Born to Die
4 Casal apaixonado?
Notas iniciais
As aulas de dança de Clara eram na segunda e quarta. Hoje era quinta feira, por mais uma aula, ela tinha encontrado com Marina e o clima de cumplicidade, sedução e sensualidade das duas só aumentava. A morena andava pelo shopping com a sobrinha:
Luiza: Então, você acha que eu devo aceitar
Clara: Não. Acho muito boa ideia de você passar um tempo fora do país. Mas, não com o seu namorado. É muito jovem para isso.
Luiza: Eu também acho que ir morar com ele fora do país, é um passo muito sério para uma relação. Ao mesmo tempo que eu tenho medo de machucá-lo.
Clara: Seu namorado é tão sensível e dramático. Não sei como você aguenta. — O celular de Luiza tocou, ela olhou no visor e estava escrito Jorginho. — Viu? Olha aí a Drama Queen ligando outra vez. É melhor você atender antes que ele tenha um ataque e quebre as unhas. Eu vou olhar as vitrines e esperar você.
Luiza se afastou para atender o telefone e Clara colocou-se a andar. Ela observava algumas vitrines, até que parou diante de uma, Clara olhava umas jaquetas de couro, um vício que a morena tinha, ficou para em frente a loja, esperando a sobrinha voltar. Sentiu alguém fechar seus olhos com as mãos atrás dela. Clara não acreditou que pudesse ser ela, mas sorriu e pronunciou o nome que ocupava cada vez mais sua mente:
Clara: Marina! — Disse com felicidade na voz. Virou de frente para a fotógrafa.
Marina: Como você... — Não teve tempo para completar a frase.
Clara: Te reconheci pelo cheiro.
Marina: Gravou o meu cheiro? — Marina tinha surpresa no olhar. Clara sorriu e a fotógrafa se aproximou da morena, passando os braços envolta da cintura de Clara a abraçando e dando um beijo perto da boca. Clara corou, logo depois se aproximou do ouvido de Clara – Meu corpo todo tem esse cheiro. Foi a vez da professora puxar Marina e depositar um beijo no pescoço da mesma.
Gisele: Marina, você saiu andando e nos deixou para trás. — Gisele, Vanessa e Flavinha se aproximaram das duas. — Oi Clarinha. — As meninas cumprimentaram Clara.
Marina: Desculpa meninas, mas eu achei ter visto a Clarinha e aprecei o passo para ver se estava certa. E estava. — Marina voltou a abraçar Clara, que não estava acostumada a esse tipo de carinho, mas retribuía.
Vanessa: Esta sozinha Clara?
Clara: Estou com a Lu, que foi atender a princesa do namorado dela no celular.
Gisele: Você adora implicar com ele né?
Clara: Garoto chato, pegajoso e dramático. — As meninas riram do comentário de Clara.
Flavinha: Estávamos indo para a praça de alimentação. Quer almoçar com a gente?
Clara: Eu aceito sim.
Marina: Então esperamos a Lu aqui com você. — Marina observou a loja. — Estava para em frente a essa loja, vai comprar alguma coisa?
Clara: Sim. Meu vício, jaquetas. Mas podemos fazer isso depois do almoço.
Marina: Por falar em jaqueta, você está muito sexy com essa. — Mas, o olhar de Marina demonstrava mesmo a vontade de arrancar a jaqueta de Clara e todas as outras roupas também.
Luiza: Oi meninas! — Luiza se aproximou delas e cumprimentou todas.
Clara: Então, agora podemos ir. Estou com fome.
Luiza: Tia, a sua fome não passa nunca. — Luiza dei risada e começou a andar com as meninas, Clara e Marina ficaram um pouco para trás. E a aluna segurou nas mãos da professora de dança, entrelaçando os dedos das duas. Clara ficou sem reação.
Marina: O que foi?
Clara: É que é novo para mim. Nunca andei assim. — Clara estava um pouco envergonhada.
Marina: Pois, para mim, é uma honra andar de mãos dadas com uma mulher tão linda quanto você.
Clara: Não sei como faz. Mas, você sabe como me deixar sem graça.
Marina: Impossível. Pois você é a coisinha mais linda e cheia de graça Clarinha. — Clara deu risada e ela saíram em direção a praça de alimentação de mãos dadas.
Elas fizeram os pedidos e foram para as mesas. Clara e Marina sentaram uma do lado da outra. Marina não perdia a oportunidade de fazer um carinho em Clara o que deixa a professora de dança envergonhada. Elas conversavam sobre muitas coisas e aproveitavam para se conhecerem melhor. Até que o celular de Luiza voltou a tocar. Antes que a sobrinha pudesse atender, Clara pegou o celular dela:
Jorge: Luiza, eu ainda não acredito que você vai mesmo perder a oportunidade de morar fora. — Falava com autoridade.
Clara: E aí Jorginho? — Clara falou com uma alegria que sabia que irritaria Jorge.
Jorge: Clara? Dá para passar o telefone para minha namorada?
Clara: De jeito nenhum! Ela está com a tia dela, almoçando em excelente companhias, não vou estragar o almoço de minha sobrinha deixando ela atender um telefonema seu. Preciso proteger minha sobrinha.
Jorge: Excelente companhias, hein? Aposto que deve ser alguma de suas amigas lésbicas. — Falava com desprezo na voz. Jorge vinha de uma família extremamente católica e preconceituosa. Ele não se dava bem com Clara, sempre tentando humilhar a tia da namorada, mas Clara não deixava barato, sempre irritando o namorado da sobrinha. — Você é uma péssima influência para a Luiza.
Clara: Você não diz quem é ou não boa influência para Luiza, eu posso, sou tia, você é só um mulequizinho que vive na barra da saia da mãe e que logo logo vai sair da vida de minha sobrinha. Mas, sim, minhas amigas são lésbicas e lindas e melhor companhia para Luiza que você. Que aliás, já está na hora de sair do armário. Porque, vamos combinar Jorginho, você é tão gay, que só falta espalhar purpurina por onde passa. — Jorge desligou o telefone na cara de Clara. — Acho que ele não gostou. — Tinha um sorriso divertido no rosto. — Enfim, ô Luiza já passou da hora de você dá um pé na bunda dessa “princesa”.
Luiza: Se fosse minha mãe que tivesse feito isso, eu ficaria irritada, mas você faz tudo de um jeito, que eu só consigo rir.
Clara: O namorado da Luiza, é uma praga. — Virou para as outras meninas. — Pegajoso, chato, se acha o rei. Mas, para mim, ele só rei do lubrificante e da rosca queimada. O meu gaydar só falta quebrar de tanto que apita para ele.
Vanessa: Eu gosto cada vez mais de você Clara. — Vanessa ria sem parar. Quase engasgou com a comida.
Clara: Não é sério. E o pior, esses dias ele veio com um papo de casamento. A Luiza só tem 20 anos. Não tem idade para isso. Tem mais é que aproveitar a vida. Minha mãe amou. Também, se dependesse dela até a filhinha da Ju, a Bia que tem 2 anos já estaria casada.
Flavinha: Eu acho que você é novinha demais para casar. Tem que curti a vida. — Disse olhando para Luiza.
Luiza: Eu não penso em casar agora. O Jorginho falou em casamento porque ele vai para Itália daqui a um mês e quer que eu vá com ele.
Marina: Itália é um ótimo país. É bom conhecer novos lugares. Mas, casamento é um compromisso muito sério para você.
Clara: Eu só contra. — Disse tomando um gole de refrigerante.
Gisele: Nunca pensou em casar Clarinha?
Clara: Eu não. Minha mãe é que pensa sempre.
Luiza: A vovó vive apresentando pretendentes a tia Clara.
Clara: Um mais idiota que outro. De vez em quando ele apresenta um cara legal, mas homem não é minha praia.
Flavinha: E por que ele te apresenta só homens? Não aceita que você é homossexual.
Clara: Ela não sabe. — Todas viraram para Clara sem entender. — É que eu acho ridículo eu ter que virar para ela e dizer: “Mãe, eu gosto de mulheres”. Eu também tenho um pouco de receio, mãe é mãe. Mas, eu dou todos os indícios para ver se ela percebe e nada. Toda minha família sabe, até o Ricardo já sabe. E eu acho que ela sabe, mas faz vistas grossas. — Clara deu uma pausa. – Eu não tenho medo dela rejeitar minha opção sexual. Mas, é que desde que eu fiz 20 ela se esforça tanto para ver que consegue me jogar num altar de igreja, que sei lá. Tenho medo de magoá-la.
Flavinha: Ela nunca te viu com uma mulher?
Clara: Nunca levo mulher para casa. Nunca durmo com uma mulher duas vezes. Nunca me envolvo.
Marina: Nunca se apaixonou? — Marina tinha os olhos fixos em Clara.
Clara: Não. Não me imagino apaixonada ou tendo uma vida do lado de alguém. — Aquelas palavras incomodaram Marina, ela sempre foi volúvel, nunca teve um relacionamento que durasse muito tempo, mais já teve paixões avassaladoras.
Marina: E se acontecer? — Apesar de incomodada, Marina matinha o olhar sedutor para Clara.
Clara: Eu sei que pode acontecer e se acontecer, não fugirei.
Marina: Então, você viveria esse amor?
Clara: Quando isso acontecer, farei questão de gritar para todos ouvirem o quanto amo minha mulher, assim como farei questão de amá-la todos os dias. – Clara devolvia o olhar fixo de Marina. O clima ficou quente por um instante na mesa. Até que Gisele deu a ideia delas assistirem a um filme no cinema antes de voltarem as comprar. Elas se empolgaram, Clara logo quis saber se tinha filme de terror em cartaz, Marina disse que tinha medo e preferia não assistir, pelo menos não no cinema, acabaram entrando na sessão de Guardiões da Galáxia.
Durante a sessão, sentaram nas cadeiras nessa ordem: Vanessa, Flavinha, Gisele, Marina, Clara e Luiza. Clara passou o braço envolta do ombro de Marina, esta aproveitou para colocar a mão na coxa exposta de Clara, que usava um short curto. Elas passaram a sessão provocando uma outra. Outra Marina fazia carícias na perna de Clara, ora Clara mordia Marina no ombro.
Após a sessão, elas voltaram a caminhar no shopping, fizeram algumas comprar. Marina não perdia a oportunidade de andar de mãos dadas com Clara, ou fazer um carinho na morena. Tudo era novidade para professora de dança. Mas, estas deixou que Marina a guiasse por aquele momento. Quem as observava, dizia que eram um casal apaixonado.
Ao chegar no estacionamento elas se despediram, marcando de passarem o sábado primeiramente na praia, depois na piscina e estendendo a noite para um filme no estúdio de Marina.
Marina: Quero um beijinho de despedida. — Disse com um olhar pidão. Clara como uma habilidosa bailarina girou o corpo de Marina, inclinando-se sobre ele, depositando um beijo no canto da boca da fotógrafa. Um momento que imitou a famosa foto do soldado e da enfermeira se beijando após a guerra. As amigas riram da cena que se passou entre as duas e Flavinha com muita rapidez, conseguiu registrar tudo pelo celular. Elas sorriram uma para outra e cada uma foi para seu carro.
CARRO DE CLARA:
Luiza: Aí tia, você ficam tão lindas juntas! – Clara sorriu e deu um leve tapa no ombro da sobrinha.
CARRO DE MARINA:
Gisele: Já vi o final dessa história.
Vanessa: Será que você está pensando o mesmo que eu?
Flavinha: Eu acho que penso o mesmo.
Marina: O que essas mentes malignas estão pensando?
Gisele: Que isso vai dá em casamento. — Todas riram juntas.
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