer truques fascinantes e abrir minhas gavetas, mas Ethan era uma pessoa saudável que sorria e falava e fazia observações divertidas sobre qualquer coisa até o dia anterior. Nós não éramos incrivelmente amigos, mas nos conhecíamos desde os onze anos e dormíamos no mesmo dormitório há seis, o que acaba conferindo certo tipo de credibilidade e confiança na pessoa. Além disso, a sensação de surpresa (ninguém em sã consciência, nem mesmo um individuo com tendências a duvidas e vazios existenciais como eu, espera que uma pessoa de dezesseis anos simplesmente morra) transmitia a falsa ideia de que tudo não passava de um tremendo engano.

– Isso é tão fodido. Sinto como se não fosse conseguir dormir nunca mais. – John murmurou. Uma coisa importante sobre John é que ele geralmente costuma se portar como alguém recém-saído do século passado. Suas roupas de escola sempre bem passadas por ele próprio, o espírito analítico, a maneira educada, todos esses trejeitos da alma velha dele me faziam pensar no cheiro de móveis antigos e em como ele seria feliz vivendo em 1960, andando em um campus de alguma universidade trouxa com uma bicicleta e muitos livros de astronomia e física embaixo do braço e nunca, nunca dizendo algo como “fodido”, o que, alias, ele nunca diria em qualquer outra situação também, mesmo vivendo em 2023. Com essa observação espero que fique claro o quanto ele também estava transtornado.

Sussurrei algo incompreensível em sinal de consentimento e nós continuamos a andar juntos, sem rumo pré-definido. Por conta da morte de Ethan, as aulas do dia foram canceladas, de modo que nós podíamos fazer esse tipo de coisa sem peso na consciência, embora estivéssemos com a consciência pesada: tanto John Ingram quanto eu estávamos nos perguntando o que havíamos feito ou deixado de fazer para não perceber que aquilo estava se aproximando.

Eu pensei, não pela primeira vez, na carta de suicídio que tínhamos encontrado e em como aquilo não soava absolutamente em nada com Ethan. Ele havia escrito que a vida era irremediável. O Ethan ao qual estávamos acostumados riria maldosamente de alguém que dissesse isso. Em que momento ele havia se tornado uma figura patética para si mesmo? Nos últimos tempos ele parecia um pouco tenso, mas não como se estivesse caindo em um buraco interno da onde não conseguiria sair.

Era tudo realmente muito fodido.

– Hey. – Hugo nos alcançou em algum lugar entre o terceiro e o quarto patamar. Pela maneira como seu rosto estava corado, ele com certeza tinha corrido para chegar até a gente.

John acenou com a cabeça e eu encarei meu primo, um pouco perdido.

Nós costumávamos matar o tempo juntos. Eu, ele e Lily, apesar dos dois serem mais novos do que eu. A coisa é que eu não tenho muita paciência ou habilidade para me tornar amigo das pessoas e depois que Rose decidiu – ainda no primeiro ano — que a vida era mais divertida sendo dupla do meu irmão mais velho, eu passei todos os meus anos em Hogwarts dividido entre os meus colegas de quarto e minha irmã e primo mais novos.

– Oi. – Eu disse, por fim.

– Eu só queria confirmar se você está legal ou se precisa de algo. – Hugo disse, um pouco incomodado com a presença de John. Ele preferiria que estivéssemos conversando a sós, mas deve ter percebido de algum modo que isso não aconteceria.

– Eu estou bem. – Falei no automático.

– Tá. – Respondeu, coçando a cabeça. – Então tá. Se você precisar de algo... Lily e eu estaremos na torre oeste.

Eu assenti com a cabeça, me sentindo um pouco culpado depois que ele saiu. A verdade é que eu não me encontraria com eles e Hugo sabia disso. Não havia nada que eles pudessem fazer por mim. Não que houvesse algo que John pudesse, mas ele entendia o meu choque e havia algo de seguro em estar perto de quem tinha passado pela mesma situação bizarra que eu.

– Ele fez um bom jogo pela lufa lufa semana passada. Esqueci de cumprimentá-lo por isso. – John observou de maneira genérica.

Quadribol era um bom assunto. Não havia neve ou sangue ou pescoços quebrados no tema. Eu me senti internamente grato por John ter nos conduzido a um dialogo sobre voos, próximas partidas das casas e o perigo que a Grifinória teria com o time que Hugo havia estruturado agora que era capitão do time da casa dele.

Nós estávamos chegando a um real nível de distração quando dois pergaminhos em forma de aviõezinhos voaram em nossa direção. Agarramos ao mesmo tempo e nos entreolhamos antes de abrir. Parecia estranho que aquele dia ficasse ainda mais inusitado, mas foi exatamente isso que aconteceu:

Se você recebeu esse bilhete é por que, de alguma forma, mantinha contato com Ethan Morrison. Caso você também acredite que o atestado de óbito de Ethan é suspeito, sinta-se convidado para participar da investigação sigilosa que abriremos em decorrência de sua morte.

PS.: Esse pergaminho foi enfeitiçado para reconhecer determinados sinais psíquicos. Caso você considere esse bilhete uma tremenda besteira, ele se auto incinerará em 10 segundos, portanto, aconselho que tire suas mãos dele agora. Caso você o ache relevante, ele permanecerá ileso e legível apenas para você até a hora da reunião. Mantenha-o por perto e ele te mostrará o caminho em breve.”

Aquilo era esquisitice do mais alto nível, mas nem John nem eu soltamos os papeis e eles tampouco pegaram fogo.

– O que isso diz sobre nós? – Eu perguntei a Ingram, que encolheu os ombros, um tanto quanto assustado. Eu enfiei o papel no bolso da frente, incomodado. – Não pode ser uma piada, pode?

– Apenas uma pessoa muito doente faria piada sobre isso. – John disse.

– Apenas uma pessoa muito doente faria isso para valer. – Eu rebati.

– Não é tão louco se você parar para pensar. Nós dois também não acreditamos que Ethan se jogou daquela janela. Caso contrário, o papel teria virado cinza. – Eu abri a boca para responder, mas ele continuou. – É claro que pode fazer parte do choque ou do luto, mas...

John deixou a frase morrer no caminho de propósito. Ele estava certo. Havia algo de incomodo na história. Poderia não ser nada, mas poderia ser algo. E se de fato fosse algo, estava nítido que iria nos atormentar enquanto não descobríssemos o que era.

No momento em que nos olhamos com a certeza de que participaríamos da reunião por mais absurda que ela fosse, os papéis se moveram e nós fomos atrás deles, a princípio a passos rápidos, mas, logo em seguida, correndo para acompanhar. Subimos escadas, viramos em corredores estreitos, passamos por mais degraus... Até chegarmos a um corredor escuro e revestido de pedra.

Meu senso de direção me dizia que estávamos entre o quinto e o sétimo andar, mas havíamos nos esforçado tanto para chegar ali que eu sinceramente não tinha convicção nenhuma.

Me ocorreu então que esse era exatamente o plano da pessoa que havia enfeitiçado os pergaminhos e que talvez Ingram e eu fossemos dois idiotas sendo atraídos para uma emboscada por desconsiderar a regra materna básica de não falar com estranhos.

John sacou sua varinha a medida que nos aproximamos da porta redonda no final do corredor. Havia uma tocha acessa flutuando ao lado da maçaneta. A luz da vela bruxuleava de maneira macabra nas paredes de pedra. Eu agarrei o meu pergaminho no intuito de lê-lo novamente e ele esquentou na minha mão, de modo que o soltei e me concentrei em respirar de maneira regular para não parecer o medroso que eu era.

– Isso é estúpido. – John murmurou com a mão na maçaneta. Eu sabia que ele estava esperando uma confirmação da minha parte. Sabia que se dissesse “vamos dar o fora daqui”, ele concordaria e não olharia para trás.

– Completamente. – Eu respondi, me adiantando e abrindo a porta num impulso.

Havia um circulo de cadeiras com nomes no espaldar. A minha e a de John estavam próximas e nós nos sentamos nelas, ainda desconfortáveis e tensos.

Senti vontade de vomitar pela terceira vez em menos de cinco horas.

Aos poucos, outras pessoas foram chegando e tomando seus lugares. Muitas cadeiras moveram-se sozinhas para fora do circulo e eu supus que se tratava dos assentos de quem não tinha levado o convite a sério. Percebi o nome de Barnaby em uma dessas.

No fim das contas, estávamos em oito:

Eu, John, Rose, Rox, Malfoy, Dawson, Jones e Louis.

Sei que Weasleys são prolíferos, mas foi desconcertante perceber que tinham mais primos ali do que desconhecidos.

– Bom. – Louis se pronunciou ao perceber que ninguém mais chegaria. – Está melhor do que pensei. Achei que seria só eu. – Ele ajeitou sua gravata azul da Corvinal. Estava se esforçando para soar calmo, mas parecia visivelmente ansioso. Seu pomo de Adão subia e descia em um desespero mudo, como se ele estivesse engolindo o choro diversas vezes seguidas.

Louis tinha traços quase andrógenos herdados de tia Fleur que pareciam acentuar sua fragilidade naquele momento. Seus olhos claros estavam enevoados e circundados por olheiras fundas. Ele sim parecia uma pessoa a beira de uma atitude drástica como suicídio.

– Como vocês foram informados, nós estamos aqui para debater sobre a morte de Eth... – Sua voz falhou. Ele havia entrelaçado ambas as mãos, e ainda assim era visível que elas tremiam. Um incômodo crescente foi tomando conta de mim. Nós mal nos falávamos na escola, mas era triste assisti-lo assim. Era como ver um acidente acontecendo: um carro desgovernado indo em direção a um precipício. – Ethan Morrison. – Concluiu. – Ethan era... Especial. A melhor pessoa que já conheci. E ele era uma alegria pulsante. Mais cedo, eu falei com o diretor Longbottom. Ele me deixou ler a carta de suicídio que os colegas de quarto de Ethan encontraram... – nesse momento, ele olhou para mim e para John brevemente. – E aquilo é surreal. Não há uma palavra naquela carta que lembre Morrison. Sabemos que ele não se matou. Nesse caso, precisamos descobrir quem o fez.

Até então, eu não tinha a menor ideia de que Louis e Ethan eram tão próximos, mas isso não diminuiu o tamanho da minha compaixão pelo meu primo naquele momento. Ele havia dito o nome do meu colega de quarto com uma carga emocional tão grande que pareceu errado que eu ou qualquer pessoa estivéssemos ali para presenciar seu luto óbvio, bruto, sincero e assustador.

Foi por isso que desviei os olhos de sua figura e me concentrei nas outras pessoas presentes:

Abigail Jones parecia tão desconfortável quanto eu. Seus olhos redondos e escuros estavam fixos nas próprias mãos. Ela era monitora e veterana da nossa casa, embora sua estatura de uma criança de treze anos dissesse o contrário. Eu não tinha ideia de qual era a relação dela com Ethan, mas considerando que ela fazia parte de vários grupos estudantis distintos e parecia conhecer tanta gente quanto meu irmão mais velho, não me surpreendi ao vê-la ali. Jones era uma dessas pessoas muito alegres e muito solicitas pelas quais eu nutro uma quantidade exata tanto de admiração quanto de tédio. Ela não parecia alegre naquele instante, obviamente, mas havia uma nítida vontade de ajudar.

Próxima a ela, Isobel Dawson, uma lufana que era do meu ano. Ela estava sustentando o olhar de Louis com uma coragem que nem eu nem nenhum dos outros tinha naquele momento.

Havia algo de curioso nela. Eu a via com frequência andando com Ethan. Ela tinha um ar mórbido e melancólico de quem tinha acabado de saltar de um filme do Tim Burton para a vida real: seus olhos gigantes, o cabelo castanho, a franja e a beleza não-padrão. Naquele momento ela vestia um de seus inúmeros vestidos de gola de boneca ao invés do uniforme. Era preto, assim como sua meia calça e botas. Eu me perguntei se era em respeito ao morto e, se sim, quão trouxa e antigo era esse hábito. Acho que em determinado momento ela percebeu que eu estava olhando-a, porque se virou para mim, ao que eu desviei o olhar prontamente. Isobel Dawson me incomodava e me inquietava de uma maneira pouco racional.

Eu estava feliz que existisse uma distancia física confortável entre a gente.

Já Rox estava do nosso lado. Embora exista algum tipo de tensão sexual mal resolvida entre ela e John, eles fazem um bom trabalho ignorando isso sendo melhores amigos. Assim que a viu, John pareceu ceder metade do peso que vinha carregando durante todo o dia e, com o canto do olho, eu vi que a mão dele estava sob a dela num gesto de apoio.

Logo após ela, se encontrava minha outra prima. O rosto de Rose estava semi escondido pelo cabelo ruivo revolto. Sua expressão era a mesma máscara bonita e enigmática de sempre, de modo que não consegui deduzir o que ela estava sentindo. Ela e Ethan costumavam ser a dupla um do outro nas aulas de poções porque eles eram os melhores na matéria.

Com detalhes verdes da sonserina idênticas as de Rose, Scorpius Malfoy encarava o chão com o cenho franzido. No primeiro ano, ele e Ethan eram tão amigos quanto Rose e eu, mas depois foram se distanciando, assim como nós. A explicação para ambos os fatos era a mesma e, não, não se tratava de uma coisa boba entre Grifinória e Sonserina e sim de uma outra coisa boba chamada James Sirius Potter, também conhecido como meu irmão mais velho.

– Vocês sabem... Eu posso conseguir a carta se vocês quiserem. – Aparentemente, só o infeliz ato de pensar em James, faz com que ele se materialize.

Eu girei os olhos.

– James, esse é um grupo privado. – Louis anunciou, apertando os maxilares quando meu irmão foi, muito confortavelmente, pegando um assento para si.

– Claro, Lou. – Ele piscou, passando uma perna por cima da outra. — Um grupo privado que precisa de um voluntário incrível o suficiente para conseguir roubar a carta de suicídio original da mesa do diretor Longbottom. Só assim vocês poderão fazer algo alem de conjecturar sobre suicídio ou assassinato.

Todo mundo se manteve em silencio.

– Estou errado? – Sorriu e então Rose pinçou o nariz com o polegar e o dedo indicador, como uma mãe frustrada por ter um filho desobediente demais.

– James, todos nós sabemos que você odiava Ethan. – Rox quem disse, em sua habitual voz diplomática. – Não há razão para você estar aqui.

– Uma pessoa não pode ter bom coração? – Ele questionou e eu me transformei em uma gigante bola de vergonha alheia.

– Jay. – Rose sibilou, tornando o apelido dele uma ameaça clara.

– Tudo bem então. Deixa eu formular melhor. Uma pessoa não pode ficar entediada?

Louis se levantou ultrajado e pareceu, por um instante, que ele ia avançar para cima de James (o que fisicamente era uma péssima ideia, já que James tem pelo menos quinze centímetros a mais e uma constituição física melhor). Isso fez com que Rox também se levantasse instantaneamente para apartar qualquer tipo de briga que pudesse vir a acontecer e James ergueu os braços em um claro sinal de redenção.

– Desculpa. – E pela primeira vez desde que ele entrara sem permissão, ele parecia sincero. – Desculpa. – Repetiu, encarando Louis.

– Você não é bem vindo aqui. – Lou disse entre dentes.

– Eu sei. – Concordou. – Mas sou necessário aqui. Tenho certeza de que todos vocês e seus cérebros gigantes vão conseguir pensar e coletar outras pistas, porem essa é essencial. Se ninguém pegar a carta original logo, ela será enviada a família do morto junto com todos os seus outros pertences e vocês nunca vão ter certeza se é uma carta falsa ou não. Estou disponibilizando meu tempo para isso. Eu posso roubar a carta por vocês.

– E porque você faria isso? – Perguntei.

– Para impressionar Abigail, é claro. – Abigail Jones girou os olhos e cruzou os braços. – E porque eu gosto de desafios.

– Eu não confio em você. – Louis quem disse.

– Ninguém confia. – Jones tomou a palavra. – Mas ele está certo. Se um de nós for com ele, acho que não há motivo para barrar o plano. Exceto Malfoy – Ela disse, justamente quando ele estava pronto a se pronunciar. – Nada contra você, Scorpius, mas vocês são melhores amigos e você tem de concordar que Louis poderia suspeitar disso.

Ele encolheu os ombros, vencido. Eu imaginei que existia a possibilidade de ele estar ali apenas por consideração. Pela memória do melhor amigo de infância.

– Você pode ir comigo. – James disse para Abigail que, surpreendentemente, não discordou.

– Parece uma ideia razoável. – Rose opinou. – O que você acha Louis?

As mãos de Louis voltaram a tremer.

Ele ponderou um pouco e então assentiu.

Eu olhei para John.

Então era isso:

Nós havíamos acordado, visto o cadáver do nosso colega de quarto e agora estávamos participando de algum tipo de investigação extraoficial sobre sua morte. Parecia muita coisa para um dia só, mas a verdade é que eu ainda nem tinha ideia do que estava por vir.