Born to Die
35 Um amor que continua
Notas iniciais
Marina estava deitada no chão do estúdio, com a cabeça no colo de Clara, Gaby engatinhava pelo chão perto das mães, Vanessa mexia em algo no computador e Gisele e Flavia limpavam as lentes, Marina voltava aos poucos ao trabalho. A dançarina abaixou o rosto e deu um selinho na mulher, a filhava das duas rolava e colocava a perninha para cima, elas riam, Gaby era o símbolo perfeito da reunião das duas, uma afirmação do amor que sentiam uma pela outra. A menina voltou a engatinhar e foi até Marina, que deu um beijo na filha, a pequena afastava a alça do vestido que a fotógrafa usava, colocando a cabeça entre os seios da mãe, que sabia o que aquilo significava, logo a mulher a colou no colo e Gaby tomava seu leitinho:
Vanessa: Ela não esta muito grande para continuar mamando?
Clara: Leite da mãe é o melhor alimento para uma criança. E eu e Marina ficamos muito felizes pela Gaby gostar de mamar. — Marina passava a mão no rostinho da filha que a olhava com atenção. Vanessa voltou ao trabalho.
Marina: Amor, eu estava pensando na Bo. Acho que deveríamos visitá-la. E levar a Gaby.
Gisele: Quem é Bo?
Clara: Uma menininha que a gente conheceu no consultório do Filipe, uma graça. Acho que tem mais ou menos dois meses que a conhecemos.
Marina: E os olhinhos puxadinhos são tão lindos. Vocês precisavam ver como a Gaby se deu bem com ela.
Gisele: Olhinhos puxados é? — Marina sorriu largamente. — Eu lembro de você falando anos atrás em ter uma chinesinha.
Marina: Nossa Gi, você foi longe agora. Isso faz anos.
Clara: Vou ver se consigo arrancar o endereço do orfanato com o Filipe. Aí a gente faz uma surpresa para Bo. — Sorriram uma para outra e voltaram a observar Gaby manando.
Foram visitar Bo ainda naquela semana, a menina vibrou com a presença delas e especialmente por ver Gaby. Ela apresentou cada criança no orfanato e todas ganharam chocolate, que Marina levou. Elas descobriram que a pequena chinesinha adorava dançar e sonha em fazer aulas de balé, Bo também amava quebra cabeças e qualquer brinquedo que envolvesse montagem. Conversaram também com Jessica para saber mais sobre a menina.
Jessica: A Bo chegou aqui com um ano de idade. A família sofreu um acidente de carro, o pai e mãe que estavam na frente morreram na hora. O irmão mais velho ficou em coma por uma semana e morreu, só ficou ela. Ela é adorável, se dar bem com todas as crianças daqui e por incrível que pareça, mesmo sem ter contato com pessoas que tenham decência chinesas, ela gosta de ouvir histórias sobre a China. Um dia ela viu uma reportagem na TV e percebeu que as pessoas de lá pareciam com ela. Aí foi que ela se interessou, compramos até algumas roupas com o estilo de lá e são as peças favoritas dela.
As mulheres riram, voltaram atenção para a menina que brincava com Gaby no chão. Gaby passava mão no rosto de Bo e a chinesinha ria fazendo Gaby rir também.
DOIS MESES DEPOIS
Marina: Posso falar com você?
Vanessa: Fala chefa! — Foi até a garrafa de whisky. — Quer? — Marina afirmou que sim.
Marina: Tem alguns dias que quero falar com você, mas não encontro um momento a sós. — Respirou fundo. — Eu e Clara decidimos adotar a Bo. Nos apegamos muito a ela.
Vanessa: Eu acho precipitado. A Gaby ainda é nova e você são casadas a pouco tempo.
Marina: Ouvimos muito isso, até da Chica, mas … pode até parecer besta o que eu vou dizer, só que quando eu fui sequestrada, pode ter sido por um dia, mas é o suficiente para um filme passar por nossas cabeças... Todos as conquistas, todas as mulheres, toda a fama e dinheiro que eu tinha até ali, tudo pareceu tão são importância, mas a Clara... a lembrança dela... o sorriso dela vinha na minha mente, no meu coração e aquilo me dava esperanças, sabe? Voltar, para estar com ela, para ter uma vida com ela. — Vanessa estava sem entender. — E eu voltei e eu não quis deixar o tempo passar, afinal tudo o que eu queria era estar com ela. … E qual o problema se nos casamos cedo demais? Ou tivemos filho cedo demais? Eu poderia não ter voltado, eu poderia não estar agora com a mulher que eu amo e com a linda filha que temos.
Vanessa: Eu não estou entendendo onde você quer chegar?
Marina: Eu me casei com a Clara para ser feliz. Mas, também para fazê-la feliz, porque como eu disse, o sorriso dela... ele é tão precioso para mim. E eu preciso daquele sorriso, Deus sabe o quando eu preciso.
Vanessa: Mas, por que você esta falando isso para mim.
Marina: Por causa da Flavinha. Eu vejo o olhar dela para a Gaby, para o Renatinho... e Vanessa, você é teimosa, birrenta, sempre diz que não nasceu para ser mãe e ainda sim é tão paciente com o Renato e Gabriela. Então, eu acho que você deveria considerar a possibilidade de ter um filho sim. Se não por você, pela Flavinha.
Vanessa: Eu não me sinto confortável com isso. Crianças dão tanto trabalho.
Marina: E tantas alegrias. A Gaby quando acordo, antes de mamar ela gosta de ficar passando o rostinho no meu e no da Clara. Ela encosta na nossa bochecha e faz um carinho e … — Os olhos da fotógrafa enchiam de lágrimas ao falar da filha. — Quando eu olho para ela eu sinto que o meu amor e o da Clara encontrou uma forma de continuar vivo, porque um dia não vamos estar mais aqui, mas nossos filhos e netos... vão e é um modo de nosso amor se manter vivo. Porque em algum momento, decidimos parar de viver cada uma a sua vida e ter uma vida só. A Gaby é isso ára gente. E agora a Bo e quantos mais vier. É o nosso amor vivendo para além de nós. Pensa na Flavinha, pensa em vocês, no amor de vocês e se você que ele morra com as duas, ou que ele encontre uma forma de continuar vivendo. — Vanessa deu um gole no whisky. — E mais, a Flavinha vai comigo e com a Clara no orfanato.
Vanessa: Fazer?
Marina: O processo de adoção ainda vai demorar um pouco, mas a Jessica liberou a Bo passar o final de semana com a gente. E a Flavinha pediu para quando a gente for pegar a Bo ela ir também. — A ruiva apenas afirmou com a cabeça e voltou a beber.
O fim de semana veio rápido e Flavinha adorou conhecer mesmo que rápido as crianças do orfanato, prometeu voltar com mas tempo, já que elas estavam ali para pegar Bo. A menina veio feliz e Clara logo a pegou no colo, dando um beijo no rosto, aproximou a menina de Marina e Gaby, que também ganharam beijou. Flavinha olhou encantada para chinesinha e virou a tia Flavi! Logo estavam no carro. Flavinha e Clara na frente e Marina atrás com as crianças. Estavam na direção do SPA de Nicky.
A pequena tinha voltado para o Brasil e como Clara previu, ela estava noiva de Luiza. O SPA estava quase pronto para inauguração, mas Nicky preferiu oferecer um final de semana para os amigos e saber a opinião de todos sobre o lugar.
A sobrinha de Clara deu a luz a um menino, James, nome do avô de Nicky, a ex agente assumiu a criança junto com Tony, o pequeno era a cópia do pai. Tony tinha ido para os Estados Unidos, um mês depois que ela partiram, lá ele se aproximou de Patrícia, que no final das contas assumiu relação com ele e também a criança, mas com um preço, o pai virou as costas para ela, a mãe não a deixou desamparada, mas ela se viam pouco, Roberto é que dava apoio incondicional a irmã e virou padrinho da menina que ela teve, a pequena Laura.
Quando viu Clara, Luiza correu e se jogou nos braços da tia, ambas choraram quando se viram. Gisele, Murilo, Luana, Rafael, Renato e Vanessa já estavam por lá.
Clara: Minha bonequinha, nem acredito que você já esta aqui no Brasil de novo. Eu sentir tanto sua falta.
Luiza: E eu a sua tia. — Abraçou Clara também e depois Marina, ela então olhou para Gaby. — Ela é tão linda. — Luiza estendeu os braços e Gaby foi para o colo dela.
Nicky: Sereia, Docinho... — Nicky estava sempre com um sorriso gigante no rosto. E as duas abraçaram ela. — Nossa, a filhinha de vocês é tão linda. — Falou olhando para Gaby. — Logo depois viu uma menininha do lado de Clara. — E essa adorável chinesinha, quem é?
Bo: Eu sou a Bo.
Luiza: Ei Bo. — Abaixou com Gaby no colo.
Marina: Ela é a nossa princesa de olhinhos puxados. — Bo conheceu todos os amigos de Marina e Clara e se enturmou rápido.
Nicky construiu o SPA em um sítio, ficava no Rio, mas fora da cidade, ela e Luiza viveriam ali. O local foi reformado, a casa principal virou o prédio principal com vários quartos. Mas, também tinha chalés para quem quisesse mais privacidade. Em um grande quiosque funcionava um restaurante vegano. Clara ajudou a pequena a montar uma academia por ali, mas área para ioga e pilates. Marina amou a parte das banheiras de hidromassagem e também a piscina. Era um local agradável para quem procurava paz e descanso.
As crianças brincavam pelo gramado, enquanto os pais estão de olho. Várias esteiras se estendiam pelo chão. Renatinho já andava, todo durinho e todos riam. James e Laura também ensaiavam os primeiros passos, Gaby ainda engatinhava e Bo corria, dançava e voltava para perto de Gaby, pois adorava ficar com a futura irmãzinha. Vanessa olhou para Flavinha, viu o brilho nos olhos da esposa, enquanto ela observava as crianças. Viu Clara e Marina abraçadas, com sorrisos cúmplices, o mesmo viu em Rafael e Luana. Até Nicky estava diferente após ter um filho. A ruiva sorriu, aquele final de semana estava mexendo muito com ela.
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