Borderline

4 Unexpected Visits


Notas iniciais
Mais um, vou passar a postar duas vezes na semana, espero que gostem, a fic vai ficando um pouco mais pesada a partir de agora.Enjoy!

Rachel

A primeira notícia que tive ao ligar para Dani foi que Alma estava presa, mas não sabia por quanto tempo, afinal abuso infantil não é um crime tão grave aos olhos da lei, apenas tiram o menor do lar e o resto se resolve, fiquei furiosa, mas eu não poderia fazer nada. Me perguntava porque em vez de artes cênicas não fizera direito, mas enfim, agora pelo menos Santana estava segura comigo, Dani avisou que o Juiz iria visitar minha irmã no hospital e já estava a caminho, não gostei, sabia como Santana reagia a estranhos, fiquei preocupada com isso.

Voltei ao quarto, Santana ainda dormia, precisava esperar o juiz, e o horário de visitas já começava.

Ouvi a porta abrindo, Sue, Holly, Noah, Quinn e Kurt entraram no quarto, fiquei tranquila, afinal eram pessoas em quem minha irmã confiava.

–Rachel! – Holly me abraçou – Como ela está?

–Ela acordou mas dormiu em seguida, não acordou depois disso. – Avisei nos braços da loira mais velha. – Eu preciso sair, encontrar o juiz que está cuidando do caso da minha irmã, ele quer um depoimento agora, quer terminar o caso o quanto antes.

–Tudo bem, eu passo na casa de vocês, assim conversamos melhor.

–Claro – Cumprimentei a todos, me desculpei e saí em busca do juiz.

Santana

Acordei novamente com o som de vozes, dessa vez conhecidas e o bip do monitor cardíaco apitava. – “Eles não podem desligar esta merda agora que sabem que eu estou viva?”

–Santana! Graças a Deus você acordou! – Kurt me abraçou entusiasticamente e eu soltei um gemido, meu corpo estava dolorido e eu não sou fã de abraços.

–Kurt, será que você pode me soltar? Estou toda dolorida!

–Desculpa, como está se sentindo?

–Dolorida e faminta, cadê a Rach? – Procurei minha irmã entre os presentes ela não estava ali, fiquei ansiosa. Coloquei minha mão livre na boca e comecei a sugar.

–Ela precisou sair para falar com um juiz e já vem. – Quinn avisou, acariciando minha mão para que me acalmasse, Rachel e ela sempre fazem isso.

–Que?

–O juiz veio te visitar. – Explicou Quinn.

–Por quê?

–Talvez você seja importante e nem sabe! – Puck revirou os olhos e sorriu. – Que bom que está acordada, ficamos preocupados.

–Agora todos fora daqui que eu quero ver a Lopez com meus próprios olhos. – Sue Sylvester estava mais escondida no quarto juntamente com...

–HOLLY! O que você está fazendo aqui? – Perguntei surpresa, porém feliz.

–O que eu estaria fazendo aqui, Santana? Compras que não é.

–Não, eu quero dizer em Lima, o que faz em Lima? Pensei que estivesse trabalhando em New York.

–Ah depois que eu soube que uma certa latina estava tendo problemas na escola e com o urubu velho eu precisei voltar. – Sorri para ela, uma das poucas pessoas que eu confio plenamente, depois da Rachel. – Como está Santana?

–Quebrada, mas bem, de certa forma.

–Bom, não me parece tão ruim. – Falou Sue com um sorriso torto, porém pude ver que ela tentava segurar as lágrimas. – Então, que bom que acordou Lopez, agora eu preciso ir ali – Apontou o corredor. – vou raspar a cabeça do Willian. – Rimos, ela não perdia a pose mesmo.

Um enfermeiro entrou no quarto trazendo uma bandeja.

–Sinto muito senhoras, mas é hora do jantar da senhorita Lopez.

–Oh, certo – Holly se despediu. – Fique bem Santana. – Saiu do quarto acompanhada de Sue após me dar um beijo na testa. Todos os outros haviam saído antes.

O enfermeiro reclinou a cama para que eu sentasse, abri o pote em cima da bandeja o que encontrei ali dentro fez meu estômago revirar, faltou as mosquinhas voando em cima da gororoba.

–Eu não vou comer isso! – Falei empurrando a bandeja para longe.

–A senhorita precisa comer para se recuperar logo.

–Eu preciso comer algo que não pareça vômito de criança. – Avisei.

–É o que tem, não esqueça que isto aqui é um hospital, não um hotel – Falou o homem alto e negro já impaciente, porém tinha um sorriso divertido, ele estava se divertindo com a situação.

–Sério? Não tinha percebido.

O enfermeiro tentou empurrar uma colherada daquela papa na minha boca e eu cuspi nele.

–Se tentar fazer isso mais uma vez eu quebro a sua mão – Gritei.

–O que está acontecendo aqui? – A voz de Rachel invadiu o quarto.

–A sua irmã está se recusando a comer doutora.

–Força-la a comer dessa forma não vai ajudar a mudar este fato, deixe comigo Jonas, eu sei como fazer essa latina birrenta comer.

–Rach, eu não quero comer isso. – Falei manhosa.

–Eu sei, isso é nojento, mas se não comer não vai ficar forte pra comer um bolo de chocolate que estará te esperando lá em casa.

–Mas, porque eu não posso comer algo que não pareça vômito?

–Porque seu organismo ainda não está preparado para receber outro tipo de alimento, cariño. – Acariciou meu rosto. – Agora seja uma boa menina e coma essa meleca, certo? – Assenti, ela pegou a colher e sem escolha me entregou, aquilo não tinha gosto, o cheiro era horrível, no entanto tive que comer tudo.

–Isso é ruim. – Fiz careta colocando minha boca e começando a sugar. –Rach acariciou minha mão e os cabelos.

–Mas pelo menos comeu tudo.

–Eu não tinha escolha mesmo.

–Eu te entendo Santana – Uma voz desconhecida preencheu o lugar. – Quando eu era mais jovem e precisei passar dias no hospital eu dei uma colherada nessa coisa e acabei jogando a comida na cara do enfermeiro que me atendeu. Espere – Olhou para Jonas. – Acho que eu atirei a papa em você, não foi? – Jonas negou – Ah, certo, parecido, mas tudo bem o fato é que o cardápio dos hospitais deveriam ser mudados, farei um projeto de lei para isso. – Rimos, inclusive o enfermeiro Jonas, este cara apesar de estranho era engraçado– Olá, desculpe minha falta de educação, meu nome é James, sou o juiz que está cuidando da sua situação.

–Oi, prazer. – Olhei para ele, e tirei a mão da boca na mesma hora, não poderia parecer uma imbecil para o juiz que me permitiria morar com minha irmã, era um senhor simpático deveria ter seus sessenta anos. – Quando sair daqui já posso morar com a Rach?

–Após essa conversa lhe responderei, combinado?

–Tudo bem.

–Diga-me Santana, você é feliz morando com sua avó? – Que tipo de pergunta era aquela? Ele não sabia o motivo de estar internada no hospital?

–Bom, não!? – Falei como se fosse óbvio.

–Desculpa, eu precisava confirmar, preciso saber o que faz Rachel Berry uma melhor tutora para você do que Alma Lopez.

–Rachel me conhece como ninguém, é a pessoa que sabe tudo da minha vida e faz de tudo pelo meu bem estar, ela sempre me protegeu, me defendeu e cuidou de mim, ela me aceita como eu sou, com minhas loucuras, com os meus problemas, inclusive com o meu defeito genético, ela é a única pessoa que jamais me abandonaria, sei que ela é a pessoa mais indicada a ser minha guardiã.

–Obrigada, é o suficiente. Srta Berry, poderia me dar mais um minuto do seu tempo ali no corredor?

–Não pode ser aqui dentro? – Perguntei antes que ela pudesse responder.

–É só um minuto mi amor, eu já volto. – Acariciou meu rosto e saiu.

3ª pessoa

–Já tenho minha resposta, mas antes quero perguntar, qual a gravidade dos problemas psiquiátricos da sua irmã?

–Numa escala de um a dez? – Perguntou a pequena. O homem em sua frente assentiu. – Eu diria 8 em dias normais e 9,5 em momentos de crise.

–Compreendo, sem perspectiva de cura?

–Sim sem perspectiva de cura, Santana será dependente de mim ou de qualquer tutor pelo resto da vida. O máximo que pode acontecer é na idade adulta com acompanhamento profissional a escala diminuir para 6 e 8 mas nunca menos que isso. Sem acompanhamento 10 e 10 – James encarou a baixinha com um olhar triste, parecia sentir uma certa pena.

–Compreendo foi um prazer conhecê-la Senhorita, espero que a partir de agora sejam uma família unida e feliz.

–Então isso é um sim? – Perguntou emocionada, sua ética a impedira de dar um abraço forte no juiz.

–Sim minha resposta é sim. – Estendeu a mão como forma de cumprimento que Rachel logo segurou.

–Foi um enorme prazer conhecê-lo.

Rachel voltou para o quarto e abraçou Santana.

Santana

–Conseguimos, quando receber sua alta, pode ir comigo!

–Finalmente! – Sorri. – Agora sim a minha vida será bem melhor.

–Não pense que terá vida fácil comigo mocinha.

–Não me importo Rach, sendo com você, tudo fica melhor.

Ouvimos a porta abrindo e meu tio entrava por ela.

–Fiquei sabendo que uma certa mocinha resolveu fazer birra por causa da comida. – Meu tio sorriu compreensivo.

–Aquilo não é comida, é desumano servir algo assim para um paciente. – Falei emburrada. Meu tio gargalhou. – Eu quero ir embora!

–Estou magoado, rejeitado pela minha própria sobrinha. – Revirei os olhos.

–Que drama titio, eu só não quero ficar aqui. Será que já podem tirar o soro?

– Ainda não pode ser retirado, não recuperou todas as vitaminas necessárias, ainda precisa ficar mais tempo ate se recuperar bem, visto que recém acordou.

–Que saco!

–Sany, se você não se comportar não vai poder sair tão cedo.

–Rachel tem razão Santana, e mais se não se comportar eu mando sua irmã para casa.

–Isso não! – Fiquei ansiosa com a ideia de Rachel ir embora, comecei a coçar o braço direito com a mão. – Vocês não podem tirar ela de mim, não podem! – Chorei desesperada, Rachel tentou segurar minha mão mas não deixei.

–Sany, calma, isso não vai acontecer, eu não vou arredar o pé daqui. – Tentou pegar minha mão novamente. – Sany, me de a mão antes que comece a sangrar. – Não parei, cocei mais forte. Rachel segurou a minha mão com força impedindo que eu soltasse. – Sinto muito cariño mas você está começando uma crise. – Estanquei, eu sabia o que era aquilo na mão do meu tio, ele entregou uma contenção de couro para o enfermeiro Jonas e prendeu a minha outra mão que estava no soro.

–ME SOLTA! – Gritei. – TIRA ESSA PORRA DO MEU BRAÇO – Gritei mais alto.

–Sany, você precisa se acalmar meu amor. – Rachel falou firme.

–Se não se acalmar não poderemos tirar a contenção, sinto muito Santana, mas nós conhecemos as suas crises e você está entrando em uma, isso é para você não se machucar. – Falou meu tio autoritário.

–Rach! – Tentei.

–Ainda não querida. Quando passar a mana tira, certo?

–Por favor! – Implorei.

–Calma, eu vou deitar aqui contigo, certo? Assim você se acalma mais rápido e eu posso tirar. Papai, acho melhor seda-la. – Falou com a voz fraca, Rachel odiava ter que me dar sedativos, mas eu estava numa crise. – Precisava dessa ameaça, você sabe o quanto ela fica assustada papai, que merda. – Rachel acariciou meu rosto delicadamente. – Ninguém vai me tirar daqui bebê, a mana promete.

Tio Leroy colocou o sedativo na mangueirinha.Quando eu já estava quase pegando no sono olhei para Rachel com a voz pastosa pedi:

– Canta para eu dormir?

–Claro mi amor.

Ela começou a cantar mas não reconhecia a letra, apenas o som da voz da minha Irmã, fui me acalmando, meus olhos foram ficando pesados ate que peguei completamente no sono.

Notas finais
Espero que tenham gostado, ate o próximo, pessoal. Aguardo vocês nos comentários!