Born to Die
36 Não aprendi dizer adeus
Notas iniciais
ANOS DEPOIS
Marina acordou primeiro que Clara, algo que estava acontecendo muito naqueles dias, ela se movimento silenciosamente e com cuidado para esposa não acordar. Assim que saiu do quarto viu a porta do quarto de Gaby aberta, a filha não estava no quarto, então, abriu a porta do quarto de Bo e como previu, a filha mais nova dormiu no quarto da irmã mais velha, a televisão ainda estava ligada no canal de desenhos. Marina desligou o aparelho e foi acordar as meninas para irem para escola.
Bo já estava com sete anos. Demorou quase um ano para que Clara e Marina conseguisse a adoção da menina, mas a pequena chinesa foi recebida com festa e com muito amor. A pequena era louca pela mães e pela irmã mais nova. Ela sempre andava pelo estúdio observando o trabalho por lá, mas, era um olho no trabalho todo e outro em Gaby, para que a menor não esbarrasse em nada e se machucasse. As mães logo notaram o interesse da menina nos figurinos, Bo amava desenhar roupas e dá palpite nos ensaios e tinha talento. Gaby ainda estava no quatro anos, era uma pequena espoleta. Amava correr, dançar, pular, era um pouco desastrada, sempre se esbarrava em algo o que deixava as mães e irmã preocupadas. Chica dizia que ela tinha o comportamento de Clara quando pequena. Gaby sorria, abraçava Clara e dizia que falava para todos:
Gaby: Vovó disse que eu sou igual a mamãe. — E saiu correndo e sorrindo.
O apartamento de Flavinha e Vanessa ficavam no caminho da escola, então Marina sempre passava por lá para pegar Márcio e levar as crianças no colégio junto com Flavinha. Vanessa ia direto para o estúdio. Márcio, era filho de Flavinha e Vanessa, que depois de muito insistir, acabou indo com Flavinha conhecer o orfanato onde Bo morou. O menino que na época tinha dois anos se encantou com Vanessa, pois era ruivo como ela, Flavinha logo se apaixonou por ele e por fim, acabaram adotando. Márcio tinha seis anos agora e estava sempre na casa de Marina, já que as mães ficavam o dia trabalhando por lá.
Assim que deixaram as crianças na escola Marina e Flávia voltaram para o estúdio, Clara ainda dormia e Marina ia acordá-la. A fotógrafa ria, dizendo que ela inverteram os papéis, já que a dorminhoca sempre foi Marina. Clara resmungava e dizia que era tudo culpa dos genes de Marina, já que a morena estava grávida e dessa o óvulo tinha sido o da fotógrafa.
Os dias passavam tranquilos, a convivência era harmoniosa. Clara terminou o curso de fotografia, Marina até pensou em montar uma grande exposição para amada, mas a morena não quis. Então, ela sempre exibia algumas das fotos nas exposições de Marina e Flavinha. Vez ou outra ela abria algum curso de dança, que era sempre requisitado. Também ensina as filhas a dançarem. O hábito criado entre ela e a esposa de dançar, não parou. Sempre que podiam estavam embaladas por uma boa música.
Marina parecia viver um sonho, estava ao lado da mulher que amava, com duas filhas lindas, a carreira cada vez melhor. Ela sempre ousava nas fotografias e procurava se reinventar. Tinha o pai por perto o que a deixava feliz. Já que Diogo estava cada vez se fixando no Brasil para ficar com as netas.
Era quinta a tarde, o estúdio estava sem movimento, Marina, Bo, Clara e Gaby brincavam na piscina. Gaby usava a boia, Bo já tinha aprendido a nadar perfeitamente, ensinada por Marina, a barriga de Clara começava a aparecer.
Bo: Mamãe, quando é que você vai saber se é menino ou menina?
Clara: Amanhã, minha princesa.
As meninas estavam ansiosa para saber se teriam um irmão ou uma irmã. As duas diziam que queriam um irmão. As mães gostavam da ideia de terem um menininho, mas desejavam apenas que a criança nascesse com saúde. Passaram o resto do dia se divertindo e como esperado, as meninas dormiram cedo de cansado. Clara e Marina aproveitavam para namorar um pouco, mas, não prolongaram a noite porque amanhã cedo tinha consulta. Foram acordadas pelas filhas que pediam para irem junto. De início a fotógrafa disse não, mas a dançarina ficou com pena e disse que não teria problema se elas faltassem o primeiro horário da aula, por fim Marina concordou. Os hormônios da gravidez deixaram Clara um pouco sentimental demais e a fotógrafa as vezes tinha que contornar a situação, porque se as meninas descobrissem que Clara estava melosa, com certeza aproveitariam para aprontarem.
Foi uma festa quando o aparelho do ultrassom foi ligado, as duas mamães amavam ouvir as batidas do coração do bebê. E as meninas vibraram quando descobriram que o tão sonhado irmão estava no caminho. Ambas queriam escolher o nome, as mães riam e pediam calma. A euforia foi tanta que não foram para escola, foram todas para shopping, cada uma teria direito de escolher um presente para pequeno que chegaria em breve.
Tudo parecia flores, mas não era. A situação de Gisele preocupava a todos. Já fazia um ano que ela tinha sofrido um acidente, no carro estavam ela, Murilo e Davi, filho do casal de cinco meses. Um motorista bêbado jogou o carro contra o deles. O impacto foi no funfo, de início Murilo estava lá bem, apenas com arranhões, mas não suportou ver o filho e a mulher em perigo dentro do carro. Não esperou os bombeiros chegarem, entrou no veículo, tirou Davi primeiro, o pequeno chorava de dor, depois tirou Gisele, com ajuda das pessoas que estavam fora, Gisele foi puxado para fora do carro por alguém que passava perto e viu Murilo tirando tentando salvar a família, mas antes do rapaz sair, o carro explodiu, ele morreu ali mesmo. Davi chegou vivo no hospital, mas o corpo tinha sido esmagado e ele não resistiu muito tempo. A prima de Marina acordou depois de um mês, nas palavras dela, acordou no inferno. Ela morava com Ricardo e Chica agora, mas estava em profunda depressão, todos se esforçavam mais ela parecia não querer voltar a vida. Nunca teve a coragem de ver onde Murilo e Davi foram enterrados. Mas, não paravam de tentar, acreditavam que Gisele poderia dar a volta por cima. Quem também não estava bem era Ceci, a cantora estava com a vida para, se envolveu com uma mulher, que era traficante, Cecília vivia em prisão domiciliar, as vezes ainda mandava e-mails para Marina, que nunca eram lidos.
Mas assim é a vida. As vezes perfeita, as vezes quase perfeita ou até mesmo uma droga. Mas, ela vai seguindo. Marina por exemplo, apesar de estar em um momento brilhante de sua vida pessoal e profissional, já não viajava como antes, porque quando ia, gostava de ter a presença da mulher e das filhas, então sempre vazia o possível para conciliar as agendas de todas, algumas vezes não dava e a fotógrafa tinha que ir assim mesmo, ia um pouco triste, mas voltava correndo. Clara também não curtia a esposa viajar sem a presença dela e não descansava até a mulher entrar pela porta. E assim tudo ia seguindo.
Depois de um dia longo de trabalho, a fotógrafa entrou no quarto e encontrou a esposa sentada com um bico no rosto. Marina gargalhou ao ver a cena:
Marina: Amor, que cara é essa? Esta parecendo que criança emburrada porque não pode comer chocolate.
Clara: Você demorou! — Marina se aproximou e deu um selinho no bico que ela fazia.
Marina: Muito trabalho no estúdio. E não podia vir para quarto sem dar uma atenção as meninas. Fiquei um pouco com as duas, mas pegaram no sono rapidinho.
Clara: É lógico. A Lua inventou aquele concurso de pintura e elas pintaram praticamente todos os fios dos cabelos.
Marina: Pelo menos elas se divertiram.
Clara: Eu também quero me divertir. — Deu um sorriso safado. — Tira a roupa amor.
Marina: Clarinha, você esta com cinco meses. Nessa época meu apetite sexual já tinha baixado.
Clara: O meu não. — Levantou e trancou a porta. Mudou a luz do quarto e ligou o som em uma música sensual. — Não se nega desejo de grávida. Tira a roupa amor.
Marina viu que não poderia teimar e assim que Clara sentou na cama, começou a dançar sensualmente e tirava a roupa lentamente. Dessa forma caminhava a união entre as duas, partilhando todos os momentos. Elas que no passado, pareciam que o mundo era feito apenas para loucuras da vida de solteiras, encontraram no casamento o prazer, as loucuras, as delícias de viverem juntas. Porque uma já não existia sem a outra, eram um só. E Marina dançava, dançava para sua amada, que assistia atentamente e apaixonada.
NASCIMENTO DO BEBÊ
Os meses passavam, a barriga de Clara ficou enorme e a mesma reclamava do cansaço. As meninas estavam empolgadas para o nascimento do irmão. Depois de muitas discussões, chegaram a conclusão que o menino se chamaria Mateus. E foi durante a madrugada que Mateus deu sinal que queria vir ao mundo. Marina foi com Clara para o hospital, as meninas foram juntas, mas ao chegarem lá ficaram com avó, para que fotografia acompanhasse a dançarina na sala de parto. Mateus não chorou muito quando nasceu, como um bom filho de Marina Meirelles ele logo adormeceu. Tinha o rosto lembrava o dá fotógrafa, a cor da pele também, só não o cabelo, como desça vez o gene do doador masculino, imitava Clara, a cor do cabelo era o da ex professora de dança. Todos estavam em festa, Marina e Clara babavam pelo filho que tinha nascido, as irmãs estavam pulando de felicidade e cantavam para o bebezinho enquanto ele mamava no peito da mãe. As mães sorriam uma para outra.
Marina: Quando eu entrei na sala de dança e te vi... nossa, era como se você tivesse uma luz ao redor. E eu sou, era você o amor da minha vida.
Clara: Você entrou na minha vida para ser meu tudo. Eu quera não era de ninguém, nem imaginava ter uma família, nem uma a vida em conjunto.... hoje, já não sei viver sem você. Não sou nada sem você.
Marina: Eu te amo. Amo tanto!
Clara: Eu também te amo, meu amor.
Foi com lágrimas nos olhos que elas juntaram os lábios e depois se olharam, se perderam no olhar uma da outra e era essa a visão que bastava para as duas, a certeza que sempre estariam ali, que era apenas um coração.
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