Borderline
3 Despair
Notas iniciais
Rachel
Fazia uma semana que Santana não aparecia na escola. Primeiro pensei que poderia ser uma nova crise, mas quando Santana estava em crise Alma me ligava para que eu fizesse alguma coisa, dispensei essa ideia. Outra coisa que me assustou foi a falta de ligações ou mensagens. Santana sempre me ligava para qualquer coisa, fosse pedindo colo ou contar novidades, portanto estranhei. Liguei a semana toda tentando entrar em contato, telefone fixo e celular desligados, fui na casa delas, nada, tudo fechado; bati na porta ninguém me atendia, procurei a chave reserva, nada. Kurt me avisou também que não via a amiga desde a escola naquela sexta feira. Isso me deixou ainda mais preocupada.
Peguei o telefone e disquei para a única pessoa que poderia me ajudar naquela hora.
–Rachel?
–Sim, Dani, eu preciso que mande uma assistente social na casa da Santana, eu estou aqui na frente, tem movimento na casa mas não atendem, traga a polícia e se possível chame uma ambulância. Ela não aparece na escola faz uma semana, eu ligo e não atendem, fui na casa da avó e está tudo trancado.
–Certo, eu estou no juizado agora e já resolvo isso, Encontro você em vinte minutos.
–Obrigada Dani, você acabou de salvar a minha vida, talvez duas. – Falei suspirando.
–Sempre dramática.
Dani chegou acompanhada da polícia e a assistente social em vinte minutos e a sirene soava alta, Bati na porta com força,mais uma vez, nada. Um policial pegou um mega fone e gritou para dona Alma sair da casa, meu peito estava apertado, eu sabia que havia alguma coisa grave acontecendo com Sany. Alma abriu a porta e quando nos viu fechou a cara.
–O que quieren aqui? – A mulher perguntou. – Porque la policia está en mi casa? Quien son estas?– Perguntou para Dani e Samanta.
–Saber de Santana, onde está mi pequeña? Estas son mi abogada Danielle y la asistente social Samanta.
–Santana não está aqui. – Eu tinha certeza que ela mentia.
–Pero no és la verdad, Santana não aparece na escola há uma semana e sei que não é uma crise se não a senhora teria me ligado avisando, assim como sei que ela não se encontrou com nenhum amigo, ou tentou me ligar, seu telefone está desligado. Quiero lá verdad señora Lopes, donde esta mi pequeña?
–Se a senhora não falar onde está Santana, a polícia tem um mandato para invadir a casa, portanto, diga-nos onde está a garota senhora Lopes. – Dani insistiu.
–No porão! – Avisei, como se uma lâmpada tivesse acendido na minha cabeça. – É onde a avó lhe impõe os castigos. – Informei quando todos me encararam confusos. Praticamente empurrei a mulher na minha frente e saí correndo atrás da minha irmã. Abri a porta do porão e o que vi me fez querer chorar e vomitar ao mesmo tempo. – Sany. Mi amor, yo voy a llevarte para lejos de esta mujer!
Santana estava jogada no chão sangrando nas costas em volta a uma poça de urina e vômito além de metade de um copo de água.- Dani! – Gritei lá de baixo. – Samanta. – Gritei novamente desesperada.
–Rachel? Você a encontrou? – Ouvi passos descendo a escada. – Oh meu Deus! – Dani apertou o peito. – Eu vou chamar os paramédicos, eu não posso ficar aqui.
–Não parece drama, certo? – Dani apenas me abraçou e deu um beijo em minha têmpora, depois saiu correndo.
Samanta se aproximou discretamente. Verificou a pulsação de Santana. Estava fraco como já havia verificado antes.
–Ela vai ficar bem, senhorita Berry, estou impressionada que ela esteja viva.
–Não tenho certeza de quanto tempo ela está desacordada Samanta.
–Ela vai acordar e ficar bem.
–Claro que vai, Santana é a menina mais forte que eu conheço. O que me dói mais é que ate os paramédicos chegarem não posso se quer coloca-la no meu colo.Entende agora porque eu preciso tirar ela da avó?
–Sim, eu entendo, como alguém pode ser tão asqueroso?
Fomos interrompidas pelo som de pessoas falando alto e correndo para dentro da casa.
–É aqui. – Escutei a voz da Dani.
Os paramédicos desceram correndo, com agilidade a pegaram e colocaram-na em uma maca. Um perito fotografou a cena, assim poderíamos mostrar as provas para o juizado.
–Como isso aconteceu? – Uma policial me perguntou. Quando saímos da casa e colocaram Sany em uma ambulância, nós duas entramos junto a ela.
–Tenho diversas teorias mas a única que poderá no responder será minha irmã, mas não acho que ela esteja pronta para dar um depoimento, ate se recuperar bem, não quero atrasar o trabalho de você mas Santana tem alguns transtornos psiquiátricos e ate se sentir confortável não vai falar nada.
–Estamos cientes senhorita Berry, sabemos do histórico da sua irmã, desde que a Senhorita pediu a guarda investigamos a situação toda.
Acompanhei Santana no hospital, não saía do lado dela nem por um segundo, apenas para tomar banho. Já fazia dois dias que ela estava inconsciente e eu entrando em desespero.
Fui tirada dos meus pensamentos pelo toque insistente do meu celular. Era o Will, provavelmente querendo saber notícias da Sany.
–Senhor Shue?
–Rachel, já passamos desta fase.
–Desculpa Will.
–Tudo bem, Santana acordou? – Perguntou ele muito preocupado. – Os colegas também querem saber.
–Não, mas está estável segundo meu pai que é o médico dela, ela acordará a qualquer momento, só precisa querer.
–Que bom. Sua avó é maluca Rachel. A polícia está investigando a situação toda, pelo que soube.
–Ela pode ser minha avó de sangue mas eu não a trato como se fosse. Tirei ela da minha árvore genealógica há alguns anos. É, eu sei, acho que eles podem ter encontrado algumas câmeras no porão, eu sabia o que a avó fazia com ela e um dia que aquela mulher foi a missa tirei Sany de casa e mandei instalar.
–Entendo o motivo, bom, avise-nos quando ela acordar, iremos visitá-la, muito esperta Rachel, inclusive.... Deixa que eu falo. – Uma voz feminina interrompeu nossa conversa e soltamos uma leve gargalhada.
–Holly – Virei os olhos.
–Rachel! – Sorri para o aparelho! – Tenho uma ótima notícia,e soube que está precisando de uma psicóloga.
–Você? – Perguntei assustada.
–Deus me livre, não, por favor, jamais, mas eu conheço uma vadia tão ou mais louca que eu, ela faz esse tipo de sacrifício. – Gargalhei baixo. – Eu consegui um emprego fixo no McKinley, o que acha?
–Perfeito, bom, depois conversamos melhor, apareça aqui, Sany gostará de vê-la .
–Claro! Vai lá fazer o que tem que fazer eu preciso desligar também.
–Ok, fico feliz pelo novo emprego. Ate logo, eu espero. – Encerrei a ligação e logo recebi uma mensagem de Dani.
“O juiz quer conversar com Santana assim que ela acordar. – D.D”
“ Não pode ser depois que ela se recuperar? R.B”
“Não, ele quer finalizar o caso o quanto antes mas precisa de um depoimento da San, a polícia encontrou as câmeras, muito esperta– D.D”
Sorri para o aparelho.
“Certo, pelo jeito não tem outra opção mesmo, quando se trata dela Dani, eu faço qualquer coisa. – R.B”
Santana
Acordei com um barulho estranho no meu ouvido, vários bips irritantes e algumas vozes que não consegui reconhecer. Exceto por duas.
–Ela está acordando. – A voz do meu tio Leroy avisou e o bip ficou mais alto. – Santana? – Chamou. Tentei levantar minha mão, estava assustada com a situação, queria suga-la mas senti uma fisgada no braço, tentei arrancar o objeto que me machucava quando senti a mão macia de alguém segurando a minha impedindo que alcançasse o meu objetivo. Abri os olhos e me arrependi uma luz forte queimou meus olhos, fechei novamente.
–Diminuam a luz, ela está muito forte, irá machucar a retina dela. –A voz de Rachel pediu. – Sany? – A voz de Rachel invadiu meus ouvidos. – Sany, está tudo bem, abre os olhinhos meu anjo.
–Onde estou? – Abri os olhos e após me acostumar com a luz identifiquei um quarto branco com aparelhos ao lado da cama.
–Sany, você está em um hospital, qual é a última coisa de que se lembra?
–Minha abuela me levando ao porão ela me fez tirar a camiseta e me jogou no chão, então me chicoteou, depois ela entrava e saía com água. Não tenho ideia de quando fiquei lá, lembro dela trancar o porão e depois disso mais nada. – Virei o rosto para Rach, ela estava pálida, os olhos vermelhos e as olheiras estavam roxas. – Você está parecendo um zumbi. – Falei e rimos fraco. – Posso ter um copo de água? – Pedi, minha boca estava seca e a garganta ardia. Minha mandíbula doeu por ter ficado sem falar por tanto tempo.
Rachel me esticou um copo cheio de água com um canudo, encaixou o mesmo na minha boca e sorvi o líquido em grandes goles.
–Como se sente?
–Como se um bando de gatos tivesse me arranhado.
–Santana, sente mais alguma coisa? Dor de cabeça, tontura? – Olhei para o meu tio. Neguei.
–Rach to com fome.
–Calma Cariño, logo poderá comer.
–Tá bom. Quando eu poderei sair daqui?
–Quando estiver mais forte, querida, você ficou uma semana naquele porão e está há três dias no hospital, precisa recuperar suas forças e assim irá para casa, certo?
–Eu não quero voltar pra lá.
–Sany, você volta comigo.
–Você conseguiu?
–Ainda não, o juiz quer conversar com você. Inclusive, eu tenho que avisar a Dani que você acordou.
–Tudo bem.
Ela saiu rapidamente do quarto e eu voltei a dormir, estava com sono, mesmo sabendo que havia dormido tanto tempo.
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